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13 de outubro de 2011

276-O que foi a ARA

Extraído do livro "As Explosões que Abalaram o Fascismo", Jaime Serra, Editorial Avante SA, Lisboa, 1999:

«...

1.   Objectivos e princípios orientadores

A ARA não se propôs substituir a luta dos demo­cratas, dos trabalhadores, da juventude e das massas populares contra o fascismo e contra a guerra colo­nial. A ARA propôs-se, sim, conduzir a sua activi­dade no quadro dessa luta, desencadeando acções violentas contra o aparelho de Estado fascista e contra a máquina de guerra colonial, de modo a en­fraquecê-los e desorientá-los psicologicamente, esti­mulando desse modo a luta do povo português pelo derrubamento do fascismo e a luta dos povos colo­niais pela sua libertação.
Recorrendo à violência revolucionária, a ARA teve como objectivo contribuir para a criação de con­dições que, no desenvolvimento da luta política geral, conduzissem à insurreição popular armada que defendíamos, como foi, de certo modo, a Revolução de Abril de 1974.
Na sua actividade revolucionária, a ARA orientou­-se por princípios muito rigorosos e regras muito cla­ras, tais como:
1.º - Seleccionar apenas objectivos materiais, evitando cuidadosamente a perda de vidas humanas no decorrer das suas acções;
2.° - Definir objectivos acessíveis, tendo sempre em conta a força real própria e a força e dispositi­vos do inimigo fascista, atacando onde ele pudesse estar mais desprevenido;
3.° - Não confundir iniciativa e audácia com precipitação e aventureirismo;
    4.° - Os objectivos a atingir deveriam ter sempre em conta a conjuntura política e estar enquadrados na acção das massas, verdadeiro motor da revolução; 
    5.° - Após cada acção, retirar sempre as expe­riências e ensinamentos positivos e negativos.
   Deve dizer-se que a definição e o rigoroso cum­primento destes princípios contribuíram para impedir que as acções armadas pudessem eventualmente res­valar para qualquer forma de terrorismo político ou que se viessem a confundir com os conceitos extre­mistas defendidos por alguns dos diversos grupos «esquerdistas» então existentes.

2.   A autonomia da ARA

Sendo a constituição da ARA uma iniciativa do PCP e sendo os seus principais quadros membros do PCP, pode perguntar-se: Qual o grau de autonomia de que dispunha esta organização revolucionária relati­vamente ao Partido?
Se é verdade que, no plano político, a ARA ac­tuava em estreita consonância com a linha política e os objectivos do PCP, no plano da sua direcção, or­ganização e acção específica. a ARA constituía uma organização autónoma. O seu Comando Central era responsável pela selecção, preparação e execução das acções a empreender. Era igualmente responsável pela selecção, controlo e acompanhamento dos qua­dros que participavam na sua organização, quer fos­sem do Partido quer de outra origem política.

3.   O tipo de acções

   As características das acções da ARA decorriam directamente dos objectivos propostos com a sua for­mação. Para além do efeito político das suas ac­ções, visava-se a destruição de material e não a liquidação de pessoal. Por essa razão, a ARA não utilizava o que é vulgarmente conhecido na gíria popular por «bomba»: um invólucro, maior ou me­nor, carregado com explosivos e projécteis metálicos que, ao explodir, espalha uma carga mortífera constituída por esses projécteis. A ARA utilizava apenas cargas explosivas, cuja composição e potência eram suficientes para derrubar, perfurar ou incendiar os objectivo em vista. Além disso, essas cargas eram colocadas junto dos objectivos, no momento mais próximo possível da hora previamente determinada para o seu rebentamento, nas chamadas «horas mor­tas». Nestas condições, o risco de se causar perdas de vidas humanas era reduzido ao mínimo possível.
A este propósito, deve dizer-se que a PIDE e o aparelho de propaganda fascista procuraram sempre esconder esta distinção, falando repetidamente na colocação de «bombas» e em «terrorismo», quando se referiam às acções da ARA, procurando desse modo, de forma alarmista, incutir no espírito das pessoas simples a ideia dos «graves» riscos de per­das de vidas que tais acções poderiam provocar en­tre a população.
Os exageros nesta matéria chegavam a atingir as raias do ridículo como no caso verídico que nos foi então contado, em que um inflamado defensor do re­gime fascista verberava em público uma determinada acção da ARA (o corte das telecomunicações aquan­do da Reunião do Conselho Ministerial da NATO em Lisboa), afirmando: «Vejam só a desgraça que não seria se a "bomba" calha apanhar por ali criancinhas a brincar!...». Alguém perguntou então «ingenuamen­te» o que fariam por ali as criancinhas às três e meia da manhã... ?

