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19 de setembro de 2011

11 de agosto de 2011

233-Coluna de operações contra os papéis em 1915

Trata-se de uma das operações realizadas durante "As batalhas de Bissau". Começou a 5 de Junho, com a tomada de Intim. A 10 ocupou Antula e a 12 chegou a Jaal, onde Teixeira Pinto, que comandava a coluna, foi ferido e regressou a Bissau. Passou o comando ao tenente Sousa Guerra. Este é o relatório que ele fez a Teixeira Pinto, quando este reassumiu o comando. 
Tem uma segunda parte em que faz o elogio de alguns dos homens intervenientes na operação, o que julgo não ter interesse para aqui.
Ao ler isto lembro-me de alguns dos nossos relatórios...

«Exmo Senhor Comandante da Coluna de Operações contra os Papéis

Em 12 de Junho, pelas 15 horas, entregava-me V. Exa. o comando da coluna, por ter de retirar-se para Bissau, onde, por opinião médica, devia tratar-se dos ferimentos recebidos, em Jaal, nesse mesmo dia.
De como decorreram as operações desde essa data até 1 de Julho e da forma como o pessoal da coluna desempenhou os serviços, que lhe foram cometidos, dirão as singelas e mal ataviadas linhas que seguem.

1
DAS OPERAÇÕES REALIZADAS
Até ao dia 14, nada ocorreu digno de menção. Neste dia, levantámos o acampamento para Safim de Cima, que fica a um quarto de hora de Safim de Baixo e onde já tínhamos resolvido estabelecer uma tabanca de guerra.
Depois de acampados, mandei fazer a exploração dos terrenos circun­jacentes, onde se travaram algumas escaramuças, sendo o gentio repelido. Tivemos 9 homens feridos e 2 mortos. Os dias 15 e 16 decorreram tranqui­lamente, tendo ficado resolvido que às 7 horas de 17 sairia uma força de 200 irregulares para bater Entoche.
Em 17, a força, a que me acabei de referir, logo depois de ter per­corrido uns mil metros na direcção S.O., é atacada fortemente pelo gentio que desenvolve até ao acampamento, atacando este por O. e N.O.
Abdu Injai, com 400 irregulares, vai juntar-se à força, que tinha saído do acampamento, e consegue levar de vencida até Jaal uma parte do gentio atacante; a outra é repelida pelas forças de defesa do acampa­mento (regulares e irregulares de Alfha Seilu).
O combate terminou às 14 horas, tendo nós 10 homens feridos e 5 mortos e 1 cavalo ferido. Da parte do gentio, a avaliar pela quantidade de mortos abandonados, contra o seu costume, no campo, devia haver um considerável número de baixas.
Até 20 nada ocorreu digno de registo. Neste dia, marchàmos para Contumo, tendo deixado, na tabanca de guerra de Safim, o segundo sar­gento Faria com 6 soldados da 2.ª companhia indígena de infantaria da Guiné e 100 irregulares e tendo comunicado ao Comando Militar de Nhacra a existência desta tabanca. Partimos de Safim às 8 1/2 horas da manhã, indo a coluna organizada de forma a atender a um provável ataque do flanco esquerdo ou da retaguarda em Jaal.
A marcha fez-se sem novidade, passando a coluna em Jaal ás 11 e meia horas e chegando às 12 a Bessaca, onde parámos o tempo indispensável para se reforçar a guarda-avançada, atendendo a que daqui em diante era certo o encontro com o gentio.
A marcha continuou sem um tiro até ás 13 e meia horas, quando começou o ataque da guarda avançada à povoação de Contumo, que ás 14 estava em nosso poder, retirando o gentio para uma linha natural de defesa, que há entre Contumo e Bor, linha constituída por uma série de palmeiras tendo do lado desta povoação um riacho, isto é, um verdadeiro fosso aquático. Daí começou fazendo fogo sobre a guarda avançada, que operava uma demonstração sobre essa linha.
Eu e o Abdul, com todas as outras forças contornámos o riacho na sua origem, que era próxima, e caímos resolutamente sobre o gentio, batendo-o sobre Bór para onde retirou e onde continuou a sua defesa.
Reunida a guarda-avançada, todas as forças atacaram Bór, sendo o gentio repelido com inúmeras perdas, retirando para o mato próximo donde continuou fazendo fogo, que em breve tinha de cessar pela perse­guição que lhe foi feita.
Ás 15 e meia horas podíamo-nos considerar possuidores de Bór. Tivemos 4 homens feridos.
Foi grande o número de armas e munições encontradas.
Ás 16 horas, o gentio tornou a vir atacar-nos, sendo repelido com êxito.
No dia 21, saíram forças que exploraram os terrenos circunjacentes. No dia 22, o gentio atacou o acampamento pelas 13 e meia horas, sendo repelido depois de meia hora de tiroteio.
Nos dias 23, 24 e 25, nada de anormal.
Fez-se uma tabanca de guerra em Bór, onde ficou o chefe Sori Jólo com a sua gente.
As 6 horas do dia 26, iniciamos a marcha para Bejamita.
