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2 de junho de 2011

192-Bubaque

191-A PIDE andava por lá

Os primeiros-sargentos, da anterior e da actual, já estavam a falar ao pé da secretaria. Esta tinha uma sala com duas secretárias e um cubículo anexo onde era a casa de banho. A outra casa tinha dois quartos e uma casa de banho também. Nas traseiras das duas, um pequeno descampado, separado de umas palhotas com arame farpado.
“Neste quarto aqui fico eu”, disse o capitão, “Naquele ficam vocês os dois.”
 A casa não tinham janelas, só portas com uma paliçada em frente.
“É para não entrar nada pelas janelas, sabe-se lá…”, explicou o Braga, e convidou, depois de arrumadas as coisas de cada um:
“Vamos ali ao bar beber um copo.”
Já tardava. Disto é que ele sabia muito, era perito. E aprendi muito com ele, é verdade. Aos fins-de-semana, depois da instrução da companhia, dava-me boleia até Lisboa no seu Alfa Romeo e tive grandes noitadas na Cave, no Comodoro, na Taverna Imperial, bebidas, mulheres…e eu disso sabia pouco ou nada… no seminário não dava, e depois cá fora também não deu.
O bar ficava por trás daquelas casas, era uma barraquita muito pequena coberta de chapa, com um balcãozito que só dava para três.
“Não está cá ninguém. O barista da outra companhia deve estar a preparar-se para ir embora, mas isto agora é nosso. Os primeiros-sargentos estão a tratar. Whisky simples ou com água?”
“Com água”, disseram os alferes.
“Então estão aqui as perriers, é melhor que a castelo.”
Ficaram a conhecer as garrafinhas verdes da  água perrier. O capitão foi bebendo e falando.
“Quando chegarem os dos destacamentos estes gajos vão-se embora. Temos de montar guardas lá em cima no quartel e aqui em baixo. O primeiro-sargento há-de fazer as escalas. Você, Aiveca, amanhã vai comigo até à sede do batalhão, tenho de falar com o tenente-coronel.”
“Tá bem, vou avisar os furriéis”
“Não é preciso, é aqui a trinta quilómetros.”
“Sozinhos?!”
“Não há problemas, vamos só nós.”
Este sacana quando bebe passa-se dos carretos, pensei eu, mas não disse nada. Fomos, depois, para os quartos.
“Belas camas”, e assentei-me.
“ É como as mulheres, quando estamos à rasca qualquer uma serve”, e o Zé Pedro esticou-se ao comprido.
“Não é bem assim.”
“ Ai não, não é, ó filho, não percebes nada.”
“Talvez não.”
“ Mas ouve lá, vocês são malucos, irem-se meter por aí sozinhos, é arriscado.”
“O que é que queres, o gajo é que manda". Virei-me para o lado, não deu para mais conversa. O cansaço e o whisky venceram.
Parecia-me que tinha acabado de me deitar, que ainda era noite. Mas não, já era dia quando a porta se abriu e o capitão nos acordou.
“Temos de ir embora, Aiveca. Zé Pedro, você fica a mandar nisto, vá ver se está tudo bem no quartel e se o primeiro pôs a secretaria a funcionar, veja se está tudo nos conformes e a andar. Nós só voltamos depois do almoço.”
Já estava um jipe pronto, entrámos nele, cada um com a sua G3. O Braga foi a conduzir, passámos por um grupo de palhotas e metêmo-nos à estrada. Não se podia chamar tal, era uma picada muito má, a paisagem já não era novidade, árvores e erva muito alta à volta. A viatura ia aos solavancos.
“Ó capitão, ainda não percebi porque é que fui eu que fiquei na sede da companhia e não o Aprígio ou o Castro, acho que eles são mais capazes do que eu para aquilo.”
“É pá, para o que eu quero e é preciso não são, não é nenhum deles. O Castro é um bocado emproado e senhor do seu nariz, tenho receio que disparate coisas que eu não quero, o Aprígio é demasiado calmo, um bocado mosca morta, também não dá.”
“Mas eu não sou muito diferente deles, em certos aspectos.”
“É pá, mas eu já te conheço bem, deu para isso nas nossas andanças pelos bares de Lisboa… és um bocado nabo com as mulheres, mas isso para aqui não interessa nada. Eu tenho de ter alguém em que possa confiar plenamente para me dar segurança.”
“Mas eu acho que quer o Aprígio quer o Castro são seguros e não vão borrar nada.”
“Talvez, mas é em ti que eu tenho mais confiança.”
Foi uma viagem de poeira e buracos mas chegámos, sem problemas, de facto. Em ponto pequeno, mas parecia uma cidade. Fomos dar uma volta, tinha um mercado de paredes castanho avermelhado, algumas casas tipo colonial, outras normais, branco escuro do pó e da soalheira, um complexo com piscina e vista sobre o rio. Não era Lisboa, nada que se parecesse, muitíssimo longe, mas não desgostei. Bom para quem só tinha visto água e mato nos últimos dias.
