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17 de dezembro de 2011

329-Anizio Indami - Uma história bonita

Este é, agora, o Anizio Indami.Conheci-o através de uma história bonita, que começou assim, se bem me lembro (que saudades do Vitorino Nemésio...): em Novembro de 2005 ele contactou o "blogueforanadaevaotres" interessado em que algum dos ex-combatentes que tivesse passado por Farim, a sua terra,  lhe falasse dela. Tinha 22 anos e era estudante da Faculdade de Economia, Administração e contabilidade da Universidade de S. Paulo, Brasil. Tinha saudades da sua terra e da sua gente, naturalmente, tanto mais que a bolsa que tinha não lhe dava para os visitar. Enviei-lhe um mail, dizendo-lhe que nunca tinha estado em Farim durante a guerra colonial, mas que tinha passado por lá em 1998, embora de fugida, e enviei-lhe umas fotografias que tirara a umas crianças de lá (foram as únicas que pude tirar).
Respondeu-me, encantado, que aquele miúdo de calções com riscas vermelhas era o seu afilhado Alen que já não via há muitos anos.





Disse-lhe que estava integrado num grupo que em Abril de 2006 iria à Guiné e prometi-lhe que nessa altura iria com mais tempo a Farim.  Ele deu-me o contacto do seu pai e fomos, eu e o meu companheiro de andanças Francisco Allen, até Farim nesse mês de Abril. E lá estivemos em convívio com o senhor Agostinho Indami, pai do Anizio, e com a sua família. Foi um momento muito agradável, sinal da simpatia dos amigos guineenses. Enviei-lhe depois as fotografias que com eles tirei:
Ficou muito contente, claro. Houve mais algumas trocas de mails, mas, passados tempos, perdemos o contacto.
Há dias, deitei fora os meus receios de principiante nestas áreas e mandei-me de cabeça para o facebook. Maravilha! Encontrei aqui o Anizio:

Foi no passado dia 13. Fui ao mural dele no facebook e vi uma mensagem dele para o seu pai, senhor Agostinho Indami, que fazia anos nesse dia: 
"... HEROI...AGOSTINHO INDAMI...
PARABENS PAPAI...POR MAIS ESTE ANIVERSARIO..E PECO AO NOSSO CRIADOR QUE TE DE MUITO..E MUITOS ANOS DE VIDA..
OBRIGADO POR TODO AMOR, EDUCACAO..E CARINHO QUE SEMPRE ME DESTE...E ESPERO UM DIA TRANSMITI-LO AOS TEUS NETOS...E QUE ELES PODERAO SENTIR O MESMO ORGULHO QUE EU TENHO DE VOCE..!
ESTAS DE PARABENS PAPI...MUITA PAZ, SAUDE E FELICIDADES PARA VOCE!"
Pedi-lhe que lhe desse por mim os parabéns e lembranças do nosso encontro em 2006. Ele fê-lo e o senhor Indami enviou-me um abraço por ele.
Fiquei a saber que o Anizio, depois de terminar o curso de Administração de Empresas na área financeira na Universidade de S. Paulo, está agora a frequentar o Rhode Island College, em Providence, nos EUA. É fundador e Administrador Geral da REDE BANTABA DI DJUMBAI (com uma rádio http://www.bantabadidjumbai.com/ e uma televisão), sediada nos EUA, mas elemento congregador de todos os guineenses da diásporaEstá a dar seguimento às preocupações que me tinha manifestado com a sua terra e as suas gentes. 
Bonita forma de reatar contactos.

16 de dezembro de 2011

328-Terra Ardente

Encontrei este livro num alfarrabista:
Não sei quem foi o Dr. José Afonso Guimarães, a quem ele fez a dedicatória neste exemplar, mas ainda me lembro de Norberto Lopes como director do "Diário de Lisboa". Adolfo Norberto Lopes nasceu em Vimioso em Setembro de 1900 e morreu em Linda-a-Velha em Agosto de 1989. Iniciou a sua actividade jornalística no jornal "O Século" em 1919, passando, poucos anos depois, para a redacção do "Diário de Lisboa", tendo sido seu director desde 1956 a 1967, cargo que abandonou para fundar o diário "A Capital", que dirigiu até 1970. Foi um dos fundadores do Sindicato dos Jornalistas. Foi agraciado com a Ordem da Liberdade em 1981. Tem mais de uma dezena de livros publicados e elaborou reportagens de muitas viagens que fez por várias partes do mundo. Uma delas está expressa neste livro, que contém também várias fotografias. Eis algumas:
E um dos textos:

Um régulo prolífero

No dia seguinte, regressámos a Bissau por Bula e Mansôa. No caminho, parámos na povoa­ção de Có, onde está em construção um posto sanitário. O régulo Joaquim Sanca acompanhou­-nos numa visita demorada à tabanca onde vive, ele e as suas 40 mulheres, que já lhe deram 120 filhos - uma riqueza excepcional, pois todos tra­balham para o chefe. Quando lhe perguntámos - entre indígenas da Guiné esta pergunta pode fazer-se sem ferir a honra de ninguém - se eram todos filhos dele, estacou junto de uma palhota onde brincavam crianças e respondeu-nos com um largo sorriso de bonomia:
- Pelo menos nascidos no meu cercado. 
Com que filosofia amável e cómoda encara a vida este velho patriarca brame, que tem perto de 70 anos e ainda há pouco fez o seu último casamento com uma rapariga de 20. Será o último, Joaquim?
Perto da aldeia, do outro lado da estrada, entre as árvores de alto porte que lhe fazem um resguardo natural, fica o cemitério, aonde o régulo não nos acompanha - porque um régulo só pode entrar no cemitério para não voltar e ele não está resolvido a prescindir, por enquanto, de certos momentos agradáveis que a vida lhe proporciona, principalmente nesta altura, em que está em plena lua de mel com a sua última mulher.
Os pelicanos que fizeram o ninho nos ramos altos dos poilões e do pau-bicho encarregaram-se de caiar de branco os potes de barro que assina­lam as sepulturas. A um canto, fica o local das oferendas, onde os sacerdotes vêm fazer os seus sacrifícios e invocar os espíritos dos antepassados. Não falta o pote com vinho de palma e há pulseiras, cabaças, colares de contas e outras bugigan­gas com que as famílias querem honrar a memória dos seus mortos.
Saímos. Na estrada vemos passar por entre nuvens de poeira dois camiões que vão para Bula. É domingo. São jogadores de futebol que se deslocam à sede do posto. Bula joga contra Canchungo para disputa do Campeonato da Guiné.
Os rapazes que logo vão chutar às redes, no meio da algazarra infernal do gentio, que se apaixona por todos os jogos de competição, são filhos dos Papéis, dos Brames e dos Manjacos que Teixeira Pinto submeteu há trinta anos ao domínio português.
Esta simples observação, que à primeira vista parece de pouca importância, depõe por forma eloquente a favor dos nossos métodos de colonização e da nossa acção civilizadora em Africa. 


14 de dezembro de 2011

327-Endechas a Bárbara Escrava

Uma belíssima aguarela da amiga Leonor Machado. Mais uma vez ela teve a amabilidade de nos presentear com um belo poema (foi antes a "Lágrima de preta", do António Gedeão): desta vez do nosso Luís de Camões. E é verdade: muitas canções melancólicas,  endechas, nos lembram as presenças serenas que muitas tormentas amansaram com pretidões de amor. Mas não eram escravas: eram senhoras de quem estava cativo.

13 de dezembro de 2011

326-Texto da autoria do Tenente-Coronel da Força Aérea José Lucas acerca do resgate dos pescadores das Caxinas

O Torcato Mendonça achou que este texto devia ser publicado num blogue, para ser mais amplamente conhecido. Eu tinha-lho enviado por mail. Ainda me pus a pensar que isto não tinha a ver com a Guiné, nem com a guerra que lá passámos. Mas acabei por pensar que sim, que tinha também a ver com a forma com são encarados os ex-combatentes, que arriscaram e deram, muitos, a sua vida. Vi há dias na televisão que o piloto do helicóptero teve uma recepção honrosa (não me lembro aonde...), e não é que não mereça, mas este sargento-ajudante  também. Vejam porquê.~



HERÓI POR 300 €


A notícia já correu o Mundo inteiro.

Seis tripulantes de um barco de pesca, o 'Virgem do Sameiro', de Caxinas, foram encontrados por um helicóptero EH-101 da Força Aérea e foram salvos pela tripulação do mesmo, nomeadamente por um Sargento-Ajudante (o recuperador - salvador), que pendurado num guincho, arriscou a sua vida em 6 subidas e descidas.
O panorama é inimaginável.
Um helicóptero no meio da imensidão do mar, com mar agitado, os pilotos tentando colocar o helicóptero na melhor posição (o que é dificílimo, tratando-se de um navio grande, quanto mais de uma simples balsa salva-vidas, a turbulência provocada pelas pás do aparelho, o recuperador - salvador a descer e a subir, a ter de recuperar um a um, estejam feridos ou não.
Parece algo de outro mundo, mas não é,... aliás, afinal é!
É algo do outro mundo, pelo menos do meu mundo, pois não tinha condições para o fazer.

