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11 de junho de 2012

505-O Nosso Primeiro Livro de Leitura

Um dos livro utilizados nas escolas do mato pelo PAIGC durante a guerra colonial.
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13 de maio de 2012

479-A escola de Samba Culo


Região do Oio>Mata do Oio> Zona de Tambicó - Samba Culo
Este Banquinho da Nova Escola de Samba Culo, trazido em 29-03-2010 por Carlos Silva – ex-combatente, representa e simboliza a Escola de outrora existente algures na zona onde se deu a batalha aqui narrada e onde morreram vários combatentes, incluindo a Professora, guerrilheira do PAIGC
Foto Carlos Silva

 Fui mandado e disseram-me antes: Que é assim, vais ter que matar e até podes morrer, pode suceder, depende de ti.
Não me convenci disso, porque nunca na minha vida tinha querido matar alguém e nunca quis morrer, sempre desejei viver.
E, já lá na guerra, fui vendo alguns morrerem sem que quisessem, só porque tinham sido enviados para aquela operação, só porque os colocaram naquele posto ou naquela viatura, não dependeu deles.
Eu, como quase todos, disparei muito a G3 em operações e emboscadas, mas nunca soube se ficou alguém morto por mim no meio daquela mata ou atrás daquelas árvores. A maior parte das vezes nem os víamos.
Mas, naquelas operações “Inquietar” para tomar a base que o PAIGC tinha em Samba Culo [o comandante era Braima Bangura, que foi fuzilado por Nino Viera depois do golpe de 1980], verifiquei, infelizmente, que era assim como me tinham dito.
Foram duas companhias de intervenção e o meu pelotão, da companhia de quadrícula, foi-lhes agregado.


Região do Oio>Mata do Oio> Zona de Tambicó - Samba Culo, 29-03-2010
A nova Escola construída com o apoio do Padre Carlo Andolfi da Missão Católica de Farim
Foto Carlos Silva

 A “Inquietar I”, de 9 a 13 de Junho de 1967, não correu bem.

As primeiras emboscadas fizeram-na à companhia da frente. Dei indicação ao meu pelotão, que estava a meio, que entrasse pela mata para fazer um envolvimento.
Fui á frente e, a certa altura, disse-me o Lamine, meu guarda-costas, “estão ali turras”. E estavam lá. Apontei, sempre fui bom atirador, mas, horror em matar, apontei baixo e acertei na perna dum deles. Corremos, mas eles fugiram arrastando o ferido.
Complicada aquela mata. Foram três dias de marchas entre árvores e várias emboscadas. No terceiro dia encostaram-nos ao rio Canjambari. Dizendo-me o capitão comandante da operação:
Ó Lopes, tenho aqui os meus homens organizados, vá você ver se fura o cerco.
Lá fui, vi um e disparei, ouvi-o gritar “o cú” [não o matei pensei], mas levei porrada e voltei para trás.
Passado tempo disse-me para ir tentar novamente. Fui e de novo levei porrada, com a agravante de um soldado meu ter levado um tiro nas costas, dos do capitão, que também começaram a disparar.
Disse-lhe não vou mais, é melhor chamar os T6.
Vieram, despejaram umas bujardas à volta e lá nos safámos. 

A seguir, a “Inquietar II”, de 4 a 7 de Julho, com os mesmos.


Região do Oio> Zona de Tambicó-Samba Culo>Uma sala da Nova Escola, cujo equipamento utilizado é o que está à vista , 29-04-2009 Foto Carlos Silva

 Não foi diferente quanto às andanças na mata e às várias emboscadas, mas houve alguns feridos nossos desta vez.
O Comandante, ao terceiro dia, optou por nova táctica: deixar uma companhia a levar porrada a sul da base e, à socapa, a mata era cerrada, foi com a dele mais o meu pelotão para oeste, virando para norte e atacando pelo lado do rio Canjambari.
Entrámos de repente, o grosso deles estava entretido com a outra Companhia, havia lá três ou quatro que tentaram reagir mas foram abatidos pela Companhia, o meu pelotão entrou por uma barraca coberta de colmo.
Estava lá uma rapariga que agarrou numa kalashnikov.
Gritei-lhe “tá quieta, firma lá!”. Mas ela apontou-me a arma. Despejei-lhe uma rajada na barriga, caiu no chão.
Fiquei primeiro estático a olhar para ela, era bonita.
Virei-me, mandei a G3 para o chão e gritei furioso “Merda!”. Os meus soldados olharam para mim espantados. Um furriel disse-me: “Olhe que ela matava-o”
Havia várias carteiras, à minha frente um quadro preto com um desenho a giz branco de um vaso de flores. Por baixo tinha escrito, também a giz branco, “Um vaso de flores”.
Dei depois com o 1º cabo P… em cima da rapariga agonizante e a levantar-lhe o vestido.
Ainda a tremer fui-me a ele, dei-lhe um murro e uns pontapés:
“Eu dou cabo de ti, grande cabrão!” [coitado, o Gazela matou-o, mais tarde, em Sinchã Jobel].
Veio o Capitão, olhou para tudo, disse que era preciso ir fazer uma revista àquilo tudo, que os gajos tinham largado a outra Companhia, tinham-se pirado.
Vi o guia ao pé dele e perguntei-lhe se sabia quem era aquela rapariga que jazia ali no chão.
É a professora, Abess, disse-me ele.
Encontrámos muita coisa. Ao sairmos pegámos fogo a um armazém de munições, que esteve a rebentar durante vários minutos enquanto nos afastámos.
Aquela morte que sei, não me tem saído da cabeça……

