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A Missão de Mansoa foi a primeira sacrificada, com a entrega ao Exército, em Maio de 1961, do pavilhão acabado de construir em frente da residência missionária e que se destinava aos alunos de 3.ª e 4.a classes vindos do mato a fim de ali se prepararem melhor para os exames.
No último dia do mês de Janeiro de 1963, o P. Amândio Neto, na qualidade de Encarregado da Prefeitura Apostólica, vai a Mansoa entregar o resto dos edifícios da Missão e receber nova residência missionária e novas salas de aula pare a escola não fechar. Na residência instalaram-se os Oficiais e Sargentos, continuando a escola livre até ao fim do ano lectivo.
A 16 de Julho de 1963, o Comandante Militar pedia, a titulo precário e urgente, a cedência da escola Missionária de Mansoa para alojamento de pessoal militar. O Prefeito Apostólico cede, mas ao mesmo tempo pede para não ultrapassar a sua ocupação o dia 20 de Setembro do mesmo ano. por causa do novo ano escolar. Na realidade, porém, só será entregue nos primeiros meses do ano lectivo de 1966/7 e apenas os dois salões principais, contíguos à residência.
Durante a época seca de 1966/7 foi construído o novo quartel de Mansoa e no dia 4 de Abril de 1968 as obras de restauro da residência missionária foram avaliadas em 40 000$00, a executar pelo Exército. A 27 de Setembro a Missão foi restituída oficialmente, mas ainda com as obras de restauro por acabar e imperfeitas. Só seria habitada de novo pelo P. Patrocínio no seu regresso de férias, em 19 de Janeiro de 1969.
Durante o longo período da ocupação, o missionário residiu na casa destinada ao Secretário da Administração: e a escola, durante três anos, funcionou de alguma forma, em condições bastante precárias, também em salas cedidas pela Administração.
O Governador Peixoto Correia pediu à Prefeitura, em 15 de Julho de 1961, a cedência de duas salas, do refeitório e dos sanitários da Missão de Bula, a fim de neles instalar tropa a chegar brevemente da Metrópole. O Prefeito já tinha sido alertado pelo Superior da Missão em começos de Junho. Tivera conhecimento ocasional de que se tencionava colocar na Missão de Bula um total de 61 militares.
O Prefeito responde ao Governador, levantando objecções e pondo condições razoáveis, até porque já estava escaldado com a experiência amarga da tropa na Missão de Mansoa.
Na realidade, os soldados ocuparam a Missão de Bula até ao fim de Outubro, quando havia o compromisso de a deixar até 20 de Setembro. Porém, a escola feminina, na povoação, em frente do Posto Administrativo, foi ocupada pelos Oficiais e nunca mais foi restituída.
Nos meados das chuvas de 1967, nos terrenos da Missão, em frente do aeródromo, instala-se o parque de material para o alcatroamento das estradas Bula-João Landim e Bula-Có, A seguir, em Janeíro-Fevereíro de 1969, os mesmos terrenos foram aproveitados para um Destacamento das Panhards. Finalmente, instala-se lá também o EREC 2641, à falta de melhor.
Em terceiro lugar foi ocupada a «escola missionária» de Mansabá. A 30 de Setembro de 1961, o Exército ofereceu para escola a casa de Damba Jassi. A Prefeitura não aceitou, uma vez que a tropa abrira a sua própria escola na povoação e tinha possibilidades de servir melhor. A «escola dos militares poderia constituir experiência interessante de que poderiam advir os melhores resultados». Assim pensava Mons. Carvalhosa em Outubro de 1961, e a profecia saiu certa, como o testemunham a centena e meia de escolas da tropa e os muitos milhares de alunos que hoje as povoam.
Em Outubro de 1961, a escola da Missão de Susana foi ocupada por soldados; um quarto da residência missionária seria para o Comandante. Em Janeiro de 1962 estiveram em Susana os Padres Luís Andreoletti e Mário Faccioli e verificaram, com mágoa extrema, tudo devassado. E fez-se tudo para que a tropa deixasse as instalações missionárias, efectivamente abandonadas apenas após 34 meses a servir de «quartel de emergência», ou seja, a 14 de Agosto de 1964. O Exército deu 12 mil escudos de indemnização pelos prejuízos causados.
A 28 de Outubro de 1961, o Comandante Militar pede à Prefeitura para forças militares ocuparem o «edifício das Missões de Catió»; a 9 de Novembro imediato pede autorização para ser cedida uma sala de aula da escola missionária de Teixeira Pinto. A 16 de Novembro, o Prefeito recusa ceder às duas pretensões. E é atendido.
Mais uma sacrificada foi a Missão de Bambadinca, pedida «a título precário e urgente» no dia 2 de Julho de 1963. Nunca mais pôde ser restituída.
Em meados do mesmo mês de Julho de 1963 foi pedida a utilização da escola de Ingorei, juntamente com a capela anexa. Também continua ainda ao dispor da tropa.
A pretexto de se encontrar abandonada, pedem na mesma ocasião a escola de Xitole. O Prefeito responde logo: não está abandonada, sim, está sem professor, por ter sido preso em Fevereiro de 1963. Se a tropa não quiser ir ocupar a escola do Estado, pelo menos que desocupe a escola missionária até 30 de Setembro do mesmo ano... Não voltou a funcionar.
No geral, as escolas das áreas das Missões de Bolama, de Catió, de Bambadinca, de Mansoa, de Farim e de Susana, escapadas ao vendaval da guerrilha e dos elementos da natureza (tornados violentos, sol de 70 graus, térmites destruidoras de qualquer fibra vegetal...), passaram insensivelmente para uso das Forças Armadas, que aos poucos foram ocupando todo o território da Guiné.
Posterior a esta posse pacifica - que até incluiu a residência missionária da vila de Cacheu, abandonada em fim de Maio de 1966 por insegurança na estrada de Teixeira Pinto (onde mora o missionário) até àquela povoação - há o caso da escola do Pelundo, pedida pelo Exército em Novembro de 1965 por dois ou três meses e que não mais pôde abandonar. A escola missionária passou a funcionar em antiga taberna alugada, sem o mínimo de condições: pequena, sem luz suficiente e sem ventilação. Não pôde reabrir no ano lectivo seguinte, tendo passado os alunos da 3.ª e da 4.ª classe para a «garagem» da Missão em Teixeira Pinto.
Em Setembro de 1966 levantou-se a hipótese de o Exército ficar com a escola do Pelundo e arranjar outra nova com as dimensões devidas e dois quartos para residência do professor. E finalmente foi a solução que prevaleceu. A nova escola-capela do Pelundo foi inaugurada com grande solenidade no dia 31 de Maio de 1970. »
O autor do artigo, intitulado "A Segunda Missão Franciscana na Guiné Portuguesa", com outro sub-título, "As missões na Guiné na conjuntura da guerrilha", pormenoriza situações. Irei referir algumas, porque o texto é muito extenso, mas uma coisa me chamou especialmente a atenção: o grande número de padres, frades e freiras italianas, muito mais que portugueses. Lembrei-me, então, do que li em tempos neste importante Boletim Cultural:
- em 20 de Julho de 1856,«O Governador do Distrito da Guiné agradece ao Bispo de Cabo Verde nomeação dos párocos para as igrejas de Ziguinchor, Farim, Cacheu e Geba. o prelado, sabendo a relutância com que iam para a Guiné, apesar da comissão ser apenas de 2 anos, solicitou ao Ministro as convenientes ordens para que o Governador Geral os compelisse a ir ao seu destino».
Um outro aspecto: os padres italianos que foram expulsos ou obrigados a regressar da Guiné.
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A escola de Nossa Senhora de Cassá (a 9 km de Bula, aberta a 12 de Fevereiro de 1957) teve existência efémera, pois deixou de funcionar no fim do ano lectivo de 1961/2.
A escola nocturna de Bula só funcionou dois trimestres no ano lectivo de 1956/7 e um trimestre no ano seguinte. A escola de Santa Clara de Bula teve edifício próprio até 1961. Em fim de Julho desse ano foi ocupada por Oficiais do Exército. No local seria construído o actual quartel de Bula. A escola feminina, portanto, passou a funcionar no mesmo edifício da masculina, embora se deixasse de considerar independente apenas em 1970/1. Isto é, a escola de Santo António de Bula passou a ser oficialmente mista.