4.   A organização e quadros

Dado o conhecimento que tinha dos quadros exis­tentes na época à escala nacional, com verdadeira disponibilidade para as tarefas inerentes a esta nova frente de luta antifascista e anticolonialista, foi rela­tivamente fácil fazer um apuramento e uma selecção dos quadros com condições para a rápida montagem do aparelho de que precisávamos (organização, ins­talações, materiais e depósitos para os mesmos, as­sim como um laboratório central) para dar início à actividade da Acção Revolucionária Armada (ARA).
Como se pode compreender, a ARA constituía uma organização altamente centralizada e disciplina­da, estando o seus membros perfeitamente conscien­tes da responsabilidade que assumiam e dos riscos que corriam ao participarem nesta organização. Em cada acção empreendida havia a preocupação de pou­par vidas alheias. mas cada um tinha a consciência de que punha em risco a sua própria vida.
De entre os quadros conhecidos pela sua firmeza revolucionária que se disponibilizaram prontamente para este tipo de actividade, e que constituíram desde o início o núcleo central da ARA, são de destacar os camaradas Francisco Miguel, Raimundo Narciso, Carlos Coutinho. António Eusébio e Ângelo de Sou­sa, um jovem quadro militar da Aviação, falecido prematuramente. Todos eles, não só dirigiram como participaram directamente, com grande coragem e espírito de sacrifício, na execução das mais importantes acções levadas a cabo pela ARA, arriscando a própria vida, desde a sua fundação em 1970 até à suspensão das suas actividades em 1973.
A ampla divulgação feita pela PIDE de nomes e fotografias de activistas da ARA, ao noticiar a sua acção repressiva contra esta organização, assim como os nomes dos principais quadros atrás citados, está longe de corresponder ao número e identidade de quantos, de um ou outro modo, deram à ARA a sua inestimável colaboração.

No decorrer da sua existência e em períodos dife­rentes, participaram na ARA dezenas de revolucioná­rios, homens e mulheres, em tarefas diversificadas e com responsabilidades também diversificadas, mas todas elas essenciais para o êxito final de cada uma das acções. Desde os quadros de apoio técnico, que contribuíram com os seus conhecimentos, as suas ins­talações, transportes pessoais, apoio financeiro, ma­terial e outros, até aos quadros operacionais, todos eles deram a sua contribuição para o prestígio e au­toridade que a ARA ganhou no quadro da luta polí­tica e da acção revolucionária. 

5.   O Comando Central

O Comando Central da ARA foi desde início constituído por um núcleo restrito de membros, to­dos então pertencentes ao PCP.
Sendo Lisboa a capital, a sede do governo e o principal centro da vida política económica e militar, situavam-se aqui a maior parte dos eventuais alvos das acções da ARA. Deste modo, por razões de operacionalidade, todos os membros do Comando Central, assim como os apoios logísticos mais impor­tantes, tais como o laboratório central, depósitos de materiais e outros meios técnicos, ficaram instalados na área da grande Lisboa. Também uma boa parte dos quadros operacionais e de apoio técnico residiam nesta região.
A ligação com a direcção do Partido, feita atra­vés do camarada Joaquim Gomes, então membro da Comissão Executiva, realizava-se também em Lis­boa.
Para a consideração, discussão e apuramento final de cada acção a levar a cabo, o Comando Central reunia sempre obrigatoriamente para uma reflexão e decisão conjuntas. Seguidamente, um dos seus mem­bros reunia com o comando seleccionado com vista ao estudo de todos os detalhes da operação.
A compartimentação logística era uma exigência de princípio. Cada um só deveria conhecer aquilo que precisa a para a execução das suas tarefas.
O «laboratório central», por exemplo (onde eram ensaiadas soluções. manipulados os materiais neces­sários a cada operação e preparadas as cargas respec­tivas), era de conhecimento e acesso muito restrito, tal como restrito era o conhecimento dos diversos «pontos de apoio» e depósitos de material então exis­tentes em várias zonas do país.
Mesmo no Comando Central, dada a situação de rigorosa clandestinidade em que se vivia e o ambien­te violentamente repressivo em que se actuava, o princípio da compartimentação era aplicado nalgumas áreas do nosso trabalho.
De início tudo foi muito difícil, navegávamos num «mar» completamente desconhecido. Por outro lado, trazíamos do trabalho «conspirativo» e de or­ganização do Partido uma cultura e uma concepção de defesa, particularmente da «defesa pessoal», que não era transponível para uma actividade daquela na­tureza, sobretudo se tivermos em conta que estava tudo por fazer.
A experiência demonstra que, quando se começa algo completamente novo, é à direcção que compete dar os primeiros passos. No caso da ARA, «é um tipo de acção em que, para o arranque, os dirigentes têm de dar o exemplo». (')
A desatenção por esta verdade e o receio de arris­car fizeram com que este sector estivesse um longo período praticamente inactivo, com efeitos pouco po­sitivos sobre os quadros já nele envolvidos. Francisco Miguel, um camarada altamente qualificado, conhe­cido pela sua firmeza e têmpera revolucionária, des­tacado para este trabalho, numa apreciação crítica à sua actividade, disse a certa altura: «Devo acrescen­tar que, durante bastante tempo, pareceu-nos que seria errado irem os mais responsáveis fazer pessoal­mente o reconhecimento dos objectivos. O tempo e a experiência convenceu-nos de que, nas condições concretas em que vivemos, o nosso critério de defe­sa era paralisante.»
Por mim, quando se punha esta questão, lembrava­-me sempre de um célebre episódio revelado num fil­me soviético, passado com o lendário comandante Tchepaiev e os seus soldados, no decorrer da guerra civil que eclodiu na Rússia, após a Revolução de 1917.
Em cima de uma tosca mesa, exemplificando o que dizia com batatas que apanhou ali à mão, perguntava aos seus soldados: «Quando iniciamos uma grande ofensiva contra o inimigo, onde deve estar colocado o comandante?»
Para de pronto ele próprio responder: «Aqui, bem na frente!» E colocava uma batata na vanguarda. E logo de seguida fazia outra pergunta: «E, quando as tropas já estão em marcha, dando combate ao ini­migo, onde deve estar o comandante?»
Mais uma vez voltava ele a dar a resposta, exem­plificando sempre com as batatas: «Neste caso, o comandante deve colocar-se na retaguarda, para bem dirigir as operações.»

