Lembranças da Guiné, na guerra e já fora dela. Pesquisa, comentários e factos. A memória sempre presente. Não está por ordem. É conforme me vou lembrando. Tudo o que tem a ver com a Guiné, a sua história, as etnias, a colonização e as guerras de resistência. Também a minha experiência durante a guerra colonial (está nos primeiros posts). Para quem não sabe ou viveu que veja e avalie se é realidade ou ficção. Para quem sabe ou viveu são lembranças.
27 de outubro de 2011
287-Aspectos e tipos da Guiné XVIII
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26 de outubro de 2011
286-Os escravos trazidos para Portugal
Com alguma linguagem da época, é claro, mas tem interesse histórico e, até, sociológico.
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25 de outubro de 2011
285-Sobreviventes
Reportagem de Cristina Freitas, SIC
A história de Duarte Fortunato, António Teixeira, Manuel Vidal e António Baptista, ex-combatentes da guerra colonial que foram feitos prisioneiros de guerra pelo PAIGC.
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284-Cacheu e o comércio de escravos
Cacheu e o seu forte (fonte: Wikipedia)
Gonçalo Gamboa Aiala foi nomeado capitão-mor do Cacheu em 1644, depois da Restauração. Antes, era esta a situação:
Gonçalo Gamboa Aiala foi nomeado capitão-mor do Cacheu em 1644, depois da Restauração. Antes, era esta a situação:
« (...) Apoiados em André Álvares de Almada, contemporâneo dos factos, poderemos concluir que em 1581-82 (2) já os portugueses estavam instalados nas margens do rio de S. Domingos, onde negociavam em couros, cera, marfim e escravos, que compravam aos buramos ou papéis, os quais lhes resistiam e humilhavam. Para se libertarem destas dificuldades, em 1588, e por iniciativa do feitor dos rios, Manuel Lopes Cardoso, cabo-verdiano, obtêm licença do chefe da terra, Chapala, para fazerem uma fortificação no sítio de Cacheu com o pretexto de se defenderem dos navios inimigos. À volta do forte, construído e artilhado a expensas dos moradores, começaram a surgir as habitações e pouco depois os comerciantes e lançados abandonaram a aldeia indígena e fixaram-se no novo povoado.
Os papéis não reagiram bem a esta atitude e em segredo organizaram o assalto à povoação. Avisados por duas negras do ataque que se perpetrava, os portugueses prepararam a defesa e conseguiram repelir os assaltantes.
Vejamos como André de Almada descreve este acontecimento que ocorreu em 1590:
«Durou a guerra três dias, nos quais foram mortos muitos negros, e da parte dos nossos não morreu pessoa nenhuma; os quais, vendo quão mal lhes ia do partido se recolheram, e daí a poucos dias tomaram a rogar aos nossos os recolhessem e aceitassem na amizade em que dantes estavam. E são amigos, vivendo os nossos na sua povoação e eles na sua, e assim tratam uns com os outros.» (3)
A povoação cresceu e em 1594 já os seus habitantes aculturados se podiam contar por algumas centenas, de acordo, mais uma vez, com Álvares de Almada que informa haver «quaresma em que se confessam setecentas e oitocentas pessoas, entre brancos e pretos,(4) e não falta mais que pôr Sua Magestade justiça nela, querendo-a fazer vila.» (5) Na verdade, Filipe I, atendendo à importância crescente deste porto, resolveu dar-lhe, em 1605 (6) o título de vila «e conçedeo algús priuilegios exortando os a viuerem com policia e justiça, mas os moradores não acceitaram isto, e estão como aleuantados.» (7) Continuaram, portanto, a viver como até aí, sem polícia, nem justiça, e na dependência dos grandes mercadores de escravos.
A autoridade era exercida pelo capitão dos contratadores que chefiava os feitores dos rios, seus agentes e intermediários. Subordinado ao governo de Cabo Verde, praticamente exercia funções de capitão-mor.
