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24 de maio de 2011

180-Os golpistas de 14 de Novembro libertaram Rafael Barbosa

Rafael Barbosa em 1999. Fotografia de Leopoldo Amado.
O que disse o jornalista Daniel Reis sobre Rafael Barbosa no "Diário de Lisboa" de 25 de Novembro de 1980

Figura sistematicamente presente, na luz e na sombra dos últimos trinta anos da política guineense, Rafael Barbosa foi libertado pelos golpistas de 14 de Novembro, quando aguardava a leitura da sentença em segundo processo, sob a acusação de conspirar contra o PAIGC.
Já tinha sido condenado à morte em 1977, vendo a sua pena comutada em 15 anos de prisão por decisão de Luís Cabral. A libertação anunciada pelos autores do golpe, mas ao que parece ainda não concretizada totalmente (diz-se que o seu processo seria revisto mas que ele ficaria em liberdade) foi entendida por multa gente como um sinal claro da natureza direitista para que pende o novo regime, por influência de alguns dos seus mento­res. E que Rafael Barbosa, como o prova o texto, que publica­mos, era informador e colaborador da PIDE.
Um desses mentores, o assessor do Conselho da Revolução para os assuntos jurídicos é, exactamente o ex-procurador Geral da República, dr. Cruz Pinto. O defensor oficioso de Rafael Barbosa, acusou-o em processo de ter apadrinhado e fomen­tado algumas irregularidades processuais contrastando com a liberdade que lhe foi consentida pela Policia para preparar a defesa e dar um carácter sério ao julgamento. Cruz Pinto foi o homem que mais se bateu pela condenação de Rafael à morte, pena de que aliás é um notório e conhecido defensor.
Ainda há meia dúzia de meses apenas ele próprio mandou seguir um Tribunal para a Ilha de Carache, já acompanhado do pelotão de fuzilamento, para julgar e eliminar seis presos de delito comum que tinham tentado fugir. Sabido isto, soam a falso certos pruridos manifestados, agora, para acusar Luís Cabral, com o mais evidente oportunismo.
Quanto a Rafael Barbosa, parece-nos oportuno no momento em que o novo poder em Bissau se vai definindo, traçar-lhe o retrato completo e relatar a sua trajectória de agente duplo que tanto fornecia Informações à PIDE, para isso sendo remunerado, por vezes, como prestava serviços importantes na luta clandes­tina do PAIGC.
Os dados recolhidos para este «retrato» resultaram de tes­temunhos de participantes no processo e personalidades com acesso aos autos, e de pesquisas nos arquivos tendo sido comprovados, inclusive, durante o primeiro julgamento público.
Daniel Reis

Período 1950/59:

Rafael de Paulo Gomes Bar­bosa, casado, nascido em 3 de Março de 1927, natural de Bis­sau e descendente de cabo­-verdianos, desde o inicio da dé­cada de cinquenta tenta organi­zar a resistência anticolonial criando em Bissau diversos gru­pos políticos clandestinos.
Em 1959 reúne-se com Amíl­car Cabral para a integração desses grupos, que ele dirigia, no PAIGC, o que Rafael Barbosa aceita passando a fazer parte do Partido. Relativamente a essa reunião. Amílcar Cabral disse, no Seminário de Quadros realizado em 1969 em Conakry, que «foi nessa altura também, que o PAIGC conseguiu integrar no seu seio alguns pequenos gru­pos formados em Bissau e que estavam ligados, como vos disse o Rafael Barbosa».
Nessa altura, data da reunião com Rafael em que estiveram presentes Aristides Pereira e Fernando Fortes, entre outros, Rafael passou a ocupar o cargo de secretário de Controlo.
Segundo Cabral essa reunião «foi decisiva para tudo quanto aconteceu posteriormente na luta pela independência». Rafael Barbosa começa a trabalhar, activamente para o PAIGC, indo para o mato mobilizar pessoas para luta de libertação. É esse trabalho em prol do Partido, nesta faz decisiva, que faz com que Rafael Barbosa passe a ser admirado por todos os militantes do PAIGC.

Período 1962/64:

Em 1962, depois de um traba­lho intenso, Rafael é preso pela PIDE nos arredores de Bissau, onde se encontrava em trabalho clandestino. Torturado, é liber­tado em 1963 para em 64 ser de novo preso. É nessa situação que se encontra até 1969.
Durante esses anos de cati­veiro Rafael Barbosa, mesmo na prisão, desenvolve intenso traba­lho de mobilização pois conse­guiu contactos com o exterior que lhe permitiram continuar a orientar os trabalhos clandesti­nos. Relativamente a esse traba­lho desenvolvido dentro das pri­sões da PIDE, Cabral dá-nos noticia no Seminário de Quadros dizendo que «nalgumas cidades, durante muito tempo, mesmo em Bissau, a nossa organização trabalhou regularmente, mesmo com Rafael na cadeia. Tínhamos sempre ligações e ainda temos. No calabouço ele fez também algum trabalho".
Durante todo esse período de 1960 a 69 Rafael Barbosa fez passar para o Partido dezenas de militantes alguns dos quais ocupam hoje postos dos mais elevados no PAIGC