Como tínhamos de passar em Bissalanca, onde, segundo informações de diversas procedências, grumetes e papeis se tinham organizado defen­sivamente, o efectivo dos diferentes escalões da coluna teve por base aque­las informações, estabelecendo-se o efectivo o máximo para a guarda, avançada.
Às 8 e meia horas, começava o tiroteio na testa da coluna. Tinha a guarda-avançada atingido Bissalanca, que estava defendida pelo gentio.
Iniciou-se o combate, desenvolvendo a guarda avançada e ficando de reserva as restantes forças.
Depois de vivo tiroteio, o gentio retirou para o mato, que fica ao N. da povoação, onde se defendeu valentemente, sendo por fim repelido, dei­xando muitos mortos abandonados no campo e sendo-lhe feitos 129 pri­sioneiros. Da nossa parte, baixa nenhuma. O combate terminou às 12 horas.
Às 12 e meia horas, continuámos a marcha para Bejamita, tendo sido reforçada a guarda da rectaguarda por ser provável um ataque do gentio por esse lado.
Após uns minutos de marcha, foi a guarda avançada atacada por muitos papeis e grumetes contra os quais abriu fogo, pondo-os em deban­dada e atingindo, nesta perseguição, uma tabanca, cujo nome soubemos, depois, ser Pelonde. Aqui chegámos ás 13 horas e tivemos de acampar por todos se encontrarem fatigados, das correrias feitas ao gentio.
Em 27, ainda tivemos de permanecer em Pelonde pelo motivo que acima referi.
Às 6 horas de 28, quando se organizava a coluna para seguir para Bejarnita, cai de surpresa sobre nós o gentio.
Desenvolvendo, imediatamente, as forças para o combate, tomámos a ofensiva com extraordinário vigor, o que fez com que ele retirasse, sendo perseguido com tenacidade pelas nossas forças.
O combate estava terminado às 7 horas, tendo nós 2 homens feridos e um cavalo morto.
Soubemos posteriormente, que ele foi dos mais terríveis para o gentio, pelo grande numero de baixas que teve, especialmente gente de Biombo e Bejamita.
Tive ocasião de observar o grande número de camas, feitas com folhas de palmeira, que estavam colocadas do lado do caminho para Beja­mita e a uns 5OO metros, se tanto, de Pelonde, do que deduzo que o gentio, tendo passado a noite ali, se preparava para cair sobre nós de madrugada.
Valeu-nos, certamente, o termos começado os preparativos de mar­cha às 4 horas.
Chegámos a Bejarnita ás 10 e meia horas, tendo havido apenas durante a marcha uns tiros isolados em Bissauzinho.
Pelas 13 e meia horas do dia 29, o voluntário Carlos Cabral Avelino entrega-me duas comunicações do comandante da Lancha-Canhoneira Flecha. Uma escrita às 4 horas e outra às 10 do mesmo dia.
Na primeira, dizia o referido comandante que o gentio sitiava a tabanca de guerra de Bor, desde a madrugada de 28; que os sitiados esta­vam com falta de cartuchos (tinham apenas 20 a 30 cartuchos por homem); que o gentio (grumetes e papeis) estivera à fala com os sitiados a quem tinha dito que de manhã (na de 29) havia de estar na posse daquela provação.
A segunda comunicação, em que o comandante da «Flecha» se mostra arreliadíssimo por só conseguir àquela hora ter contacto com as forças de terra, accrescentava: «que não sabia se chegariamos a tempo de salvar a gente de Bór, pois estava informado de que estavam quasi sem cartuchos».
Em face destas comunicações, resolvi marchar imediatamente em socorro de Bór, mandando, acto contínuo, levantar o acampamento.
A marcha iniciava-se ás 14 horas, isto é, três quartos de hora depois da ordem de levantar o acampamento.
Chegámos a Pelonde ás 17 horas sem ter havido um único tiro. Às 20 e meia horas, a guarda-avançada atacava os sitiantes de Bór, sendo logo reforçada pelos regulares e irregulares de Alpha Seilu, tra­vando-se encarniçado combate, que terminou às 22 horas, Tivemos 6 homens feridos e 1 mortosendo o gentio posto em debandada..
A marcha deste dia, já pela escuridão, já pela irregularidade do caminho e emaranhado de arbustos e árvores, que seguindo-o se cruzam por cima dele, detendo-nos de minuto a minuto para nos desenvencilharmos, constituiu um verdadeiro suplicio!
Valha-nos ao menos termos conseguido o que tanto desejávamos: a salvação dos irregulares de Bor, que, apenas tiveram um homem morto e dois feridos, durante o cerco feito pelo gentio.
Nos dias 30 de Junho e 1 de Julho saíram forças em exploração, tra­vando-se pequenas escaramuças com o gentio, que sempre foi vencido.
No dia 2 de Julho, assumia V. Ex.ª o comando da Coluna, consti­tuindo este facto para todos nós motivo de extraordinário jubilo, que V. Ex.ª viu exteriorizado na espontânea e calorosa manifestação que lhe foi feita quando da sua chegada ao acampamento de Bor.» 


Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, Volume IV, Nº 14, Abril de 1949

5 de julho de 2011

215-A guerra de Geba I


 Os “presídios”, praças de pequenas dimensões e escassos meios defensivos, constituíam organizações administrativas no interior da Guiné durante o período colonial anterior ao século XX. Tal como Farim, Ziguinchor e Rio Nuno, Geba tinha um presídio. Também aqui, como em Bissau, não foi fácil a implantação do domínio colonial. Já vimos como foi em Bissau (ver aqui). Vejamos agora como conta João Basso Marques o que foi A GUERRA DE GEBA (no Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, nº 001-004, 1946, não em livro, como vi algures):

«Por toda a Colónia grassavam as discórdias entre indígenas, que nem sempre acatavam a política adoptada, de meios brandos, suasórios e conciliadores.
Aqui, as questões, sempre crescentes, entre os fulas dos territórios de Joladú e Ganadú, vizinhos do presídio de Geba; acolá, a pre­meditada revolta de Mamadú Paté, de Bolola -um dos régulos do «For­reá» - acolitado por um dos seus «grandes», Mamadú Yeró, de que resultou a sua morte, depois de ter tentado, por meio de falsa conferência com O Comandante da praça de Buba, aprisionar e matar o enviado deste, alferes Moreira do Carmo; mais além, as desavenças dos povos de Antula e Intim, que mais tarde originariam uma campanha em Bissau:
No território de Geba, com o fim de demonstração do poderio e força do Governo, haviam-se já efectuado algumas campanhas - a última no período decorrido de Agosto a Setembro de 1889 - todas infrutíferas porém.
Agora, em virtude da invasão e assalto à mão armada, praticada pelo súbdito francês, Mussá Moló, chefe de guerra do senhor do chão de Fuladá - o rei Dembel- o qual, capitaneando forças consideráveis, invadiu os nossos territórios de San Cariá e Cariá, sitos entre Farim e Geba; e ainda às extorsões feitas pelo salteador Mali Boiá e aos ataques dos fulas pretos de Joladú e Ganadú (sob o comando do mesmo Boiá) aos mandingas e beafadas da ponta de Sambel-Nhantá, o major Augusto Rogério Gonçalves dos Santos, Governador da Colónia ao tempo, de­cretou o estado de guerra nos territórios da Circunscrição de Geba, nos termos de uma portaria régia de 1864.
Ia já adiantado o espírito de revolta. Mali Boiá de há muito se havia constituído em manifesta rebelião contra as determinações do Governo, praticando actos em oposição às leis e atacando povoações pacíficas.
Esses ataques consubstanciavam o seu intuito de se apoderar da margem direita do rio Geba, para melhor desferir o que pretendia con­tra a praça. Para esse efeito, com auxílio dos régulos de Chime, Badora, Corubal e Guerat, gente do Mussá e do Paté-Coiade, atacando, fazia os possíveis para expulsar daquela zona o régulo escolhido pelo Governo e pela maioria do povo, Sambem Serandim, e as famílias fieis, de man­dingas e beafadas, que residiam na já falada ponta de SambeI Nhantá.
Por outro lado, a revolta alastrava, por isso que, não obstante os vários arrolamentos minuciosos feitos às armas e munições existentes, alguns comerciantes indignos vendiam pólvora e munições aos mandingas de Bambadinca, que, em canoas de «poilão», as levavam depois aos rebeldes, aumentando assim a sua resistência.
Estes factos traziam as populações ordeiras sobreexcitadas, prejudi­cavam o comércio e constituíam risco grave para as embarcações que se empregavam no tráfego do rio.
Justificava-se, pois, o estado de guerra declarado e acção do Governo para pôr cobro a tais desmandos.
Às tropas existentes no presídio, constituídas por dois subalternos e cento e dez praças de pré, de caçadores 1 e da bateria de artilharia na Colónia destacada, se juntaram outras enviadas de Bissau.
O comando das forças em campanha foi cometido ao capitão Zaca­rias de Sousa Lage.Empregou-se o melhor material bélico existente na Colónia para lá se mandando a metralhadora «Nordenfeeld», as espoletas de granadas que acabavam de chegar, e as diversas armas Enfield existentes no depó­sito de material.Para protecção da coluna e do tráfego no rio seguiram as lanchas canhoneiras «Ave», «Flecha» e «Zagaia», respectivamente do comando dos primeiros tenentes Sena Barcelos e Santos Nunes e do segundo te­nente Álvaro Herculano da Cunha.