Fora da sede da Missão, a escola de S. Francisco de Có foi a primeira escola missionária. O sólido edifício, na noite de 12 para 13 de Outubro de 1968, ruiu até aos fundamentos no meio do fogo cruzado do quartel com o dos guerrilheiros. Nesse e no ano seguinte, as aulas foram dadas em improvisada barraca, até que o professor adoeceu e a escola fechou. O Exército prometeu fazer outra e já há dinheiro e planta para a erguer.
A escola feminina de Santa Inês de Có não teve nunca edifício próprio e as próprias alunas, por serem poucas, tiveram de juntar-se à turma dos rapazes, na maior parte dos anos lectivos.
A escola de S. Bernardino de Bipo ardeu totalmente em 13 de Junho de 1960, mas logo foi reconstruída. No ano lectivo de 1965/6 funcionou em Capafá e no de 1966/7 iníciou-se, à experiência, em Ponate, a pedido dos militares ali destacados. Abriu nos primeiros dias de Novembro de 1966 com 31 alunos e no Natal do mesmo ano foi destruída, terminando assim a sua história.
A escola do Sagrado Coração de Jesus de João Landim andou aos altos e baixos. Por exemplo, no ano lectivo de 1964/5, por ter desaparecido o professor, só abriu as portas em 7 de Maio de 1965 com novo professor: no ano lectivo seguinte, esteve encerrada algum tempo. Em Outubro de 1967 é considerada encerrada, juntamente com a de São José de Pete, por os respectivos professores temerem expor-se diariamente ao caminho entre Bula e aquelas povoações. Na verdade, desde há um ano que não se atreviam a pernoitar nas escolas.
A escola de Nossa Senhora dos Anjos de Binar terminou em 1955 mais uma das muitas reconstruções (...) Fechou em Abril de 1965, juntamente com a da Imaculada Conceição de Pache, por terem sido presos os respectivos professores. A de Bínar, porém, voltou a abrir, em edifício novo, construído com dinheiro oferecido pela Fundação Gulbenkian, em Outubro de 1966. Mas teve de encerrar de novo em Janeiro de 1973, porque o monitor escolar, aliás cedido às Missões e pago pelos Serviços de Educação, foi chamado para a tropa.
(...) O Pelundo, com a sua linda capela-escola, inaugurada com toda a solenidade no dia 31 de Maio de 1970, está entregue praticamente aos cuidados do capelão-militar. Observamos que o régulo Vicente do Pelundo se converteu ao muçulmanismo e, na velha tese dos tempos áureos da Reforma de cujus regio ejus religio, os Manjacos do regulado converteram-se em gmnde percentagem à religião do seu chefe. Apesar de tudo ,ainda subsistem no Pelundo restos dos cristãos doutros tempos e famílias que preferem o Cristianismo à religião de Maomé, não obstante a sua moral fácil e a sua religião simples.
(...)
Em Novembro de 1957 deu-se início à construção da Missão de São José de Bíssorã, Missão que não chegou nunca a ser criada oficialmente, primeiro por falta de pessoal e, em seguida, pela onda de terrorismo que assolou toda aquela região a partir de 1962/3.
(...) A escola de Santo António de Biambi, aberta em 1954, por falta de professor fechou em fim do ano lectivo de 1961/2, tendo sido destruída pelas forças armadas em começos de 1963 quando na área eclodiu o terrorismo.
A escola. de S. Pedro de Jugudul, às portas de Mansoa, principiou e funcionar em 10 de Novembro de 1954, debaixo de poilão, junto à tabanca do régulo Indafá Cubala. Passou a seguir para o edifício de adobes e palha e hoje possui belo edifício com duas salas de aula e residência para o professor, inaugurado em Junho de 1965 pelo Governador General Arnaldo Schulz, Prefeito Apostólico Mons. João Ferreira e outras altas individualidades.
A escola de S. Paulo de Mancalã, igualmente às portas de Mansoa, mas a caminho de Bíssorã, aberta a 27-1-1965, funcionou também no primeiro ano debaixo de poilão. Quando já possuía razoável edifício e algum material, foi assaltada por bandidos em 1965, que lhe levaram todas as carteiras, o quadro preto e os mapas. A partir de então passou a funcionar num dos salões da Missão de Mansoa, até ser integrada na escola de Santa Ana no ano lectivo de 1969/70.
A escola de S. Leonardo de Nhecre, aberta em 1954, viu substituído o velho edifício, feito de terra, por outro definitivo em 1961. Em Maio de 1966 foram inaugurados os novos melhoramentos: uma segunda sala de aula e adaptação a capela.
A escola de S. Francisco da. Assis de Portogole foi uma das Inauguradas em 28 de Maio de 1955. Fechou em princípios de 1963 por causa da situação política de guerrilha.
A escola de Santa Isabel de Enchalé abriu em 10 de Fevereiro de 1955. Por decreto da Prefeitura Apostólica, de 15 de Agosto de 1958, o regulado de Enchalê e toda a sua área foram desmembrados da Missão de Mansoa e incorporados na Missão de Bambadinca. Esta escola ficava a 50 quilómetros de Mansoa e apenas a 14 de Bambadinca. O pequeno edifício fora cedido pelo Posto Administrativo de Portogole.
A escola de São Luís Gonzaga de Breie começou a funcionar em 1955 em palhota, mais tarde, em 1962, substituído por outro de blocos de cimento e coberto a fibrocimento. No dia 30 de Junho de 1964. os guerrilheiros do PAIGC dinamitaram e destruíram completamente o novo edifício e não se voltou a pensar mais na escola de Braia.
A escola de São João de Deus de Nhoma foi inaugurada oficialmente em 28 de Maio de 1955 e nela trabalhou sempre o professor Alexandre Lopes. O edifício. de adobes e palha, foi transformado em definitivo, feito de blocos de cimento e coberto a Ilbrccímento, em 1962.
A escola de S. Barnabé de Ugué teve la sua inauguração oficial também no dia 28 de Maio de 1955. mas só abriu no ano lectivo imediato. Fechou em princípio de 1964. quando os guerrilheiros do PAIGC invadiram a região.
Outra das escolas inauguradas no dia da Revolução Nacional de 1955 foi a escola de S. Vítor de lmbunhe, que sempre funcionou em edifício de adobes e palha. A situação de insegurança da área, provocada pela guerrilha, obrigou-a a fechar em 1963.
(...) A escola do Sagrado Coração de Jesus do Dugal abriu em 1956 em edifício de: terra e palha, substituído em 1962 por outro definitivo de blocos e cimento e coberto a fibrocimento. Em 30 de Julho de 1966 os guerrilheiros do PAIGC destruíram-na completamente a dinamite. O Exército tratou logo de implantar outra exactamente no mesmo lugar e do mesmo material, que foi inaugurada em 9 de Janeiro de 1967.
Data de 1956 a escola de S. Bernardino de Sena de lnsumpte, que funcionou regularmente em edifício de adobes e palha até que os guerrilheiros do PAIGC invadiram a região em 1962 e ela teve de fechar.
(...)
Além destes, o capelão militar P. Morgado e o professor catequista Vicente Rodrigues contaram ainda uns 400 alunos baptizados e uns 50 cristãos dispersos no Bairro periférico de Luanda. Quer dizer, a vila de Mansoa teria então uns 827 cristãos católicos. Se somarmos todos os cristãos desde Jugudul a Nhoma, os de Encheia e os de Bíssorã, não será fácil atingir os 3100 apontados no mapa n.º 5. Em 1969, por exemplo, o P. Patrocínio escrevia: «Em Nhacra, de 1960 a 1969, debandaram para Bissau cerca de 100 alunos com a 4.a classe e à volta de 200 a saberem ler e escrever, sendo na totalidade ou quase na totalidade baptizados». Isto significa que a grande maioria dos que se baptizam e obtêm qualquer diploma de estudos abandona a terra natal pelos centros urbanos. Em toda a Guiné, o termo «pagão» continua com o sentido original: habitante da aldeia, onde ninguém é baptizado, ninguém é cristão.
A vila de Mansoa tem missa diária, de tarde, e aos domingos duas: uma de manhã e outra de tarde. Jugudul. Nova Uaque, Nova Rossum, Duqal, Nhacra e Cumeré passaram a ter missa com frequência, aos sábados ou domingos. A vila de Bíssorã é assistida pelo capelão militar.
A média de assistências nas duas missas dominicais da vila de Mansoa era, em 1971, de 50 crianças, de 45 adultos e de uns 100 militares. Os mais constantes eram os brancos, seguidos dos professores catequistas (todos guinéus), dos libaneses e dos cabo-verdíanos.
(...)