Período 1969/74:

Em 1969, Spínola libertou al­gumas dezenas de presos políti­cos entre eles Rafael Barbosa. Na altura da libertação e na ce­rimónia propagandística então realizada, Rafael Barbosa fez um discurso em que a acção de Spínola era elogiada.
Gozando de liberdade vigiada, Rafael Barbosa continua a traba­lhar para o Partido como respon­sável da Zona de Bissau, co­nhecida por Zona Zero. Entre­tanto, a PIDE tinha infiltrado agentes seus na rede clandes­tina de Bissau. Rafael, que desde a primeira hora tinha sido aliciado para colaborar com a PIDE, nomeadamente através dos inspectores major Carvalho Teixeira e Costa Pereira, co­meça a dar colaboração à PIDE ou, pelo menos, a facilitar-lhe certas informações. No entanto, continuou a coordenar o grupo de Bissau, mantendo contacto com a direcção do Partido, no­meadamente com Amílcar Ca­bral, por intermédio, entre ou­tros, de Adulay Djari, que era da PIDE, desde 23 de Novembro de 1971.
No seio do sector clandestino há uma certa conspiração contra Rafael Barbosa - luta pela chefia - também fomentada por ele­mentos da PIDE infiltrados na rede, tais como Malam Darame, da ANP, e Duarte Raimundo Ca­bral, entre outros.
No quadro da colaboração que teve com Spínola, Rafael acom­panhou este general a Caboxan­que e nessa operação fez um discurso. Isto em Março de 73.
Spínola ordenou ao Batalhão de Engenharia do Exército para conceder seis mil escudos em material de construção para Ra­fael Barbosa concluir uma pe­quena casa que tinha construído em Bissau. Posteriormente, ele próprio perguntou à PIDE quais eram as condições de amortiza­ção pois tinha intenção de pagar esse dinheiro. Rafael também assistiu ao chamado Congresso do Povo organizado por Spínola em 24 de Maio de 73.
Muitas missões que Rafael destinava a certos militantes na clandestinidade eram do conhe­cimento da PIDE mas curiosa­mente essas missões só eram levadas ao conhecimento da PIDE quando realizadas por agentes da PIDE infiltrados na rede clandestina. Assim aconteceu, nomeadamente com mis­sões confiadas a Duarte Raimundo Cabral Adulay Djari.

Colaboração directa com a PIDE

Todas as reuniões feitas por Rafel Barbosa com militantes clandestinos, ou a maior parte delas, chegam ao conhecimento da PIDE por intermédio de infor­mações de António Filipe (Filó­sofo) e Artur Leão (Arus). Alguns militantes presos denunciavam sistematicamente Rafael Barbosa, enquanto que a PIDE dizia. a todos os militantes presos para não colaborarem com Rafael porque ele era agente da PIDE.
Entretanto houve colaboração de Rafael com a Pide na pesquisa de certas informações e um dos agentes utilizados por ambas as partes era Duarte Raimundo Cabral.
Contudo, a PIDE, essencialmente através de um informador de pseudónimo António, conse­guiu conhecer alguns planos de fuga preparados por Rafael, pois esse informador fora destacado pela PIDE, para o controlo das relações de Rafael com a juven­tude. Foi esse informador que denunciou e levou à prisão por exemplo, o então furriel miliciano Castro Fernandes que fazia parte da rede clandestina.
Por intermédio do informador Fava. a Pide conhece o conteúdo das reuniões de Rafael Barbosa com os militantes e por intermé­dio do informador Pato a Pide sabe que certos militantes pre­tendiam pôr bombas na sua de­legação em Bissau. Entre estes militantes, que foram denuncia­dos, estão Aliu Djaki Djal6 e José Carlos Schwartz, este último acusado de ter transportado bombas para Bissau. Isto pro­voca a prisão dos dois militantes clandestinos do PAIGC.
Devido á entrada das bombas em Bissau Rafael voltou a ser preso e entregou alguns desses engenhos. Toda esta a acção da Pide no seio da rede clandestina nos anos 71, 72, e 73, permite a esta policia a detenção do grosso dos activistas dessa rede, que vai sendo desmon­tada, e que em 73/74 leva de novo Rafael Barbosa à prisão com toda a sua família, incluindo uma filha de 11 anos de idade.
Contudo, Rafael sabe que há elementos da Pide no seio da rede e tende a jogar com isso fornecendo informações à Pide, que já estavam na posse dos elementos infiltrados ou que era muito provável que estes já c0onhecessem por participarem nas reuniões ou em missões concre­tas.
De facto, por algumas destas actividades, Rafael era compen­sado com auxílios financeiros da Pide.
Mas na rede clandestina notava-se a formação de uma nova direcção para afastar Ra­fael Barbos com o fundamento de que a rede anterior já estava descoberta. Nessa luta, não é estranha a influência de Momo Touré, que viria a matar Amílcar Cabral.