“Só daqui a meia hora é que tenho que ir falar com o comandante do batalhão, agora vamos ver um amigo que tenho aqui.”
Entrámos num restaurante pequeno.
“Olha o Braga”, exclamou um sujeito pro-gordo e careca que estava atrás do balcão.
“Cá estou de novo, grande Coelho”, e o capitão abraçou-se a ele.
“Outra vez?”
“É, mas agora é diferente, venho comandar uma companhia, este aqui é um dos alferes.”
“Ah, tá bem. Vão uns camarõezitos?”
“Venham eles. O Alberto anda por aí? Queria falar com ele”
“Tá aí, tá. Ó Mamadu”, virou-se para um preto que estava lá,” vai dizer ao senhor Alberto que está aqui o capitão Braga e quer falar com ele”.
“Sim, patrão”.
Apareceu depois um tipo baixo, de bigode e cabelo preto, cara de poucos amigos. Ar um bocado soturno, pareceu-me. Sorriu para o capitão e cumprimentaram-se.
“De novo?”
“Mas não é a mesma coisa”, repetiu o Braga.
“Eu sei”, disse o Alberto e juntou-se nos camarões e na cerveja.
Depois de um copo, lançou, com ar sacaninha:
“O Coelho só tem um tomate, tiveram que lhe cortar um”.
“Tive uma merda qualquer, teve de ser. Mas o meu nome diz tudo, pá, continuo em acção. Nenhuma se queixa, nem a minha mulher”.
Virou a cabeça para trás, um bocado atrapalhado, para ver se estava a mulher ao balcão. E estava, tinha vindo para ver os visitantes. Era baixa, um pouco cheia, de cabelos alourados, cara bonita. Viu-se que pensou alguma coisa, mas não disse nada.
“Olá D. Ester”, cumprimentou o Braga.
“Olá, por cá?”
“É verdade, tem de ser”.
Passou algum tempo e estava quase na meia hora.
“Tenho de ir, depois volto cá para almoçar. O alferes Aiveca fica aqui à minha espera, a não ser que queira ir dar uma volta”.
“Não, já vi o que era de ver”.
“Eu não me vou demorar, com certeza”.
“Eu vou também. O tenente-coronel disse-me que vinhas e pediu-me para ir contigo”.
“Bora, então, Alberto”.
E eu fiquei, agarrado ainda aos camarões e a uma imperial. Estava intrigado sobre quem seria aquele gajo. Não estava fardado… não compreendia por que é que ia também à reunião com o Braga. O Coelho tinha ido para o pé da D. Ester, conversavam baixo. Parecia explicar qualquer coisa, mas ela dava ar de não compreender, cara cerrada, acabou por se ir embora. Ele voltou para a mesa.
“Os camarões estão bons?”
“Muito bons”.
Agarrou-se também a um bicho e deu-lhe para falar.
“Aquele Alberto é um brincalhão, mas tem sido um elemento muito importante contra os turras”.
“De que companhia é ele?”
“Ele não é militar, é o homem da Pide aqui na zona”.
De camarão em riste, olhei para o Coelho.
“O gajo espreme-lhes os tomates, salvo seja, até eles bufarem tudo cá para fora. Limpou o sebo a muitos que não disseram nada”.
Consegui tragar o bicho mas tive de beber meio copo para não me engasgar.
“Tem de ser, senão estes gajos fodiam-nos a todos. Você até tem sorte porque esta zona está mais ou menos bem, noutros sítios é que está mau, além de que aqui é zona dos fulas. Estão connosco, e o seu capitão já conhece isto, já esteve cá antes”.
“Já?”, manifestei-me surpreso, embora já tivesse percebido isso pelas conversas anteriores
“Esteve aqui na polícia há uns anos”.
Uns pretos assomaram à porta.
“Senhor Coelho, patrão, dá licença?”
“Tenho que ir ver o que é que estes nharros[1] querem. O que é, ó pá?”
Mergulhei na cerveja. Este sacana só me disse que tinha estado na polícia em Lisboa, quando era tenente. Que foi mobilizado depois de ser promovido a capitão. Que lhe tinham dito primeiro que ia para Timor, mas que o tinham fodido quando lhe disseram que, afinal, ia para a Guiné. Nunca me disse que já tinha cá estado. Devia estar mesmo fodido, acredito. A situação não é a mesma quando era polícia… e está explicado este à vontade com os pides.
O Braga e o Alberto acabaram por regressar. Era hora de almoço, e a D. Ester já tinha preparado um belo frango de chabéu, uma delícia que, regado com vinho branco fresquinho, eu nunca tinha provado.
“Muito bom!”, exclamei.
“Aqui há pratos bestiais”, disse o capitão, “e a mulher do Coelho é boa cozinheira, havemos de vir cá mais vezes”.
A conversa foi trivial, entre risos e piadas, mulheres, caju, mancarra, bebidas. A D. Ester, ocupada no balcão, não ouvia nada, ou fazia que. Só o Coelho é que derivou, a certa altura.
“Então como estão as coisas?”
O pide e o capitão trocaram olhares e este disse que estava tudo sob controlo.
Novamente no jipe de regresso à companhia, o capitão abriu-se.
“Temos que nos pôr a pau. Os gajos andam lá na nossa zona.”
Até me admirava se não andassem. Estava nas minhas previsões.