 
Região Oio>Mata do Oio> Zona de Tambicó - Samba Culo, 29-03-2010. Foto Carlos Silva

 [Romagem do Autor em ficção ao trágico local] 

Ali estava ela, jovem e bela como a conheci há trinta anos, mas agora com um olhar calmo e um sorriso nos lábios, vi-a na expectativa do meu abraço. E abracei-a... e chorei.
Professora, este jovem é o Cinco, que me trouxe de jeep até aqui, e este é o Blétch Intéte, filho da siguê[1] dos balantas de Barro.
O outro teu patrício, homem-grande[2], é o Cacuto Seidi, chefe da tabanca[3] de Barro. Foi ele que me disse que o Blétch Intéte tem irã[4] e que só ele podia fazer com que eu te encontrasse.
A minha chegada aqui, há trinta anos, [1967] foi muito diferente, como deves calcular, e não me refiro, evidentemente, às razões de cada uma das viagens.
Desta vez, assim que pisei o aeroporto Osvaldo Vieira[5], tive de levar as mãos ao peito para que o coração não me abandonasse.
Por mais esforços, por mais conversas apaziguadoras, durante as quatro horas que durou a viagem, não consegui acalmá-lo nem convencê-lo de que era preciso dominar a ansiedade e moderar os desejos de ti.


Região do Oio>Mata do Oio> Zona de Tambicó-Samba Culo>Escola de Samba Culo, 18-03-2009
Eram assim, ou pior ainda, as escolas e casas de mato onde os guerrilheiros se acoitavam, nos anos 60/70 – Na Foto: Carlos Silva; Prof Calabus Ferreta e o Ussumane Seik, Comando DFA

Perdido, cego de alegria e paixão, chegara a hora da realização do sonho de vários anos, depois de desvanecidos todos os fantasmas, é claro, porque, quando saí daqui a primeira vez, evacuado para o hospital, este coração estava enraivecido com vocês todos, que me tinham ferido e matado amigos meus.
Passados nove meses, aqui voltei, para continuar na guerra, é verdade, ainda confuso mas já sem ódio e desejoso de entender o que se passava.


Região do Oio> Zona de Tambicó-Samba Culo>Local da ex-Escola de Samba Culo, 29-04-2010