Suspeitas de participação na morte de Cabral

uanto à acusação da morte de  Cabral não há provas seguras da participação de Rafael mas devido a essa “entourage" suspeita-se da sua participação sem que nada tenha ficado claro. Por isso, dadas as implicações desse facto, no seio do Partido, esta questão acabou por ser, apenas, aflorada na acusação contra Rafael, no primeiro julga­mento. Não foi discutida, em tri­bunal: somente abordada nos termos da acusação.
Há de facto, algumas ligações entre Rafael Barbosa, Momo Touré, e Aristides Barbosa (es­tes dois últimos agentes directos da morte de Cabral) durante a clandestinidade e antes destes partirem para as zonas liberta­das. Só que não é claro se o processo de fuga destes dois tem a participação de Rafael, assim como não se sabe se este último aprovou, ou não, a saída de Aristides e Mamo para Co­nakry. Não se conhece, clara­mente, o conteúdo, dos contac­tos entre eles, depois dos primei­ros terem partido.
Rafael Barbosa na sua activi­dade clandestina infiltrou militan­tes no seio dos comandos afri­canos e deles tirou informações de planos militares, que trans­mite ao PAIGC.
São militantes nos comandos o furriel miliciano Saeg (irmão de um criminoso de guerra do mesmo nome), Zamora Barbosa e outros.
Rafael chega a avisar o PAIGC de uma conta aberta em Nova Iorque pelo governo colo­nial, numa altura em que Cabral ia à ONU. Fez o aviso por suspei­tar que essa conta seria para pagar agentes destinados a li­quidar Cabral. Para além dessa informação há outras também importantes, nomeadamente a presença em Bissau de militares dissidentes do regime de Co­nakry.
Foí para Morés, com a Inten­ção de ali arranjar algumas bom­bas, no seio dos guerrilheiros e regressar com elas a Bissau para as entregar à Pide e assim obter a libertação da sua família. Nessa altura, é preso em Morés pelo PAIGC e desde então, data recente esteve sempre preso à ordem da Segurança Nacional e Ordem Pública.
Antes disso faz-se notar que todos os contactos de Rafael em Bissau eram vigiados estreita­mente pela Pide. Deu também antes do 25 de Abril, e antes de ser preso, em Morés, uma en­trevista filmada a um Jornalista francês, entrevista preparada pelos serviços de acção psico­lógica do Exército e na qual es­teve acompanhado por um oficial português.
Nessa entrevista, apesar da ambiguidade das declarações, Rafael Barbosa criticava o PAIGC.
Preso em 1974, como disse­mos, em Morés e depois da en­trada da Direcção do PAIGC em Bissau, é levado para Bolama onde fica instalado numa casa guardada por soldados do PAIGC enquanto se faz a instru­ção do processo.

Procurador-geral apadrinha irregularidades

O processo começa a ser instruído e curiosamente, as princi­pais peças que servem de: base à acusação tinham sido fornecidas pelo próprio Rafael Barbosa ao PAIGC. Com efeito, Rafael en­viava regularmente, havia muito tempo, vários documentos sobre a. sua actividade incluindo um diárioo. Foi. esse material, junto com depoimentos de militantes da rede clandestina que serviu de base à acusação.
Em Setembro de 76, começa o Ju~gamento que dura até Feve­reiro de 1977 com algumas interrupções. O interesse pelo caso de Rafael Barbosa fez com que centenas de pessoas acompa­nhassem o julgamento público indo ao tribunal. No primeiro dia, um sábado, as pessoas não cabiam na sala e tiveram de ficar na rua à chuva. Foram distribuídos panfletos.
Depois passaram-se a fazer as audiências no cinema da base aérea, em Blssalanca, para onde se continuavam a deslocar al­gumas dezenas de pessoas.
Algumas testemunhas de Ra­fael Barbosa chegaram a ser presas pela Segurança antes de comparecerem em juízo, facto que foi denunciado pelo defen­sor oficioso, o advogado popular dr. WIadimir de Brito. Este, aliás, aceitara a defesa de Rafael Bar­bosa por lhe ter sido salientada a importância nacional de o acu­sado ter todas as garantias de defesa.
O defensor oficioso protestaria até contra vícios vários e graves do julgamento, alguns dos quais foram da responsabilidade do procurador-geral da República, Cruz Pinto (hoje assessor civil do Conselho da Revolução, que li­bertou Rafael Barbosa) nomea­damente o desigual tratamento das testemunhas de acusação e defesa, sendo estas últimas mui­tas vezes presas no decurso do julgamento sem quaisquer fun­damentos legais.
Rafael Barbosa foi julgado e condenado à morte. Pediu a graça do Presidente do Conse­lho de Estado e a sentença foi­-lhe comutada para 15 anos de prisão. É de notar que nos ter­mos da Lei de Justiça Militar na base da qual foi acusado e jul­gado a pena máxima de prisão é de 10 anos pelo que só por mani­festo abuso do Poder e ilegalidade lhe são aplicados 15 anos de prisão, com pleno conheci­mento e participação do procurador-geral.
Há a destacar, finalmente; o facto de Rafael Barbosa ter re­cebido diversas cartas de Amíl­car Cabral, a última das quais datada de 18 de Janeiro de 73, portanto dois dias antes da sua morte, cartas de certo modo amistosas e contendo conselhos e directivas para a actividade clandestina.
Mesmo depois da morte de Amílcar Cabral, ainda recebeu uma carta de Luís Cabral, datada de 24.de Fevereiro de 73 na qual o ex-presidente o tratava por camarada, o que leva a crer que a Direcção do PAIGC não acredi­tava na versão segundo a qual Rafael Barbosa teria tido res­ponsabilidades na morte de Ca­bral. Essas cartas foram juntas ao processo e lidas no julga­mento.