Oficialmente, porém, só em 29 de Dezembro de 1614 (8) é nomeado por Nicolau de Castilho, governador de Cabo Verde, o primeiro capitão e feitor de Cacheu. A escolha recaiu em João Tavares de Sousa a quem foi dado um regimento que recomendava a reparação da fortaleza; a paz com os reis e senhores da terra; a difusão da religião católica; a fiscalização da navegação e comércio de estrangeiros; a proibição da venda de cera e marfim e da entrada em Cacheu do algodão da Gâmbia, de S. Tomé e de outras partes; o controlo do preço dos escravos; o reenvio das mulheres cristãs que por causa da fome fugiram de Cabo Verde e se refugiaram na Guiné.
Meses depois, em 4 de Abril de 1615, (9) é designado novo capitão-mor, Baltasar Pereira de Castelo Branco, e desta vez por nomeação régia. O regimento, que vai regular toda a sua actividade como «capitão das pouoações de Cacheu, Rio Grande, e de Sam Domingos, e dos mais da conquista de Guine que são do distrito das jlhas do Cabo Verde», (10) contém diversos capítulos respeitantes à evangelização, à necessidade da construção de uma fortaleza para defender o porto e impedir o comércio com estrangeiros, para além de outras instruções sobre o governo e o comércio da Guiné.
O último lembra a sua subordinação ao «gouernador das ilhas do Cabo Verde, de cujo distrito são aquellas pouoações de Guine, porem o dito governador vos não poderá tirar nem suspender de nenhúu dos cargos de que vos encarrego.» (11) Por um lado, mantém-se a dependência teórica, mas não prática, porque aquela autoridade não o podia destituir de qualquer cargo, o que lhe dava uma certa segurança e autonomia.
Os regimentos que foram dados posteriormente mantiveram no essencial o mesmo formulário.
Antes de entrar na época posterior à Restauração, e para finalizar esta pequena e sucinta análise de Cacheu, é preciso acentuar que este porto era o mais frequentado de toda a costa da Guiné e onde afluía o maior número de escravos. A ele se vinham fornecer os navios de Lisboa, da ilha de Santiago e de Sevilha, para além dos franceses, ingleses e holandeses que, sem licença das autoridades, negociavam directamente com as populações autóctones.
Ao findar o período filipino, a praça de Cacheu continuava a ser dominada pelos grandes mercadores de escravos que detinham o poder, provocando com a sua prepotência a indisciplina.
Os meios de defesa eram quase nulos apesar de tantas vezes se ter ordenado a construção de uma fortaleza e de ser tão insegura a vida em Cacheu por causa. da resistência dos africanos a quem nem mesmo os constantes presentes conseguiam apaziguar.
Podemos, em resumo, concluir o seguinte: a situação económica era má; a anarquia e a indisciplina campeavam em consequência dos abusos cometidos pelos comerciantes espanhóis e outros estrangeiros; a concorrência movida pelos lançados, judeus e cristãos-novos, que actuavam activamente como intermediários dos estrangeiros, criava dificuldades aos comerciantes da terra e tudo isto era agravado pela fome que grassava em vastas zonas daquela região.
(2) André Álvares de Almada - Tratado breve dos Rios de Guiné do Cabo Verde. Lisboa: Editoria1 L.I.A.M., 1964, p. 77.
(3) Idem, ibidem, p. 72.
(4) A Igreja de Nossa Senhora do Vencimento do porto de Cacheu, no rio de S. Domingos, recebeu o seu primeiro vigário, Fernão Novais de Quiroga, em 20 de Fevereiro de 1598. (António Brásio - Monumenta Missionaria Africana. África Ocidental. Segunda Série. Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1964, vol. 3, p. 407).
(5) André Álvares de AI!TIada - Ob. cit., p. 72-73. (6) AHU - ConseLho ULtramarino, cód. 45, fi. 341.
(7) António Brásio - Ob. cit., Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1968, vol. 4, p. 210.
(8) AHU - Guiné, ex. 1, doc. I; BoLetim do Arquivo Histórico Colonial.
Lisboa, 1950, vol.jl , p. 203-206; António Brásio - Ob. cit., vol. 4, p. 568-572.
(9) AN1T - Leis, Iiv. 3, fls. 24-26; José Justino de Andrade e Silva - Coleoção cronológica da legislação portuguesa. Lisboa: Imprensa de lJ.A.Silva, 1855, vol. 2, p. 127-129; António Brásio - Ob. cit., vol. 4, p. 573-576.
(10) Idem, ibidem.