Dirigiram-se os primeiros ataques contra as tabancas dos territórios de Chime, Juladú e Ganadú, até chegar ao maior, efectuado em Caran­tabá.
Foi de facto este o ataque mais violento, nele se registando actos de heroísmo diversos: o cidadão Domingos de Araújo, conhecido pela «Man­camá», depois de ferido mortalmente, incitava os auxiliares, seus com­panheiros. a não abandonarem o ataque, dando-lhes assim, o exemplo da sua coragem, denodo, valentia e amor pátrio: o 1.0 tenente de bateria de artilharia, Jorge de Lucena, segundo comandante das forças em campa­nha, mesmo ferido mantinha-se em combate; o médico Sant'Ana Álvares exercia debaixo do, fogo a sua espinhosa missão; os sargentos Barros Cardoso e António Maria dos Santos, ambos feridos em combate­tendo o segundo ficado militarmente incapacitado - houveram-se também com energia e valentia louváveis.
O régulo de Ganadú e Galona Dabó, chefe de guerra dos mandingas e beafadas, tão. brilhantemente se houveram nos serviços de campanha que lhes foram ordenados, que assim conseguiram a derrota moral do Mali Boiá.
Diga-se também, prestando justiça à maioria dos comerciantes, o auxílio dado pelos negociantes de Gêba, Francisco Rodrigues e Joaquim da Costa, que, fechando os seus estabelecimentos com manifesto pre­juizo dos seus interesses e colocando-se à ordem do comando, arriscaram as suas vidas sob fogo intenso.
Os comerciantes estrangeiros, da firma Blanchard & Companhia e Otto Schacht, cederam também as suas embarcações para transporte de tropas e material d.e guerra.
Após o ataque e destruição das moranças de Batanjá, Gebará, Col­lufi e muitas outras, castigos que se infligiram aos rebeldes, muitos dos seus chefes se apresentaram solicitando perdão com deposição de armas.
Dirigiram-se os primeiros ataques contra as tabancas dos territórios de Chime, Juladú e Ganadú, até chegar ao maior, efectuado em Caran­tabá.
Foi de facto este o ataque mais violento, nele se registando actos de heroísmo diversos: o cidadão Domingos de Araújo, conhecido pela «Man­camá», depois de ferido mortalmente, incitava os auxiliares, seus com­panheiros. a não abandonarem o ataque, dando-lhes assim, o exemplo da sua coragem, denodo, valentia e amor pátrio: o 1.º tenente de bateria de artilharia, Jorge de Lucena, segundo comandante das forças em campa­nha, mesmo ferido mantinha-se em combate; o médico Sant'Ana Álvares exercia debaixo do fogo a sua espinhosa missão; os sargentos Barros Cardoso e António Maria dos Santos, ambos feridos em combate­, tendo o segundo ficado militarmente incapacitado - houveram-se também com energia e valentia louváveis.
O régulo de Ganadú e Galona Dabó, chefe de guerra dos mandingas e beafadas, tão brilhantemente se houveram nos serviços de campanha que lhes foram ordenados, que assim conseguiram a derrota moral do Mali Boiá.
Diga-se também, prestando justiça à maioria dos comerciantes, o auxílio dado pelos negociantes de Geba, Francisco Rodrigues e Joaquim da Costa, que, fechando os seus estabelecimentos com manifesto pre­juizo dos seus interesses e colocando-se à ordem do comando, arriscaram as suas vidas sob fogo intenso.
Os comerciantes estrangeiros, da firma Blanchard & Companhia e Otto Schacht, cederam também as suas embarcações para transporte de tropas e material de guerra.
Após o ataque e destruição das moranças de Batanjá, Gebará, Col­lufi e muitas outras, castigos que se infligiram aos rebeldes, muitos dos seus chefes se apresentaram solicitando perdão com deposição de armas.
Conseguira-se assim arredar para mais longe o perigo e desassossego. Entretanto, ainda que mais distante, a revolta mantinha-se.
Decorria já o ano de 1891, e a campanha que se iniciara em Dezem­bro do  ano anterior, devido à época das chuvas e a questão mais instante, em Bissau, embora não resolvesse a paz nem a completa obediência dos indígenas revoltados, houve que ser suspensa.
Realmente, em Bissau, já mesmo muito antes do início das hostili­dades em Geba, coisa grave andava no ar.
Em meados do ano de 1890 guerreavam-se, entre si, os papeis de Antula e Intim, ajudados aqueles pelos balantas de Nhacra e Cuntanga e estes pelos grumetes da praça de Bissau.
