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28 de outubro de 2011

288-Capelães militares na Guiné

RELAÇÃO DOS CAPELÃES MILITARES QUE PRESTARAM SERVIÇO
NO COMANDO TERRITORIAL INDEPENDENTE DA GUINÉ
DESDE 1961 A 1973

1
-
António Alberto Alves Machado
16.1.61 a 2.2.62
2
-
Orlando Alberto Coelho Ferreira
8.8.61 a 8.8.63
3
-
José Fernandes
8.8.61 a 30.7.63
4
-
Joaquim do Rego
8.8.61 a 27.10.63
5
-
Carlos dos Santos (O.P.)
8.8.61 a 10.7.63
6
-
Armando Jorge Baptista Silva
10.4.62 a 2.3.64
7
-
Manuel Rodrigo Jerónimo
10.4.62 a 20.5.64
8
-
José Ferreira de Pinho
10.4.62 a 20.5.64
9
-
Gabriel de Morais Catarino
26.8.63 a 8.6.65
10
-
Joaquim Soares
3.9.63 a 31.8.65
11
-
Manuel Maria F. da Silva Estrela (O.F.M.)
27.9.63 a 14.8.65
12
-
Adelino Apolinário Silva Gouveia
27.9.63 a 4.5.65
13
-
Joaquim de Sousa Lamas
29.9.63 a 31.8.65
14
-
Bento Fernando Dias Miranda
12.10.63 a 31.8.65
15
-
Serafim Alves Monteiro da Gama (Salesiano) [ver o que digo dele aqui]
25.1.64 a 7.3.69
16
-
Joaquim Dias Coelho (Capelão-Chefe)
25.2.64 a 4.3.66
17
-
Leonardo Moniz de Medeiros
10.5.64 a 10.2.66
18
-
Nazário Domingos de Carvalho (Salesiano)
[conto coisas dele aqui]
15.7.64 a 2.5.66
19
-
António Gata Lavajo Simões
26.9.64 a 12.8.66
20
-
Felisberto Morei9ra Maia
24.11.64 a 20.8.66
21
-
José Arnaldo da Silva Monteiro Fernandes
14.6.65 a 3.5.67
22
-
Joaquim Luís Cupertino
18.8.65 a 9.5.67
23
-
José Mota Tavares
27.8.65 a 16.9.67
24
-
Virgílio Pedrosa Crespo
27.8.65 a 9.5.67
25
-
Francisco Borges Ávila
28.9.65 a 15.4.67
26
-
Mário Tavares Figueira
28.9.65 a 21.4.67
27
-
Bártolo Paiva Gonçalves Pereira (Capelão-Chefe)
1966 a 1.5.67
28
-
António Paulo Pinheiro
21.1.66 a 10.11.67
29
-
Apolinário Américo Araújo Alves
2.2.66 a 12.10.67
30
-
António Paulo Frade
20.4.66 a 21.1.68
31
-
Tomás Marques Afonso
30.7.66 a 15.5.68
32
-
António Ramiro Salgueiro
22.10.66 a 6.11.68
33
-
Manuel Augusto da Costa Pinto
29.10.66 a 8.8.68
34
-
João Baptista Alves Magalhães
12.11.66 a 8.8.68
35
-
José Filipe Ribeiro
8.4.67 a 28.2.69
36
-
Abel Gonçalves
20.4.67 a 15.5.69
37
-
Carlos Augusto Leal Moita Mário de Oliveira [é  sabido porque esteve tão pouco tempo...]
10.67 a 1.68
38
-
José dos Santos Tourais Pereira
28.10.67 a 28.8.69
39
-
Luís de Azevedo da Costa e Silva
28.10.67 a 2.11.69
40
-
Horácio Neto Fernandes (O.F.M.)
1.11.67 a 3.11.69
41
-
Carlos Manuel de Sousa Dias
10.1.68 a 8.11.69
42
-
Manuel Joaquim da Silva Capitão (Capelão-Chefe)
17.1.68 a 3.3.70
43
-
Libório Jacinto Cunha Tavares
17.1.68 a 10.12.69
44
-
Francisco da Costa Silva
1.5.68 a 9.4.70
45
-
José do Céu Farinha