6.   O reconhecimento dos objectivos

O reconhecimento dos objectivos, representou um dos aspectos mais importantes e mais delicados da actividade da ARA.
Após a apreciação da importância e oportunidade política de tal ou tal objectivo, o seu reconhecimento no terreno, isto é, o reconhecimento das condições concretas de acessibilidade, de viabilidade e do grau de vigilância existente, eram determinantes para a consideração dos meios materiais e humanos a em­penhar na operação.
Pode dizer-se que de uma correcta avaliação e de um rigoroso reconhecimento dos objectivos dependia muito o êxito de cada operação.
No decorrer da actividade da ARA, vários objec­tivos foram postos de lado após um primeiro reco­nhecimento. Por ultrapassarem a nossa capacidade, por estarem fora dos nossos propósitos políticos ou por se chegar à conclusão de que os riscos a correr eram desproporcionados com a importância dos ob­jectivos propostos.
No que respeita aos processos utilizados para proceder no terreno ao reconhecimento dos objectivos, tinha que se estudar atentamente, em cada caso concreto, quais as formas e meios mais adequados para não levantar quaisquer suspeitas, quer aos responsáveis pela sua vigilância quer ao cidadão comum.
Podia ser um simples passeio no local feito por um casal, acompanhado ou não de filhos, ou a rea­lização de um piquenique familiar, próximo ou mes­mo junto do eventual objectivo, seguido de um «inocente» exercício de equilíbrio físico, como mos­tra uma foto da época.
  
(') Álvaro Cunhal, em carta reservada ao Comando Cen­tral da ARA.
...»
COMANDO CENTRAL


OPERACIONAIS

(Retirei as fotos e os dados biográficos, com a devida vénia e agradecimentos, da página pessoal do Raimundo Narciso 

