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25 de outubro de 2011

284-Cacheu e o comércio de escravos

Cacheu e o seu forte (fonte: Wikipedia)


Gonçalo Gamboa Aiala foi nomeado capitão-mor do Cacheu em 1644, depois da Restauração. Antes, era esta a situação:

« (...) Apoiados em André Álvares de Almada, contemporâneo dos factos, poderemos concluir que em 1581-82 (2) já os portugueses es­tavam instalados nas margens do rio de S. Domingos, onde nego­ciavam em couros, cera, marfim e escravos, que compravam aos buramos ou papéis, os quais lhes resistiam e humilhavam. Para se libertarem destas dificuldades, em 1588, e por iniciativa do feitor dos rios, Manuel Lopes Cardoso, cabo-verdiano, obtêm licença do chefe da terra, Chapala, para fazerem uma fortificação no sítio de Cacheu com o pretexto de se defenderem dos navios inimigos. À volta do forte, construído e artilhado a expensas dos moradores, começaram a surgir as habitações e pouco depois os comerciantes e lançados abandonaram a aldeia indígena e fixaram-se no novo povoado.
Os papéis não reagiram bem a esta atitude e em segredo orga­nizaram o assalto à povoação. Avisados por duas negras do ataque que se perpetrava, os portugueses prepararam a defesa e consegui­ram repelir os assaltantes.
Vejamos como André de Almada descreve este acontecimento que ocorreu em 1590:
«Durou a guerra três dias, nos quais foram mortos muitos negros, e da parte dos nossos não morreu pessoa nenhuma; os quais, vendo quão mal lhes ia do partido se recolheram, e daí a poucos dias tomaram a rogar aos nossos os recolhessem e aceitassem na amizade em que dantes estavam. E são amigos, vivendo os nossos na sua povoação e eles na sua, e assim tratam uns com os outros.» (3)
A povoação cresceu e em 1594 já os seus habitantes acultura­dos se podiam contar por algumas centenas, de acordo, mais uma vez, com Álvares de Almada que informa haver «quaresma em que se confessam setecentas e oitocentas pessoas, entre brancos e pre­tos,(4) e não falta mais que pôr Sua Magestade justiça nela, queren­do-a fazer vila.» (5) Na verdade, Filipe I, atendendo à importância crescente deste porto, resolveu dar-lhe, em 1605 (6) o título de vila «e conçedeo algús priuilegios exortando os a viuerem com policia e justiça, mas os moradores não acceitaram isto, e estão como aleuantados.» (7) Continuaram, portanto, a viver como até aí, sem polícia, nem justiça, e na dependência dos grandes mercadores de escravos.
A autoridade era exercida pelo capitão dos contratadores que chefiava os feitores dos rios, seus agentes e intermediários. Subor­dinado ao governo de Cabo Verde, praticamente exercia funções de capitão-mor.
Oficialmente, porém, só em 29 de Dezembro de 1614 (8) é nomeado por Nicolau de Castilho, governador de Cabo Verde, o pri­meiro capitão e feitor de Cacheu. A escolha recaiu em João Tava­res de Sousa a quem foi dado um regimento que recomendava a reparação da fortaleza; a paz com os reis e senhores da terra; a difusão da religião católica; a fiscalização da navegação e comér­cio de estrangeiros; a proibição da venda de cera e marfim e da entrada em Cacheu do algodão da Gâmbia, de S. Tomé e de outras partes; o controlo do preço dos escravos; o reenvio das mulheres cristãs que por causa da fome fugiram de Cabo Verde e se refu­giaram na Guiné.
Meses depois, em 4 de Abril de 1615, (9) é designado novo capitão-mor, Baltasar Pereira de Castelo Branco, e desta vez por nomeação régia. O regimento, que vai regular toda a sua actividade como «capitão das pouoações de Cacheu, Rio Grande, e de Sam Domingos, e dos mais da conquista de Guine que são do distrito das jlhas do Cabo Verde», (10) contém diversos capítulos respeitan­tes à evangelização, à necessidade da construção de uma fortaleza para defender o porto e impedir o comércio com estrangeiros, para além de outras instruções sobre o governo e o comércio da Guiné.
O último lembra a sua subordinação ao «gouernador das ilhas do Cabo Verde, de cujo distrito são aquellas pouoações de Guine, porem o dito governador vos não poderá tirar nem suspender de nenhúu dos cargos de que vos encarrego.» (11) Por um lado, man­tém-se a dependência teórica, mas não prática, porque aquela auto­ridade não o podia destituir de qualquer cargo, o que lhe dava uma certa segurança e autonomia.
Os regimentos que foram dados posteriormente mantiveram no essencial o mesmo formulário.
Antes de entrar na época posterior à Restauração, e para fina­lizar esta pequena e sucinta análise de Cacheu, é preciso acentuar que este porto era o mais frequentado de toda a costa da Guiné e onde afluía o maior número de escravos. A ele se vinham fornecer os navios de Lisboa, da ilha de Santiago e de Sevilha, para além dos franceses, ingleses e holandeses que, sem licença das autorida­des, negociavam directamente com as populações autóctones.
Ao findar o período filipino, a praça de Cacheu continuava a ser dominada pelos grandes mercadores de escravos que detinham o poder, provocando com a sua prepotência a indisciplina.
Os meios de defesa eram quase nulos apesar de tantas vezes se ter ordenado a construção de uma fortaleza e de ser tão insegura a vida em Cacheu por causa. da resistência dos africanos a quem nem mesmo os constantes presentes conseguiam apaziguar.
Podemos, em resumo, concluir o seguinte: a situação económica era má; a anarquia e a indisciplina campeavam em consequência dos abusos cometidos pelos comerciantes espanhóis e outros estran­geiros; a concorrência movida pelos lançados, judeus e cristãos-­novos, que actuavam activamente como intermediários dos estran­geiros, criava dificuldades aos comerciantes da terra e tudo isto era agravado pela fome que grassava em vastas zonas daquela região. 