Os Padres Attilio (em religião: Agnello) Berto e Guido (em religião: Donato) Solíman chegaram pela primeira vez à Guiné em 6 de Março de 1956 e pouco depois foram destinados à Missão de Bolama. Já por lá vão em Maio e Junho, mas a transferência definitiva de Cumura para Bolama faz-se no dia 13 de Agosto de 1956. O P. AgneIlo, como superior da Missão, pára mais por Bolama; o P. Donato dedica-se mais à vasta região do Quínara e do Cubísseco, preparando a criação de novas Missões em Empada e em Fulacunda.
Violenta agitação política sacode os espíritos na Guiné na segunda metade de 1961, a qual tem vindo num crescendo constante. E os dois infatigáveis obreiros do Evangelho da Missão de Bolama viram-se dum momento para o outro enredados na trama política e foram obrígados a abandonar a província em 1962. O P. AgneIlo deixou Bolama em Fevereiro de 1962 e regressou definitivamente à Itália a 27 de Julho; o P. Donato saiu de Bolama em Setembro e da provinda em 19 de Outubro do mesmo ano.
E a Missão de Bolama, que durante tantos anos acorreu às necessidades espirituais dos Bijagós, é agora atendida por um missíonário do PIME [Pontificio Istituto Missioni Estere, de Itália] da Missão de Bubaque, o P. Giovanni Formentí, sobretudo em 1963/4.
Antes que a Missão regressasse de novo aos Franciscanos portugueses, em 29 de Outubro de 1966, na pessoa do P. Manuel Pereira Gonçalves, vários capelães militares serviram os cristãos de Bolama e de Fulacunda, estacionando ora no quartel local, ora no de Títe, Dentre todos salientamos o tenente Padre António Simões, a cuja iniciativa se deve mais um dos muitos arranjos da igreja, antes das chuvas de 1966, com a particularidade de então se terem desfeito os dois altares do transepto, um dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e o outro dedicado a Santo António, por se terem tornado inúteis e para darem mais espaço livre aos fiéis.
(...)
Já então, o professor de Empada era um cabo do Exército. As restantes, com excepção das de Bolama, de Gã-Moríá e de Caboupa, todas na ilha de Bolama, não voltam a aparecer mais em qualquer relatório ou nota. Os respectivos professores ou foram presos, ou fugiram, ou integraram-se na vida civil. Apenas sabemos que o da escola de Cam vai refugiar-se em Títe, onde rege a escola local, que é meio da tropa, melo das Missões, até ao fim do ano lectivo de 1966/7: o da escola de Enxudé consegue um lugar na escola de Bolama, onde permanece até ir para a tropa em Março de 1965: o da escola de Gã Moriá vai em Outubro de 1964 para a de Caboupa Cabral, sem lhe deixar sucessor ou substituto.
Em conclusão, das 24 escolas de 1961 restam, três anos depois, apenas duas - sem contar as de Títe, de Fulacunda e de Empada, entregues à tropa, melhor, de que a tropa tomou conta. Passados nove anos, a Missão de Bolama continua com as mesmas duas escolas, apenas com a diferença de que a escola de São José de Bolama deixou em 1966/7 o velho casarão, para onde iria funcionar a Escola de Habilitação de Professores de Posto, e ínstalou-se no novo edifício, construído de propósito para o efeito, solenemente inaugurado no dia 3 de Março de 1968. No dia 18 de Outubro de 1967 tinha sido inaugurado o novo edifício da de Caboupa, com duas salas, residência para o professor, cantina e o mais, a que deram S. Miguel por patrono, em atenção ao nome do Comandante do Sector Sul, Coronel Miguel Sequeira Braga, a quem a escola se ficou devendo.
A Escola de Habilitação de Professores de Posto, o Quartel, a Imprensa Nacional e a projectada Fãbrica de Pescas dão certo movimenta à cidade de Bolama, suficiente para entreter o pároco missionário, que se vê fechado na ilha, sem abertura para o continente, mercê da guerrilha que se instalou em toda a zona do Cubísseco, do Quinara e de Gampará, na circunscrição de Fulacunda, a qual, por enquanto, embora só nominalmente, faz parte integrante da Missão de Bolama.
(...)
Para todas estas localidades tem havido trânsito livre, não obstante algumas ameaças dos guerrilheiros. Na psicose dos primeiros ataques, em 1961, estabeleceu-se um dia, melhor, uma noite, pânico também em Bafatá. Vale como anedota o relato feito pelo Padre Mário ao Prefeito, em carta de 17 de Julho de 1961:
«As 0,30 h da noite passada veio um encarregado da Administração acordar os padres e as irmãs, dizendo que 500 terroristas estavam entre o Barro e Bigene. Os dois Capitães e o Administrador mandavam recolhê-los, mais os rapazes e as meninas dos Internatos, na igreja paroquial, pois a tropa não os poderia defender.
E lá estiveram todos até às 05,30 h. O Administrador foi dizendo que pensava transformar a igreja num fortim, fechando com pedras e cimento as janelas, instalando ali metralhadoras e reunindo ali, em caso de necessidade, toda a população civilizada.
As 09,30 h, Bissau avisou que isso não passava de boatos.»
Só passados dez a onze anos são que os boatos se transformaram em realidade, com ataque de foguetões à cidade. Mas já não houve pânico. Todos hoje vivem mentalizados para o pior.
(...)
O P. António Grillo só conheceu verdadeiramente a Missão do Imaculado Coração de Maria de Bambadinca e também só verdadeiramente ela viveu como independente durante os doze anos a passar que nela permaneceu [Está assim no original...].
O P. Grillo chegou à Guiné no dia 16 de Novembro de 1951 e teve o privilégio de ir abrir a nova Missão, desmembrada oficialmente da de Bafatá e criada no dia 31 de Dezembro de 1951, juntamente com o P. Artur Biasutti, seu primeiro superior. As duas nomeações datam de 11 de Janeiro de 1952.
O P. Bíasutti deixa a Missão e o cargo ao P. Efrém Stevanín, que dela toma posse no dia 28 de Março de 1954. Este só a deixará quando retirar definitivamente da província em 14 de Junho de 1960. Nesta data já havia na Missão um terceiro padre nomeado, o P. Ríno Gallinaro, desde 7 de Abril de 1960.
Por Agosto deste ano vem de Bubaque fazer companhia ao P. Grillo mais o P. Salvador Angelone. Um ano depois, o P. Grillo vai gozar as suas primeiras férias na Itália e fica como superior de Bambadinca o P. Mário Faccioli, coadjuvado pelo P. Angelone.
O P. Grillo regressa das suas férias a 19 de Abril de 1962 e o P. Angelone retira definitivamente para a Itália dias depois, a 1 de Maio.
A insurreição armada penetra na área da Missão de Bambadinca, que se vê entre dois fogos, o dos guerrilheiros do PAIGC e o das Forças Armadas Portuguesas.
O P. Grillo vê-se envolvido, sem querer, na política, é preso em fim de Fevereiro de 1963 e enviado para a Itália, via Lísboa, no dia 6 de Abril de 1963. A seguir, a Missão é ocupada pelo exército, que não mais a abandonou. Desta forma, tem sobrevivido a custo, com as deslocações periódicas dos Padres de Bafatá e o bom trabalho do capelão militar.
(...) Também a Missão de Bambadinca utilizou a escola como principal meio de evangelização.
(...) Os Balantas, muito pobres e desleixados - chegavam a apresentar-se na escola completamente nus - forneceram o maior contingente para as escolas da área de Bambadinca, dada a sua abertura à civilização europeia e à religião cristã. Em áreas dominadas por Mandingas, Fulas e Beafadas, quase todos muçulmanizados, depressa surgiam problemas e a escola tinha de fechar. Nas tabancas de Bambadíncazinho, de Amedalai (também chamada Ambadalai) e de Taibatá, por exemplo.
(...) Cebuce, situada a 5 km de Enxalé, é uma tabanca de Manjacos, desejosos de possuir escola (que não chegou a ter edifício). Ao contrárío, Missirá era uma tabanca onde diariamente se rezava a Alá para acabar com a escola missionária. E Alá escutou-os. Uma escola com alunos desinteressados e com pais descontentes não podia singrar.
As escolas do Xime e de Amedalai fecharam em fim de Maio de 1960; as de Ponta Inglês, Ponta Luis Dias, Finete e Santa Helena não abriram em Outubro de 1962 por falta de frequência dos alunos e também por causa da intranquilidade da área.