http://raimundo.no.sapo.pt) Ver o livro que ele escreveu sobre a ARA


Gabriel Pedro
Em 1971
Nasceu em 1898. Faleceu em 1972, em Paris. Natural de Lisboa. Casado com Margarida Tavares Fernandes Ervedoso. Pai de Edmundo Pedro, de mais dois filhos e uma filha. Deportado para Timor, em 1025, e para a Guiné-Bissau, em 1928, evadiu-se ambas as vezes. Preso 9 anos no Campo de concentração do Tarrafal. Exilado em Paris veio a Portugal clandestinamente participar na acção do Cunene. Entrou e saiu do PCP várias vezes sendo militante quando faleceu.
Carlos Alberto da Silva Coutinho
Em 1970 e 2000
Pseudónimo Meneses. Natural de Fornelos, Vila Real. Nasceu em 1943. Casado com a Antonieta. Pai da Ana e da Marta. Arquivista em O Século em 1970. Na guerra colonial de 1966 a 1969, em Moçambique. Ligação à ARA desde Julho 70. Preso de Fevereiro de 73 a 25 de Abril de 1974. Participou nas acções do Cunene, Escola da PIDE, Tancos, Corte das Telecomunicações - reunião da NATO, Corte da rede eléctrica e, 1971 e 72. Jornalista. Obra publicada: duas novelas, dois volumes de prosa jornalística, cerca de uma dezena de peças de teatro.
Ângelo Manuel Rodrigues de Sousa
Em 1970 e 1987
Pseudónimos: Tavares e Miguel. Nasceu em 1948 e faleceu em 1990. Casado com Fernanda Castro. Pai da Sara, da Rute e da Raquel. Empregado bancário. Piloto de helicópteros. Procurado pela PIDE com fotografia na televisão, jornais e postos de todas as polícias. Clandestinidade de Março de 1971 a 25-o4-74. Ligação à ARA desde Agosto de 70. Participou na acção de Tancos (8-3-71) e do corte da electricidade na eleição do Presidente da República Américo Tomás (8-72).
António João Eusébio
Em 1968 e 1980
Natural de Corte Café de Baixo, Mértola. Nasceu em 1943. Operário estucador da construção civil. Esteve na guerra colonial, em Angola de 1964 a 66. Ligado à ARA desde Junho 70.
 Participou nas acções do Cunene, Escola Técnica da PIDE, Tancos, Corte das Telecomunicações, Corte da Rede Eléctrica em 1971 e 1972. Na clandestinidade de 1972 a 25-4-1974. Funcionário do PCP.
António Pedro Ferreira
Em 1968 e 2000
Pseudónimo Jordão. Nasceu em 1936. Natural de Lisboa. Casado com a Maria José. Pai do Pedro, do Sérgio e da Catarina. Serviço militar entre 1958 e 1969. Esteve na guerra colonial em Angola, de 1961 a 63. Ligado à ARA desde 1965. Participou no apoio às acções do Cunene, Cais da Fundição, Muxima, Corte Rede Eléctrica em 1971 e 1972. Economista. Foi Presidente da Câmara dos Despachantes. Militante do PCP de 1958 a 1989. Fundador da Plataforma de Esquerda. Aderiu ao PS em 1999.
Manuel Policarpo Guerreiro

Em 1971 e 2000
Nasceu em 1943. Natural de Odemira. Divorciado. Pai da BVera e da Tânia. Pintor da construção civil nos anos 70. Esteve na guerra colonial em Moçambique, como furriel, de 1966 a 69. Ligação à ARA desde Julho de 1970. Participou nas acções do Cunene, Assalto ao Paiol, Comiberlant, corte da rede eléctrica em 197 e 1972. Preso de Fevereiro de 1973 a 25-4-1974. Empresário da construção civil em Faro e dirigente da Confederação das PME da Construção Civil.

Manuel dos Santos Guerreiro
Em 1970 e em 2000
Nasceu em 1943. Natural de Grândola. Motorista nos anos setenta. Casado com a Luísa. Pai do Carlos e da Tânia. Serviço Militar Obrigatório de Janeiro de 64 a Outubro de 69. Participa no corte da rede eléctrica em 1971 e 72, Assalto ao Paiol, Comiberland. Preso em Março de 1973 a 25-4-1974. Empresário. Vive em Grândola.
  RamiroRodrigues Morgado
Em 1968 e em 2000
Nasceu em 1940. Natural de Manique do Intendente, Azambuja. Casado com a Maria Emília. Pai da Sílvia. Lapidador de diamentes na DIALAP. Serviço Militar Obrigatório em Moçambique, de 1962 a 64 onde a guerra se iniciou alguns meses antes de regressar. Ligação à ARA em Julho de 1970. Participou no Corte da Rede Eléctrica, em 71 e em 1972 e no apoio às acções do Cunene, de Tancos, e do Muxima. Preso de Março de 1973 a 25-4-1974.
Amado de Jesus Ventura da Silva
Em 1970 e 2000
Nasceu em 1945. Natural de Lisboa. Casado com a Isabel Sequeira. Pai do Pedro, do Manuel e do Francisco. Estudante de Coimbra na República dos 1000-y-Onários e depois em Lisboa no Instituto Superior de Agronomia. Sem filiação partidária. Oficial miliciano "Ranger", de 1967 a 70. Ligado à ARA desde 1971. Participou no Assalto ao Paiol, Corte da Rede Eléctrica em 1971 e em 1972. Preso de Fevereiro de 1973 a 25-4-1974. Engenheiro Agrónomo na Zona Agrária de Caldas da Rainha.
Victor d'Almeida d'Eça
Em 1975 e 1992
Nasceu em 1937. Faleceu em 1998. Divorciado. Dois filhos. Actividade na área da Defesa do Consumidor, nomeadamente em programas radiofónicos. Ligação à ARA desde 1966. Participou na preparaçãio e apoio das acções do Cunene, corte da rede eléctrica em 1971 e 72, Central de Telecomunicações, Assalto ao Paiol e Comiberland.