24.7.68 a 4.6.70
46
-
José Caçoilo Fidalgo
4.12.68 a 9.10.70
47
-
Manuel Baptista da Silva
4.12.68 a 13.10.70
48
-
Augusto Pereira Baptista
5.2.69 a 15.12.70
49
-
João Baptista Cardoso
5.2.69 a 23.12.70
50
-
Mariano Pereira Alves
10.2.69 a 16.9.71
51
-
Celestino Moreira Ruas
18.2.69 a 21.11.71
52
-
Tomás Farinha
23.2.69 a 23.12.70
53
-
Luís da Silva Medeiros
23.2.69 a 23.1.71
54
-
António Gameiro
7.5.69 a 3.3.71
55
-
José Torres Neves
7.5.69 a 3.3.71
56
-
Manuel Gonçalves (O.F.M.)
19.7.69 a 30.6.71
57
-
João Augusto André Ribeiro
19.7.69 a 11.6.71
58
-
Abílio Ferreira Marques de Queirós (S.J.)
25.9.69 a 2.9.71
59
-
Américo de Sá Rebelo
15.11.69 a 14.10.71
60
-
António José da Silva
15.11.69 a 10.10.71
61
-
Adriano Pires de Sousa
3.70 a 8.12.71
62
-
Pedro Maria C. Bandeira de Melo (Capelão-Chefe)
9.2.70 a 25.3.72
63
-
João da Cruz Conceição
24.4.70 a 23.3.72
64
-
Arsénio Chaves Puim
17.5.70 a 26.5.71
65
-
Alberto Matos Almeida
18.7.70 a 20.6.72
66
-
Delfim da Rocha Santos
18.7.70 a 24.6.72
67
-
Octávio Gil Morgadinho
23.9.70 a 23.9.72
68
-
António Lopes Amador
20.10.70 a 6.12.72
69
-
Antero José Ferreira
30.10.70 a 13.10.72
70
-
José Cordeiro Morgado (S.J.)
31.10.70 a 16.10.72
71
-
Mário de Sousa Gomes de Oliveira (S.J.)
25.11.70 a 14.10.72
72
-
Manuel Augusto da Silva Santos
25.11.70 a 21.9.72
73
-
Afonso Carlos de Couto Arruda de Quental
19.12.70 a 12.1.73
74
-
José Marcelino Baptista
4.7.71 – em serviço
75
-
Manuel Antunes dos Santos Barranha
26.6.71 – em serviço
76
-
João Baltar da Silva
16.9.71 – em serviço
77
-
José de Sousa Brandão (O.F.M.)
25.9.71 - em serviço
78
-
António Gonçalves Diogo
7.12.71 - em serviço
79
-
Manuel Martins da Costa Pereira
22.12.71 - em serviço
80
-
Nuno Monteiro de Oliveira
28.12.71- em serviço
81
-
Eduardo Fernandes (Capelão-Chefe)
13.3.72 - em serviço
82
-
José António Correia Pereira (O.F.M.)
25.3.72 - em serviço
83
-
António Pereira Rodrigues
18.6.72 - em serviço
84
-
António Fernando Lopes Ferreira
20.6.72 - em serviço
85
-
José Dias Ferreira
21.7,72 - em serviço
86
-
Luciano Augusto Rodrigues
22.8.72 - em serviço
87
-
José dos Santos Quinteiro Lopes
28.8.72 - em serviço
88
-
Delfim Pires
7.12.72 - em serviço
89
-
Carlos Manuel Valente Borges de Pinho
16.6.73 - em serviço
90
-
José Júlio Antunes
3.4.73 - em serviço
91
-
Manuel Pereira Gonçalves (O.F.M.)
25.5.68 - em serviço
92
-
Abílio Moreira Ramos
[não indica datas]
93
-
Guilhermino de Jesus Rodrigues
[não indica datas]
·         Vem assim. Talvez seja erro de data.
Depreendo que os indicados “em serviço” estariam lá por alturas do 25 de Abril