O terrorismo, por um lado, então sob a chefia do célebre guerrilheiro Domingos Ramos, a assolar cada vez mais profundamente a região, e por outro a ausência forçada do P. António Grillo em Março de 1963, provocaram a ruína quase total, humanamente falando, do esforço ingente de tantos anos. A Missão de Bambadinca deixou praticamente de existir em Fevereiro de 1963, mês em que fecharam todas as escolas, com a única excepção da da sede. Mais tarde reabriu a de Santa Helena, pensando-se em edifício definitivo em 1973.
(...)
A paróquia missionária de Nossa Senhora da Graça de Farim, implantada em pleno chão mandinga, possui tradição cristã de muitos séculos.
O Felupe vive ainda demasiado agarrado a
A escola de Nossa Senhora de Cassá (a 9 km de Bula, aberta a 12 de Fevereiro de 1957) teve existência efémera, pois deixou de funcionar no fim do ano lectivo de 1961/2.
A escola nocturna de Bula só funcionou dois trimestres no ano lectivo de 1956/7 e um trimestre no ano seguinte. A escola de Santa Clara de Bula teve edifício próprio até 1961. Em fim de Julho desse ano foi ocupada por Oficiais do Exército. No local seria construído o actual quartel de Bula. A escola feminina, portanto, passou a funcionar no mesmo edifício da masculina, embora se deixasse de considerar independente apenas em 1970/1. Isto é, a escola de Santo António de Bula passou a ser oficialmente mista.
Fora da sede da Missão, a escola de S. Francisco de Có foi a primeira escola missionária. O sólido edifício, na noite de 12 para 13 de Outubro de 1968, ruiu até aos fundamentos no meio do fogo cruzado do quartel com o dos guerrilheiros. Nesse e no ano seguinte, as aulas foram dadas em improvisada barraca, até que o professor adoeceu e a escola fechou. O Exército prometeu fazer outra e já há dinheiro e planta para a erguer.
A escola feminina de Santa Inês de Có não teve nunca edifício próprio e as próprias alunas, por serem poucas, tiveram de juntar-se à turma dos rapazes, na maior parte dos anos lectivos.
A escola de S. Bernardino de Bipo ardeu totalmente em 13 de Junho de 1960, mas logo foi reconstruída. No ano lectivo de 1965/6 funcionou em Capafá e no de 1966/7 iníciou-se, à experiência, em Ponate, a pedido dos militares ali destacados. Abriu nos primeiros dias de Novembro de 1966 com 31 alunos e no Natal do mesmo ano foi destruída, terminando assim a sua história.
A escola do Sagrado Coração de Jesus de João Landim andou aos altos e baixos. Por exemplo, no ano lectivo de 1964/5, por ter desaparecido o professor, só abriu as portas em 7 de Maio de 1965 com novo professor: no ano lectivo seguinte, esteve encerrada algum tempo. Em Outubro de 1967 é considerada encerrada, juntamente com a de São José de Pete, por os respectivos professores temerem expor-se diariamente ao caminho entre Bula e aquelas povoações. Na verdade, desde há um ano que não se atreviam a pernoitar nas escolas.
A escola de Nossa Senhora dos Anjos de Binar terminou em 1955 mais uma das muitas reconstruções (...) Fechou em Abril de 1965, juntamente com a da Imaculada Conceição de Pache, por terem sido presos os respectivos professores. A de Bínar, porém, voltou a abrir, em edifício novo, construído com dinheiro oferecido pela Fundação Gulbenkian, em Outubro de 1966. Mas teve de encerrar de novo em Janeiro de 1973, porque o monitor escolar, aliás cedido às Missões e pago pelos Serviços de Educação, foi chamado para a tropa.
(...) O Pelundo, com a sua linda capela-escola, inaugurada com toda a solenidade no dia 31 de Maio de 1970, está entregue praticamente aos cuidados do capelão-militar. Observamos que o régulo Vicente do Pelundo se converteu ao muçulmanismo e, na velha tese dos tempos áureos da Reforma de cujus regio ejus religio, os Manjacos do regulado converteram-se em gmnde percentagem à religião do seu chefe. Apesar de tudo ,ainda subsistem no Pelundo restos dos cristãos doutros tempos e famílias que preferem o Cristianismo à religião de Maomé, não obstante a sua moral fácil e a sua religião simples.
Uma das maneiras vivas de catequizar são as festas religiosas, inclusive as procissões. Chamam a atenção do grande público e levantam porventura o problema religioso cristão no espírito de alguns. Proclamam pelo menos a existência da religião católica. A festa grande da Missão é a de Santo António, celebrada sempre no domingo imediato ao dia 13 de Junho com missa solene, baptismos, crismas, primeiras comunhões e procissão.
A Missão de Santo António de Teixeira Pinto pôs sempre nas escolas o seu interesse principal de pré-evangelização. Não terá sido o método mais eficiente, mas com os poucos recursos humanos de que se dispôs pareceu ser o único viável. Se os Manjacos não levantam grandes obstáculos à aceitação da religião cristã - e vimos noutra parte como eles constituem alta percentagem na comunidade cristã de Dakar, capital do Senegal - torna-se indispensável levar até eles o anúncio do Evangelho.
(...) A escola de Nossa Senhora de Fátima de Bianga vem de longe, de ano de 1943, com o edifício de adobes e palha, ora de pé, ora no chão. Em 13 de Novembro de 1972, quando se encontrava mais uma vez no chão, foi aprovada a construção definitiva a levar a efeito pela Companhia de Caçadores 3460, estacionada em Cacheu.
A escola de S. Francisco de Churobrique acabava de se tornar de construção definitiva quando os alunos, por Março-Abrí] de 1967, começaram a ser raptados peles guerrilheiros. Encerrou a 17 de Maio, de 1967, por nenhum aluno ter aparecido nesse dia à escola e a zona ser considerada perigosa. Por coincidência, o signatário e o superior da Missão estiveram nesse dia 17 de Maio em visita à escola, tendo notado ambos o ar suspeito de tudo à volta. Apenas se lhes apresentou um velho e um adolescente.
A escola de. Imaculada Conceição de Churoenque (Bachile) não abriu no ano lectivo de 1962/3: a de S. Domingos de Besserel, por o professor Adelino Pereira ter passado em Janeiro de 1963 para idêntico lugar numa escola do Estado, fechou também pouco depois, após ter falhado a tentativa de a manter aberta com o ajudante do professor de Calequísse. Reabriria mais tarde.
A escola de São José de Pecixe abriu em Abril de 1955: em Outubro de 1965, por o professor ter abandonado o lugar, encerrou as portas durante dois anos e tal, pois só voltou a funcionar em Janeiro de 1968.
A escola do Sagrado Coração de Jesus do Pe1undo, a que já nos referimos noutra parte, foi ocupada pelo Exército em Novembro de 1965, passando, provisoriamente, para velha taberna alugada. Dali, em Novembro de 1967, os alunos da 3.ª e 4.ª classe vieram para a garagem da Missão, em Teixeira Pinto. Em Janeiro de 1968, a tropa do Pelundo cedeu uma sala para escola e nela funcionou até à Páscoa de 1969. Aumentaram, entretanto, os efectivos militares e também aquela sala teve de ser ocupada pela tropa, de modo que só em 31 de Maio de 1970 o Pelundo pôde dispor de nova e linda capela-escola, com casa anexa para o professor.(...)
Em Novembro de 1957 deu-se início à construção da Missão de São José de Bíssorã, Missão que não chegou nunca a ser criada oficialmente, primeiro por falta de pessoal e, em seguida, pela onda de terrorismo que assolou toda aquela região a partir de 1962/3.
(...) A escola de Santo António de Biambi, aberta em 1954, por falta de professor fechou em fim do ano lectivo de 1961/2, tendo sido destruída pelas forças armadas em começos de 1963 quando na área eclodiu o terrorismo.
A escola. de S. Pedro de Jugudul, às portas de Mansoa, principiou e funcionar em 10 de Novembro de 1954, debaixo de poilão, junto à tabanca do régulo Indafá Cubala. Passou a seguir para o edifício de adobes e palha e hoje possui belo edifício com duas salas de aula e residência para o professor, inaugurado em Junho de 1965 pelo Governador General Arnaldo Schulz, Prefeito Apostólico Mons. João Ferreira e outras altas individualidades.
A escola de S. Paulo de Mancalã, igualmente às portas de Mansoa, mas a caminho de Bíssorã, aberta a 27-1-1965, funcionou também no primeiro ano debaixo de poilão. Quando já possuía razoável edifício e algum material, foi assaltada por bandidos em 1965, que lhe levaram todas as carteiras, o quadro preto e os mapas. A partir de então passou a funcionar num dos salões da Missão de Mansoa, até ser integrada na escola de Santa Ana no ano lectivo de 1969/70.