(2) André Álvares de Almada - Tratado breve dos Rios de Guiné do Cabo Verde. Lisboa: Editoria1 L.I.A.M., 1964, p. 77.
(3) Idem, ibidem, p. 72.
(4) A Igreja de Nossa Senhora do Vencimento do porto de Cacheu, no rio de S. Domingos, recebeu o seu primeiro vigário, Fernão Novais de Quiroga, em 20 de Fevereiro de 1598. (António Brásio - Monumenta Missionaria Africa­na. África Ocidental. Segunda Série. Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1964, vol. 3, p. 407).
(5) André Álvares de AI!TIada - Ob. cit., p. 72-73. (6) AHU - ConseLho ULtramarino, cód. 45, fi. 341.
(7) António Brásio - Ob. cit., Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1968, vol. 4, p. 210.
(8) AHU - Guiné, ex. 1, doc. I; BoLetim do Arquivo Histórico Colonial.
Lisboa, 1950, vol.jl , p. 203-206; António Brásio - Ob. cit., vol. 4, p. 568-572.
(9) AN1T - Leis, Iiv. 3, fls. 24-26; José Justino de Andrade e Silva - Co­leoção cronológica da legislação portuguesa. Lisboa: Imprensa de lJ.A.Silva, 1855, vol. 2, p. 127-129; António Brásio - Ob. cit., vol. 4, p. 573-576.
(10) Idem, ibidem.
(11) Idem, ibidem.»

23 de outubro de 2011

283-A revolta dos Mais Velhos 1998-1999


Guerra civil na Guiné-Bissau. As razões da revolta expressas pelos cinco comandantes do cerco a Bissau: Tagma Na Way, Bubo Na Tchuto, Bidom Na Montche, Lassana Ni Danni e Almame Alan Camará. Venceram a guerra, mas não venceram Nino Vieira, resgatado de Bissau pela comunidade internacional. Mais tarde, o ditador voltou, venceu eleições e recuperou a presidência. E começaram a morrer, um por um, todos os que lhe tinham feito frente na guerra de 1998/99. Destes cinco, apenas sobreviveu Bubo Na Tchuto.
Autor: Carlos Narciso

282-No percurso de guerras coloniais

Obrigado, meu amigo. 
Mário Moutinho de Pádua foi o primeiro oficial português a desertar em Angola, em 1961. Narra neste livro a sua experiência a seguir à deserção, a prisão e a tortura que sofreu no Congo, a sua passagem pela Checoslováquia e na Argélia recém-libertada do colonialismo francês.
O escritor angolano Pepetela assina o prefácio da obra e refere:
«(...)Finalmente o seu apoio como médico ao PAIGC na Guiné. Mais uma vez, histórias de pessoas com quem se deu, dos militantes que conheceu, dos líderes com quem discutiu. A história de África moderna e combatente vista a partir de um hospital, a política africana analisada a partir de dados pessoais. Muitos grandes combatentes pela liberdade aparecem como pessoas, apenas isso. Nem é preciso dizer que são grandes, pois eles o mostram mesmo sem quererem. A década de sessenta e o livro ter­minam com afrustrada mas criminosa tentativa da tropa portuguesa em atacar Conacri e decapitar o PAIGC.
Como o seu primeiro, este livro servirá para dar a conhecer muitos aspectos das lutas de África contra o imperialismo. E também a luta e a determinação dos portugueses que se opuseram ao salazarismo e fizeram finalmente o 25 de Abril.
Mas, a meu ver, ele é, acima de tudo, um auto-retrato impressionante de um homem justo. Porque Mário Pádua, antes de ser um combatente corajoso e de ideias firmes, alguém que sempre se bateu pelos seus ideais, é um homem bom, um homem que conhece as fraquezas dos outros e procura ajudá-los, que percebe as tibiezas e as traições, mas não se vinga delas, apenas desejando a justiça para os injustiçados de todas as sociedades, indiferentemente da cor da pele, do sexo, ou classe social. Continua um homem bom, tentando compreender porquê o mundo não é o que merecia ser. Nem o homem.»
Vou transcrever aqui uma situação que me toca particularmente: o que ele diz do soldado Manuel Fragata Francisco, que eu conheci bem, quando foi do meu pelotão, ferido e aprisionado pelo PAIGC em Sinchã Jobel em 16DEZ67, durante a operação Invisível:
«Em matéria de soldados portugueses a nossa coroa de glória foi o Manuel Fragata, em cima da maca durante uma semana, às mãos dos soldados do PAIGC, desde o sítio onde as balas lesaram gravemente o joelho, impe­dindo a marcha. Não quiseram deixá-lo morrer. Como todos os outros chegou em estado infeccioso complicado. Quando comecei a tratá-lo li nos seus olhos o medo de ser vítima de manipulações cruéis.
Devo reconhecer que a limpeza cirúrgica em zonas do corpo muito sensíveis causava obviamente dores intensas e durante as primeiras sessões,  sempre demoradas, muitos dos feridos não conseguiam reprimir os gemidos.
Eu não queria que o Fragata julgasse que eu o magoava voluntariamente. mas não tinha outro meio. Uma anestesia eficaz, repetida, não estava ao nosso alcanse. Ainda por cima a rótula tinha sido parcialmente estilhaçada e tive de extrair alguns pedaços. Enfim com alguma sorte a ferida curou-se e, apoiado em canadianas, o Manuel Fragata recomeçou a andar. Na ala onde ele se encontrava, as relações entre o soldado português e os seus vizinhos de cama foram-se estreitando.
O Luí Cabral manifestava por ele desveIos especiais. Trazia-lhe cigarros, o que eu não podia fazer, porque natu­ralmente não recebia nem aceitaria salário. O dinheiro da recente herança do meu avô estava na Suíça e eu não sabia como mobilizá-lo. O Manuel Fragata repartia os cigarros e algo muito semelhante à camaradagem se desenvolveu entre aqueles homens ,um português e muitos guineenses que a guerra não conseguiu antagonizar.
O PAIGC entregou-o à Cruz Vermelha no Senegal e ele voou para Portugal. Infelizmente já depois do 25 de Abril veio a sucumbir num acidente de moto.
A obediência às directrizes do PAIGC quanto aos soldados inimigos pode ser medida pelo seguinte episódio. Eu estava em casa do Luís Cabral conversando com ele quando entrou um do dirigentes do PAIGC no Norte, o Lai. Muito excitado avisou o Luís:
- Os prisioneiros chegaram à fronteira. É preciso comprar manteiga.
Sabendo que a alimentação no Lar era pobre, monó­tona, às vezes escassa, essa preocupação punha em evi­dência que aqueles prisioneiros gozaram de maiores atenções que os próprios combatentes. Improvisou-se um alojamento separado, uma barraca, para eles dormirem alguns dias, sob vigilância e em breve foram entregues à Cruz Vermelha senegalesa. O Lai, de natureza pouco risonha, não procurara impressionar o Luís. Estava sim seguro de cumprir o procedimento padronizado pelo Partido.»
E, de facto, não foi em Ziguinchor mas cá que o Fragata, ribatejano de Alpiarça, morreu num acidente de motorizada, infelizmente.