(11) Idem, ibidem.»
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23 de outubro de 2011
283-A revolta dos Mais Velhos 1998-1999
Guerra civil na Guiné-Bissau. As razões da revolta expressas pelos cinco comandantes do cerco a Bissau: Tagma Na Way, Bubo Na Tchuto, Bidom Na Montche, Lassana Ni Danni e Almame Alan Camará. Venceram a guerra, mas não venceram Nino Vieira, resgatado de Bissau pela comunidade internacional. Mais tarde, o ditador voltou, venceu eleições e recuperou a presidência. E começaram a morrer, um por um, todos os que lhe tinham feito frente na guerra de 1998/99. Destes cinco, apenas sobreviveu Bubo Na Tchuto.
Autor: Carlos Narciso
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282-No percurso de guerras coloniais
Obrigado, meu amigo.
Mário Moutinho de Pádua foi o primeiro oficial português a desertar em Angola, em 1961. Narra neste livro a sua experiência a seguir à deserção, a prisão e a tortura que sofreu no Congo, a sua passagem pela Checoslováquia e na Argélia recém-libertada do colonialismo francês.
Mário Moutinho de Pádua foi o primeiro oficial português a desertar em Angola, em 1961. Narra neste livro a sua experiência a seguir à deserção, a prisão e a tortura que sofreu no Congo, a sua passagem pela Checoslováquia e na Argélia recém-libertada do colonialismo francês.
O escritor angolano Pepetela assina o prefácio da obra e refere:
«(...)Finalmente o seu apoio como médico ao PAIGC na Guiné. Mais uma vez, histórias de pessoas com quem se deu, dos militantes que conheceu, dos líderes com quem discutiu. A história de África moderna e combatente vista a partir de um hospital, a política africana analisada a partir de dados pessoais. Muitos grandes combatentes pela liberdade aparecem como pessoas, apenas isso. Nem é preciso dizer que são grandes, pois eles o mostram mesmo sem quererem. A década de sessenta e o livro terminam com afrustrada mas criminosa tentativa da tropa portuguesa em atacar Conacri e decapitar o PAIGC.
Como o seu primeiro, este livro servirá para dar a conhecer muitos aspectos das lutas de África contra o imperialismo. E também a luta e a determinação dos portugueses que se opuseram ao salazarismo e fizeram finalmente o 25 de Abril.
Mas, a meu ver, ele é, acima de tudo, um auto-retrato impressionante de um homem justo. Porque Mário Pádua, antes de ser um combatente corajoso e de ideias firmes, alguém que sempre se bateu pelos seus ideais, é um homem bom, um homem que conhece as fraquezas dos outros e procura ajudá-los, que percebe as tibiezas e as traições, mas não se vinga delas, apenas desejando a justiça para os injustiçados de todas as sociedades, indiferentemente da cor da pele, do sexo, ou classe social. Continua um homem bom, tentando compreender porquê o mundo não é o que merecia ser. Nem o homem.»
Vou transcrever aqui uma situação que me toca particularmente: o que ele diz do soldado Manuel Fragata Francisco, que eu conheci bem, quando foi do meu pelotão, ferido e aprisionado pelo PAIGC em Sinchã Jobel em 16DEZ67, durante a operação Invisível:
«Em matéria de soldados portugueses a nossa coroa de glória foi o Manuel Fragata, em cima da maca durante uma semana, às mãos dos soldados do PAIGC, desde o sítio onde as balas lesaram gravemente o joelho, impedindo a marcha. Não quiseram deixá-lo morrer. Como todos os outros chegou em estado infeccioso complicado. Quando comecei a tratá-lo li nos seus olhos o medo de ser vítima de manipulações cruéis.
Vou transcrever aqui uma situação que me toca particularmente: o que ele diz do soldado Manuel Fragata Francisco, que eu conheci bem, quando foi do meu pelotão, ferido e aprisionado pelo PAIGC em Sinchã Jobel em 16DEZ67, durante a operação Invisível:
«Em matéria de soldados portugueses a nossa coroa de glória foi o Manuel Fragata, em cima da maca durante uma semana, às mãos dos soldados do PAIGC, desde o sítio onde as balas lesaram gravemente o joelho, impedindo a marcha. Não quiseram deixá-lo morrer. Como todos os outros chegou em estado infeccioso complicado. Quando comecei a tratá-lo li nos seus olhos o medo de ser vítima de manipulações cruéis.