A escola de S. Leonardo de Nhecre, aberta em 1954, viu substituído o velho edifício, feito de terra, por outro definitivo em 1961. Em Maio de 1966 foram inaugurados os novos melhoramentos: uma segunda sala de aula e adaptação a capela.
A escola de S. Francisco da. Assis de Portogole foi uma das Inauguradas em 28 de Maio de 1955. Fechou em princípios de 1963 por causa da situação política de guerrilha.
A escola de Santa Isabel de Enchalé abriu em 10 de Fevereiro de 1955. Por decreto da Prefeitura Apostólica, de 15 de Agosto de 1958, o regulado de Enchalê e toda a sua área foram desmembrados da Missão de Mansoa e incorporados na Missão de Bambadinca. Esta escola ficava a 50 quilómetros de Mansoa e apenas a 14 de Bambadinca. O pequeno edifício fora cedido pelo Posto Administrativo de Portogole.
A escola de São Luís Gonzaga de Breie começou a funcionar em 1955 em palhota, mais tarde, em 1962, substituído por outro de blocos de cimento e coberto a fibrocimento. No dia 30 de Junho de 1964. os guerrilheiros do PAIGC dinamitaram e destruíram completamente o novo edifício e não se voltou a pensar mais na escola de Braia.
A escola de São João de Deus de Nhoma foi inaugurada oficialmente em 28 de Maio de 1955 e nela trabalhou sempre o professor Alexandre Lopes. O edifício. de adobes e palha, foi transformado em definitivo, feito de blocos de cimento e coberto a Ilbrccímento, em 1962.
A escola de S. Barnabé de Ugué teve la sua inauguração oficial também no dia 28 de Maio de 1955. mas só abriu no ano lectivo imediato. Fechou em princípio de 1964. quando os guerrilheiros do PAIGC invadiram a região.
Outra das escolas inauguradas no dia da Revolução Nacional de 1955 foi a escola de S. Vítor de lmbunhe, que sempre funcionou em edifício de adobes e palha. A situação de insegurança da área, provocada pela guerrilha, obrigou-a a fechar em 1963.
(...) A escola do Sagrado Coração de Jesus do Dugal abriu em 1956 em edifício de: terra e palha, substituído em 1962 por outro definitivo de blocos e cimento e coberto a fibrocimento. Em 30 de Julho de 1966 os guerrilheiros do PAIGC destruíram-na completamente a dinamite. O Exército tratou logo de implantar outra exactamente no mesmo lugar e do mesmo material, que foi inaugurada em 9 de Janeiro de 1967.
Data de 1956 a escola de S. Bernardino de Sena de lnsumpte, que funcionou regularmente em edifício de adobes e palha até que os guerrilheiros do PAIGC invadiram a região em 1962 e ela teve de fechar.
(...)
Para se fazer uma ideia do esforço de cristianização, nos tempos modernos, na área da Missão de Mansoa, recorremos ao Relatório de 1971, redigido em Março de 1972 pelo P. Henrique Pinto Rema [o autor deste texto], encarregado da Missão, na ausência do P. Patrocínio na Metrópole.
Dele consta, em primeiro lugar, a distribuição dos católicos na vila Mansoa:35 famílias | de guinéus com . | 193 | pessoas | ||||
7 famílias de cabo-verdíanos | com | 26 | » | ||||
5 | famílias de metropolitanos | europeus com | 18 | » | |||
4 | famílias de libaneses | com | 20 | » | |||
4 | famílias mistas | com | 20 | » | |||
55 | famílias com . | 277 | |||||
A vila de Mansoa tem missa diária, de tarde, e aos domingos duas: uma de manhã e outra de tarde. Jugudul. Nova Uaque, Nova Rossum, Duqal, Nhacra e Cumeré passaram a ter missa com frequência, aos sábados ou domingos. A vila de Bíssorã é assistida pelo capelão militar.
A média de assistências nas duas missas dominicais da vila de Mansoa era, em 1971, de 50 crianças, de 45 adultos e de uns 100 militares. Os mais constantes eram os brancos, seguidos dos professores catequistas (todos guinéus), dos libaneses e dos cabo-verdíanos.
(...)
Os Padres Attilio (em religião: Agnello) Berto e Guido (em religião: Donato) Solíman chegaram pela primeira vez à Guiné em 6 de Março de 1956 e pouco depois foram destinados à Missão de Bolama. Já por lá vão em Maio e Junho, mas a transferência definitiva de Cumura para Bolama faz-se no dia 13 de Agosto de 1956. O P. AgneIlo, como superior da Missão, pára mais por Bolama; o P. Donato dedica-se mais à vasta região do Quínara e do Cubísseco, preparando a criação de novas Missões em Empada e em Fulacunda.
Violenta agitação política sacode os espíritos na Guiné na segunda metade de 1961, a qual tem vindo num crescendo constante. E os dois infatigáveis obreiros do Evangelho da Missão de Bolama viram-se dum momento para o outro enredados na trama política e foram obrígados a abandonar a província em 1962. O P. AgneIlo deixou Bolama em Fevereiro de 1962 e regressou definitivamente à Itália a 27 de Julho; o P. Donato saiu de Bolama em Setembro e da provinda em 19 de Outubro do mesmo ano.
E a Missão de Bolama, que durante tantos anos acorreu às necessidades espirituais dos Bijagós, é agora atendida por um missíonário do PIME [Pontificio Istituto Missioni Estere, de Itália] da Missão de Bubaque, o P. Giovanni Formentí, sobretudo em 1963/4.
Antes que a Missão regressasse de novo aos Franciscanos portugueses, em 29 de Outubro de 1966, na pessoa do P. Manuel Pereira Gonçalves, vários capelães militares serviram os cristãos de Bolama e de Fulacunda, estacionando ora no quartel local, ora no de Títe, Dentre todos salientamos o tenente Padre António Simões, a cuja iniciativa se deve mais um dos muitos arranjos da igreja, antes das chuvas de 1966, com a particularidade de então se terem desfeito os dois altares do transepto, um dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e o outro dedicado a Santo António, por se terem tornado inúteis e para darem mais espaço livre aos fiéis.
(...)
Com bases tão frágeis não admira multo a súbita derrocada. Logo no ano lectivo de 1961/2, algumas escolas fecharam, sobretudo nocturnas. As questões políticas com os dois padres italianos, com certeza exageradas pelo facto de se tratar de estrangeiros, azedaram os ânimos das autoridades e com reflexos nos professores da Missão, muitos deles presos para averiguações. Durante as férias grandes de 1962, a estrutura da Missão de Bolama ruiu quase completamente. Dois professores, um de Bolama e o de Gã-Nafá, foram apurados na inspecção militar: os das escolas de Caboupa, de Unal, de Bantael-Sílã, de Míssírâ, um de Empada, o de Gã Tchuma e o de Gã Génía foram presos: o da escola de Darsalame pereceu no incêndio da escola ocorrido no dia 10 de Junho de 1962: o de Madina de Baixo já tinha sido despedido em Fevereiro do mesmo ano.
Para completar o quadro, o P. Donato é obrigado a sair de Bolama em Setembro de 1962. De 27 de Outubro a 2 de Novembro está como responsável da Missão o capelão militar P. Carlos Santos. Visita todas as escolas ainda em funcionamento, excepto Caur e Cam, e faz observações pertinentes em 13 de Novembro de 1962.Ainda que não constem do mapa oficial relativo a 1962/3, no dia 18 de Dezembro de 1962 estavam em funcionamento ainda 10 escolas na Missão de Bolama, com os seguintes alunos matriculados, conforme informação da mesma data, fornecida pelo P. Joaquim do Rego, capelão militar então residente em Tite:
Repeze. | Reper'O •• | To'o! | |||||||||||
Escola de BoIama - 1." letras | · | · | · | 44 | 31 | 75 | |||||||
1.- clesse | • | · | · | 36 | 22 | 58 | |||||||
2.· classe | · | · | · | · | 24 | 8 | 32 | ||||||
3.- classe | · | · | · | 22 | 6 | 28 | |||||||
4.· classe | · | · | · | · | 22 | 7 | 29 | ||||||
Escola de Ceboupe , | · | · | · | · | · | · | · | 36 | - | 86 | |||
• | » | Ga·Mortá | · | • | · | · | · | · | · | 25 | - | 25 | |
• | • | Sao JoliO | · | • | · | • | · | • | • | 26 | 5 | SI | |
• | » | Nhele | · | · | • | · | · | · | · | · | 31 | ti | 37 |
• | » | Nove Sintra • | · | · | · | • | • | · | 27 | - | 27 | ||
• | • | Blssássema | • | • | · | • | · | · | • | 79 | 11 | 90 | |
• | • | Blógale | · | · | • | • | • | · | · | · | 46 | I J | 57 |
• | • | Jabadá | · | · | · | · | · | · | · | · | 53 | 9 | 62 |
• | » | Empada. | · | · | · | · | · | · | · | !IS | 23 | 108 | |
Total. | • | · | 556 | 139 | 695 | ||||||||
Em conclusão, das 24 escolas de 1961 restam, três anos depois, apenas duas - sem contar as de Títe, de Fulacunda e de Empada, entregues à tropa, melhor, de que a tropa tomou conta. Passados nove anos, a Missão de Bolama continua com as mesmas duas escolas, apenas com a diferença de que a escola de São José de Bolama deixou em 1966/7 o velho casarão, para onde iria funcionar a Escola de Habilitação de Professores de Posto, e ínstalou-se no novo edifício, construído de propósito para o efeito, solenemente inaugurado no dia 3 de Março de 1968. No dia 18 de Outubro de 1967 tinha sido inaugurado o novo edifício da de Caboupa, com duas salas, residência para o professor, cantina e o mais, a que deram S. Miguel por patrono, em atenção ao nome do Comandante do Sector Sul, Coronel Miguel Sequeira Braga, a quem a escola se ficou devendo.