20 de outubro de 2011

281-Documento histórico... impressionante

Acabei de ler este livro do José Rodrigues dos Santos. Lá mais para o final, o autor faz o relato de um massacre feito em Moçambique durante a guerra colonial. Embora embrulhado no contexto ficcional da obra, sei que foi real e lembrei-me de um documento divulgado antes do 25 de Abril em que o padre comboniano Luís Afonso da Costa fez a denúncia de várias situações do género. Fazendo um intervalo nestas "coisas da Guiné" é isso que mostro aqui. Andei sempre no mato, em patrulhas e operações, mas nunca vi nem tenho conhecimento de situações como estas na Guiné, não tanto... Alerto os mais sensíveis para a dureza e realismo das descrições e de algumas imagens.
(Para ver em ponto grande clicar no X em baixo à direita)


18 de outubro de 2011

280-Movimentos de Libertação em destaque no doclisboa 2011


O IX Festival Internacional de Cinema arranca esta quinta-feira em Lisboa e assinala os 50 anos da Guerra Colonial com o ciclo "Movimentos de Libertação em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau (1961-1974)". Ana Glogowski, directora do doclisboa, diz que "nunca mais se fez cinema assim".

De 20 a 30 de Outubro, o doclisboa volta a trazer à capital uma selecção de documentários. Serão mais de 180 filmes em exibição na Culturgest, Cinemateca, Cinemas São Jorge e Londres e Teatro do Bairro. Mas também as habituais masterclasses gratuitas, encontros informais com realizadores e retrospectivas do trabalho de Jean Rouch e Harun Farocki.
O programa deste ano oferece também uma uma retrospectiva histórica de filmes sobre as guerras de libertação das colónias portuguesas em África. Segundo o programa do festival, trata-se de "um resgate das obras cinematográficas mais significativas filmadas junto dos Movimentos de Libertação, cuja raridade e dispersão prometem reflexão, descobertas e emoção".
Para a directora do Festival, o ponto comum aos 15 filmes deste ciclo é “uma espécie de presença por trás das fronteiras da guerrilha” que mostra “a guerra de dentro”. “Filmavam em condições de trabalho muito difíceis. Iam sozinhos, com câmaras muito mais pesadas do que as de hoje, com som separado”, recorda Anna Glogowski em declarações à agência Lusa.
“Hoje as coisas são muito mais imediatas. Você filma com qualquer coisa. Com um objecto pequeno você pode quase fazer um filme”, destaca, comparando com os cineastas que "partiam para o outro lado do mundo, com equipamento em película, e depois só viam aquilo que tinha sido filmado quando voltavam para casa".
“Foi muito complicado conseguir reunir esses filmes, porque foram filmados em 16 milímetros, em formato totalmente diferente, há umas cópias que estavam estragadas”, sublinha Anna Glogowski. “Têm um arzinho meio antiquado”, mas ao mesmo tempo lembram à juventude de hoje um contexto de “ditaduras e guerras”, acrescentou a directora do doclisboa 2011.
...
 http://www.esquerda.net/ARTIGO | 18 OUTUBRO, 2011 - 12:06