8 de março de 2011

77-Composição, dispositivo e potencial do PAIGC

Alguns extractos do SUPINTREP 31
13 de Fevereiro de 1971
(Supplementary Inteligency Report)

COMPOSIÇÃO é globalmente a identificação e o estudo da organização dos elementos de governo, de controle de populações, de comando militar, unidades de guerrilha e organizações para­militares e de apoio.
Por identificaçãoentende-se o conhecimento da designação de cada um dos elementos atrás referidos, a determinação do seu escalão, bem como o lugar que ocupa na estrutura do PAIGC.
Organização é a constituição oirgânica do ln nos diferentes escalões subordinados, a interdependência dos diferentes órgãos, bem como o seu funcionamento.
A evolução da estrutura do PAIGC
Reportam a 1952 os primeiros indícios de ligação de movimentos na Província com movimentos emancipalistas africanos que desde 1946 e mais precisamente 1947 efectuaram o seu aparecimento nas antigas colónias francesas. Dentre eles, e o mais significativo pelas consequências que dele adviriam, foi o pedido feito nesse ano pelo engenheiro agrónomo AMILCAR LOPES CABRAL, ao tempo chefe dos Serviços de Agricultura da Província, para a criação de um Club desportivo exclusivamente destinado a naturais da Guiné. Muito embora não tivesse sido obtida a necessária autorização que viria a materializar as verdadeiras intenções de AMILCAR CABRAL, foi no entanto este o primeiro passo para a criação de um espírito separatista entre o europeu e o africano, logo secundado pela organização do MOVIMENTO PARA A INDEPENDÊNCIA DA GUINÉ (MIG) o qual, criado com a colaboração e o apoio dos guineenses radicais e das organizações operárias e populacionais, viria a constituir em 1956 o actual PARTIDO AFRICANO DA INDEPENDÊNCIA DA GUINÉ E CABO VERDE (PAIGC) que reunia na clandestinidade guineenses e caboverdeanos empenhados na conquista da independência para os respectivos povos.
Logo nesse ano são elaborados os primeiros ESTATUTOS fundmentados nos seguintes princípios:
- Direcção colectiva
- Democracia revolucionária
- Centralização democrática
- Crítica e auto-crítica
O princípio da direcção colectiva exige, como facilmente se compreenderá, que o PARTIDO seja dirigido, a todos os escalões, por órgãos colectivos e não por indivíduos, o que quer dizer que em todos os níveis as questões devem ser estudadas e as decisões tomadas e executadas por "equipas", sendo responsáveis pela actuação dessas equipas todos os elementos que as constituem e não apenas um ou parte deles.
Isto não exclui, no entanto, que dentro da "equipa" cada membro não tenha funções específicas sendo responsável pela execução das decisões tomadas colectivamente em relação a essa função.
ORGANIGRAMA PROVÁVEL DA ESTRUTURA SUPERlOR DO PAIGC
A inclusão dos TRIBUNAIS, no oragnigrama apresentado, em paralelo com os "poderes" deliberativo ("legislativo") e executivo, é apenas motivado pela mais fácil compreensão que resulta do estabelecimento de comparação com a estrutura do "partido-estado" e a de um estado constituído.
ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA
No início da subversão não havia separação entre os poderes civis e militares, visto que foi apenas no I CONGRESSO DO PAIGC, em FEV64, que se deu a separação entre os dois poderes, sendo então criados os COMITÉS INTER-REGIONAIS, REGIONAIS e de SECTOR ou ZONA, no poder civil. Num documento difundido pelo SECRETARlADO GERAL em MAI66 determinava-se que os COMITÉS DO PARTIDO passariam a dedicar-se exclusivamente ao trabalho político e ao desenvolvimento da vida civil nas "regiões libertadas". Contudo, esta separação não era absoluta, pois, caso o fosse, isso seria contrário à "natureza popular" das FARP e às actividades predominantemente políticas do PARTIDO. Assim, além da subordinação de toda a organização militar e de toda a organização civil à mesma direcção política superior, vamos ainda encontrar à frente de cada COMANDO MILITAR DE INTER-REGIÃO (COMANDO GERAL DA INTER-REGIÃO) um responsável que é simultaneamente o responsável geral do COMITÉ INTER­REGIONAL. Além disso, a presença de um responsável de controle político no COMANDO GERAL e dos comissários políticos em todos os escalões das FARP asseguram a inter-penetração do politico, do civil e do militar, no plano da organização.
Em NOV66, foi criada uma delegação do BUREAU POLITICO junto de cada uma das Frentes, constituída por dois "membros de direito" do CONSELHO DE GUERRA, susceptível de dar aos quadros político-militares uma verdadeira "acção nacional". Com a criação desses delegados deixou de haver necessidade de que os cargos de responsável principal do COMANDO DA FRENTE e de responsável geral do COMITÉ INTER-REGIONAL fossem atribuídos a um único responsável, com vista a ssegurar a inter-penetração referida.
De acordo com os ESTATUTOS a estrutura do PAIGC assentava na seguinte cadeia de escalões