[1] Nome depreciativo dado aos pretos

1 de junho de 2011

190-A baga-baga

Quem pela primeira vez pisa a escaldante terra africana; Quem pelas suas digressões pelo «mato» se apercebe da cambiante duma paisagem como a da Guiné portuguesa, que os menos avisados classificam de monótona; Quem pelos seus inte­resses humanos se fixa na evolução que a paisagem sofre pela acção cul­tural do Homem. - Vê aqui e além, espaçados ou agrupados, erguerem-se acima do solo montículos de forma estranha , que não são obra de gente, de planta ou de pedra; - são obra de animal.
Esse animal, é o «senhor da terra»… africana. A ele paga o Homem pesado tributo em géneros e em habitação: as térmites aparecem destruindo a cultura no campo, o produto no armazém, a madeira na casa. Os tecidos lenhosos, vivos ou mortos, são o seu alimento predilecto. Para os alcançar e cava túneis, constrói galerias, arquitecta ninhos. Adapta as suas necessidades à paisagem. Subordina a paisagem às suas necess­idades.
As termiteiras em catedral (baga-baga vermelha) do tipo Macrotermes spp., erguem-se majestosas nas suas perspectivas de gigante, nas florestas, na savana, no campo de cultura. Sobrepassam as culturas anuais, espreitam através dos arvoredos cerrados, e, à compita, elevam ao céu a mesma prece que o cibe ou a palmeira do chabéu: Sou vida...
Rastejam em colónias graciosas , emprestando uma beleza subtil às paisagens cinzeladas do Boé e Nhampassaré e aos solos quase enxutos de seiva criadora, as termiteiras em cogumelo da (baga-baga preta), do tipo Cubitermes spp.. Às- dezenas, às centenas, aconchegadas na amplidão das crostas ferruginosas donde emergem, banhando-se dum pleno sol sob a protecção dos seus chapéus dum cinzento suave, parecem reclamar a protecção do céu, gritando na sua humildade: - Nós!... Somos tam­bém vida.
Quem se detiver e contemplar atento tão vastas áreas degradadas terá ocasião de meditar: - Sois vida! Mas também sois morte?!
[sublinhados meus]