17 de outubro de 2011

279-Um livro sobre a ARA


Da contra-capa:

A ARA foi uma organização criada pelo PCP para a luta armada contra a ditadura fascista. Activa entre 1970 e 73, realizou acções armadas com grande impacto político, algumas tão espectaculares como a do comando que penetrou na Base Aérea 3, em Tancos, em 1971 e destruiu ou danificou 28 aviões e helicópteros.
Este livro é a narrativa, ao vivo, de cada uma das acções da ARA, do secreto e tormentoso processo da sua criação, da furiosa perseguição desencadeada pela PIDE e também de como um clandestino viveu os últimos dias da ditadura e se deslumbrou com essa inolvidável explosão de alegria de um Povo que foi o 25 de Abril de 1974.
Não é um ensaio político nem uma enumeração de factos. É o registo - por quem a viveu - da luta abnegada, das aventuras, medos, raivas, coragens, de homens e mulheres com nome e rosto, quase todos ainda vivos, e que andam por aí, na la­buta do dia a dia, iguais a todos os outros, iguais a todos nós.
«Quem não viveu aqueles tempos ... aqueles tempos de PIDE e Tarrafal, de Mocidade Portuguesa e saudação fascista de braço no ar, de Censura Prévia e Cardeal Cerejeira a abençoar Salazar, de exílio e sindicatos proibidos, de exploração desme­dida e perda do emprego por razões políticas, de banimento da função pública e da Universidade ... Tempos em que uma telefonista não podia casar para não prejudicar o trabalho ou se casasse perdia o emprego; em que um oficial das forças armadas só podia casar com uma mulher que os superiores considerassem digna da sua classe. Tempos em que as mulhe­res não podiam votar nas eleições fantoches e o chefe de família era o dono da mulher e o dono dos filhos. Quem não viveu esses tempos de medo, de pobreza, exploração, arbítrio e mesquinhez não consegue avaliar. E sem saber isto, pode até pensar que as pessoas que iam para a clandestinidade eram heróis, loucos ou mártires quando na realidade eram pessoas como as outras. Talvez mais informadas, mais indignadas ou mais trituradas pela engrenagem.» 
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Ver aqui também o que foi a ARA e os seus operacionais

14 de outubro de 2011

277-Revolta

Este é o José António Almeida Rodrigues. 
Esteve na quarta-feira passada num almoço no Milho Rei, em Matosinhos, com outros ex-combatentes, levado pelo seu conterrâneo José Manuel Lopes. Uma altura, como outras, em que é difícil não deixar transparecer o desejo de revolta contra aqueles que, sem um mínimo de vergonha, têm ignorado os problemas dos ex-combatentes. Em especial os daqueles como o José António. Vejam o que diz o Zé Manel sobre este caso:

«O José António é natural do Peso da Régua, em Junho de 1971 assentou praça no RI 13 Vila Real, três meses depois foi colocado em Abrantes integrado na 2ª. Companhia do Batalhão 4518 e em 24 de Dezembro partiu para a Guiné.
A sua Companhia foi destacada para Cancolim dela faziam parte um Alferes natural de Lamego, que me disseram ser actualmente professor, e que não consegui ainda contactar, o Alferes João Pacheco Miranda, actualmente correspondente da RTP no Brasil.
Em Junho de 1971 foi feito prisioneiro pelo PAIGC, foi levado para Conacry donde em 1973 após o assasinato de Amilcar Cabral foi enviado para uma zona libertada na Guiné Bissau, Madina do Boé. Eram seus companheiros de cativeiro o nosso "morto/vivo" António Silva Batista de Gaia, Manuel Vidal de Castelo de Neiva, Duarte Dias Fortunato do Pombal, António Teixeira da Lixa, Mauel Fernando Magalhães Vieira Coelho do Porto, Virgilio Silva Vilar de Vila da Feira e Jacinto Gomes de Viseu.

Durante quase um ano a sua casa foi em Madina do Boé de onde em 7 de Março de 1974, aproveitando um momento em que a vigilânçia abrandou, se dirigiu na direcção do Rio Corubal para tentar a fuga. Andou 9 dias ao longo Rio, até encontrar dois nativos que andavam numa plantação junto ao rio. Um deles de motorizada levou o José António até ao Saltinho. Depois foi transportado para Aldeia Formosa, para ser levado para Bissau. Como naquele tempos díficeis a via aerea já não reunia muias condições de segurança devido aos Stellas, foi transportado em coluna até Buba e dai de LDG para Bissau. Apesar de ser meu conterraneo, na altura não o reconheci, e tal me foi comunicado pelo Cabo do SPM de Aldeia Formosa Camilo também natural da Régua.
Após o regresso em Agosto de 1974, procurei saber da sua situação. Levava uma vida muito complicada, pois se tornou pouco sociável (como muitos de nós), mas não teve uma rectaguarda ou seja um suporte familar que o protegesse e os conflitos eram frequentes. Internado várias vezes, de onde fugia sempre que podia (tornou-se um hábito), foi mais tarde colocado numa casa de acolhimento onde agora vive melhor e é bem tratado. Porém sobrevive com uma pensão de incapacidade de apenas 246 €, o que de facto é insuficiente, para o seu sustento e agora aproveito para agradecer publicamente à familia que o recolheu especialmente à D. Juvelinda que com tanto carinho o trata.
Mas por incrível que pareça, até do miserável suplemento especial de pensão que anualmente é atribuido a antigos combatentes (150 € ano) apenas recebe 75 €, pois como foi capturado com apenas 7 meses de Guiné, o tempo que passou quase 3 anos como prisioneiro não foi considerado!!!
A propósito deste SEP p/Antigos Combatentes, eu propunha que tal verba fosse prescindida por todos aqueles que tem uma reforma acima de determinada importância em favor daqueles ex-combtentes com reformas inferiores ao salário mínimo. Isto para fazer sentir a quem nos governa, que tal esmola nos envergonha e que temos um sentido de solidariedade muito diferente dos políticos que nos têm governado.
Um abraço a todos.
»
José Manuel Lopes