Foi nessa minha fase, Professora, que nos conhecemos, quando dei contigo na tua escola de Samba Culo, naquela manhã de 7 de Julho.
Da segunda vez que abandonei a Guiné e deixei a guerra, a minha vontade e empenho foi esquecê-la, varrer-vos a todos da minha memória, lavar as marcas do sangue dos meus amigos, do meu próprio, e também do vosso, banir o medo e o cansaço que se me entranhara na alma ao percorrer as matas deste chão que, agora, vê lá!, reguei com lágrimas de alegria e de saudade consolada.
Para aqui chegar, frequentei bares e prostitutas, acumulei sessões contínuas no Olímpia[6], fui estudante mas nunca acabei cursos, percorri a Europa, estive em Paris, no Quartier Latin das minhas leituras, Londres, vi a Royal Guard e a rainha, Roma, não vi o Papa porque estava de férias em Castelgandolfo, e vê lá que me atrevi a passar a cortina de ferro, em Praga, Moscovo, onde namorei uma soviética na Praça Vermelha, a tchetchena Aniuska, Leninegrado e Kiev, fui activista sindical e militante político, participei em primeiros de Maio, fiz trabalhos clandestinos e levei porrada da polícia, dormi em esquadras, casei-me, fiz filhos e apanhei bebedeiras, bati nos filhos e descasei-me, conheci muitas mulheres, fiz amor por todo o lado, levei muitas negas e passei noites de solidão, dormi em bancos de jardim e debaixo de árvores, mas nunca te esqueci, não houve prazer-anfetamina que cauterizasse esta memória em carne viva nem bebida que a afogasse, cansei-me da vida, como me cansara antes para não morrer, e pensei em matar-me. Mas, olha, não consegui, não por causa de Deus, pois nesse período nunca fui à missa e nunca me confessei. Não o fiz porque tinha começado a amar-te e não queria morrer sem voltar a ver-te, sem deixar de to dizer.
Está a ficar noite e tenho três horas para chegar a Bissau.
Cinc, prépare le jeep, nous en allons tout de suite.
Sabes, professora, porque é que o meu condutor se chama Cinco?
Nasceu no dia 5 de Maio e é o quinto filho de sua mãe, que decidiu dar-lhe esse nome tão significativo.
Não, não te preocupes que ele não percebeu nada da nossa conversa, além do crioulo só sabe francês, pois frequentou apenas uma escola em Dakar.
É que, professora, nasceu há 23 anos, muito depois daquele dia em que tive de te abrir o ventre com uma rajada de G3 por te ver empunhar a kalash que tinhas pendurada no quadro da escola.
Ele não estava aqui entre os teus meninos. Se tivesse estado, saberia falar e escrever português, com certeza.
Sei que foste uma boa professora.
Vi que escrevias no quadro as palavras com o desenho correspondente para os teus alunos identificarem bem em português os objectos do seu dia-a-dia.
Vi os livros por onde aprendiam a ler.
vi os cadernos de redacção e de cópias.
Está descansada, não matei nenhum deles, garanto-te. Devem estar por aí, cidadãos do teu país.
Tenho de partir, de voltar a Portugal.
Gostei muito de falar contigo, tinha mesmo necessidade de o fazer, já que, naquele dia em que nos encontrámos pela primeira vez, só eu te disse “firma lá!”[7] e tu não me disseste nada. Percebo que nem me quisesses ouvir...
E nunca mais dormi descansado até agora.
Quero pedir-te uma última coisa, que desculpes aquele meu soldado que tentou violar-te quando estavas agonizante. Conseguiste ver ainda que não o deixei fazer isso. Perdoa-lhe, era bom rapaz, um camponês minhoto que para aqui foi lançado e, sabes, é fácil perder a cabeça numa guerra de inimigos fabricados. Talvez o encontres por aí, o teu camarada Gazela matou-o em Jobel e o corpo dele por cá ficou.Deve andar, como tu, no meio desta floresta do Oio.
Fala com ele agora.



[1] Feiticeira tribal
[2] Homem idoso, respeitável, aceite como autoridade pelos mais novos da povoação.
[3] Povoação.
[4] “Irã”, entre os balantas, que são animistas, é qualquer ser da natureza, árvore ou animal, ou qualquer objecto a que é atribuído poder mágico. «Tem irã» significa ter poder sobrenatural que é preciso respeitar e temer.
[5] Aeroporto de Bissau, a que foi dado o nome de Osvaldo Vieira, herói do PAIGC, morto durante a guerra de libertação.
[6] Cinema popular na Rua dos Condes, em Lisboa.
[7] Está quieta aí!

1 de fevereiro de 2012

376-Dispositivo e armamento do PAIGC na guerra colonial


Excertos da “Análise da actividade da guerrilha”, contida no último relatório da 2ª REP do CTIG (2ª Repartição do Comando Territorial Independente da Guiné), do qual já dei notícia aqui. Os meus agradecimentos, mais uma vez, ao Luís Vaz pela cedência desse documento, e também ao Sousa e Castro, de cujo blogue copiei duas fotografias.
 
"A actividade da guerrilha do PAIGC, em 1973, processou-se de acordo com os padrões normais dos anos anteriores, tendo apresentado no entanto a seguinte particularidade: o ponto alto verificado no final da época seca (em MAI73) correspondeu a cerca do dobro das acções registadas em 1972, na mesma altura, e o decréscimo observado durante a época das chuvas foi mais acentuado e prolongou-se para além da época seca, até NOV73.
No entanto a partir do final de DEZ73, a actividade da guerrilha aumentou muito acentuadamente, tendo sido em todos os meses do primeiro trimestre de 1974 mais elevada que nos meses homólogos do ano anterior.
Deste modo ao empolamento da actividadfe da guerrilha em 1973, sucedia outro tanto em 1974.
O habitual ponto alto que se previa para ABR/MAI74, e tudo fazia admitir mais violento que o de 73, só foi sustido pela ocorrência do Movimento de 25ABR."

ANÁLISE DOS QUADROS JÁ PUBLICADOS ANTES (VER):