Baldados esforços empregava o Governo, aconselhando-os a que cessassem as hostilidades na guerra cruenta que entre si mantinham as referidas tribos.
Só mais tarde - alguns meses depois - o governo conseguiu os seus intuitos, através do juramento de obediência prestado pelo régulo de Antula.
Revoltado continuava ainda o gentio de Intim, cujo régulo Cumeré, despeitado pela atitude do de Antula e secundado pelos de Bandim, Bór e Enterramento, a todo momento mostrava o seu desrespeito pela auto­ridade, chegando em certa altura, armado com espingardas e pedras, ele e os seus homens, a apedrejarem polícias da praça e tentar aprisionar, para assassinar, o comandante e dois oficiais que passeavam na praça dos grumetes.
Que nisso se houve com culpa o comandante da praça, tenente-coro­nel da guarnição de Angola Pedro Moreira da Fonseca, assim se de­monstrou; acarretando-lhe tal facto a sua demissão do comando e uma censura no Boletim Oficial.
Contudo as provocações não acabavam. Agora os íncolas da praça estavam em permanente sobressalto. Os papéis de Intim, secundados pelos de Antula, que se tomaram perjuros, e escudados pelos grumetes que constituíam a sua guarda avançada na praça, matavam a tiro os sol­dados que guarneciam os baluartes da sua fortaleza.
Por força do prestígio do Governo, tão ofendido, e para mantença do ascendente moral sobre os indígenas, iniciou-se então a campanha de Bissau.
Fora ela que, conjuntamente com a impraticabilidade das operações devida à época das chuvas, motivou a suspensão da Guerra de Geba.
Como atrás se disse: arredou-se para mais longe o desassossego que os revoltosos criavam, mas não se conseguiu desbaratá-los.
Ainda que na região do presídio lavrasse paz absoluta, um pouco distante, na região vizinha de Mancarosse, os agentes de Mussá Moló faziam das suas prendendo o régulo Cambel, que depois fugiu, e matando outros que recalcitravam perante os seus abusos.
Todavia, a Guerra de Geba não deixou de constituir jornada glo­riosa da nossa penetração colonial, precursora das outras que mais tarde - em 1915 - conseguindo a pacificação dos povos da Guiné, imortali­zaram o nome do denodado e heróico cabo de Guerra, Teixeira Pinto.»
ALGUMAS DATAS (significativas das dificuldades encontradas na região do presídio de Geba):
24-VII-1843Manuel José Semedo, comandante do presídio de Geba, consegue do régulo de Badora, Mamadú Sanhá, a cedência do território de Ganjarra. 
25-V-1853Depois de ter conseguido dominar a insubordinação dos moradores do presídio de Geba, Honório Barreto regressa à Praça de Bissau acompanhado dos grandes daquele território que vinham prestar acto de obediência.
25-IX-1865 O régulo futa-fula Tudé Mussá, vencido pelos fulas, refugiou se no presídio de Geba. Avisa­ram os Fulas que entrariam nele pela força para resgatar o chefe inimigo. Porque o dever de leal­dade o obrigava a defender quem procurava pro­tecção na bandeira portuguesa, decidiu o coman­dante do presídio recusar tal proposta. No assalto que os fulas fizeram ao presídio foram rechaçados.
1-XI-1865 - O gentio de Geba ataca a praça, sendo rechaçado e pedindo a paz. O comandante do Presídio, 2º tenente de artilharia Manuel José da Silva, foi promovido por distinção ao posto imediato, por decreto de 9 de Junho de 1866, pelos relevantes serviços prestados nesta guerra.
20-XII-1880 -Foi marcada a data em que o régulo de Ganadú [zona de Geba] deveria prestar termo de juramento e obediência à bandeira nacional segundo os preceitos do seu rito.
3-VIII-1885Louvados o capitão Caetano Alberto da Costa Pessoa e o tenente Joaquim António do Carmo Azevedo, por terem restabelecido a tranquilidade no presídio de Geba e mantido o prestígio da autoridade em relação aos gentios que se lhes mostraram hostis.
6-VIII-1886Louvado o tenente Francisco A. Marques Geral­des, chefe do presídio de Geba e o alferes Manuel do Amaral Carvalho Vieira pela maneira como castigaram o chefe de guerra dos fulas pretos, Mussa Moló, tomando-lhe dez tabancas.
21-IX-1886Saiu do presídio de Geba à frente de uma expe­dição composta de 4.500 homens, sendo 80 praças de caçadores, 2 oficiais, 2 peças com os respectivos serventes e o resto constituído por auxiliares, o tenente Francisco Marques Geraldes, com o fim de bater as forças do Mussá Molo, no território de Sam Corlá [zona de Geba].