13 de outubro de 2011

276-O que foi a ARA

Extraído do livro "As Explosões que Abalaram o Fascismo", Jaime Serra, Editorial Avante SA, Lisboa, 1999:

«...

1.   Objectivos e princípios orientadores

A ARA não se propôs substituir a luta dos demo­cratas, dos trabalhadores, da juventude e das massas populares contra o fascismo e contra a guerra colo­nial. A ARA propôs-se, sim, conduzir a sua activi­dade no quadro dessa luta, desencadeando acções violentas contra o aparelho de Estado fascista e contra a máquina de guerra colonial, de modo a en­fraquecê-los e desorientá-los psicologicamente, esti­mulando desse modo a luta do povo português pelo derrubamento do fascismo e a luta dos povos colo­niais pela sua libertação.
Recorrendo à violência revolucionária, a ARA teve como objectivo contribuir para a criação de con­dições que, no desenvolvimento da luta política geral, conduzissem à insurreição popular armada que defendíamos, como foi, de certo modo, a Revolução de Abril de 1974.
Na sua actividade revolucionária, a ARA orientou­-se por princípios muito rigorosos e regras muito cla­ras, tais como:
1.º - Seleccionar apenas objectivos materiais, evitando cuidadosamente a perda de vidas humanas no decorrer das suas acções;
2.° - Definir objectivos acessíveis, tendo sempre em conta a força real própria e a força e dispositi­vos do inimigo fascista, atacando onde ele pudesse estar mais desprevenido;
3.° - Não confundir iniciativa e audácia com precipitação e aventureirismo;
    4.° - Os objectivos a atingir deveriam ter sempre em conta a conjuntura política e estar enquadrados na acção das massas, verdadeiro motor da revolução; 
    5.° - Após cada acção, retirar sempre as expe­riências e ensinamentos positivos e negativos.
   Deve dizer-se que a definição e o rigoroso cum­primento destes princípios contribuíram para impedir que as acções armadas pudessem eventualmente res­valar para qualquer forma de terrorismo político ou que se viessem a confundir com os conceitos extre­mistas defendidos por alguns dos diversos grupos «esquerdistas» então existentes.

2.   A autonomia da ARA

Sendo a constituição da ARA uma iniciativa do PCP e sendo os seus principais quadros membros do PCP, pode perguntar-se: Qual o grau de autonomia de que dispunha esta organização revolucionária relati­vamente ao Partido?
Se é verdade que, no plano político, a ARA ac­tuava em estreita consonância com a linha política e os objectivos do PCP, no plano da sua direcção, or­ganização e acção específica. a ARA constituía uma organização autónoma. O seu Comando Central era responsável pela selecção, preparação e execução das acções a empreender. Era igualmente responsável pela selecção, controlo e acompanhamento dos qua­dros que participavam na sua organização, quer fos­sem do Partido quer de outra origem política.

3.   O tipo de acções

   As características das acções da ARA decorriam directamente dos objectivos propostos com a sua for­mação. Para além do efeito político das suas ac­ções, visava-se a destruição de material e não a liquidação de pessoal. Por essa razão, a ARA não utilizava o que é vulgarmente conhecido na gíria popular por «bomba»: um invólucro, maior ou me­nor, carregado com explosivos e projécteis metálicos que, ao explodir, espalha uma carga mortífera constituída por esses projécteis. A ARA utilizava apenas cargas explosivas, cuja composição e potência eram suficientes para derrubar, perfurar ou incendiar os objectivo em vista. Além disso, essas cargas eram colocadas junto dos objectivos, no momento mais próximo possível da hora previamente determinada para o seu rebentamento, nas chamadas «horas mor­tas». Nestas condições, o risco de se causar perdas de vidas humanas era reduzido ao mínimo possível.
A este propósito, deve dizer-se que a PIDE e o aparelho de propaganda fascista procuraram sempre esconder esta distinção, falando repetidamente na colocação de «bombas» e em «terrorismo», quando se referiam às acções da ARA, procurando desse modo, de forma alarmista, incutir no espírito das pessoas simples a ideia dos «graves» riscos de per­das de vidas que tais acções poderiam provocar en­tre a população.
Os exageros nesta matéria chegavam a atingir as raias do ridículo como no caso verídico que nos foi então contado, em que um inflamado defensor do re­gime fascista verberava em público uma determinada acção da ARA (o corte das telecomunicações aquan­do da Reunião do Conselho Ministerial da NATO em Lisboa), afirmando: «Vejam só a desgraça que não seria se a "bomba" calha apanhar por ali criancinhas a brincar!...». Alguém perguntou então «ingenuamen­te» o que fariam por ali as criancinhas às três e meia da manhã... ?