▀ No ano de 1973 as acções de guerrilha (1.5141.033 de iniciativa do PAIGC e 481 de reacção), aumentaram em 11% relativamente a 1972 (1.359760 de iniciativa do PAIGC e 599 de reacção). Houve um aumento de iniciativas do PAIGC em 35%. Acrescenta o relatório que “Esta tendência – aumento da actividade de iniciativa – acentuou-se mais nos primeiros quatro meses de 1974 (+50%), período em que se registaram 415 acções de iniciativa, total significativamente superior às 276 realizadas pelo PAIGC em igual período de 1973”. Refere que estes números reflectem uma maior agressividade e potencial revelados pelas FARP (Forças Armadas Revolucionárias do Povo, exército do PAIGC) e uma diminuição da reacção e menor capacidade ofensiva das NT (Nossas Tropas).
▀ Em 1973 as NT tiveram mais do dobro dos mortos (185) do que em 1972 (84), sendo o total de mortos até 30 de Abril de 1974 (81) quase tantos como em 1972.
Diz: “Era notória a evolução do abandono progressivo de actividade de guerrilha dispersa em superfície, em proveito das acções maciças contra objectivos definidos, obrigando a grandes balanceamentos de meios, por vezes, envolvendo elementos de todo o TO [Teatro de Operações].” E menciona o PAIGC com novas armas (Míssil Strella e Viaturas Blindadas) e maior emprego de outras (Mort 120, Fog 122, Canh 85, Canh 130, Minas Especiais).

DISPOSITIVO GERAL DO PAIGC E OBJECTIVOS:

Ao longo de toda a fronteira e nos países limítrofes, o PAIGC dispunha de Bases com estruturas e Comandos próprios, perfeitamente integrados na sua organização militar e que, em conjunto com os corredores de infiltração e áreas fulcrais no interior do TO, constituíam a malha do seu dispositivo.
Algumas das Bases ao longo da fronteira tinham simultaneamente carácter operacional e logístico, constituindo pontos de apoio à entrada de grupos armados e de colunas de reabastecimento.”

As Bases eram estas:
▀ Na ZONA OESTE: N’PACK, CAMPADA, SIKOUM, CUMBAMORY e HERMACONO, na faixa fronteiriça do Senegal, actuando contra as fortificações de S. DOMINGOS, INGORÉ, GUIDAGE, FARIM e CUNTIMA e infiltrando-se, pelos corredores de SAMBUIÁ e LAMEL, para as áreas fulcrais de:
- TILIGI, NAGA-BIAMBE e CABOIANA-CHURO, ameaçando directamente o Chão Manjaco e as povoações e aquartelamentos ao longo do eixo CÓ-BULA-BINAR-BIAMBE-BISSORÃ;
- BRICAMA, MORÉS e SARA donde ameaçava as povoações e aquartelamentos ao longo do eixo MANSOA-MANSABÁ-FARIM, a península de NHACRA e, indirectamente, a ilha de BISSAU.
▀ Na ZONA LESTE: na zona fronteiriça do Senegal, FAKINA, SAMBOLECUNDA, SARE LALI, SUCO/PAYONGON e LENGUEL/SERENAFE, ameaçando as regiões da fronteira Norte em direcção a BAFATÁ/NOVA LAMEGO.
▀ Na REP. GUINÉ:
- FOULAMANSA/KAORANÉ/MISSIRÁ e FOULAMORY, ameaçando toda a zona Lesta e particularmente, a NE, os aquartelamentos de PICHE, BURUNTUMA e CANQUELIFÁ;
- KAMBERA, por ORE/CAPEGE, e CHECHE-PIRI, ameaçando as regiões de Dulombi/Camjadude e, mais remotamente, GALOMARO/BAFATÁ;
- KOUNDARA, centro  logístico que apoiava todo o Leste e Norte.
▀ Na ZONA SUL:
- KANDIAFARA, a partir da qual irradiava para actuar sobre as guarnições fronteiriças de ALDEIA FORMOSA, GADAMAEL e CAMECONDE e servia de pnto de apoio aos grupos de guerrilheiros e colunas logísticas que penetravam pelo corredor de GUILEDGE em direcção ao UNAL, área fulcral do Sul, donde se dirigiam para:                 
                       . INJASSANE depois para-»QUÍNARA e BAFATÁ/XITOLE/SARA
                       . TOMBALI, CUBUCARÉ, COMO
- BOKÉ, centro logístico que apoia toda a Zona Sul e orienta os abastecimentos para Leste e Norte desembarcados no seu próprio porto ou no de KANSAR.


Mas, como se vê no mapa acima, eram mais as Bases que o PAIGC tinha quer no Senegal quer na Rep. Guiné.
Ver também aqui os corredores de infiltração a Norte.

POTENCIAL DE COMBATE DO PAIGC

▀ Cerca de 7.500 combatentes, em 1973/74: 4.500 nas FARP e 3.000 nas forças armadas locais (milícia popular e guerrilha).
No princípio de 1974 encontravam-se em instrução no CIPM de KAMBERA (MADINA DO BOÉ) cerca de 300 elementos por trimestre e que nos CI dos países de Leste e em Cuba se encontravam 500 dos seus quadros em diversos grupos de preparação.
Durante a ofensiva de Maio/Junho de 1973 e 1º trimestre de 1974 foram referenciados vários elementos estranhos ao PAIGC, de tez branca, depreendendo-se que recebiam ajuda em homens de países apoiantes, nomeadamente de Cuba.
▀ Nesse período foi detectado novo armamento e maior quantidade de outro já utilizado, destacando-se:
Míssil SA-7 Strella
Morteiro 120
Foguetão 122
Canhão 130mm
Viatura blindada BRDM-2