Jorge Trigo de Sousa
Em 1975 e 1999
Pseudónimo Abel. Nasceu em 1941. Natural de Lisboa. Casado. Um filho. Ligação à ARA desde 1966 como independente. Participou no assalto ao Paiol, no apoio às acções do Comiberland e do Muxima. Esteve na guerra colonial, em Moçambique de 1972 a 74. Praticante de Judo e "Aikidô", professor e Presidente da Federação Nacional de "Aikidô". Membro da Associação Damião de Góis, promotor e quadro do PRD na sua fase inicial. É engenheiro civil, vive em Lisboa.
Mário Wren Abrantes Silva
Nasceu em 1950. Natural de Lisboa. Estudante de Agronomia no ISA em Lisboa. Ligação à ARA em 1972. Participou no corte da Rede Elévctrica em 1972. Preso de Março de 1973 a 25-4-1974. Membro do PCP a partir de 1975. Casado. Funcionário do PCP nos Açores. Membro do Comité Central do PCP desde 1998.
José Augusto de Jesus Brandão
Em 1999
Nasceu em 1948. Natural de Lisboa. Operário metalúrgico. Esteve na guerra em Moçambique de 1969 a 1971. Ligado à ARA desde 1972 como independente. Participou no reconhecimento de vários objectivos. Preso em 27-03-73. Depois do 25 de Abril empregado da Carris e dirigente sindical. Membro da Comissão Nacional (1980-88) e da Comissão Política (1985-88) do PS. Obra publicada: quatro ensaios sobre temas de História.

12 de outubro de 2011

275-Cronologia das lutas de libertação/guerra colonial

O Norberto Tavares de Carvalho apresenta esta cronologia no seu livro "De Campo em Campo, Conversas com o Comandante Bobo Keita". É interessante, numa óptica própria, e uma boa base de análise das resistências ao domínio colonial, nomeadamente na Guiné.



11 de outubro de 2011

274-Acordos de Argel


OS ACORDOS DE ARGEL

ACORDO ENTRE O GOVERNO PORTUGUÊS E O PARTIDO AFRICANO DA INDEPENDÊNCIA DA GUINÉ E CABO VERDE 34

Reunidos em Argel aos vinte e seis dias do mês de Agosto de mil novecentos e setenta e quatro, as Delegações do Governo Português e do Comité Executivo da Luta do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), na sequência de negociações bilaterais anteriormente realizadas, em ambiente de grande cordialidade, em Londres e Argel, acordam no seguinte:

ARTIGO 1.0

O reconhecimento de jure da República da Guiné-Bissau, como Estado Soberano, pelo Estado Português, terá lugar no dia dez de Setembro de mil novecentos e setenta e quatro.

ARTIGO 2.0

Com a assinatura deste Protocolo de Acordo o cessar-fogo mutuamente observado de facto em todo o território da República da Guiné-Bissau pelas forças de terra, mar e ar das duas partes converte-se automaticamente em cessar-fogo de jure.

ARTIGO 3.0

A retracção do dispositivo militar português e a saída progressiva para Portugal das forças armadas portuguesas continuarão a processar­se de acordo com o estabelecido no Anexo a este Protocolo, devendo essa saída estar concluída até ao dia trinta e um de Outubro de mil novecentos e setenta e quatro.

ARTIGO 4.0

 O Estado Português e a República da Guiné-Bissau comprometem-se a desenvolver relações de cooperação activa, nomeadamente nos domínios económico, financeiro, cultural e técnico, numa base de independência, respeito mútuo, igualdade e reciprocidade de interesses e de relações harmoniosas entre os cidadãos das duas Repúblicas.

ARTIGO 5.°

Com este fim, e depois do acto de reconhecimento de jure da R pública da Guiné-Bissau pelo Estado Português, os dois Estados estabelecerão entre si relações diplomáticas ao nível de embaixador, comprometendo-se a celebrar, no mais curto prazo, acordos bilaterais de amizade e de cooperação nos diferentes domínios.

ARTIGO 6°

O Governo Português reafirma o direito do povo de Cabo Verde à autodeterminação e independência e garante a efectivação desse direito de acordo com as resoluções pertinentes das Nações Unidas, tendo também em conta a vontade expressa da Organização da Unidade Africana.

ARTIGO 7.°

O Governo Português e o PAIGC consideram que o acesso de Cabo Verde à independência, no quadro geral da descolonização dos territórios africanos sob dominação portuguesa, constitui factor necessário para uma paz duradoura e uma cooperação sincera entre a República Portuguesa e a República da Guiné-Bissau.


ARTIGO 8.°

Lembrando a resolução do Conselho de Segurança que recomen­da a admissão da R públi a da Guiné-Bissau na ONU, a Delega­ção do PAIGC regista com satisfação os esforços diplomáticos significa­tivos feitos nessa ocasião pelo Governo Português, os quais estão em perfeita harmonia com o espírito de boa vontade que anima ambas as partes.