4.   A organização e quadros

Dado o conhecimento que tinha dos quadros exis­tentes na época à escala nacional, com verdadeira disponibilidade para as tarefas inerentes a esta nova frente de luta antifascista e anticolonialista, foi rela­tivamente fácil fazer um apuramento e uma selecção dos quadros com condições para a rápida montagem do aparelho de que precisávamos (organização, ins­talações, materiais e depósitos para os mesmos, as­sim como um laboratório central) para dar início à actividade da Acção Revolucionária Armada (ARA).
Como se pode compreender, a ARA constituía uma organização altamente centralizada e disciplina­da, estando o seus membros perfeitamente conscien­tes da responsabilidade que assumiam e dos riscos que corriam ao participarem nesta organização. Em cada acção empreendida havia a preocupação de pou­par vidas alheias. mas cada um tinha a consciência de que punha em risco a sua própria vida.
De entre os quadros conhecidos pela sua firmeza revolucionária que se disponibilizaram prontamente para este tipo de actividade, e que constituíram desde o início o núcleo central da ARA, são de destacar os camaradas Francisco Miguel, Raimundo Narciso, Carlos Coutinho. António Eusébio e Ângelo de Sou­sa, um jovem quadro militar da Aviação, falecido prematuramente. Todos eles, não só dirigiram como participaram directamente, com grande coragem e espírito de sacrifício, na execução das mais importantes acções levadas a cabo pela ARA, arriscando a própria vida, desde a sua fundação em 1970 até à suspensão das suas actividades em 1973.
A ampla divulgação feita pela PIDE de nomes e fotografias de activistas da ARA, ao noticiar a sua acção repressiva contra esta organização, assim como os nomes dos principais quadros atrás citados, está longe de corresponder ao número e identidade de quantos, de um ou outro modo, deram à ARA a sua inestimável colaboração.

No decorrer da sua existência e em períodos dife­rentes, participaram na ARA dezenas de revolucioná­rios, homens e mulheres, em tarefas diversificadas e com responsabilidades também diversificadas, mas todas elas essenciais para o êxito final de cada uma das acções. Desde os quadros de apoio técnico, que contribuíram com os seus conhecimentos, as suas ins­talações, transportes pessoais, apoio financeiro, ma­terial e outros, até aos quadros operacionais, todos eles deram a sua contribuição para o prestígio e au­toridade que a ARA ganhou no quadro da luta polí­tica e da acção revolucionária. 

5.   O Comando Central

O Comando Central da ARA foi desde início constituído por um núcleo restrito de membros, to­dos então pertencentes ao PCP.
Sendo Lisboa a capital, a sede do governo e o principal centro da vida política económica e militar, situavam-se aqui a maior parte dos eventuais alvos das acções da ARA. Deste modo, por razões de operacionalidade, todos os membros do Comando Central, assim como os apoios logísticos mais impor­tantes, tais como o laboratório central, depósitos de materiais e outros meios técnicos, ficaram instalados na área da grande Lisboa. Também uma boa parte dos quadros operacionais e de apoio técnico residiam nesta região.
A ligação com a direcção do Partido, feita atra­vés do camarada Joaquim Gomes, então membro da Comissão Executiva, realizava-se também em Lis­boa.
Para a consideração, discussão e apuramento final de cada acção a levar a cabo, o Comando Central reunia sempre obrigatoriamente para uma reflexão e decisão conjuntas. Seguidamente, um dos seus mem­bros reunia com o comando seleccionado com vista ao estudo de todos os detalhes da operação.
A compartimentação logística era uma exigência de princípio. Cada um só deveria conhecer aquilo que precisa a para a execução das suas tarefas.
O «laboratório central», por exemplo (onde eram ensaiadas soluções. manipulados os materiais neces­sários a cada operação e preparadas as cargas respec­tivas), era de conhecimento e acesso muito restrito, tal como restrito era o conhecimento dos diversos «pontos de apoio» e depósitos de material então exis­tentes em várias zonas do país.
Mesmo no Comando Central, dada a situação de rigorosa clandestinidade em que se vivia e o ambien­te violentamente repressivo em que se actuava, o princípio da compartimentação era aplicado nalgumas áreas do nosso trabalho.
De início tudo foi muito difícil, navegávamos num «mar» completamente desconhecido. Por outro lado, trazíamos do trabalho «conspirativo» e de or­ganização do Partido uma cultura e uma concepção de defesa, particularmente da «defesa pessoal», que não era transponível para uma actividade daquela na­tureza, sobretudo se tivermos em conta que estava tudo por fazer.
A experiência demonstra que, quando se começa algo completamente novo, é à direcção que compete dar os primeiros passos. No caso da ARA, «é um tipo de acção em que, para o arranque, os dirigentes têm de dar o exemplo». (')
A desatenção por esta verdade e o receio de arris­car fizeram com que este sector estivesse um longo período praticamente inactivo, com efeitos pouco po­sitivos sobre os quadros já nele envolvidos. Francisco Miguel, um camarada altamente qualificado, conhe­cido pela sua firmeza e têmpera revolucionária, des­tacado para este trabalho, numa apreciação crítica à sua actividade, disse a certa altura: «Devo acrescen­tar que, durante bastante tempo, pareceu-nos que seria errado irem os mais responsáveis fazer pessoal­mente o reconhecimento dos objectivos. O tempo e a experiência convenceu-nos de que, nas condições concretas em que vivemos, o nosso critério de defe­sa era paralisante.»
Por mim, quando se punha esta questão, lembrava­-me sempre de um célebre episódio revelado num fil­me soviético, passado com o lendário comandante Tchepaiev e os seus soldados, no decorrer da guerra civil que eclodiu na Rússia, após a Revolução de 1917.
Em cima de uma tosca mesa, exemplificando o que dizia com batatas que apanhou ali à mão, perguntava aos seus soldados: «Quando iniciamos uma grande ofensiva contra o inimigo, onde deve estar colocado o comandante?»
Para de pronto ele próprio responder: «Aqui, bem na frente!» E colocava uma batata na vanguarda. E logo de seguida fazia outra pergunta: «E, quando as tropas já estão em marcha, dando combate ao ini­migo, onde deve estar o comandante?»
Mais uma vez voltava ele a dar a resposta, exem­plificando sempre com as batatas: «Neste caso, o comandante deve colocar-se na retaguarda, para bem dirigir as operações.»