Refere-se que num relatório do Comité de Libertação da OUA, efectuada em MOGADÍSCIO de 15 a 21OUT73, se mencionava a futura satisfação para 1974 das seguintes necessidades fundamentais do PAIGC, no que diz respeito a material de guerra:
. Artilharia de longo alcance (15 e 30 km)
. Material de transmissões mais eficaz para coordenação das acções Inf-Art.
. Maior quantidade de Míssies terra-ar portáteis individuais, visto que as peças ou metralhadoras que possuíam (37: 12,7 e 14,5mm) em virtude do seu peso não podem actuar no interior do TO.
. Viaturas blindadas.
. Vedetas ultra-rápidas (40 nós de velocidade) para actuar especialmente na área do porto de BISSAU.
. Batrcos de borracha para actuação nos rios e minas aquáticas.
. 2 a 3 navios de longo curso para ligações com as ilhas de CABO VERDE.
Quanto a meios aéreos, apesar de várias notícias o referirem com insistência, o PAIGC não dispunha de aviação para apoio aéreo eficaz. Sabia-se da existência e aviões ligeiros na REP GUINÉ e era referenciado grande número de sobrevoos suspeitos, nomeadamente com MIG’s-17 e helicópteros. Admitia-se, entretanto, que a situação evoluísse, e o PAIGC pudesse vir a dispor de alguns aviões (seus ou cedidos pela REP GUINÉ) pois sabe-se de fonte segura, que estavam na RÚSSIA, para frequentar um curso de pilotagem (desconhece-se o tipo de avião), 28 recrutas do PAIGC.”

22 de janeiro de 2012

365-Efeitos da actividade do PAIGC e suas consequências

Com a devida vénia ao amigo Sousa de Castro, que publicou estes quadros no seu blogue  http://cart3494guine.blogspot.com/ , e ao Luís Gonçalves Vaz (filho do Cor. Henrique Gonçalves Vaz, último CEM - Chefe do Estado-Maior - do CTIG), que foi quem para lá os enviou. E os meus agradecimentos aos dois porque estes dados vieram ao encontro das dúvidas que já expressei anteriormente aqui.
São excertos de um Relatório da 2ª REP do CTIG (2ª Repartição do Comando Territorial Independente da Guiné), o qual diz assim no início:
«Entendeu-se para dar uma ideia mais objectiva da situação em 25ABR74 e sua evolução previsível se não tivesse ocorrido o M.F.A., seria necessário incluir além dos primeiros meses de 1974 todo o ano de 1973. Só uma visão deste lapso de tempo nos poderia revelar o progressivo agravamento da situação de tendência irreversível.
...O ano de 1973 juntamente com os primeiros meses de 1974, até ao 25ABR, constituem um período de nítido agravamento da situação militar, económica e político-subversiva no território da GUINÉ. Este estado de coisas reflectia a agudização do problema colonial português especialmente no plano internacional.»
Os quadros são claros na perspectiva do agravamento. 
Vou dar um destaque às acções contra as NT (Nossas Tropas) -  os ataques a tabancas (aldeias), raptos e roubos são decorrentes do tipo de guerra lá travada (mesmo assim com uma evolução negativa, o que também é significativo):
- ataques a destacamentos e embarcações, emboscadas, sabotagens, interdição de itinerários (não refere os aviões abatidos - ver aqui): 669 em 1972, 1008 em 1973; 249 do início de 1973 até 30 de Abril de 1973, 399 do início de 1974 até 30 de Abril de 1974
- quanto aos mortos, feridos, retidos e capturados: 940 em 1972, 1366 em 1973321 do início de 1973 até 30 de Abril de 1973,  507 do início de 1974 até 30 de Abril de 1974
Entre as"Populações" (mortos, etc) o quadro não diferencia os causados pelo PAIGC e os causados pelas NT. Houve pelas duas partes, evidentemente, mas com evolução negativa. Os americanos chamam-lhes "danos colaterais"... mas eu não: foram também vítimas de uma guerra injusta e inútil.
Quanto às baixas causadas ao PAIGC, vou dar igual destaque, tendo em conta, no entanto, só os "confirmados" (mortos confirmados, feridos confirmados, capturados, apresentados), pois eu sei, por experiência própria, que os números apresentados nos relatórios raramente correspondiam à realidade; mesmo assim: de certeza "confirmados" foram os capturados e os apresentados (resta saber se eram guerrilheiros ou se eram população controlada pelo PAIGC...); depreendo que os mortos e feridos "confirmados" foram os que ficaram no terreno ou de notícias colhidas junto dos informadores, mas em muitas situações relatou-se que "foram vistos rastos de sangue"... uma coisa é certa - os nossos mortos, feridos e "retidos" é que foram mesmo "confirmados":
- baixas causadas ao PAIGC: 538 em 1972472 em 1973195 do início de 1973 até 30 de Abril de 1973,  151 do início de 1974 até 30 de Abril de 1974
É evidente uma progressão inversa nas baixas dos dois lados: as das NT a subir, as do PAIGC a diminuir.