ARTIGO 9.°

As duas delegações exprimem a sua satisfação por terem podido levar a bom termo as negociações que tornaram possível o fim da guerra, de que foi responsável o deposto regime português, e abriram perspectivas para uma frutuosa e fraterna cooperação activa entre os respectivos Países e Povos.

Feito e assinado em Argel, em dois exemplares em língua portuguesa, aos vinte e seis dias do mês de Agosto do ano de mil novecentos e setenta e quatro.

A Delegação do Comité Executivo da Luta (CEL do PAIGC:

Pedro Pires, membro do CEL, comandante.
Umarú Djalo, membro do CEL, comandante.
José Araújo, membro do CEL.
Otto Schacht, membro do CEL.
Lúcio Soares, membro do CEL, comandante.
Luís Oliveira Sanca, embaixador.

A Delegação do Governo Português:

Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros.
António de Almeida Santos, Ministro da Coordenação Interterritorial.
Vicente Almeida d'Eça, capitão-de-mar-e-guerra.
Hugo Manuel Rodrigues Santos, major de infantaria.

34 Centro de documentação 25 de Abril 1996;
Colaboração do CD25A e do IHTI coordenada por Natércia Coimbra e Joaquim Ramos de Carvalho.

Extraído de: "De Campo em Campo - Conversas com o Comandante Bobo Keita", de Norberto Tavares de Carvalho

7 de outubro de 2011

273-Bedanda

Especialmente para os Onças Negras, da CCAÇ6
Este é um esboço feito em 1947 daquilo que devia ser Bedanda... foi assim?
(Para ver em ponto grande clicar em X, em baixo à direita)


6 de outubro de 2011

272-Astúcia de mulher



Em  tempos que já lá vão, havia um régulo que tinha uma mulher muito bonita. A mulher tinha dois amantes.
Certo dia, tendo o régulo ido viajar pelos seus domínios, aconteceu que um dos «namorados» fosse ter com ela à palhota onde dormia. O outro, que não ignorava que o régulo se ausentara, também resolveu ir visitar a «comadre». Quando este bateu à porta da palhota, a mulher do régulo, reconhecendo-o pela voz, sentiu-se um tanto atrapalhada, mas, recuperando o sangue-frio, lembrou-se do seguinte estratagema: mandar o primeiro para debaixo da sua tarimba de «querintins», alegando ser o marido que chegara inesperadamente… Assim feito, abriu a porta e recebeu o outro.
Porém, não tinham passado momentos, quando, realmente, o régulo, inesperadamente, chegou com a sua comitiva e tambores, A mulherzinha, novamente cm apuros, quedou uns momentos e resolveu a situação desta forma: ao quc acabava dc entrar ordenou que se munisse de uma espada fula, pondo-se à porta da palhota gritando e batendo com a espada nos «querintins» [canas de bambu entrançadas, que podem formar paredes ou esteiras]. O homem, não menos aflito, assim o fez.
O régulo, ouvindo barulho na direcção da palhota da sua mulher, dirigiu-se imediatamente para lá a fim de indagar da causa de tal algazarra. Ao chegar, a mulher explicou: «Homem poderoso, este homem, que aí vedes, está furioso porque dei asilo a um outro que está debaixo da minha cama e que fugiu à sua perseguição; diz este que o desgraçado que se acoitou na minha palhota lhe deve cinco réis, há um ano, e não lhe paga; por isso, por vingança, deseja agora matá-lo. O que se encontra debaixo da minha cama, sabendo-vos ausente, vendo que só em minha casa estaria seguro, para cá se dirigiu, e, realmente, o outro não ousou entrar temendo a nossa vingança».
O régulo encarando a questão com bastante calma, tirou da funda algibeira do seu «Sabadaro» cinco réis, pagou ao homem e mandou os dois em boa paz.
Assim a mulher salvou a situação dos três.

Conto fula
 contado por A. Gomes Pereira, Secretário de circunscrição civil

4 de outubro de 2011

271- Gago Coutinho sobre Nuno Tristão e a descoberta da Guiné

Gago Coutinho fez, com Sacadura Cabral, a primeira travessia aérea entre a Europa e a América do Sul em 1922. Em 1943, no veleiro Foz do Douro, refez a rota de Pedro Álvares Cabral para o Brasil. Foi membro da Academia de Ciências de Lisboa.
Fala aqui sobre a descoberta da Guiné e Nuno Tristão, o seu fim infeliz. Como muitos acha que ele não morreu no depois chamado Rio Nuno, no sul da Guiné, já muito na Guiné Francesa. Acha que foi no Rio Grande, o nome que deram na altura ao Rio Geba. Mas não é essa a opinião de muitos investigadores. Acham, como Avelino Teixeira da Mota, que foi no Rio Gâmbia que ele morreu (ver aqui).