6.   O reconhecimento dos objectivos

O reconhecimento dos objectivos, representou um dos aspectos mais importantes e mais delicados da actividade da ARA.
Após a apreciação da importância e oportunidade política de tal ou tal objectivo, o seu reconhecimento no terreno, isto é, o reconhecimento das condições concretas de acessibilidade, de viabilidade e do grau de vigilância existente, eram determinantes para a consideração dos meios materiais e humanos a em­penhar na operação.
Pode dizer-se que de uma correcta avaliação e de um rigoroso reconhecimento dos objectivos dependia muito o êxito de cada operação.
No decorrer da actividade da ARA, vários objec­tivos foram postos de lado após um primeiro reco­nhecimento. Por ultrapassarem a nossa capacidade, por estarem fora dos nossos propósitos políticos ou por se chegar à conclusão de que os riscos a correr eram desproporcionados com a importância dos ob­jectivos propostos.
No que respeita aos processos utilizados para proceder no terreno ao reconhecimento dos objectivos, tinha que se estudar atentamente, em cada caso concreto, quais as formas e meios mais adequados para não levantar quaisquer suspeitas, quer aos responsáveis pela sua vigilância quer ao cidadão comum.
Podia ser um simples passeio no local feito por um casal, acompanhado ou não de filhos, ou a rea­lização de um piquenique familiar, próximo ou mes­mo junto do eventual objectivo, seguido de um «inocente» exercício de equilíbrio físico, como mos­tra uma foto da época.
  
(') Álvaro Cunhal, em carta reservada ao Comando Cen­tral da ARA.
...»
COMANDO CENTRAL


OPERACIONAIS

(Retirei as fotos e os dados biográficos, com a devida vénia e agradecimentos, da página pessoal do Raimundo Narciso 

http://raimundo.no.sapo.pt) Ver o livro que ele escreveu sobre a ARA


Gabriel Pedro
Em 1971
Nasceu em 1898. Faleceu em 1972, em Paris. Natural de Lisboa. Casado com Margarida Tavares Fernandes Ervedoso. Pai de Edmundo Pedro, de mais dois filhos e uma filha. Deportado para Timor, em 1025, e para a Guiné-Bissau, em 1928, evadiu-se ambas as vezes. Preso 9 anos no Campo de concentração do Tarrafal. Exilado em Paris veio a Portugal clandestinamente participar na acção do Cunene. Entrou e saiu do PCP várias vezes sendo militante quando faleceu.
Carlos Alberto da Silva Coutinho
Em 1970 e 2000
Pseudónimo Meneses. Natural de Fornelos, Vila Real. Nasceu em 1943. Casado com a Antonieta. Pai da Ana e da Marta. Arquivista em O Século em 1970. Na guerra colonial de 1966 a 1969, em Moçambique. Ligação à ARA desde Julho 70. Preso de Fevereiro de 73 a 25 de Abril de 1974. Participou nas acções do Cunene, Escola da PIDE, Tancos, Corte das Telecomunicações - reunião da NATO, Corte da rede eléctrica e, 1971 e 72. Jornalista. Obra publicada: duas novelas, dois volumes de prosa jornalística, cerca de uma dezena de peças de teatro.
Ângelo Manuel Rodrigues de Sousa
Em 1970 e 1987
Pseudónimos: Tavares e Miguel. Nasceu em 1948 e faleceu em 1990. Casado com Fernanda Castro. Pai da Sara, da Rute e da Raquel. Empregado bancário. Piloto de helicópteros. Procurado pela PIDE com fotografia na televisão, jornais e postos de todas as polícias. Clandestinidade de Março de 1971 a 25-o4-74. Ligação à ARA desde Agosto de 70. Participou na acção de Tancos (8-3-71) e do corte da electricidade na eleição do Presidente da República Américo Tomás (8-72).
António João Eusébio
Em 1968 e 1980
Natural de Corte Café de Baixo, Mértola. Nasceu em 1943. Operário estucador da construção civil. Esteve na guerra colonial, em Angola de 1964 a 66. Ligado à ARA desde Junho 70.
 Participou nas acções do Cunene, Escola Técnica da PIDE, Tancos, Corte das Telecomunicações, Corte da Rede Eléctrica em 1971 e 1972. Na clandestinidade de 1972 a 25-4-1974. Funcionário do PCP.
António Pedro Ferreira
Em 1968 e 2000
Pseudónimo Jordão. Nasceu em 1936. Natural de Lisboa. Casado com a Maria José. Pai do Pedro, do Sérgio e da Catarina. Serviço militar entre 1958 e 1969. Esteve na guerra colonial em Angola, de 1961 a 63. Ligado à ARA desde 1965. Participou no apoio às acções do Cunene, Cais da Fundição, Muxima, Corte Rede Eléctrica em 1971 e 1972. Economista. Foi Presidente da Câmara dos Despachantes. Militante do PCP de 1958 a 1989. Fundador da Plataforma de Esquerda. Aderiu ao PS em 1999.
Manuel Policarpo Guerreiro