18 de janeiro de 2012

359-Partir da realidade da nossa terra


Grande poder de análise, notável inteligência, ligação ao povo guineense e capacidade de liderança.Ler este texto de Amílcar Cabral para o ver.ot
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357-Depoimento de Elisée Turpin


Elisée Turpin é um dos fundadores do PAIGC, no dia 19 de Setembro de 1956. Nasceu a 23 de Maio de 1930, em Bissau, onde frequentou Escolas Primária e Secundária.  
Mais tarde, vinha a concluir o curso de Contabilidade por correspondência. Foi empregado da Companhia Francesa S.C.O.A. – Sociedade Comercial Oeste Africana (de 1942 a 1956).  
De 1958 a 1964, Foi empregado da Casa António Silva Gouveia, e de 1964 a 1973, exerceu a função de Gerente da ANCAR.  
De 1973 a 1976, exerceu a função de Secretário Geral da Associação Comercial. A partir de 1976, começou a trabalhar por conta própria.  
Foi Militante do Partido Comunista Português na clandestinidade em Bissau, e é Militante do PAIGC desde a sua criação. 
O presente depoimento está ligado à fundação do PAIGC, expondo alguns factos de que se recorda e em que participou, para permitir uma maior e melhor percepção deste acontecimento histórico ocorrido em 19 de Setembro de 1956, em Bissau.
"... O espírito de revolta contra a presença colonial aumentou consideravelmente, a partir de 1942, altura em que o Governador da Província da Guiné era o Sr. Ricardo Vaz Monteiro, e o Administrador de Bissau era Pereira Cardoso.
O Governador Ricardo Vaz Monteiro, fortemente influenciado pela esposa Maria Augusta, quis introduzir o sistema de "Apartheid" na Província, ao tentar impor que nos estabelecimentos comerciais fossem criadas zonas separadas para brancos e pretos. A tentativa gorou, pois foi contestada pelos proprietários dos estabelecimentos comerciais.
Na sequência dessa tentativa, foi preso o maior comerciante guineense na altura, Sr. Benjamim Correia, alegadamente por se ter queixado junto do Governo Central de Lisboa sobre o ocorrido. Ele foi preso e transportado para Cabo Verde - Tarrafal. 
O mesmo Governador introduziu um código de postura em que era proibido andar nos passeios de Bissau a todo o indígena que não tivesse sapatos nos pés.
Estes factos e mais outros que ocorreram durante os anos 50, reforçaram o espírito nacionalista e patriótico em muitos guineenses. Foi nesse período dos anos 50 que o Amilcar Cabral regressou à Guiné e começou a fazer contactos com vista à criação duma Associação Desportiva, através da qual levávamos a cabo actividades políticas.
Alguns de nós eram militantes clandestinos do Partido Comunista Português, nomeadamente, Abílio Duarte e eu (mais tarde soube que o Rafael Barbosa o era também). Os activistas políticos não se conheciam todos, por motivos ligados à segurança.
Amilcar Cabral nos dizia que devíamos trabalhar como uma pirâmide. Isto é, o núcleo principal e de contactos permanentes seria pequeno, mas cada um devia ter a sua "Célula". Eu, por exemplo, tendo como Célula a Zona Velha da Cidade de Bissau (pois morava nessa zona), nunca tive contacto com Rafael Barbosa. Só mais tarde vim a saber dele, como sendo um dos principais activistas políticos desde anos 40 e um dos mentores da criação do Partido. 
                                                              A minha residência era no interior deste edifício.
Para além das Células, estabeleceram-se pontos focais, ou seja elos de ligação no interior do País. Por exemplo, o elo de ligação em Farim era o Dionísio Dias Monteiro; em Bolama era Carlos Domingos Gomes (Cadogo Pai); em Catio era Manuel da Silva. 
Lembro-me de algumas pessoas que se movimentavam na altura como activistas políticos e muitos deles envolvidos na criação do Partido:
  • Amilcar Cabral, Aristides Pereira, Rafael Barbosa, Luís Cabral, Abílio Duarte, Fernando Fortes, João Rosa, Inácio Semedo, Victor Robalo, Júlio Almeida, João Vaz, Domingos Cristovão Gomes Lopes.
Contudo, no dia 19 de Setembro de 1956, na fundação (criação formal do Partido, denominado PAI - Partido Africano da Independência), compareceram apenas 6 pessoas:
  • Amilcar Cabral, Aristides Pereira, Luís Cabral, Fernando Fortes, Júlio Almeida, Elisée Turpin.
Muitos não compareceram devido a constantes perseguições dos elementos da então PIDE. Nós que conseguimos participar no encontro, tivemos que ser muito prudentes e discretos: entravamos um a um e saíamos da mesma forma.
       Edifício onde foi fundado o PAI, sito no Bairro de Tchada, em Bissau.
O evento teve lugar no primeiro andar do edifício onde residiam Aristides Pereira e Fernando Fortes, no Bairro de Tchada, próximo do Hospital Nacional "Simão Mendes".
Eram volta das 5 horas de tarde desse dia. Foram aprovados os Estatutos do PAI elaborados e apresentados por Amilcar. A reunião deve ter durado cerca de 1 hora de tempo.
A partir dessa data, intensificaram-se os contactos, visando levar a mensagem junto dos guineenses e cabo-verdianos e anunciar as nossas intenções. O grosso das reuniões do PAI, a partir da sua criação, tiveram lugar na residência de João Rosa, que se situava no Chão de Papel.
Nessas movimentações participaram muitos outros activistas. Lembro-me de alguns:
  • Quintino Nosoline, Ladislau Lopes Justado, Manuel Lopes Justado, Rui Barreto, Epifanio Soto Amado, Alfredo Menezes, Carlos Correia José Ferreira de Lacerda, Gudifredo Vermão de Sousa (Tatá), Milton Sezimudo Pereira de Borja, José Opadai, Armando Lobo de Pina.
O intensificar de actividades e constantes movimentações políticas levaram a que a PIDE reforçasse as perseguições e, consequentemente, muitos activistas foram sendo aprisionados e torturados nas diferentes celas de prisões. Este facto e outros, nomeadamente os acontecimentos de Pindjiguiti em 1959, levaram à tomada de decisão do Partido de instalar a sua Direcção no país vizinho independente - Guiné Conakry...." 
  