 que genericamente definem-se do seguinte modo:
TERRITÓRIO NACIONAL - é o conjunto dos elementos da divisão territorial das duas "Nações" ou "Países" - GUINÉ e CABO VERDE.
NAÇÃO ou PAÍS - é o conjunto do território e população, quer da GUINÉ quer de CABO VERDE.
INTER-REGIÃO - é a "unidade territorial" que resulta do agrupamento em conjunto de "Regiões".
REGIÃO - é a "unidade territorial" resultante da associação de Sectores ou Zonas, no mínimo 02.
SECTOR ou ZONA - é a "unidade territorial" mais pequena de toda a estrutura administrativa do PARTIDO.
SECÇÃO: órgão que resulta do agrupamento de 05 GRUPOS (na organização urbana) ou de várias TABANCAS (na organização rural).
GRUPO: cosntitui a organização urbna.
TABANCA - aglomerados populacionais das zonas rurais de cuja associação resulta a SECÇÃO (rural).
Em 1970, em reunião do BUREAU POLITICO e em função do desenvolvimento da luta, foi proposto um novo projecto político-administrativo e militar já posto em execução.

A GUINE passou a compreender, em lugar das três INTER-REGIÕES de que dispunha, somente de duas, NORTE e SUL, separadas pela linha geral RGEBA estrada BAMBADINCA - BAFATÁ-­NOVA LAMEGO-CABUCA. Cada uma destas INTER-REGIÕES é dividida em REGIÕES e estas em SECTORES ou ZONAS, que por sua vez são subdivididas em SECÇÕES compostas por várias tabancas. 
A INTER-REGIÃO NORTE abrange as Regiões de S. DOMINGOS, FARIM, CANCHUNGO, OIO. BISSAU e a parte a Norte da estrada BANBADINCA-BAFATÁ-NOVA LAMEGO.
A INTER-REGIÃO SUL abrange a parte a Sul da estrada BANBADINCA-BAFATÁ-NOVA LAMEGO e as Regiões de QUINARA, CATIÓ, XITOLE, BUBA/QUITAFINE, BOÉ e BIJAGÓS.
Os escalões INTER-REGIÃO, REGIÃO, SECTOR ou ZONA, SECÇÃO e GRUPO ou TABANCA são dirigidos por "COMITÉS" a quem compete:
- A "função política e partidária", isto é, além da execução das decisões dos orgamnismos superiores e das CONFERÊNCIAS (órgãos deliberativos), a direcção de toda a vida do PARTIDO na área respectiva, promovendo o desenvolvimento de actividade dos organismos de base, o reforço da preparação técnica e das convicções partidárias dos militantes.
- Determinados poderes de gestão financeira, recebendo do escalão inferior e transferindo ao superior as importâncias das cotizações cobradas na sua área, após retirada a parte reservada às actividades próprias do "COMITÉ".
- A função judicial.
Actualmente os elementos constitutivos dos COMITÉS são, na sua generalidade, designados directamente pelo "BUREAU POLÍTICO", dado que os COMITÉS deixaram de ser apenas órgãos do PARTIDO para passarem a constituir pequenas direcções locais dos serviços do ESTADO em formação: saúde, justiça, economia, abastecimentos e instrução, além das suas funções normais de natureza puramente partidária.
Por DISPOSITIVO entende-se o conjunto de elementos relativos: 
1 À localização dos órgãos político-administrativos e político-militares;
2 À sua implantação no terreno definidos em áreas de responsabilidade;
3 A todas as alterações de localização geográfica das unidades militares e órgãos político-­administrativos;
4 Às linhas de comunicações através das quais o ln procede ao apoio das referidas unidades e órgãos, a partir do interior ou a partir das regiões por si "dominadas" com vista à expansão da sua acção.
O sucesso da rebelião depende da habilidade do partido rebelde para usar a força e ao mesmo tempo criar bem estar, pelo que, parcialmente com o desenvolvimento da guerrilha, há que implantar entre a população benefícios palpáveis. 
A GUINE apresenta condições óptimas para manter latente um conflito subversivo, dadas as tensões tribais, as intrigas de política indígena, as nossas tácitas alianças com antigos chefes tribais e a ambição cultural dos "assimilados".O desenvolvimento da guerrilha terá sempre de ser precedido de um intenso trabalho de intimidação e aliciamento, considerando-se votada ao fracasso a doutrina cubana do "foco insurreccional".Todo o processo subversivo tem de desencadear-se segundo um "processo em espiral" de expansão das suas sucessivas fases de evolução: PROPAGANDA - ALICIAMENTO ­IMPLANTAÇÃO MILITAR - ORGANIZAÇÃO POLÍTICO/ADMINISTRATIVA ­LIBERTAÇÃO DE EFECTIVOS PARA NOVAS ÁREAS DE EXPANSÃO. Este processo de expansão traduz-se no seguinte esquema: 