Devo reconhecer que a limpeza cirúrgica em zonas do corpo muito sensíveis causava obviamente dores intensas e durante as primeiras sessões, sempre demoradas, muitos dos feridos não conseguiam reprimir os gemidos.
Eu não queria que o Fragata julgasse que eu o magoava voluntariamente. mas não tinha outro meio. Uma anestesia eficaz, repetida, não estava ao nosso alcanse. Ainda por cima a rótula tinha sido parcialmente estilhaçada e tive de extrair alguns pedaços. Enfim com alguma sorte a ferida curou-se e, apoiado em canadianas, o Manuel Fragata recomeçou a andar. Na ala onde ele se encontrava, as relações entre o soldado português e os seus vizinhos de cama foram-se estreitando.
O Luí Cabral manifestava por ele desveIos especiais. Trazia-lhe cigarros, o que eu não podia fazer, porque naturalmente não recebia nem aceitaria salário. O dinheiro da recente herança do meu avô estava na Suíça e eu não sabia como mobilizá-lo. O Manuel Fragata repartia os cigarros e algo muito semelhante à camaradagem se desenvolveu entre aqueles homens ,um português e muitos guineenses que a guerra não conseguiu antagonizar.
O Luí Cabral manifestava por ele desveIos especiais. Trazia-lhe cigarros, o que eu não podia fazer, porque naturalmente não recebia nem aceitaria salário. O dinheiro da recente herança do meu avô estava na Suíça e eu não sabia como mobilizá-lo. O Manuel Fragata repartia os cigarros e algo muito semelhante à camaradagem se desenvolveu entre aqueles homens ,um português e muitos guineenses que a guerra não conseguiu antagonizar.
O PAIGC entregou-o à Cruz Vermelha no Senegal e ele voou para Portugal. Infelizmente já depois do 25 de Abril veio a sucumbir num acidente de moto.
A obediência às directrizes do PAIGC quanto aos soldados inimigos pode ser medida pelo seguinte episódio. Eu estava em casa do Luís Cabral conversando com ele quando entrou um do dirigentes do PAIGC no Norte, o Lai. Muito excitado avisou o Luís:
- Os prisioneiros chegaram à fronteira. É preciso comprar manteiga.
Sabendo que a alimentação no Lar era pobre, monótona, às vezes escassa, essa preocupação punha em evidência que aqueles prisioneiros gozaram de maiores atenções que os próprios combatentes. Improvisou-se um alojamento separado, uma barraca, para eles dormirem alguns dias, sob vigilância e em breve foram entregues à Cruz Vermelha senegalesa. O Lai, de natureza pouco risonha, não procurara impressionar o Luís. Estava sim seguro de cumprir o procedimento padronizado pelo Partido.»
E, de facto, não foi em Ziguinchor mas cá que o Fragata, ribatejano de Alpiarça, morreu num acidente de motorizada, infelizmente.
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20 de outubro de 2011
281-Documento histórico... impressionante
Acabei de ler este livro do José Rodrigues dos Santos. Lá mais para o final, o autor faz o relato de um massacre feito em Moçambique durante a guerra colonial. Embora embrulhado no contexto ficcional da obra, sei que foi real e lembrei-me de um documento divulgado antes do 25 de Abril em que o padre comboniano Luís Afonso da Costa fez a denúncia de várias situações do género. Fazendo um intervalo nestas "coisas da Guiné" é isso que mostro aqui. Andei sempre no mato, em patrulhas e operações, mas nunca vi nem tenho conhecimento de situações como estas na Guiné, não tanto... Alerto os mais sensíveis para a dureza e realismo das descrições e de algumas imagens.
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18 de outubro de 2011
280-Movimentos de Libertação em destaque no doclisboa 2011
O IX Festival Internacional de Cinema arranca esta quinta-feira em Lisboa e assinala os 50 anos da Guerra Colonial com o ciclo "Movimentos de Libertação em Moçambique, Angola e Guiné-Bissau (1961-1974)". Ana Glogowski, directora do doclisboa, diz que "nunca mais se fez cinema assim".