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2 de janeiro de 2012

341-Ataque a Djagali, no encalço de Amílcar Cabral

Um enorme roncar de aviões despertou-nos, Vestimo-nos rapidamente e saímos. Começaram a largar bombas e a metralhar. Minuciosamente. São 6 horas da manhã. Uma dúzia de B26 giram no céu plúmbeo [devem referir-se aos T6, pois parece-me que na Guiné nunca houve B26; além disso, é um exagero falar em uma dúzia numa só acção, além de que nunca estariam tantos disponíveis…], quatro caças volteiam, traçando círculos concêntricos à nossa volta. Desta vez vieram em força e bombardeiam-nos com estrondo. Ouvimos explosões muito perto. Saímos rapidamente da base. O bombardeio continua durante uma hora pelo menos. Afastamo-nos para longe da área de Djagali [na margem esquerda do rio Farim]. Foi certamente um informador que avisou durante a noite um dos postos portugueses na região. Os portugueses devem saber que Cabral está na área. Depois de andarmos durante algum tempo, escondemo-nos num matagal, éramos um pequeno grupo de quinze – esperámos que tudo ficasse calmo. O bombardeio tornou-se menos intenso, deitámo-nos ou sentámo-nos debaixo dos ramos, encostados aos troncos das árvores.
- “Inocêncio”, disse Amílcar.
- “Hum!”
- “Inocêncio, é a guerra”.
Enquanto isso, Titina prepara Nescafé numa pequena caixa de metal. Pelas 7h30 um avião de reconhecimento voou sobre nós. Quinze minutos depois, uns  camponeses passam levando toros de madeira à cabeça.. "Balantas”, disse Inocêncio, “há uma piada entre os Balantas: querem reconstruir a palhota antes que ela acabe por arder".
Os aviões continuam a bombardear, agora esporadicamente.
- “Antes”, disse Amílcar, “o portugueses no Norte concentraram as suas tropas no Oio. O Congresso de 1964 decidiu levar a luta a todo o lado. E isso foi feito num ano. O que é que eles podem fazer? Bombardear. Temos milhares de homens em armas. Eles destroem o que podem... Já não controlam o país "
Um pouco mais tarde, os combatentes conduzem ao nosso objectivo. Os aviões continuam a girar, já longe de nós, que esperamos; o tempo de inatividade está a ser longo.
Inocêncio canta uma canção popular em crioulo:

GALO BEDJU [Galo velho]

I

"Senhor António, o que é que você tem?
Porque está tão triste?
Ó meus amigos, não é nada,
Tenho é saudades da minha juventude.

II

Quando era galo novo
Comia o milho nas tuas mãos,
Agora que sou galo velho
Obrigas-me a estalar o bico contra a terra.