EVOLUÇÃO DA ESTRUTURA POLÍTICO-MILITAR
Em 1962 o PAIGC definia no seu "PLANO DE ACTUAÇÃO E ORGANIZAÇÃO MILITAR" o
esquema geral de uma organização militar inicial que previa dois tipos diferentes de
gruposarmados ou grupos de guerrilha:
- Grupos das áreas, os quais deviam limitar a sua actuação às áreas que lhes eram distribuídas.
- Grupos móveis que se destinavam a actuar no restante território da Província, "dando a impressão de que estavam em toda a parte.
Estes grupos, constituídos inicialmente por cinco responsáveis de confiança, promoviam, numa
1.ª fase, a organização, enquadramento e doutrinação política das populações; numa 2.ª fase,
estes grupos deviam dsencadear acções de combate, agindo como formações autónomas
mas sempre de acordo com o comando e com os planos anteriormente estabelecidos.


















ORGANIZAÇÃO PROVÁVEL DA ESTRUTURA POLÍTICO-MILITAR EM 1963/63                                                                                                                                               
Estes grupos constituíam pois a unidade militar elementar, de cuja associação foram  resultando unidades de escalão superior.
No final desse ano estes grupos além de granadas de mão e explosivos dispunham já de pistolas e de pistolas metralhadoras (PPSH) estas em número reduz ido. 
O estado de POTENCIAL do ln abrange dois aspectos distintos: material e pessoal.
Quanto ao primeiro, incluindo armamento, equipamento e fardamento, os elementos disponíveis não permitem o estabelecimento de "níveis". Garante-se no entanto não se terem registado limitações no consumo do material de guerra, pois, muito ao contrário, a actuação dos grupos armados é caracterizada por um sempre crescente volume de fogos, o que é sintomático acerca da não existência de quaisquer dificuldades na obtenção do referido material.
No que diz respeito ao pessoal, as características de que reveste a guerra de guerrilhas, nomeadamente a "flexibilidade" que caracteriza a actuação das unidades IN, toma difícil precisar os efectivos empenhados e estabelecer uma estimativa que esclareça satisfatoriamente o problema.
A população da Província em Dezembro de 1970 deveria ser de cerca de 600.000 habitantes. Dado que a posição em Dezembro de 1970 da população sob o nosso controle era de 435.709 habitantes, estima-se nesta data que estão fora do nosso controle 160.000 almas. Considerando como 60.000 o número de refugiados no Senegal e cerca de 20.000 na Rep. da Guiné, estima-se sob o controle do ln no interior do TO 80.000 almas, ou seja 13% da população.
Dado que o recrutamento levado a efeito pelo PAIGC incide sobre a totalidade da população controlada quer no interior quer no exterior, toma-se necessário aplicar ao valor global de 160.000 as taxas de repartição da população, obtendo-se os seguintes resultados:
População até aos 6 anos (25%)  40.000
        "          de 7 - 14     "     (13%)  20.000
        "          de 15 - 44   "     (45%)  72.000
        "          de 45 - 60   "     (13%)  20.000
        "      além dos 60   "      ( 4%)     6.400
Para complemento da avaliação do potencial humano controlado pelo In, sabendo nós que o PAIGC recruta entre os 16 e os 30 anos de idade, obteremos nessas condições um valor aproximado de 50% para o quantitativo atribuído às idades 15-44 anos ou seja 36.000. Admitindo que a percentagem de mulheres seja de 2/3, obteremos um valor para os homens de 12.000.
Conclusões na base de 12.000 homens recrutáveis:
 - Para as FARP e MP o PAIGC necessita dispor de 7.000 a 7.300 elementos recrutáveis, o que lhe garante um superavit de 4.500 a 5.000 indivíduos.
- Tendo anualmente cerca de 600 baixas que lhe afectam o potencial.
- Poder-se-ia ainda entrar em linha de conta com os reforços que o PAIGC possa receber (casos de Cuba, em chefes, e Mali, em combatentes) mas crê-se que estes números, orçando a centena de indivíduos, não afectam, para mais ou para menos, o potencial do ln.
Finalmente, conclui-se que entre a população controlada pelo ln este dispõe dos quantitativos necessários à sua actual estrutura militar, podendo admitir-se, em limtes máximos, que o PAIGC ainda poderá aumentar os seus efectivos na ordem dos 5.000 combatentes, valendo-se somente das populações controladas
Avaliação do potencial humano das F ARP
Para o cálculo deste POTENCIAL parte-se da seguinte base numérica:
BIGRUPO 44
BIGRUPO REFORÇADO 70
GRUPO DE ARTILHARIA 50
GRUPO DE MORTEIROS 82 23
GRUPO DE CANHÕES 23
GRUPO DE FOGUETÕES 16
PELOTÃO DE ANTI-AÉREAS 16
GRUPO DE MORTEIROS 120 .40
GRUPO DE COMANDOS 5O
GRUPO ESPECIAL DE BAZOOKAS .20 
O estado de POTENCIAL do ln abrange dois aspectos distintos: material e pessoal.
Quanto ao primeiro, incluindo armamento, equipamento e fardamento, os elementos disponíveis não permitem o estabelecimento de "níveis". Garante-se no entanto não se terem registado limitações no consumo do material de guerra, pois, muito ao contrário, a actuação dos grupos armados é caracterizada por um sempre crescente volume de fogos, o que é sintomático acerca da não existência de quaisquer dificuldades na obtenção do referido material.
No que diz respeito ao pessoal, as características de que reveste a guerra de guerrilhas, nomeadamente a "flexibilidade" que caracteriza a actuação das unidades IN, toma dificil precisar os efectivos empenhados e estabelecer uma estimativa que esclareça satisfatoriamente o problema.
No congresso de Cassacá, em 1964, foram instituídas as FARP (Forças Armadas Revolucionárias do Povo), constituídas pelo Exército Popular, pela Guerrilha Popular e pelas Milícias Populares. 