3 de outubro de 2011

270-Alterações forçadas à escrita e nomes da Guiné

Chamaram Nova Lamego a Gabú, que já era Gabú, chamaram Teixeira Pinto a Canchungo, que já era Canchungo, e, agora, Aldeia Formosa a Quebo. E raio do acordo ortográfico pai também fez das suas naquela altura... Mas gostava que alguém me dissesse se viu o tal centro comercial...
«...

Mudança do nome da povoação de Quebo e criação de um centro comercial
O «Boletim Oficial» n.º 39. de 27 de Setembro, insere a Portaria nº 100, segundo a qual :
Convindo dar execução ao que foi decidido na última Conferência dos Admi­nistradores no que respeita à criação de um centro comercial na região de Contabane da Circunscrição Civil de Fulacunda, agora bastante valorizada pela construção da passagem submersível do Saltinho;
Considerando que igualmente foi decidido que o novo centro comercial se localisasse na povoação de Quebo, que passaria a denominar-se «Aldeia Formosa», tendo em vista a Portaria n." 10, de 11 de Fevereiro dc 1946;
O Encarregado do Governo da Colónia da Guiné, etc., determina:
1.º Que a povoação de Quebo da circunscrição civil de Fulacunda passe a denominar-se Aldeia Formosa;
2.º Que seja criado nessa povoação um centro comercial.
«...
Normas de escrita dos nomes geográficos
Mais uma importante medida promulgada pelo Governo da Colónia em defesa da nossa língua, por vezes tão maltratada na Guiné. Ela deve associar-se à Portaria n.º 10, de 1946, do aportuguesamento dos nomes e às imposições de nomes portu­gueses a várias povoações, conforme temos aqui noticiado.
Transcrevemos na Íntegra o texto da Portaria n.º 71de 7 de Julho.
«A poucos terão passado despercebidas as dúvidas, para não dizer as confusões, que a cada passo surgem com a grafia dos nomes geográficos da Guiné.
Na verdade, seria preciso ser deveras cuidadoso para escrever com acerto pala­nas cuja pronúncia nem sempre é fácil de aprender e por vezes difere, até entre os grupos étnicos que povoam a mesma região, para não falar dos outros.
Mas além desta dificuldade, que seria de considerar e admitir, surge-nos, porém, o mais estranho desprezo por parte das pessoas responsáveis - que não serão só as autoridades, mas todos os civilizados - pela escrita e pela pureza das palavras, detur­pando-as sem rebuço, não só na pronúncia como na ortografia. Esta é por vezes inconcebível, e só uma ignorância lamentá vel da nossa língua - e, evidentemente, de qualquer outra - pode explicar,
Aliam-se estes casos tristes ao pouco interesse que tem havido pela expansão da lingua portuguesa e até por vezes ao gosto lamentável de adulterar as nossas palavras e os nossos hábitos, confundindo-os, rebaixando-os, com os elementos que, pelo contrário, seria necessário elevar.
Também aqui se verificam as tradicionais deformações provenientes da leitura de cartas hidrográficas feitas por estrangeiros, que escreveram na sua língua os nomes que ouvir-nu e que agora nós lemos com sons diferentes; por exemplo, a ilha de «Jeta», escrita pelos ingleses como «Jata» e depois assim copiada por nós. Outras confusões resultariam ainda de má impressão das cartas, tais como: ilha das Areias, ou Areas, hoje conhecida por Arcas; ilha do Mel, em vez de Meio; Corbelha, por Caravela.
Certos casos de adulteração de nomes dificilmente terão remédio; Bafatá, Gabú e tantos mais ficai ão talvez a balizar uma estrada de ignorância e mau gosto. Haverá, no entanto, possibilidade de deter a onda infecta, antepondo-lhe uma norma, não diremos perfeita, evidentemente, mas, pelo menos, estudada e meditada, sob a dupla égide da razão e do interesse nacional.
Dois aspectos vamos fixar, primeiro, registando os nomes tais como a história ou 0<; povoo; aborígenes os conservaram, ou pela escrita ou pela pronúncia. Segundo, dando-lhes agora urna ortografia que não pode ser outra senão a oficial, a do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro, de 10 de Agosto de 1945, aprovado pelo Decreto n.º 35228, de 8 de Dezembro do mesmo ano. Nós não temos tch, nem y, nem k, nem outras fantasias cujo emprego denuncia por vezes uma pretensa cama­dinha de verniz sobre uma incultura espessa.
Nem sempre será fácil adaptar sons complexos à nossa grafia, mas nada se perderá em os aproximar ele/a tanto quanto possível.
Ficará para mais tarde, ou para melhores mãos fazer a obra de depuração que se impõe: substituir definitivamente por nomes portugueses os nomes estranhos que povos que vieram muito depois de nós souberam impor, na presença dos Portugueses, revelando assim qualidades que parecem não terem interessado a muitos coevos com­patriotas nossos e faltam com certeza aos que hoje ainda se embasbacam e fazem gala em adoptar, e até cm descobrir, tão exótica toponímia.
Por agora, começaremos pela publicação de algumas normas e de uma primeira relação de nomes, a que outras, certamente, se seguirão, logo que haja possibilidade de recolher mais numeroso. e mais seguros elementos.
Nestas condições, o Governador da Colónia da Guiné, no uso das faculdades que lhe são atribuídas pelo artigo 31.º do Acto Colonial e pelo nº 19.º do artigo 33: da Carta Orgânica do Império Colonial Português, determina:
Artigo Lº Que na escrita dos nomes geográficos indígenas sejam observadas as normas que fazem parte integrante desta portaria.
Art. 2.º Que seja observada oficialmente a ortografia que consta da primeira relação de nomes geográficos que faz parte integrante desta portaria, devendo para esse efeito uma separata estar sempre patente para consulta em todas as secretarias dos serviços públicos, incluindo os postos e delegações isolados.
Art. 3.º Que sejam desde já alterados todos os impressos, selos e registos e se proceda a todas as diligências para fazer vigorar a ortografia indicada.
Cumpra-se.
Residência do Governo da Colónia da Guiné, em Bissau, 7 de Julho de 1948. - O Governador, M. M. Sarmento Rodrigues, capitão-de-fragata.