17-VII-1889O régulo de Ganadú, de nome Corrai, fez procla­mações de desobediência ao Governo convidando os seus povos à revolta. O governador Correia e Lança tomou medidas rápidas e enérgicas para enfrentar os acontecimentos. Organizada urna coluna de operações foram batidos os rebeldes e preso o régulo.
2-XII-1890Constituída uma coluna de operações contra Mali Boia, residente na circunscrição do presídio de Geba, sendo nomeado comandante o capitão Za­carias de Sousa Lage e 2.º comandante o tenente António Jorge Lucena.
9-III-1891Suspensas as operações militares na circunscrição do presídio de Geba e mandados recolher a Bissau três oficiais, dois oficiais inferiores e 160 cabos e soldados.
28-IV-1891Louvados pelas operações militares de Geba os comandantes das lanchas-canhoneiras «Flecha» e «Zagaia», l.º tenente Filipe dos Santos Nunes e 2º tenente Alvaro Herculano da Cunha. Louvado o capitão Zacarias de Sousa Lage pelos relevan­tes serviços no presídio de Geba como chefe e comandante da coluna de operações, dando inequí­vocas e sobejas provas de coragem, valor e mérito nos ataques que dirigiu às tabancas gentílicas de Joladú, Ganadú, Chime e outras.
28-IV-1891Louvados alguns negociantes do Presídio de Geba e chefes de guerra auxiliares, destacando-se Do­mingos Gomes Araújo (o Mancamá) , pela cora­gem, denodo, valentia e amor pátrio, do que foi vitima no ataque dado a Carantabá em 13-12-1890.
14-V-1891Foi estabelecido em Geba um depósito de incorri­gíveis onde deveriam completar o tempo de serviço que lhes faltasse as praças da guarnição de An­gola mandadas servir na Guiné por terem sido condenadas como desertores ou incorrigíveis.
20-I-1892Foi declarado em estado de guerra o Presídio de Geba e sua circunscrição, suspensas as garantias dos seus habitantes e considerados rebeldes todos os povos da mesma região que se reuniram ao chefe de guerra do rei Dembel de Firdú, Mussá Molô.
22-I-1892Constituída a coluna de operações de Geba contra Mussá Molô. Nomeado seu comandante o capitão Carlos Augusto de Almeida Saraiva, que faleceu dias depois, sendo substituído pelo capitão Zaca­rias de Sousa Lage.
2-III-1892Auto de vassalagem do régulo de Cabomba, Dembá Methá, de Geba.
10-III-1892Vitória das nossas forças comandadas pelo capitão de caçadores Sousa Lage sobre os rebeldes da cir­cunscrição de Geba, coroada pela entrada da coluna de operações em Gussará-Dandum, aldeia indígena fortificada considerada até então inexpugnável.
24-III-1892 Louvado o guarda marinha Joaquim Pedro Vieira Júdice Biker, comandante da lancha-canhoneira «Zagaia» pelos serviços prestados em apoio à coluna de operações  militares de Geba. Louvado o capitão Zacarias de Sousa Lage, pela maneira como diri­giu a coluna de operações militares em Geba, obri­gando os rebeldes a abandonarem a sua mais forte tabanca de guerra, Gussará Dandum, onde a coluna teve de sustentar aturada fuzilaria com o inimigo, durante 18 horas nos dias 10 e 11 de  Março.
24-III-1892Foi considerada pacificada a região de Geba pela derrota de Mussá Molô.
28-VIII-1892Foi celebrado no presídio de Geba, em presença das autoridades, o auto de vassalagem do régulo de Gabú e Forreá Mamadú Paté, que ali se apre­sentou acompanhado dos seus conselheiros.
20-I-1893Tenente Aníbal Augusto da Silva Machado Gomes louvado pela forma como desempenhou a comis­são que lhe foi incumbida de fazer a travessia de Farim a Geba com uma força militar e por ter feito o levantamento da carta dos terrenos que atravessou.
27-III-1893Auto de vassalagem do régulo de Chime, Béllar Bandi.
20-V-1903Embarcou para Lisboa a força expedicionária europeia enviada da Metrópole para submeter os rebeldes de Geba e de Bissau. Ficou na colónia a Companhia de Macuas de Moçambique.
21-XI-1907 Constituída a coluna de operações na circunscrição de Geba.
1-XII-1907A coluna de operações organizada pelo governa­dor Muzanty cai sobre a povoação fortificada de Campampe, desbarata os rebeldes partidários de lnfali Soncó, mata o régulo Dembage e estabelece as comunicações com Bambadinca.