ORGANIGRAMA PROVÁVEL DA ESTRUTURA POLÍTICO-MILITAR CRIADA EM 1964

No final do ano de 1965, e a fim de acelerar o desenvolvimento da acção das FARP e de evitar erros que ainda eram cometidos na interpretação das reformas, o BUREAU POLÍTICO levou ainda mais longe a separação dos poderes civil e militar com a criação dos COMANDOS DE SECTOR ao mesmo tempo que o COMANDO MILITAR único de cada INTER-REGIÃO passava a ser designado por COMANDO GERAL DA INTER-REGIÃO.
Este COMANDO GERAL tinha a seguinte composição:
- Responsável pelo Controle Geral.
O Responsável do controle geral era o principal responsável e representante permanente do Secretário Geral.
Ligados ao COMANDO GERAL apareciam ainda Auxiliares para o abastecimento, ligação e coordenação, recrutamento, treino e sapadores.


EXÉRCITO POPULAR
Acabam-se as SUB-SECÇÕES, mantendo-se os GRUPOS com a sua anterior orgânica, e sendo criada uma nova unidade, o BI-GRUPO que podia ser de 2 tipos: Normal (44elementos) e Reforçado (70 elementos):
BI-GRUPO NORMAL (44 ELEMENTOS)
- COMANDO
     - Comandante
     - Comissário Político
- 2 GRUPOS,havendo em cada:
     - Chefe
     - Comissário Político
     - Apontador de Met. Lig.
     - Municiador de Met. Lig.
     - Apontador de LGFOG
     - Municiador de LGFOG
     - 15 Assaltantes
- BI-GRUPO REFORÇADO (70 ELEMENTOS)
(Aparecem em Dezembro de 1967, postos o dispor do comando das FRENTES omo unidades de choque)
-COMANDO
     - Comandante
     - Comissário Político
- 2 GRUPOS,havendo em cada:
     - Chefe
     - Comissário Político
     - 3 Apontadores de Met. Lig.
     - 3 Municiadores de Met. Lig.
     - 3 Apontadores de LGF
     - 3 Municiadores de LGF
     - 9 Assaltantes
     - 3 Atiradores
- GRUPO DE ARMAS PESADAS
     - 2 Apontadores de Mort
     - 6 Municiadores de Mort
     - 2 Apontadores de Met. Pesada
     - 6 Municiadores de Met. Pesada 

     - 64 Guerrilheiros


MILÍCIA POPULAR
Os escalões em que assenta a sua organização correspondem aos níveis de organização político-administrativa do PAIGC.
- GRUPO,num máximo de 17 elementos, com a seguinte constituição:
- 1 Chefe
- 1 Comissário Político
- 15 Milicianos
- SECÇÃO,reunindo os grupos com afinidades comuns, e constituída por:
- I Chefe
- I Sub-Chefe
- 1 Comissário Político
- 1 Adjunto de Comissário
- 1 Coordenador (ligação entre os grupos)
- Diversos grupos
- SECTOR (ZONA)(Somente com funções directivas)
- 1 Chefe de Zona
- 2 Adjuntos do Chefe de Zona
- 1 Comissário Político
- 2 Adjuntos de Comissários Políticos
- 1 Coordenador (para coordenar as secções) 

No final de 1966 o BUREAU POLÍTICO adoptou nova estrutura para as FARP, introduzindo as seguintes alterações:
- Ao escalão civil INTER-REGIÃO passa a corresponder, na organização militar, a FRENTE, dividida em REGIÕES por sua vez divididas em SECTORES; cada um destes escalões foi dotado de um comando militar próprio com forças próprias.
COMANDO DE FRENTE
Órgão  dirigente da guerra e ao mesmo tempo executivo das ordens do PARTIDO, englobava:
- Comandante das Operações
- Comissário Político
- Responsável pela Coordenação e Controle Militar
- Auxiliar de Reabastecimentos
- Auxiliar e Armazéns
- Auxiliar de Comunicações
- Auxiliar de Exploração ou Reconhecimento
- Auxiliar de Sapadores
Junto dos COMANDOS DAS FRENTES funcionava o poder judicial militar, o qual era exercido pelo Comandante da Frente, pelo Comissário Político da Frente e pelo  Secretário da Justiça Militar, os quais, para os crimes, se constituíam em TRIBUNAL de GUERRA e, para as faltas militares, em CORTE SUMÁRIA.
COMANDO DE REGIÃO
Não se possuem elementos, admitindo-se terem composição semelhante à dos COMANDOS DE SECTOR.
- COMANDO DE SECTOR
 - Comandante
- Adjunto e Comissário Político
- Responsável do Abastecimento
- Auxiliar e Armazéns
- Auxiliar de Comunicações
- Auxiliar de Sapadores