RELAÇÃO DOS CAPELÃES DA BASE AÉREA N.º 12 DESDE 1964

1
-
José Manuel Rendeiro
Janeiro 64 a 1965
2
-
Eduardo Gomes de Almeida
Janeiro 66 a Julho 67
3
-
Manuel Baptista Gonçalves Pedro
Julho 67 a Janeiro 69
4
-
António Pinto Nunes
Janeiro 69 a Julho 70
5
-
Manuel José da Silva
Julho 70 a Agosto 72
6
-
Abel Gonçalves
 Agosto 72 – em serviço

RELAÇÃO DOS CAPELÃES DA MARINHA DESDE 1967

1
-
Joaquim José Baptista Sampaio
2
-
José António Pereira Janela
3
-
Delmar Barreiros

Lista apresentada pelo padre Henrique Pinto Rema no Boletim Cultural da Guiné Portuguesa de Abril de 1973

26 de outubro de 2011

286-Os escravos trazidos para Portugal

Com alguma linguagem da época, é  claro, mas tem interesse histórico e, até, sociológico.

25 de outubro de 2011

285-Sobreviventes


Reportagem de Cristina Freitas, SIC
A história de Duarte Fortunato, António Teixeira, Manuel Vidal e António Baptista, ex-combatentes da guerra colonial que foram feitos prisioneiros de guerra pelo PAIGC. 

284-Cacheu e o comércio de escravos

Cacheu e o seu forte (fonte: Wikipedia)


Gonçalo Gamboa Aiala foi nomeado capitão-mor do Cacheu em 1644, depois da Restauração. Antes, era esta a situação:

« (...) Apoiados em André Álvares de Almada, contemporâneo dos factos, poderemos concluir que em 1581-82 (2) já os portugueses es­tavam instalados nas margens do rio de S. Domingos, onde nego­ciavam em couros, cera, marfim e escravos, que compravam aos buramos ou papéis, os quais lhes resistiam e humilhavam. Para se libertarem destas dificuldades, em 1588, e por iniciativa do feitor dos rios, Manuel Lopes Cardoso, cabo-verdiano, obtêm licença do chefe da terra, Chapala, para fazerem uma fortificação no sítio de Cacheu com o pretexto de se defenderem dos navios inimigos. À volta do forte, construído e artilhado a expensas dos moradores, começaram a surgir as habitações e pouco depois os comerciantes e lançados abandonaram a aldeia indígena e fixaram-se no novo povoado.
Os papéis não reagiram bem a esta atitude e em segredo orga­nizaram o assalto à povoação. Avisados por duas negras do ataque que se perpetrava, os portugueses prepararam a defesa e consegui­ram repelir os assaltantes.
Vejamos como André de Almada descreve este acontecimento que ocorreu em 1590:
«Durou a guerra três dias, nos quais foram mortos muitos negros, e da parte dos nossos não morreu pessoa nenhuma; os quais, vendo quão mal lhes ia do partido se recolheram, e daí a poucos dias tomaram a rogar aos nossos os recolhessem e aceitassem na amizade em que dantes estavam. E são amigos, vivendo os nossos na sua povoação e eles na sua, e assim tratam uns com os outros.» (3)
A povoação cresceu e em 1594 já os seus habitantes acultura­dos se podiam contar por algumas centenas, de acordo, mais uma vez, com Álvares de Almada que informa haver «quaresma em que se confessam setecentas e oitocentas pessoas, entre brancos e pre­tos,(4) e não falta mais que pôr Sua Magestade justiça nela, queren­do-a fazer vila.» (5) Na verdade, Filipe I, atendendo à importância crescente deste porto, resolveu dar-lhe, em 1605 (6) o título de vila «e conçedeo algús priuilegios exortando os a viuerem com policia e justiça, mas os moradores não acceitaram isto, e estão como aleuantados.» (7) Continuaram, portanto, a viver como até aí, sem polícia, nem justiça, e na dependência dos grandes mercadores de escravos.
A autoridade era exercida pelo capitão dos contratadores que chefiava os feitores dos rios, seus agentes e intermediários. Subor­dinado ao governo de Cabo Verde, praticamente exercia funções de capitão-mor.
Oficialmente, porém, só em 29 de Dezembro de 1614 (8) é nomeado por Nicolau de Castilho, governador de Cabo Verde, o pri­meiro capitão e feitor de Cacheu. A escolha recaiu em João Tava­res de Sousa a quem foi dado um regimento que recomendava a reparação da fortaleza; a paz com os reis e senhores da terra; a difusão da religião católica; a fiscalização da navegação e comér­cio de estrangeiros; a proibição da venda de cera e marfim e da entrada em Cacheu do algodão da Gâmbia, de S. Tomé e de outras partes; o controlo do preço dos escravos; o reenvio das mulheres cristãs que por causa da fome fugiram de Cabo Verde e se refu­giaram na Guiné.
Meses depois, em 4 de Abril de 1615, (9) é designado novo capitão-mor, Baltasar Pereira de Castelo Branco, e desta vez por nomeação régia. O regimento, que vai regular toda a sua actividade como «capitão das pouoações de Cacheu, Rio Grande, e de Sam Domingos, e dos mais da conquista de Guine que são do distrito das jlhas do Cabo Verde», (10) contém diversos capítulos respeitan­tes à evangelização, à necessidade da construção de uma fortaleza para defender o porto e impedir o comércio com estrangeiros, para além de outras instruções sobre o governo e o comércio da Guiné.
O último lembra a sua subordinação ao «gouernador das ilhas do Cabo Verde, de cujo distrito são aquellas pouoações de Guine, porem o dito governador vos não poderá tirar nem suspender de nenhúu dos cargos de que vos encarrego.» (11) Por um lado, man­tém-se a dependência teórica, mas não prática, porque aquela auto­ridade não o podia destituir de qualquer cargo, o que lhe dava uma certa segurança e autonomia.
Os regimentos que foram dados posteriormente mantiveram no essencial o mesmo formulário.
Antes de entrar na época posterior à Restauração, e para fina­lizar esta pequena e sucinta análise de Cacheu, é preciso acentuar que este porto era o mais frequentado de toda a costa da Guiné e onde afluía o maior número de escravos. A ele se vinham fornecer os navios de Lisboa, da ilha de Santiago e de Sevilha, para além dos franceses, ingleses e holandeses que, sem licença das autorida­des, negociavam directamente com as populações autóctones.
Ao findar o período filipino, a praça de Cacheu continuava a ser dominada pelos grandes mercadores de escravos que detinham o poder, provocando com a sua prepotência a indisciplina.
Os meios de defesa eram quase nulos apesar de tantas vezes se ter ordenado a construção de uma fortaleza e de ser tão insegura a vida em Cacheu por causa. da resistência dos africanos a quem nem mesmo os constantes presentes conseguiam apaziguar.
Podemos, em resumo, concluir o seguinte: a situação económica era má; a anarquia e a indisciplina campeavam em consequência dos abusos cometidos pelos comerciantes espanhóis e outros estran­geiros; a concorrência movida pelos lançados, judeus e cristãos-­novos, que actuavam activamente como intermediários dos estran­geiros, criava dificuldades aos comerciantes da terra e tudo isto era agravado pela fome que grassava em vastas zonas daquela região. 