A Escola de Habilitação de Professores de Posto, o Quartel, a Imprensa Nacional e a projectada Fãbrica de Pescas dão certo movimenta à cidade de Bolama, suficiente para entreter o pároco missionário, que se vê fechado na ilha, sem abertura para o continente, mercê da guerrilha que se instalou em toda a zona do Cubísseco, do Quinara e de Gampará, na circunscrição de Fulacunda, a qual, por enquanto, embora só nominalmente, faz parte integrante da Missão de Bolama.
(...)
Para todas estas localidades tem havido trânsito livre, não obstante algumas ameaças dos guerrilheiros. Na psicose dos primeiros ataques, em 1961, estabeleceu-se um dia, melhor, uma noite, pânico também em Bafatá. Vale como anedota o relato feito pelo Padre Mário ao Prefeito, em carta de 17 de Julho de 1961:
«As 0,30 h da noite passada veio um encarregado da Administração acordar os padres e as irmãs, dizendo que 500 terroristas estavam entre o Barro e Bigene. Os dois Capitães e o Administrador mandavam recolhê-los, mais os rapazes e as meninas dos Internatos, na igreja paroquial, pois a tropa não os poderia defender.
E lá estiveram todos até às 05,30 h. O Administrador foi dizendo que pensava transformar a igreja num fortim, fechando com pedras e cimento as janelas, instalando ali metralhadoras e reunindo ali, em caso de necessidade, toda a população civilizada.
As 09,30 h, Bissau avisou que isso não passava de boatos.»
Só passados dez a onze anos são que os boatos se transformaram em realidade, com ataque de foguetões à cidade. Mas já não houve pânico. Todos hoje vivem mentalizados para o pior.
(...)
O P. António Grillo só conheceu verdadeiramente a Missão do Imaculado Coração de Maria de Bambadinca e também só verdadeiramente ela viveu como independente durante os doze anos a passar que nela permaneceu [Está assim no original...].
O P. Grillo chegou à Guiné no dia 16 de Novembro de 1951 e teve o privilégio de ir abrir a nova Missão, desmembrada oficialmente da de Bafatá e criada no dia 31 de Dezembro de 1951, juntamente com o P. Artur Biasutti, seu primeiro superior. As duas nomeações datam de 11 de Janeiro de 1952.
O P. Bíasutti deixa a Missão e o cargo ao P. Efrém Stevanín, que dela toma posse no dia 28 de Março de 1954. Este só a deixará quando retirar definitivamente da província em 14 de Junho de 1960. Nesta data já havia na Missão um terceiro padre nomeado, o P. Ríno Gallinaro, desde 7 de Abril de 1960.
Por Agosto deste ano vem de Bubaque fazer companhia ao P. Grillo mais o P. Salvador Angelone. Um ano depois, o P. Grillo vai gozar as suas primeiras férias na Itália e fica como superior de Bambadinca o P. Mário Faccioli, coadjuvado pelo P. Angelone.
O P. Grillo regressa das suas férias a 19 de Abril de 1962 e o P. Angelone retira definitivamente para a Itália dias depois, a 1 de Maio.
A insurreição armada penetra na área da Missão de Bambadinca, que se vê entre dois fogos, o dos guerrilheiros do PAIGC e o das Forças Armadas Portuguesas.
O P. Grillo vê-se envolvido, sem querer, na política, é preso em fim de Fevereiro de 1963 e enviado para a Itália, via Lísboa, no dia 6 de Abril de 1963. A seguir, a Missão é ocupada pelo exército, que não mais a abandonou. Desta forma, tem sobrevivido a custo, com as deslocações periódicas dos Padres de Bafatá e o bom trabalho do capelão militar.
(...) Também a Missão de Bambadinca utilizou a escola como principal meio de evangelização.
(...) Os Balantas, muito pobres e desleixados - chegavam a apresentar-se na escola completamente nus - forneceram o maior contingente para as escolas da área de Bambadinca, dada a sua abertura à civilização europeia e à religião cristã. Em áreas dominadas por Mandingas, Fulas e Beafadas, quase todos muçulmanizados, depressa surgiam problemas e a escola tinha de fechar. Nas tabancas de Bambadíncazinho, de Amedalai (também chamada Ambadalai) e de Taibatá, por exemplo.
(...) Cebuce, situada a 5 km de Enxalé, é uma tabanca de Manjacos, desejosos de possuir escola (que não chegou a ter edifício). Ao contrárío, Missirá era uma tabanca onde diariamente se rezava a Alá para acabar com a escola missionária. E Alá escutou-os. Uma escola com alunos desinteressados e com pais descontentes não podia singrar.
As escolas do Xime e de Amedalai fecharam em fim de Maio de 1960; as de Ponta Inglês, Ponta Luis Dias, Finete e Santa Helena não abriram em Outubro de 1962 por falta de frequência dos alunos e também por causa da intranquilidade da área.
O terrorismo, por um lado, então sob a chefia do célebre guerrilheiro Domingos Ramos, a assolar cada vez mais profundamente a região, e por outro a ausência forçada do P. António Grillo em Março de 1963, provocaram a ruína quase total, humanamente falando, do esforço ingente de tantos anos. A Missão de Bambadinca deixou praticamente de existir em Fevereiro de 1963, mês em que fecharam todas as escolas, com a única excepção da da sede. Mais tarde reabriu a de Santa Helena, pensando-se em edifício definitivo em 1973.
(...)
A paróquia missionária de Nossa Senhora da Graça de Farim, implantada em pleno chão mandinga, possui tradição cristã de muitos séculos.
No período da Prefeitura Apostólica, esteve sempre bem provida de pessoal missionário. O P. Luís Tizwmi foi nomeado superior em Abril de 1955 e com ele estava já, desde Março, o P. Henrique Cazzaniga.
Quando o P. Tiziani partiu para férias, na Itália, em 8 de Agosto de 1961, o P. Cazzaniga sucedeu-lhe no cargo, tendo vindo ajudá-lo, a 21 de Agosto, o P. Luís Andreoletti.
Em meados de Março de 1962, colocaram provisoriamente o P. Andreoletti em Bambadinca e o P. Biasutti em Farim.
(...) A escola de Nossa Senhora da Graça de Farim mais a de S. João de Brito de Biqene são as duas únicas escolas missionárias ainda em funcionamento. A primeira teve um acrescento de 11 metros em 1959: a segunda já sofreu o seu bocado com os ataques dos guerrilheiros do PAIGC, o que tem provocado grandes despesas em consertos.
A escola do Barro funcionou primeiro no edifício da Alfândega, cedido provisoriamente pelo Governo em Novembro de 1954. A Prefeitura Apostólica fez-lhe multas melhorias e a escola do Barro tornou-se a melhor da área da Missão de Parimo. Em 1956, a Alfândega tomou conta do edifício e o Prefeito não gostou nada do gesto, depois de tanta despesa ali feita. A escola passou a funcionar em casa do professor, antes que se fizesse outra, em 1964, aliás completamente destruída em fim de 1965 e morto o seu professor, Domingos Jata. Esta morte e a prisão do António Sanches Vaz, da escola de Bigene a 22 de Novembro de 1965, estiveram ligadas aos tristes acontecimentos dos primeiros dias desse mês, que levaram à fuga e à debandada boa parte da população de Parimo. Uma granada explodiu numa sala de baile, tendo matado várias pessoas e ferido outras. Como consequência, muitas pessoas foram presas e talvez sacrificadas injustamente algumas.