- É criado um COMANDO DA FRENTE LESTE, com a responsabilidade da conduta das operações de guerrilha no LESTE do TO (área a L da linha geral RGEBA-RCORUBAL-SALTINHO).
- É decidida a integração da GP no EP, o que contudo só mais tarde vem a verificar-se.
- A MILÍCIA POPULAR é desligada das FARP ficando totalmente dependente do poder civil em cada escalão.
Esta separação iria permitir delimitar as funções de cada elemento constitutivo das FARP e libertar a MILÍCIA POPULAR - instrumento local de vigilância e defesa - que, devido a interpretações erradas de instruções superiores, não tinha atingido um grau de desenvolvimento que lhe permitisse cumprir cabalmente as unções específicas para que inha sido criada.
Esta nova organização procurou também acentuar o carácter centralizador da direcção da luta, tendo sido tomadas medidas para a constituição e funcionamento do CONSELHO DE GUERRA, órgão máximo a organização militar do PAIGC, coordenador da luta ao nível nacional, que designa dentre o seus elementos dois para cada uma das FRENTES, que, como delegados do BUREAU POLÍTICO, na interdependência deste com o CONSELHO, levarão as directivas político-administrativas às FRENTES, através do seu comando. O CONSELHO DA GUERRA é composto por representantes das seguintes funções:
- SECRETARIADO e JUSTIÇA MILITAR
- SEGURANÇA e CONTRA-ESPIONAGEM
- COORDENAÇÃO e CONTROLE MILITAR
- DIVERSIONISMO
- ABASTECIMENTO
- COMUNICAÇÕES
- ASSISTÊNCIA MÉDICA
- ARMAZÉNS
- 3 COMANDOS DE FRENTE
Como já se referiu, o CONSELHO DE GUERRA tem funções semelhantes ao "conselho superior de defesa", tendo em relação às operações militares um função deliberativa, cujo executivo é assegurado pelo DEPARTAMENTO DE SEGURANÇA E DEFESA, com funções semelhantes de um "estado.maior".
Em 1966/67 começou a ensaiar-se o escalão "CORPO DE EXÉRCITO", referido como definitivo em 1971.
O "CORPO DE EXÉRCITO" não tem composição fixa; é o conjuno de forças atribuído a uma FRENTE e a sua composição depende da missão dessa FRENTE e da intenção do esforço In na área correspondente. Julga-se que com carácter fixo o "CORPO DE EXÉRCITO" (CE) apenas terá.
- COMANDO
- GRUPO DE RECONHECIMENTO
- SERVIÇO DE REABASTECIMENTO
O CORPO DE EXÉRCITO (CE) disporá de um comando formado por um COMANDANTE e um COMISSÁRIO POLÍTICO, aos quais se subordinam os seguintes órgãos de comando:
- SECÇÃO DE SEGURANÇA (Contra Informação)
- SECÇÃO DE RECONHECIMENTO (Informações) que dispõe de um GRUPO DE RECONHECIMENTO
- SECÇÃO E OPERAÇÕES, da qual dependem os CONTROLADORES TÁCTICOS e a "CIFRA"
- SECÇÃO DE ABASTECIMENTOS
Todas estas SECÇÕES são chefiadas por ADJUNTOS.
Além dos "órgãos de comando" descritos, do CE poderã fazer parte as seguintes unidades:
- Um ou mais BIGRUPOS
- Um ou ais GRUPOS DE ARTILHARIA
- Um GRUPO ESPECIAL DE BAZOOKAS
- Um GRUPO DE FOGUETÕES
O CE 195 é um exemplo:
(Os aquartelamentos das NF são, da esquerda para a direita: S. Domingos, Ingoré, Sedengal, Barro, Bigene, Farim)

Forças do PAIGC, cálculo de 1971
(a Guerrilha Popular já está integrada no EP)
Efectivos por unidade
- bigrupo: 38/44 unidades
- bigrupo reforçado: 70 unidades
- grupo de artilharia: 50 unidades
- grupo de canhões/morteiros: 23 unidades
- grupo de foguetões/antiaéreos: 16 unidades
Efectivos do Exército Popular nas várias Frentes
Na Inter-Região Norte:
- Frente S. Domingos/Sambuiá: 630 unidades
- Frente CanchungoBiambe: 760 unidades
- Frente Morés/Nhacra: 680 unidades
- Frente Bafatá/Gabu Norte: 730 unidades
Na Inter-Região Sul:
- Frente Bafatá/Gabu Sul: 200 unidades
- Frente Bafatá/Xitole: 160
- Frente Buba/ Quitafine: 1230 unidades
- Frente do Quínara: 560 unidades
- Frente de Catió: 370 unidades.
Efectivos da Milícia Popular nas várias Frentes
Nas Regiões e Zonas.
- Frente Buba/ Quitafine: 1230 unidades
- Frente do Quínara: 560 unidades
- Frente de Catió: 370 unidades.
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