(2) André Álvares de Almada - Tratado breve dos Rios de Guiné do Cabo Verde. Lisboa: Editoria1 L.I.A.M., 1964, p. 77.
(3) Idem, ibidem, p. 72.
(4) A Igreja de Nossa Senhora do Vencimento do porto de Cacheu, no rio de S. Domingos, recebeu o seu primeiro vigário, Fernão Novais de Quiroga, em 20 de Fevereiro de 1598. (António Brásio - Monumenta Missionaria Africa­na. África Ocidental. Segunda Série. Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1964, vol. 3, p. 407).
(5) André Álvares de AI!TIada - Ob. cit., p. 72-73. (6) AHU - ConseLho ULtramarino, cód. 45, fi. 341.
(7) António Brásio - Ob. cit., Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1968, vol. 4, p. 210.
(8) AHU - Guiné, ex. 1, doc. I; BoLetim do Arquivo Histórico Colonial.
Lisboa, 1950, vol.jl , p. 203-206; António Brásio - Ob. cit., vol. 4, p. 568-572.
(9) AN1T - Leis, Iiv. 3, fls. 24-26; José Justino de Andrade e Silva - Co­leoção cronológica da legislação portuguesa. Lisboa: Imprensa de lJ.A.Silva, 1855, vol. 2, p. 127-129; António Brásio - Ob. cit., vol. 4, p. 573-576.
(10) Idem, ibidem.
(11) Idem, ibidem.»

23 de outubro de 2011

283-A revolta dos Mais Velhos 1998-1999


Guerra civil na Guiné-Bissau. As razões da revolta expressas pelos cinco comandantes do cerco a Bissau: Tagma Na Way, Bubo Na Tchuto, Bidom Na Montche, Lassana Ni Danni e Almame Alan Camará. Venceram a guerra, mas não venceram Nino Vieira, resgatado de Bissau pela comunidade internacional. Mais tarde, o ditador voltou, venceu eleições e recuperou a presidência. E começaram a morrer, um por um, todos os que lhe tinham feito frente na guerra de 1998/99. Destes cinco, apenas sobreviveu Bubo Na Tchuto.
Autor: Carlos Narciso