Normas gerais para observar na escrita dos nomes geográficos da Guiné Portuguesa
I. São banidas todas as formas dj, sendo substituídas por j (Jabicuuda, Guileje).
2. A terminação am é banida, sendo substituída por:
a) ã ou ão - sempre que se trate de som nasal ou que dele também se apro­xime (Bissorã, Biribão};
b) ame ou a sempre que não se trate de som nasal (Darsalame, Binta),
3. As terminações am/ podem ser substituídas, em casos especiais, por ão (Copelão) .
4. A terminação on deverá ser sempre substituída: por ão (Bissilão), por om (Ocom) ou por one (Cantone),
5. A terminação li é substituída por le ou l sempre que se trate de palavra com acento tónico na vogal que antecede o I (Xitole, Mansal), mas é mantida sem­pre que a palavra seja aguda (Jagali).
6. A; terminações, bi, li, qui, di e ti são substituídas por be, ne, que, de e te, mudos, sempre que se trate de palavras graves (Dulombe, Mansomine. Quique, Sare Bode, Caansate), mas são mantidas sempre que as palavras sejam agudas.
7. O som tch ou tx será grafado com ch (Piche, Cholufe). O som x, tal como cm xarope, será representado por x (Pecixe, Xime),
8. O h, quando aspirado, deve ser mantido (Home).
9. Quando se trate de palavras não agudas, mas terminadas em a ou e francamente abertos, devem essas vogais escrever-se com acento grave, a fim de não alterarem a acentuação túnica (Uelíngarà, Quitáfinê ), devendo contudo suportar-se a escrita correspondente à pronúncia, embora errada, consagrada pelo uso de palavras tais como Bafatá (os fulas dizem Báfata).
10. O u mudo não tónico final deve sempre substituir-se por o. Tolerar-se-à o uso inveterado de Gabú, que devia ser Cabo.
11. O topónimo mandinga cunda constitui sempre sufixo ligado à raiz (Bajo­cunda).
12. Os topónimos e serão escritos separadamente sempre que as palavras que precederem sejam de origem portuguesa ou comecem por vogal (Gã Grande, Gã Júlio, Cã Ieorofim); em todos os outros casos os topónirnos e serão consi­derados prefixos e ligados aos nomes respectivos, com as formas gã, cã, gam, cam, gan e can, conforme as regras da ortografia portuguesa (Ganhala, Camamadu, Gam­pite, Cambasse, Candemba, Canchicamo),
13. Sinchã é a forma correcta de escrever o topónino fula que designa povoa­ção nova, constituindo sempre uma só palavra.
14. Sare é a forma correcta de escrever o topónimo fula que nomeie povoação não recente, constituindo sempre uma só palavra.
Esta portaria e normas são acompanhadas de uma extensa e laboriosa «Pri­meira relação de nomes geográficos da Guiné Portuguesa», escrito, segundo a orto­grafia oficial, contendo cerca de 2.800 nomes de povoações, fontes, ilhas, pontas, rios, regulados, cidades, canais, bolanhas, pontes, reinos, lugares, postos, bancos, terri­tórios, portos, lagoas, circunscrições, rápidos, ilhéus e esteiros, baixos, rias, cabos, cachoeiras, colinas, vilas e matas.
É de esperar que termine assim a anarquia da escrita dos nomes geográficos da Guiné, não só por parte dos serviços públicos como ainda entre os particulare­s, os quais sem dúvida hão-de compreender o alcance de tão patriótica medida.»