 
 
 








in Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, Volume XIV, nº 56, Outubro de 1959

31 de maio de 2011

189-Os "portugueses" segundo o censo feito à "população civilizada" da Guiné Portuguesa em 1950

Baseado no censo à "população civilizada" realizado em 1950, o artigo de António Carreira publicado no Boletim Cultural da Guiné Portuguesa (Volume XIV, nº 56 de Outubro 1959) é interessante para avaliar, mais uma vez, se os guineenses eram, na sua generalidade, considerados "portugueses".

Isto é, dos 510.777 habitantes que a Guiné tinha na altura  (segundo dados da Delegação da UE em Bissau), só 4.644 (Varões e Fêmeas) é que eram civilizados e, portanto, portugueses.
Na mesma óptica, refere ele, na página 550, que: «Só os naturais da Guiné expressam mais de 58,3% da população nacional [o sublinhado é meu], seguindo-se Cabo Verde com 21,4%, a Metrópole com 18,8% e as outras províncias com 1,3%».
Mais à frente:
Eram estes os "portugueses" nestas circunscrições. E refere que os libaneses representam cerca de 81,1% da população estrangeira. Já não eram muitos no meu tempo, mas sei que era assim. Tem outros quadros depois com o número de "portugueses" nas principais localidades de cada circunscrição. Refiro só as que, anos mais tarde, conheci:
- em Geba havia 8 (V e F) e em Barro havia 19 (V e F).
Significou que, nesta estatística de «civilizados», não contaram os muitos milhares de habitantes das inúmeras tabancas do mato. Esses não eram «civilizados», não eram considerados "portugueses".
Não eram preconceitos de António Carreira. Era a ideia oficial dos governantes das colónias, embora lhes chamassem já províncias.
Aliás, a certa altura, diz o autor do artigo: «Arrependi-me de fazer esta enumeração de problemas porque o leitor da Guiné, depois de a ler, dirá logo ao primeiro amigo que tudo isso é desnecessário (se não disser qualquer nome feio) porque sempre se viveu sem saber das condições de vida do preto e a Guiné progrediu sem isso e até porque desses inquéritos não resultará aumento de volume de negócios ou de riqueza material.»
E os problemas por ele levantados foram estes:
- saber dos movimentos migratórios da principal riqueza da Guiné, o seu nativo:
- o êxodo das populações rurais sobre as concentrações urbanas de tipo civilizado;
- a falta de trabalho ou de ocupação ou actividades dos destribalizados;
- as condições de vida dos aglomerados populacionais das zonas suburbanas;
- a prostituição;
- a influência do islamismo sobre as populações animistas;
- as dietas e orçamentos domésticos das populações rurais e suas condições de habitação;
- as possíveis influências das tributações na vida económica e social;
- etc, etc
Claro que nada disto importava a quem apenas queria explorar o que desse dinheiro na colónia.
Finalmente, para se ter uma ideia do grau de «civilização» dos inquiridos no censo:



188-Francisco da Costa Gomes, Subsecretário do Exército. Para a História.

Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, Volume XIV, nº  56, Outubro 1959


187-Símbolos, ritualistas e ritualismos ânimo-feiticistas na Guiné

(Para ver em ponto grande carregar em X, em baixo à direita) 
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António Carreira 
in Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, Volume XVI, nº 63, Julho 1961

29 de maio de 2011

186-Aspectos e tipos da Guiné - VIII






in Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, Volume XVI, nº 63, Julho de 1961

185-Um ano antes Nino Vieira chorou


Cerca de um ano antes do golpe de 14 de Novembro de 1980, Nino Vieira foi empossado pelo Presidente do PAIGC, Aristides Pereira, como Chefe de Brigada, o mais alto posto das FARP. Chorou nessa altura. Lágrimas de crocodilo?...
Aquando da tomada de posse do segundo (e último!) mandato de Presidente da República por Luís Cabral (foi reeleito na segunda sessão legislativa em 1977, apenas com dois votos contra), Nino Vieira referiu-se-lhe como "nosso querido companheiro de luta", com "perfil de dirigente e de revolucionário". Mas Luís Cabral, na mensagem de ano novo de 1978 já supunha: "O inimigo tem sempre a esperança de ver dividida a direcção do PAIGC". Mas ainda tinha confiança: "Mas esqueceram-se das relações que nos ligam, relações de amizade, confiança, camaradagem [...] Muitos camaradas que ainda eram adolescentes quando foram para a luta formaram a sua personalidade de combatentes e de dirigentes dentro deste espírito de lealdade para com os companheiros".
Nino Vieira dirigira-se anteriormente aos deputados dizendo que Luís Cabral "nos tem orientado no dia a dia do nosso trabalho com lúcida inteligência e o seu conhecido entusiasmo e dedicação", concluindo por lhe garantir "a mais leal e sincera camaradagem". Foi quando foi empossado como Primeiro-ministro (em meados de Outubro de 1978) após a morte de Francisco Mendes.
No entanto, era opinião generalizada entre os quadros guineenses que Nino Vieira "vê, ouve e não diz nada", sendo o seu silêncio geral interpretado como falta de ideologia ou intenção de não se revelar.
Quando da intentona falhada de Malan Sanhá em 1978, Nino não só disse que não estava no complot como garantiu que não teve nada a ver com os fuzilamentos que foram feitos.
Mas fê-lo a 14 de Novembro de 1980.
Nesse dia, à tarde, António Buscardini, director da Segurança, foi a casa de Nino perguntar-lhe se era verdade que se preparava um golpe. Este dise que não, claro, e até quis que lhe trouxesse os delatores. Buscardini foi depois morto pelos golpistas.
O golpe estava preparado para dois dias depois, 16 de Novembro,mas, quando Buscardini saiu deu indicação aos apaniguados para o desencadear do golpe a partir das vinte horas desse dia. Perto da Embaixada Portuguesa, ao pé da casa de Nino, foram lançadas rajadas de metralhadora, sinal do começo do golpe.

28 de maio de 2011

184-A FLING apoiou (e participou n ?...) o golpe de 14 de Novembro


A Frente de Luta pela Independência Nacional da Guiné (FLING), organização neocolonialista que tem ligações com o Governo francês, apoia o Conselho Nacional da Revolução presidido pelo comandante de Brigada Bernardo Vieira (Nino) e manifesta a vontade de "contribuir para a reconstrução nacional" - afirmou, em conferência de imprensa dada em Paris, o seu presidente, Cirilo Rodrigues de Oliveira.
No silêncio desde 1966, ano em que a Organização de Unidade Africana lhe retirou o apoio, a FLING, criada em Agosto de 1964, voltou a manifestar-se após a Revolução portuguesa do 25 de Abril; sempre se manifestou contra o que considera o "neocolonialismo cabo-verdiano".
Na conferência de imprensa, Cirilo de Oliveira reivindicou a participação da organização que chefia na conjura abortada de Outubro de 1976 e também no golpe de 14 de Novembro, que derrubou Luís Cabral.


Nota: 
As informações que tenho é que a FLING foi dissolvida em 5 de Março de 1969, após uma reunião em Ziguinchor, Senegal, presidida por Pinto Bull..(nota minha)