282-No percurso de guerras coloniais

Obrigado, meu amigo. 
Mário Moutinho de Pádua foi o primeiro oficial português a desertar em Angola, em 1961. Narra neste livro a sua experiência a seguir à deserção, a prisão e a tortura que sofreu no Congo, a sua passagem pela Checoslováquia e na Argélia recém-libertada do colonialismo francês.
O escritor angolano Pepetela assina o prefácio da obra e refere:
«(...)Finalmente o seu apoio como médico ao PAIGC na Guiné. Mais uma vez, histórias de pessoas com quem se deu, dos militantes que conheceu, dos líderes com quem discutiu. A história de África moderna e combatente vista a partir de um hospital, a política africana analisada a partir de dados pessoais. Muitos grandes combatentes pela liberdade aparecem como pessoas, apenas isso. Nem é preciso dizer que são grandes, pois eles o mostram mesmo sem quererem. A década de sessenta e o livro ter­minam com afrustrada mas criminosa tentativa da tropa portuguesa em atacar Conacri e decapitar o PAIGC.
Como o seu primeiro, este livro servirá para dar a conhecer muitos aspectos das lutas de África contra o imperialismo. E também a luta e a determinação dos portugueses que se opuseram ao salazarismo e fizeram finalmente o 25 de Abril.
Mas, a meu ver, ele é, acima de tudo, um auto-retrato impressionante de um homem justo. Porque Mário Pádua, antes de ser um combatente corajoso e de ideias firmes, alguém que sempre se bateu pelos seus ideais, é um homem bom, um homem que conhece as fraquezas dos outros e procura ajudá-los, que percebe as tibiezas e as traições, mas não se vinga delas, apenas desejando a justiça para os injustiçados de todas as sociedades, indiferentemente da cor da pele, do sexo, ou classe social. Continua um homem bom, tentando compreender porquê o mundo não é o que merecia ser. Nem o homem.»
Vou transcrever aqui uma situação que me toca particularmente: o que ele diz do soldado Manuel Fragata Francisco, que eu conheci bem, quando foi do meu pelotão, ferido e aprisionado pelo PAIGC em Sinchã Jobel em 16DEZ67, durante a operação Invisível:
«Em matéria de soldados portugueses a nossa coroa de glória foi o Manuel Fragata, em cima da maca durante uma semana, às mãos dos soldados do PAIGC, desde o sítio onde as balas lesaram gravemente o joelho, impe­dindo a marcha. Não quiseram deixá-lo morrer. Como todos os outros chegou em estado infeccioso complicado. Quando comecei a tratá-lo li nos seus olhos o medo de ser vítima de manipulações cruéis.
Devo reconhecer que a limpeza cirúrgica em zonas do corpo muito sensíveis causava obviamente dores intensas e durante as primeiras sessões,  sempre demoradas, muitos dos feridos não conseguiam reprimir os gemidos.
Eu não queria que o Fragata julgasse que eu o magoava voluntariamente. mas não tinha outro meio. Uma anestesia eficaz, repetida, não estava ao nosso alcanse. Ainda por cima a rótula tinha sido parcialmente estilhaçada e tive de extrair alguns pedaços. Enfim com alguma sorte a ferida curou-se e, apoiado em canadianas, o Manuel Fragata recomeçou a andar. Na ala onde ele se encontrava, as relações entre o soldado português e os seus vizinhos de cama foram-se estreitando.
O Luí Cabral manifestava por ele desveIos especiais. Trazia-lhe cigarros, o que eu não podia fazer, porque natu­ralmente não recebia nem aceitaria salário. O dinheiro da recente herança do meu avô estava na Suíça e eu não sabia como mobilizá-lo. O Manuel Fragata repartia os cigarros e algo muito semelhante à camaradagem se desenvolveu entre aqueles homens ,um português e muitos guineenses que a guerra não conseguiu antagonizar.
O PAIGC entregou-o à Cruz Vermelha no Senegal e ele voou para Portugal. Infelizmente já depois do 25 de Abril veio a sucumbir num acidente de moto.
A obediência às directrizes do PAIGC quanto aos soldados inimigos pode ser medida pelo seguinte episódio. Eu estava em casa do Luís Cabral conversando com ele quando entrou um do dirigentes do PAIGC no Norte, o Lai. Muito excitado avisou o Luís:
- Os prisioneiros chegaram à fronteira. É preciso comprar manteiga.
Sabendo que a alimentação no Lar era pobre, monó­tona, às vezes escassa, essa preocupação punha em evi­dência que aqueles prisioneiros gozaram de maiores atenções que os próprios combatentes. Improvisou-se um alojamento separado, uma barraca, para eles dormirem alguns dias, sob vigilância e em breve foram entregues à Cruz Vermelha senegalesa. O Lai, de natureza pouco risonha, não procurara impressionar o Luís. Estava sim seguro de cumprir o procedimento padronizado pelo Partido.»
E, de facto, não foi em Ziguinchor mas cá que o Fragata, ribatejano de Alpiarça, morreu num acidente de motorizada, infelizmente.

20 de outubro de 2011

281-Documento histórico... impressionante

Acabei de ler este livro do José Rodrigues dos Santos. Lá mais para o final, o autor faz o relato de um massacre feito em Moçambique durante a guerra colonial. Embora embrulhado no contexto ficcional da obra, sei que foi real e lembrei-me de um documento divulgado antes do 25 de Abril em que o padre comboniano Luís Afonso da Costa fez a denúncia de várias situações do género. Fazendo um intervalo nestas "coisas da Guiné" é isso que mostro aqui. Andei sempre no mato, em patrulhas e operações, mas nunca vi nem tenho conhecimento de situações como estas na Guiné, não tanto... Alerto os mais sensíveis para a dureza e realismo das descrições e de algumas imagens.
(Para ver em ponto grande clicar no X em baixo à direita)