Em 1971 e 2000
Nasceu em 1943. Natural de Odemira. Divorciado. Pai da BVera e da Tânia. Pintor da construção civil nos anos 70. Esteve na guerra colonial em Moçambique, como furriel, de 1966 a 69. Ligação à ARA desde Julho de 1970. Participou nas acções do Cunene, Assalto ao Paiol, Comiberlant, corte da rede eléctrica em 197 e 1972. Preso de Fevereiro de 1973 a 25-4-1974. Empresário da construção civil em Faro e dirigente da Confederação das PME da Construção Civil.

Manuel dos Santos Guerreiro
Em 1970 e em 2000
Nasceu em 1943. Natural de Grândola. Motorista nos anos setenta. Casado com a Luísa. Pai do Carlos e da Tânia. Serviço Militar Obrigatório de Janeiro de 64 a Outubro de 69. Participa no corte da rede eléctrica em 1971 e 72, Assalto ao Paiol, Comiberland. Preso em Março de 1973 a 25-4-1974. Empresário. Vive em Grândola.
  RamiroRodrigues Morgado
Em 1968 e em 2000
Nasceu em 1940. Natural de Manique do Intendente, Azambuja. Casado com a Maria Emília. Pai da Sílvia. Lapidador de diamentes na DIALAP. Serviço Militar Obrigatório em Moçambique, de 1962 a 64 onde a guerra se iniciou alguns meses antes de regressar. Ligação à ARA em Julho de 1970. Participou no Corte da Rede Eléctrica, em 71 e em 1972 e no apoio às acções do Cunene, de Tancos, e do Muxima. Preso de Março de 1973 a 25-4-1974.
Amado de Jesus Ventura da Silva
Em 1970 e 2000
Nasceu em 1945. Natural de Lisboa. Casado com a Isabel Sequeira. Pai do Pedro, do Manuel e do Francisco. Estudante de Coimbra na República dos 1000-y-Onários e depois em Lisboa no Instituto Superior de Agronomia. Sem filiação partidária. Oficial miliciano "Ranger", de 1967 a 70. Ligado à ARA desde 1971. Participou no Assalto ao Paiol, Corte da Rede Eléctrica em 1971 e em 1972. Preso de Fevereiro de 1973 a 25-4-1974. Engenheiro Agrónomo na Zona Agrária de Caldas da Rainha.
Victor d'Almeida d'Eça
Em 1975 e 1992
Nasceu em 1937. Faleceu em 1998. Divorciado. Dois filhos. Actividade na área da Defesa do Consumidor, nomeadamente em programas radiofónicos. Ligação à ARA desde 1966. Participou na preparaçãio e apoio das acções do Cunene, corte da rede eléctrica em 1971 e 72, Central de Telecomunicações, Assalto ao Paiol e Comiberland.

Jorge Trigo de Sousa
Em 1975 e 1999
Pseudónimo Abel. Nasceu em 1941. Natural de Lisboa. Casado. Um filho. Ligação à ARA desde 1966 como independente. Participou no assalto ao Paiol, no apoio às acções do Comiberland e do Muxima. Esteve na guerra colonial, em Moçambique de 1972 a 74. Praticante de Judo e "Aikidô", professor e Presidente da Federação Nacional de "Aikidô". Membro da Associação Damião de Góis, promotor e quadro do PRD na sua fase inicial. É engenheiro civil, vive em Lisboa.
Mário Wren Abrantes Silva
Nasceu em 1950. Natural de Lisboa. Estudante de Agronomia no ISA em Lisboa. Ligação à ARA em 1972. Participou no corte da Rede Elévctrica em 1972. Preso de Março de 1973 a 25-4-1974. Membro do PCP a partir de 1975. Casado. Funcionário do PCP nos Açores. Membro do Comité Central do PCP desde 1998.
José Augusto de Jesus Brandão
Em 1999
Nasceu em 1948. Natural de Lisboa. Operário metalúrgico. Esteve na guerra em Moçambique de 1969 a 1971. Ligado à ARA desde 1972 como independente. Participou no reconhecimento de vários objectivos. Preso em 27-03-73. Depois do 25 de Abril empregado da Carris e dirigente sindical. Membro da Comissão Nacional (1980-88) e da Comissão Política (1985-88) do PS. Obra publicada: quatro ensaios sobre temas de História.

12 de outubro de 2011

275-Cronologia das lutas de libertação/guerra colonial

O Norberto Tavares de Carvalho apresenta esta cronologia no seu livro "De Campo em Campo, Conversas com o Comandante Bobo Keita". É interessante, numa óptica própria, e uma boa base de análise das resistências ao domínio colonial, nomeadamente na Guiné.