Quando o P. Tiziani partiu para férias, na Itália, em 8 de Agosto de 1961, o P. Cazzaniga sucedeu-lhe no cargo, tendo vindo ajudá-lo, a 21 de Agosto, o P. Luís Andreoletti.
Em meados de Março de 1962, colocaram provisoriamente o P. Andreoletti em Bambadinca e o P. Biasutti em Farim.
(...) A escola de Nossa Senhora da Graça de Farim mais a de S. João de Brito de Biqene são as duas únicas escolas missionárias ainda em funcionamento. A primeira teve um acrescento de 11 metros em 1959: a segunda já sofreu o seu bocado com os ataques dos guerrilheiros do PAIGC, o que tem provocado grandes despesas em consertos.
A escola do Barro funcionou primeiro no edifício da Alfândega, cedido provisoriamente pelo Governo em Novembro de 1954. A Prefeitura Apostólica fez-lhe multas melhorias e a escola do Barro tornou-se a melhor da área da Missão de Parimo. Em 1956, a Alfândega tomou conta do edifício e o Prefeito não gostou nada do gesto, depois de tanta despesa ali feita. A escola passou a funcionar em casa do professor, antes que se fizesse outra, em 1964, aliás completamente destruída em fim de 1965 e morto o seu professor, Domingos Jata. Esta morte e a prisão do António Sanches Vaz, da escola de Bigene a 22 de Novembro de 1965, estiveram ligadas aos tristes acontecimentos dos primeiros dias desse mês, que levaram à fuga e à debandada boa parte da população de Parimo. Uma granada explodiu numa sala de baile, tendo matado várias pessoas e ferido outras. Como consequência, muitas pessoas foram presas e talvez sacrificadas injustamente algumas.
[Em 1968, quando estive em Barro, não havia lá escola nenhuma]
A escola de Beato Çrescitelli de Binta teve uma existência muito incerta. Em 1957 o professor saiu e não foi logo provida a escola. Voltou a fechar em 7 de Junho de 1964 porque os guerrilheiros raptaram o professor. Finalmente, a Missão entendeu abandoná-la em 1970.
A escola de S. José de Bor não funcionou em 1957/8 por falta de professor. A situação política de Outubro de 1961 não aconselhou a abertura.
A Algodão chegaram os terroristas em força na noite de 12 de Fevereiro de 1964 e o professor a custo conseguiu escapar e chegar a Farim.
Pelo mesmo motivo fechou a escola de Olossato na Páscoa de 1964. O professor da escola de Endangani despediu-se do serviço em Setembro de 1962 e a escola não mais pôde abrir.
A escola de Gussatã, quando fechou em Maio de 1957, tinha apenas dois pequenos mandingas. Assim não valia a pena tê-la aberta.
A escola de São Paulo de Benjem, aberta em Janeiro de 1955, sem edifício, fechou em 1957 quando a professora foi para a Missão de Cumura.
A professora de Mansabá saiu em Maio de 1961. Entretanto, a escola foi ocupada pela tropa, e a Prefeitura Apostólica achou por bem não retomá-la.
A escola de Cuntima teve edifício novo em 1961, graças às ajudas substanciais dos comerciantes e madeireiros de Jumbembém. Fechou na Páscoa de 1964 por os pais e os alunos terem fugido. Reabriu a 6 de Janeiro de 1966 com 54 alunos, mas sem edifício. Foi sol de pouca dura, não obstante o número avultado dos alunos matriculados.
A Missão de Farim tomou conta da escola de Ingorei quando em 1961 esteve encerrada a Missão de Susana, de que Ingorei dependia.
Os habitantes de Jumbembém pediram escola em Abril de 1962. E tiveram-na durante dois anos.
Os guerrilheiros do PAIGC chegaram no dia 6 de Abril de 1964 e a pobrezínha escola de Jumbembém teve de fechar.
(...)
Também na Missão de Susana se tentou a evangelização mediante a escola. Foi uma batalha duríssima e os resultados aparentes foram pouco mais do que nenhuns.
preconceitos ancestrais e só a mobilização dos jovens para o serviço militar, levado a efeito nos últimos anos, é que lhes está a abrir fendas no cimento armado. O Felupe não sabe discutir, mas recebe ordens do mais forte e cumpre-as. E a Igreja não se lhe apresenta como potência de força. Dai a hostilidade manifesta ou latente dos homens «grandes» e dos parentes para com o baptismo dos jovens e para com a escola missionária. Se a autoridade civil ou a autoridade militar não se impuser, o Felupe - e quem diz Felupe, diz o Baiote, o Banhum e, até em certas regiões, o Balanta - não vai à escola. Ser cristão e frequentar a escola é «virar a branco», é perder a identidade racial. Daí, as escolas desertas em chão Felupe, sobretudo em 1959, quando vieram ordens superiores para não obrigar ninguém a ir à
escola: daí o ruir duma obra que tanto suor fez correr e tanto dinheiro levou.
(...) Tanto a escola de Susana como a de Elia tiverem as suas tradições. A de Susana só não funcionou na ausência dos missionários; a de Elia, apesar de lhe ser construído bom edifício em 1963 com dinheiro oferecido por benfeitores italianos, em especial da Juventude Agrária Católica de Milão, não chegou a funcionar como missionária, tendo sido entregue o seu uso aos Serviços de Educação em Outubro de 1971, com reserva da propriedade para a Missão Católica de Susana.
A escola de lngorei passou da Missão de Farím para a de Susana no ano lectivo de 1956/7. A 30 de Novembro de 1954 [está assim no original...] fechou por desistência do professor. Arranjou-se outro, que também desistiu e provocou novo encerramento da escola em Fevereiro de 1965. Finalmente, o Adriano Jata [terá a ver com o Domingos Jata que foi morto em Barro?...] entra ao serviço da escola, mas, segundo uma nota do missionário de Susana com a data de 22 de Julho de 1966, ele deixou de dar notícias «há muitos meses».
A escola de Cessolol voltou a funcionar, após muitos anos, em 7 de Fevereiro de 1955. Foi na derrocada de 1960/1, mas fizeram-na reviver em 1970/1.
O trabalho missionário prossegue na Missão de Susana, mas com novos problemas, surgidos daquele alvorada radiosa que foi a cerimónia de 51 baptismos celebrados na manhã de 2 de Março de 1969. 16 dos quais de 8 famílias genuinamente Felupes que nesse dia sancionaram diante da Igreja o casamento feito na tabanca segundo os seus usos e costumes. A cerimónia religiosa, acompanhada a cânticos religiosos cristãos em língua felupe e ao ritmo africano, pareceu a todos os presentes o alvorecer da em cristã entre a etnia Felupe. O Diabo, porém, não suportou em silêncio o repto e a derrota, e decidiu entrar em força na liça. Os homens «grandes» de algumas tabancas, perseguindo os catecúmenos e cristãos que pretendem viver a sua fé, têm sido os seus instrumentos. A perseguição, de facto, tem assumido proporções de desumanidade incrível, inclusive negando o alimento a crianças que teimam em ir à missa e à escola missionária e enviando à força raparigas adolescentes para «chão francês» (Senegal) a fim de não tentarem casar com jovens felupes cristãos. Na Missão de Nossa Senhora da Luz de Susana parece ter-se voltado aos tempos da velha Roma pagã, quando reagia contra a invasão do ar fresco e puro do Cristianismo. Se o Cristianismo venceu em Roma, esperamos que também há-de vencer o cimento armado da mentalidade pagã dos velhos Felupes de hoje.
(...)
Quando a Prefeitura Apostólica da Guiné foi criada, a Missão de Nossa Senhora de Fátima de Catió encontrava-se em plena actividade e com o Padre Luís Andreoletti a superior e o P. José Ronchi a coadjutor.
O P. Andreoletti seguiu para Susana em Agosto de 1956 e ficou no seu lugar o P. Ronchí, coadjuvado pelo P. Mário Faccíolí, que ali vivera desde a sua chegada à Guiné, em 5 de Agosto de 1958, até ser nomeado superior regional do PIME em 2 de Julho de 1958, tendo-se mudado então para Bafatá.
A 19 de Julho de 1958 entrou ao serviço das Missões da Guiné o P. Benedito Borgato e foi colocado na Missão de Catió, para onde seguiu de avião no dia 1 de Agosto do mesmo ano.