23 de junho de 2011

205-A mais velha aliança do mundo, os "amigos ingleses" e a Guiné

O casamento de D. João I com Filipa de Lencastre, em 1383, marcou o início da mais antiga aliança diplomática entre dois países, actualmente ainda em vigor.
Foram sempre uns "amigos de Peniche" (porquê a carga negativa desta expressão, se até tenho bons amigos em Peniche?...). Já sabemos. Mas vejam como foi na Guiné.


Os ingleses sabiam das dificuldades que os portugueses tinham em ocupar aquele território e dominar os seus povos, e o seu espírito de rapina estava sempre activo. Dominavam já a Serra Leoa[1] desde o século XVII, mas o território logo a seguir[2] (a actual República da Guiné ou Guiné.Conakry), a norte, antes da Guiné Portuguesa, era do interesse dos franceses, também empenhados em ocupar o Senegal[3], mais acima, e até uma parte dos portugueses, a Casamansa. Era, pois, a Guiné dos portugueses que os “amigos” ingleses viam ser mais fácil de apanhar.
Em 10 de Maio de 1792, os capitães da marinha inglesa Philip Beaver e  Dalryrnple desembarcaram em Bolama com 570 pessoas, 275 delas eram colonos para ali se instalarem. E montaram, de facto, a colónia na Ponta Oeste. Mas não estiveram lá muito tempo. No ano seguinte grande parte deles foram dizimados pala malária, de tal modo que os poucos colonos ingleses ainda sobreviventes exigiram o seu repatriamento ao capitão Beaver, tendo este regressado com esses poucos a Inglaterra em 29 de Outubro de 1793.
Mas não desistiram. A pretexto dessa “colonização” de Beaver, voltaram a ocupar Bolama em 1814 e 1827, tendo, neste ano, Sir Neil Campbell, Governador das possessões inglesas da África Ocidental, imposto aos régulos de Bolola e Guinala, no Rio Grande, um tratado de cedência de Guinala e Bolama, bem como as respectivas ilhas adjacentes. Nestas andanças, uma fragata inglesa chegou a atacar perto de Bissau, em 26 de Novembro de 1821, a escuna portuguesa “Conde de Vila Flor”, deixando-a inoperacional no canal do Geba.
Em 11 de Junho de 1828, o 1º tenente Francisco Muacho, Governador de Bissau, obteve do régulo Damião de Canhabaque e do régulo Damião dos beafadas que permitissem apenas aos portugueses o estabelecimento em Bolama. A 20 de Abril de 1830 também o coronel das Milícias, Joaquim António de Matos, consegue desses régulos a construção de um posto militar em Bolama e a cedência da ilha das Galinhas, que é incorporada na coroa a 14 de Janeiro de 1831.
Mas o Governo inglês reclama oficialmente a posse de Bolama em 5 de Março de 1834. Também oficialmente, a 26 de Novembro desse ano, o Governo português recusa essa posse. E a Guiné passou, em 1835, a ser um distrito destacado da Província de Cabo Verde, cujo Governador Geral passou a ter sobre ele todos os poderes civis e militares.
E o Governador da Província queixou-se ao Governo português, em 5 de Novembro de 1836, que os estrangeiros não nos respeitavam, andando navios franceses e ingleses à coca para ver se tomavam Bolama, Bissau e a Casamansa, evidentemente combinados para repartirem entre si “o que nos pertencia”.
E tinha razão. Relativamente a Bolama, os ingleses não se coibiam, de facto. Em 9 de Dezembro de 1838, o tenente Keller desembarcou em Bolama com o brigue inglês “Brisk”, substituiu a bandeira portuguesa pela inglesa e tomou posse da ilha, declarando-a propriedade inglesa. Fez mais: destruiu todas as armas que havia no destacamento português lá existente e a feitoria Nozolini. Zarpou depois levando mais de 200 escravos.
Foi a seguir um período “intenso” (nas circunstâncias da época, claro…) de tentativas por parte dos ingleses de se apossarem do território. Bolama era o local que lhes parecia mais acessível aos seus navios, porque não era defensável, contrariamente a Bissau e Cacheu, onde os portugueses tinham fortificações. A 15 de Abril de 1839 o tenente Keller volta a invadir Bolama e a fazer nova razia. Também W. Blount e os tripulantes do “Plutons” assaltaram e saquearam a Ilha das Galinhas, primeiro, e Bolama, depois, a 8 de Março de 1842. Neste ano ainda, a 22 e 23 de Maio, o tenente C.H.Lapidge, comandante do “Pantaleon”, fundeou em Bolama e declarou a tomada de posse da ilha pela Inglaterra. Passados tempos, o Governador, já Honório Barreto, mandou arrear a bandeira inglesa e substitui-la pela portuguesa. Cinco anos mais tarde, concretamente a 26 de Janeiro de 1847, o comandante do vaso de guerra inglês “Marsay”, obrigou o régulo de Canhabaque, António, a assinar um tratado em que este dizia “não dever protecção e favor a outros navios e comerciantes que não fossem ingleses ou franceses”. Honório Barreto protestou contra isso. Em resposta, talvez, tripulantes ingleses do “Dart” assaltaram e saquearam Bolama a 28 de Novembro desse ano. O Governo e Bissau enviou para Bolama um destacamento de 5 soldados [!!...].