De 20 a 30 de Outubro, o doclisboa volta a trazer à capital uma selecção de documentários. Serão mais de 180 filmes em exibição na Culturgest, Cinemateca, Cinemas São Jorge e Londres e Teatro do Bairro. Mas também as habituais masterclasses gratuitas, encontros informais com realizadores e retrospectivas do trabalho de Jean Rouch e Harun Farocki.
O programa deste ano oferece também uma uma retrospectiva histórica de filmes sobre as guerras de libertação das colónias portuguesas em África. Segundo o programa do festival, trata-se de "um resgate das obras cinematográficas mais significativas filmadas junto dos Movimentos de Libertação, cuja raridade e dispersão prometem reflexão, descobertas e emoção".
Para a directora do Festival, o ponto comum aos 15 filmes deste ciclo é “uma espécie de presença por trás das fronteiras da guerrilha” que mostra “a guerra de dentro”. “Filmavam em condições de trabalho muito difíceis. Iam sozinhos, com câmaras muito mais pesadas do que as de hoje, com som separado”, recorda Anna Glogowski em declarações à agência Lusa.
“Hoje as coisas são muito mais imediatas. Você filma com qualquer coisa. Com um objecto pequeno você pode quase fazer um filme”, destaca, comparando com os cineastas que "partiam para o outro lado do mundo, com equipamento em película, e depois só viam aquilo que tinha sido filmado quando voltavam para casa".
“Foi muito complicado conseguir reunir esses filmes, porque foram filmados em 16 milímetros, em formato totalmente diferente, há umas cópias que estavam estragadas”, sublinha Anna Glogowski. “Têm um arzinho meio antiquado”, mas ao mesmo tempo lembram à juventude de hoje um contexto de “ditaduras e guerras”, acrescentou a directora do doclisboa 2011.
...http://www.esquerda.net/ARTIGO | 18 OUTUBRO, 2011 - 12:06
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17 de outubro de 2011
279-Um livro sobre a ARA
Da contra-capa:
A ARA foi uma organização criada pelo PCP para a luta armada contra a ditadura fascista. Activa entre 1970 e 73, realizou acções armadas com grande impacto político, algumas tão espectaculares como a do comando que penetrou na Base Aérea 3, em Tancos, em 1971 e destruiu ou danificou 28 aviões e helicópteros.
Este livro é a narrativa, ao vivo, de cada uma das acções da ARA, do secreto e tormentoso processo da sua criação, da furiosa perseguição desencadeada pela PIDE e também de como um clandestino viveu os últimos dias da ditadura e se deslumbrou com essa inolvidável explosão de alegria de um Povo que foi o 25 de Abril de 1974.
Não é um ensaio político nem uma enumeração de factos. É o registo - por quem a viveu - da luta abnegada, das aventuras, medos, raivas, coragens, de homens e mulheres com nome e rosto, quase todos ainda vivos, e que andam por aí, na labuta do dia a dia, iguais a todos os outros, iguais a todos nós.
«Quem não viveu aqueles tempos ... aqueles tempos de PIDE e Tarrafal, de Mocidade Portuguesa e saudação fascista de braço no ar, de Censura Prévia e Cardeal Cerejeira a abençoar Salazar, de exílio e sindicatos proibidos, de exploração desmedida e perda do emprego por razões políticas, de banimento da função pública e da Universidade ... Tempos em que uma telefonista não podia casar para não prejudicar o trabalho ou se casasse perdia o emprego; em que um oficial das forças armadas só podia casar com uma mulher que os superiores considerassem digna da sua classe. Tempos em que as mulheres não podiam votar nas eleições fantoches e o chefe de família era o dono da mulher e o dono dos filhos. Quem não viveu esses tempos de medo, de pobreza, exploração, arbítrio e mesquinhez não consegue avaliar. E sem saber isto, pode até pensar que as pessoas que iam para a clandestinidade eram heróis, loucos ou mártires quando na realidade eram pessoas como as outras. Talvez mais informadas, mais indignadas ou mais trituradas pela engrenagem.»
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Ver aqui também o que foi a ARA e os seus operacionais
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Ver aqui também o que foi a ARA e os seus operacionais
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16 de outubro de 2011
278-...mais esboços de povoações, em 1948
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