É algo deste mundo, porque estes heróis da Força Aérea fazem-no diariamente, arriscando a sua vida para salvar outras vidas.

Muitas vezes fazem-no mas muito mais longe, a cerca de 150 km da costa. Se houver uma falha humana, uma avaria e o helicóptero cair, provavelmente morrerão (pois é preciso que outro meio aéreo que está em alerta descole, voe, os encontre com vida e consiga recuperá-los).

Mesmo assim, este militares cumprem o seu dever: têm família, filhos, que têm como dado adquirido que o pai volta mais logo e, nem imaginam que tal pode não acontecer.

Poucas pessoas sabem o seguinte:

a) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador está neste trabalho voluntariamente;

b) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador está neste trabalho porque passou por testes e provas dificílimas, apenas acessíveis aos melhores física e psicologicamente;
c) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador ganha cerca de 1300 € limpos (um profissional com muitos anos de carreira, que arrisca a vida muito mais do que ninguém, voluntariamente, por amor ao serviço, ao próximo);
d) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador tem de estar disponível 24 horas por dia, deixando a família para trás a qualquer momento, sempre que for chamado ao serviço inopinado;
e) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador recebe cerca de 300 € líquidos de risco de voo (menos do que os pilotos, que também arriscam a vida, mas arriscam menos pois não estão pendurados num guincho);
f) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador, tal como os demais militares dos 3 Ramos das Forças Armadas, continua a salvar vidas, com ânimo, profissionalismo e competência, apesar de lhe terem cortado o vencimento desde o ano passado, apesar de lhe terem tirado o subsídio de férias e de Natal, apesar de não ter perspectiva de evolução na carreira nem aumento de ordenado;
g) O Sargento-Ajudante recuperador-salvador não tem mordomias, carros de luxo, condutor, sala própria, secretária, telemóvel de serviço, despesas de representação chorudas, outros emolumentos mais ou menos disfarçados.
h) Para mim, estes são os verdadeiros heróis, aqueles que apesar de fortemente penalizados, fortemente incompreendidos, apenas lembrados aquando de actos heróicos mediáticos como este, continuam dia após dia a cumprir além do dever.
O Sargento-Ajudante recuperador-salvador, como todos os militares merecem o respeito por parte de quem governa, para que entendam que não se trata de um funcionário público (aliás muitos respeitáveis), mas sim de um cidadão especial, que jurou publicamente dar a vida pela Pátria, dar a vida para que outros vivam.
À atenção de quem de direito !!!

José Lucas


PS - Num exercício de imaginação, tentei considerar a hipótese dos respeitados e digníssimos representantes do povo, na Assembleia da República (AR) receberem 1300 € de vencimento mais 300 € de risco. Provavelmente a AR ficaria vazia.

Dir-me-ão: mas não é a mesma coisa, são responsabilidades diferentes.
Pois são: o Sargento-Ajudante recuperador-salvador arrisca a vida diariamente para que outros vivam!

325-Manifestação Nacional da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, Lisboa em 18 de Maio de 2008.

9 de dezembro de 2011

322-Sá da Bandeira contra a escravatura

É um livro em que Sá da Bandeira faz o percurso do uso da escravatura ao longo da História, abençoado por bulas papais, praticada por padres, monges e cruzados. Apresento o que me parece particularmente interessante: os esforços que fez para acabar com essa prática em Portugal e as resistências que encontrou, particularmente dos colonos de Angola e S.Tomé. Era aí, nas suas roças e plantações, que o trabalho escravo era grandemente utilizado para fartos rendimentos. Também quanto aos ganhos do tráfico de escravos nessas colónias ele apresenta números significativos. Não fala praticamente na Guiné porque o uso de escravos nessa colónia não teria interesse económico, pela pequenez do território e pela inexistência de grandes recursos, mesmo os agrícolas. Aí só o envio de escravos para fora. Mas não é disso que ele trata, refere-se, como o título do livro aponta, do trabalho africano na perspectiva da administração colonial.

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