As duas décadas seguintes não foram diferentes. Uma espécie de toca-e-foge. Em Dezembro de 1851, no dia 10, o comandante do navio “Ranger”, Th.Miller, exige a saída dos soldados portugueses que estavam em Bolama. Como não foi atendido, aprisionou os soldados [terão sido os tais 5?...] e levou-os para a Serra Leoa. Novo ataque a Bolama, pelo “Fire-Fly”, comandado por O.Seymor.
Em Janeiro de 1856 Honório Barreto fez uma visita às ilhas de Bolama para se inteirar da situação, nomeadamente da influência dos ingleses na ilha. Esteve no dia 11 em Casaria, na Ilha das Galinhas, em visita ao túmulo da filha do coronel de milícias Joaquim António de Matos. Fora assassinada em Março de 1842 pelos marinheiros do navio inglês “Plutons”. Passou também pelas ilhas de Canhabaque e Orango, tendo recebido dos régulos a garantia de fidelidade a Portugal. Situação volátil, como se verá em anos seguintes (ver aqui). E a 30 de Janeiro Honório Barreto informava o Governador Geral de Cabo Verde que, nas ilhas de Bolama, apenas os régulos de Inoré e Ancataque tinham negociado com o comandante do navio inglês “Tocante” o estabelecimento de feitorias.
Na discussão diplomática de “quem tem direito a”, que já se arrastava desde 5 de Março de 1834, o Conde do Lavradio, embaixador de Portugal em Londres, apresentou a Lord Malmesbury, a 5 de Março de 1859, uma reclamação de posse sobre a ilha de Bolama, apontando que era desde 1819 pertença firmada de Portugal. Mas os ingleses apresentaram-lhe um documento, datado de 29 de Junho de 1792, em que Portugal fazia a cessão da ilha a Inglaterra. Não foi considerado credível esse documento, por falta de bases sérias.
E, a 10 de Maio de 1860, o governo inglês proclama a incorporação de Bolama na Serra Leoa, tendo o Governador desta escrito ao Governador da Guiné, em Dezembro desse ano, reivindicando aquela ilha e o Rio Grande. Sem resposta positiva, claro. Por isso, o navio “Ranger”, a 3 de Junho de 1863, desembarcou uma força em Bolama para a ocupar.
Em 1868, a 4 de Junho, é o próprio governador da Serra Leoa, na altura Sir Arthur Kennedy, que entra pelo Rio Grande de Buba, fazendo razia nas suas margens, especialmente em Ponta Colónia. E, ousadia ou sobranceria?, algumas corvetas inglesas foram a Bissau no dia 6, tendo alguns oficiais desembarcado. Grassava lá, na altura, uma epidemia de febre amarela. O físico-mor Silva Leão aconselhou-os a regressar aos barcos, alertando-os também que não seriam bem recebidos pela população, que sabia que eles tinham prendido em Bolama o Governador da Guiné Joaquim Alberto Marques, quando este lá se encontrava no navio “Carolina”. Em 6 de Julho o Governador Geral de Cabo Verde tomou medidas. Ordenou a organização de uma expedição para expulsar os ingleses das feitorias que tinham instalado no Rio Grande, tendo inclusive arvorado a bandeira de Inglaterra na Ponta Colónia. Também o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Bento da Silva, ordenou nesse mesmo mês ao Conde do Lavradio que apresentasse um protesto ao governo inglês e exigisse a reparação da acção cometida pelo governador da serra Leoa no Rio Grande. O governo britânico fez um inquérito ao caso e ordenou, depois dele findo, a evacuação das forças inglesas.
 Foi lá, no dia 8 de Setembro, a escuna “Bissau” com uma força militar e 2 peças de campanha. Arriaram a bandeira de Inglaterra em Ponta Colónia e substituíram-na pela de Portugal.
As negociações diplomáticas foram mais além. A 26 de Outubro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros pediu ao embaixador em Washington, Miguel Martins Antas, que interviesse junto de Mr. Sward para este ver se o Presidente dos Estados Unidos se prestaria a uma arbitragem sobre a posse de Bolama. Veio resposta favorável em 20 de Novembro.
E, em 21 de Abril de 1870, o Presidente dos Estados Unidos, Ulysses Grant, reconhece, em sentença arbitral, os direitos de Portugal à Ilha de Bolama.
Por isso, a 1 de Outubro de 1870, o Governador Geral de Cabo Verde, conselheiro Caetano Alexandre de Almeida e Albuquerque, tomou posse da Ilha de Bolama em nome de Portugal, estando presente Graig Loggie, representando o governo da Grã-Bretanha. O 2º tenente da Armada Guilherme Augusto de Brito Capelo serviu de secretário, escrevendo e assinando o auto de posse.




[1] Foi descoberta em 1460 por Pedro de Sintra, tendo os portugueses instalado-se lá para o comércio de escravos. Foram, porém, os ingleses que acabaram por dominar a região, através da Companhia Comercial Britânica, no século XVII.
[2] Após uma guerra vitoriosa sobre o chefe mandinga Samory Turé, os franceses ocuparam aquela região em 1849, chamando-lhe Protectorado Francês, dependente de um Governador Geral instalado em Dakar.
[3] Foram os portugueses que primeiro chegaram, depois do Cabo Bojador, no Sara Ocidental, àquela parte a que chamaram “África Negra” (Mauritânia, Senegal e Guiné). Estiveram no Senegal, no tráfico de escravos, depois estiveram por lá os holandeses e a seguir os ingleses e os franceses. Mas estas duas potências coloniais decidiram, pelo Tratado de Paris, de 1814, que era a França que ficava com o Senegal.