Em 8 de Junho de 1960, os Padres Borgato e Rino Gallinaro são nomeados respectivamente para as Missões de Bubaque e de Catió, tendo seguido a tomar conta dos novos postos em fim de Julho.
O P. Ronchi saiu para férias, na Itália, a 3 de Fevereiro de 1965, tendo ficado em Catió o P. Rino com o Ir. Luís Capelli até aos primeiros dias de Agosto de 1965, altura em que a Missão deixou de ter missionário residente até à Páscoa de 1969. O serviço religioso era mantido pelo capelão militar e por visitas periódicas dos Padres de Bafatá.
O P. Rino regressou das suas férias em 19 de Janeiro de 1969 e o P. Salvador Cammilleri veio trabalhar para esta província em 11 de Março seguinte. Os dois reocuparam as instalações da Missão em 27 de Março de 1969, tendo-se efectuado reparações na residência no montante de 48 contos. Trataram também logo de erguer novo e bem acabado edifício para a escola de Sua (junto do aeroporto local) com 94 802$50. Para semelhantes despesas, a Prefeitura entrou com 60 contos, o Governo da Província com 20 e benfeitores italianos com outros 60. E desde então a sua acção apostólica teve de confinar-se à vila de Catió e a Sua, que lhe fica nos subúrbios.
Por motivo de doença, o P. Rino retirou para a Itália a 24 de Junho de 1970 e, por ordem do Governo da Província da Guiné, o P. Salvador seguiu mesmo destino a 18 de Julho de 1972.
(...)
Não obstante as maiores facilidades concedidas aos católicos, também estes continuam a ser ínfima minoria. Os Balantas, em que os missionários puseram sempre as maiores esperanças, passaram em massa para o controlo dos guerrilheiros do PAIGC, se é que não se fizeram também guerrilheiros, e quando havia uma pequena comunidade cristã a querer afirmar-se em Bedanda, com uma capelinha feita em 1962 para inaugurar em 1963, e outra em Xugué, igualmente com uma capela erguida em 1960 e inaugurada em Maio de 1961, um trabalho de quinze anos ruiu como um castelo de cartas. A partir de Abril de 1963, os missionários de Catió viram-se obrigados a ficar retidos na vila, só se aventurando até à escola de Sua, a qual, por um acidente fortuito, também ardeu em 1966. Os professores catequistas demitiram-se todos, e a seguir a Abril de 1963, as duas escolas da sede e de Sua só se mantiveram abertas porque os padres se fizeram professores delas.
(...) Esta era a trágica situação missionária em Dezembro de 1962: matrículas apenas nas escolas de Catió, Xugué, Bedanda, Catunco, Cantone, Matofarroba e Sua. Encerradas as escolas de Cabochanque, por ter sido preso o professor em Agosto último; de Quibili, por terem desaparecido os alunos; de Enfanda, por terem desaparecido os alunos e também por ter caído o edifício da escola nas últimas chuvas. Provisoriamente encerrada também a de Catunco, por o professor, alegando falta de saúde, ter retirado para Bissau.
Nos começos de Abril de 1963, a tragédia continua com o incêndio da escola e da capelinha e respectiva residência missionária de Xugué, e com o encerramento definitivo das escolas de Matofarroba e Cantone, por os alunos deixarem de comparecer.
A vila de Catió tem sido alvo de múltiplos ataques dos guerrilheiros do PAIGC nos últimos dez anos. Não obstante o abrigo à prova de fogo de armas pesadas, existente na residência missionária desde 1969, os padres vivem a permanente insegurança própria e dos habitantes da povoação. São tempos particularmente duros os que têm passado e estão ainda a passar, tempos que porventura lhes recordam os ataques às cidades italianas do Norte, donde são originários e onde estudaram, durante a II Guerra Mundial. Todos aguardam melhores dias e pedem a Deus a reconciliação duns com os outros dentro do espírito de justiça e de caridade.
(...)
A Missão da Imaculada Conceição dos Bijagós, em Bubaque, ensaiava os primeiros passos em meados de 1955, quando foi criada a Prefeitura Apostólica. Achava-se à frente dela o P. Artur Biasutti, coadjuvado pelo P. Salvador Angelone, este apenas desde o dia 5 de Abril de 1955.
A 24 de Agosto de 1956 o P. Biasutti saiu pare férias, na Itália, e o P. Angelone ficou com o Ir. Vicente Benassi, que já se encontrava ao serviço da Missão de Bubaque desde Março passado.
Dois anos depois, a 19 de Julho de 1958, o P. João Formenti chega à Guiné e é destinado à Missão de Bubaque.
O P. Benedito Borgato substitui o P. Angelone no cargo de superior em 26 de Julho de 1960. O P. Angelone retira poucos dias depois para Bafatá.
Em fim de Janeiro de 1965, o P. Borgato vai para Bafatá descansar um pouco e ficam na Missão de Bubaque o P. Formenti e o Ir. Benassí, os quais são convidados pelo seu superior regional a ir gozar as suas férias em 1967. Partem a 17 de Novembro e não lhes permitem o regresso à Guiné.
Volta à Missão de Bubaque, a 3 de Dezembro de 1967, para substituir o P. Formenti, o P. Borgato. Vai ajudá-lo e fazer-lhe companhia, em fim de Janeiro de 1969, o P. Bíasuttí, que tinha sido o primeiro superior da Missão.
A 10 de Junho de 1972 chegam mais três Irmãs do Instituto do Santo Nome de Deus, estas para a Missão de Bubaque. São elas:
Augusta Fedel, a superiora da nova comunidade, Maria Teresa Gargani e Angela Polesel. Graças à influência do P. Biasutti junto de benfeitores italianos e sorte numa rifa, foram recebidas em Bubaque em bem acabada residência privativa, dentro da concessão da Missão Católica.
(...) Em 1955, a escola de Uno, coberta a zinco, era a melhor de todas as escolas dos Bíjagõs. Fechou em 1972 por abundância de professores e falta de alunos. Os alunos, de facto, mal chegavam para a escola do Estado.A escola de Orango Grande teve sempre multo boa frequência e desde Maio de 1972 possui bem acabada escola feita pelos Serviços do Exército e mobilada pelos Serviços de Educação. Como dissemos noutra parte, o professor Braz de Pina teve um público louvor no Boletim Oficial da Guiné, dado pelo Governador General António de Spinola, pela maneira eficiente como dirige aquele estabelecimento de ensino.
A escola de Bijante, na ilha de Bubaque, teve uma existência bastante incerta, até que se achou por bem encerrá-la. Lembramos que no ano lectivo de 1962/3 não funcionou nos primeiros quatro meses, porque os alunos tinham acompanhado os pais para a ilha de Rubane, durante o cultivo do arroz.
As demais escolas têm a história própria da inconstância dos professores e dos alunos, acrescida do desinteresse dos adultos. Em quase toda a parte da Guiné - e, naturalmente, também nos Bijagós - para obter número suficiente de matriculados, é necessário recorrer à autoridade. Nos últimos anos, começou a haver maior facilidade de os pais deixarem os filhos ir à escola. Mas não as filhas, porque a mulher grande bijagó tem enorme preponderância na sociedade tribal e as meninas recebem a iniciação nos costumes ancestrais desde muito novas. Outro factor a ter em consideração é o económico: os rapazes com letras saem da terra e não ajudam ou ajudam pouco os pais. E os grandes alarmam-se e dizem: "Quem nos dará de comer quando não pudermos trabalhar?"
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A escola de Bijante, na ilha de Bubaque, teve uma existência bastante incerta, até que se achou por bem encerrá-la. Lembramos que no ano lectivo de 1962/3 não funcionou nos primeiros quatro meses, porque os alunos tinham acompanhado os pais para a ilha de Rubane, durante o cultivo do arroz.
As demais escolas têm a história própria da inconstância dos professores e dos alunos, acrescida do desinteresse dos adultos. Em quase toda a parte da Guiné - e, naturalmente, também nos Bijagós - para obter número suficiente de matriculados, é necessário recorrer à autoridade. Nos últimos anos, começou a haver maior facilidade de os pais deixarem os filhos ir à escola. Mas não as filhas, porque a mulher grande bijagó tem enorme preponderância na sociedade tribal e as meninas recebem a iniciação nos costumes ancestrais desde muito novas. Outro factor a ter em consideração é o económico: os rapazes com letras saem da terra e não ajudam ou ajudam pouco os pais. E os grandes alarmam-se e dizem: "Quem nos dará de comer quando não pudermos trabalhar?"
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