   Cerca das 8h30 chegam dois combatentes. Bombardearam a tabanca de Djagali, não se sabe ainda o no número de mortos e feridos. Titina parte imediatamente para tratar dos feridos.
-“Para cá chegarem, precisam concentrar forças em Olossato”, disse Amílcar, “mas nós cortámos a estrada e a ponte está destruída "
De qualquer modo foi tomada a decisão de não partir dali para Yadur, como estava planeado para saírem da Guiné. Iria multiplicar desnecessariamente os riscos. Especialmente porque as medidas para garantir a segurança do Secretário-Geral iriam afectar a mobilidade dos combatentes e seria necessário mobilizar demasiados homens.
Um camponês passa, carregando madeira. Cumprimenta-nos.
-“Então”, diz Amílcar, “não te abrigas? "
"-Eles não nos podem matar todos num só dia", responde o homem. 
Ficámos a saber que havia 7 mortos e 5 feridos em Djagali. Era quase meio-dia quando regressámos à base de Maké. Trazido por Nino, responsável do Sul, estava lá um jornalista da Jeune Afrique, Justin Vieyra.. Cabral concede-lhe uma breve entrevista onde lhe disse que a ajuda dos Estados africanos era muito insuficiente.
Partimos nessa noite para atravessar a fronteira.
 Ao longo do caminho fomos saudados amigavelmente pelos camponeses,
Já mais longe, dois rapazes com idades entre 16-17 anos dirigem-se a Amílcar e pedem-lhe armas para lutar:
"Havemos de tê-las muito em breve, para vocês também", disse Cabral.
A marcha é rápida e silenciosa por entre a atmosfera húmida.. As camisas estão coladas à pele.
Fazemos uma breve paragem perto de uma fonte. A água está morna, mas sabe bem. Aproximam-se dois camponeses, reconhecem Cabral e abraçam-no. São dois Fula, velhos militantes do Partido.
Durante a caminhada, encontrámos mais dois rapazes que nos cumprimentam. cumprimentar.
"- Coragem”, disse Amílcar, “vamos vencê-los”
"- Claro," responderam eles .
17h. Na margem esquerda do Farim. Já nos esperava uma vintena de combatentes. Entrámos numa piroga. Ouvimos um ruído de motor do outro lado do cotovelo do rio. 
"- A canhoneira! ", diz alguém.
Aceleramos as remadas. O ruído aproxima-se. Enfiamo-nos num canal do outro lado, protegidos pelo mangais.  A canhoneira passa, o barulho vai diminuindo.
Do outro lado do rio, há uma grande planície túmida e nua. Há três quilómetros antes de alcançar a cobertura de palmeiras. Mesmo indo rápido, com as armas, a carga e o terreno lamacento, devemos demorar pelo menos 20 minutos para atravessar. É dia, há muito sol. O risco de sermos descobertos por um avião de reconhecimento é muito grande. Decidimos esperar pelo anoitecer. Meia-hora mais tarde chegauma segunda piroga com combatentes. Pouco tempo depois chega mais uma com outro grupo de combatentes. Ficamos todos sentados. Fumamos cigarros portugueses fabricados em Angola “Fábrica de Tabaco Ultramarina”, marca AC.
"- Chamamos-lhes Amílcar Cabral", diz Inocêncio.
O dia começa a declinar. Partimos. Levanta-se vento. Um grupo precede-nos e outro vai atrás de nós. Andamos de noite, sem dizer uma palavra, a passo rápido.
Para 21 horas encontramos um grupo de combatentes. "É Bobo, o responsável da área de Sambuiá", disse Cabral.  Ele chega-se e conta-nos.
Esta manhã, os portugueses tentaram um cordão de envolvimento. Seis helicópteros desembarcaram cerca de cinquenta portugueses e auxiliares africanos a 20 km da fronteira. Bobo reuniu 36 homens, procurou depois o contacto com os portugueses e conseguiu empurrá-los para uma área arborizada. A emboscada ocorreu por volta das 17 horas. Os portugueses tiveram cinco mortos e feridos. Depois retiraram-se. Há quatro feridos no grupo Bobo, incluindo três com gravidade
Comemos algumas mangas. Combatentes do grupo de Bobo deram-nos algumas rações de combate tiradas dos cadáveres portugueses. Pegámos  numa.
" - Esta era de um mercenário africano", disse um dos combatentes. 
É uma ração individual "Tipo E", pacote verde escuro. Contém alimentos em um tubo, um filtro para água, etc.
Retomamos a marcha. Estamos agora numa savana arborizada. Continuamos sempre precedidos e seguidos por um grupo de combatentes. Mas, como precaução adicional, Bobo colocou dois grupos nas asas, a uma centena de metros de nós. Andarmos rapidamente: os últimos quilómetros, os menos arborizados, onde os riscos podem ser grandes, são cobertos em um ritmo recorde.
Depressa chegámos à primeira aldeia senegalesa. A ambulância do P.A.I.G.C. estava lá com os três gravemente feridos na emboscada da tarde.. É uma hora da manhã.



Tradução minha de extracto de "Lutte Armée en Afrique", de Gérard Challiand, Cahiers Libres 101, François Maspéro