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27 de fevereiro de 2012

399-Histórias crioulas


FÁBULAS (STORIAS)
Estes textos foram extraídos do livro O CRIOULO PORTUGUÊS DA GUINÉ-BISSAU, de Hildo Honório do Couto, publicado em Hamburgo pela editora Helmut Buske Verlag, na série Kreolische Bibliotheke, n.º 14, em 1994.
*   *   *
(NOTA: na leitura em crioulo, c = tch, j=dj, N = velar nasal)

1. Lobo co garça (texto em crioulo)
Narrador: -- Er-ier...
Ouvintes: -- Era ba, certo!
Narr.: -- Lobo ta comê dessalmado!
Ouv.: -- Bardade!
Narr.: -- Falado, comâ lobo co sê okessa comê um dia tork oss trabessal na gargante.
Ouv.: -- Bom fêto!
Narr.: -- Pó preto sta ba tarpalhado; nim par púpa. Par si sorte, garça sá ba ta passâ; mofino fassel sinal, garça bem: surjon-grande! kel ora, ê cabâ rincal-óss d'garganta ê pidi sê págo.
Ouv.: -- Cô rossom.
Narr.: -- Mas ti-lobo jobéel ... ê bidâ ê falal: abóo .. bo stá na mangaçom: comâ-ké? bô pago! ... Logo bô ca contente inda êm dessá bo bussô bô gargante dentro na nha gherla? -- Assó bái! ... bô mal concido. Tamá sintido cam-torna panhabo, park-ê-ca dreto.
(Publicado por Marcelino de Barros e Adolfo da Silva em A Fraternidade, Guiné a Cabo Verde, Bolama, 31 de outubro de 1883. Reproduzido por COELHO 1886, cf. MORAIS-BARBOSA 1967, p. 156-157).

A hiena e a garça (tradução)
Narrador: -- Era uma vez...
Ouvintes: -- Sim, era uma vez!
Narr.: -- A hiena é uma glutona!
Ouv.: -- É verdade!
Narr.: -- Dizem que a hiena, com sua gulodice, um dia comeu até que um osso ficou atravessado em sua garganta.
Ouv.: -- Bem feito!
Narr.: -- A gulosa estava apavorada; não podia nem uivar. Para sua sorte, a garça estava passando; a mesquinha lhe fez um sinal e a garça se aproximou: esta era uma grande cirurgiã! Quando acabou de tirar o osso da garganta da hiena pediu-lhe a recompensa.
Ouv.: -- Isso é justo.
Narr.: -- Mas, a hiena olhou para ela ... virou e disse: você ... está querendo me fazer de boba: o quê? seu pagamento!! ... Você não ficou satisfeita só com o facto de eu deixar você enfiar seu bico em minha goela? -- Vai embora! ... sua infeliz. Cuidado para que eu não torne a vê-la, isso não é justo.



2. Kandonga ku amparante (texto em crioulo)
I ten ba un bias un omi ku tene kandonga, ma i ka tene kusa riba. I tene un kacon tras. I mbarka son un amparante ku sukundi na kacon. I bai i bai tok i ciga na Safin. Jintis e bin pidi buleia. E inci jintis karu. Suma cuba na cobi i mbarka kil jintis tras. E bai tok e ciga na Jugudul. Cuba para, cuba para son. Amparante manera ku i miti dentru di kacon i iabri son kacon. Ku velosidadi ku karu na bin ba ki jintis oja son manera ku kacon iabri. Omi lanta. Kada kin na kai na si ladu. Kada kin na kai. Te pa e ciga Gan-Mamudu, tudu ku sta ba na karu e muri. Amparante boka mara. Ma i bin fala elis kuma i cuba ku pul ba i miti dentru di kacon. Ami i ka kuma di difuntu. I ka algin ku muri ku tenedu na kacon. Bu obi.

A candonga e o cobrador (tradução)
Havia um homem que tinha uma candonga que não tinha tecto. Na carroceria havia um caixão. Em seguida o cobrador embarcou e se escondeu dentro do caixão. Assim foram até chegar a Safim. Algumas pessoas pediram carona. O homem encheu o carro de gente. Estava chovendo muito, mas embarcaram todos atrás (na carroceria). Continuaram a viagem até chegar a Jugudul. A chuva parou. O cobrador saiu de dentro do caixão. Na velocidade em que o veículo corria todos viram o caixão se abrir. O cobrador se levantou. Cada uma das pessoas caiu para um lado. Todos caíram. O cobrador ficou sem fala (boquiaberto). Todos que estavam na candonga caíram, até chegar a Gã Mamudu todos morreram. Apesar de ele lhes ter dito que não era defunto, que se metera dentro do caixão por causa da chuva.

26 de fevereiro de 2012

398-Tal como antes

Este panfleto foi escrito em 1932. Mudem os nomes e vejam que fica como agora.

25 de fevereiro de 2012

397-Um ex-camarada arrojado e... inovador

O José João Ormonde dos Santos foi meu camarada no COM (Curso de Oficiais Milicianos) em Mafra, no 2º ciclo do 2º Pelotão da 3ª do COM, em Abril de 1966. Era um amigo bem divertido. Depois desse período nunca mais soube dele. Só em 1971 tive notícias dele (vão ver...). Foi pena, até para saber se foi mesmo como conta o CM... 

«Suzete andava danada com o noivo da filha: o enxoval estava pronto, os nomes Já tinham Ido a banhos, os padrinhos convidados - mas José João Ormonde dos Santos, estudante de engenharia e professor no colégio do pai, não se resolvia a levar Olga Maria ao altar. Para mais, até pedira à futura sogra 500 contos emprestados para o trespasse de um restaurante - e nunca mais acertava contas.
Padecia Suzete cada vez mais inquieta, quando um belo dia teve uma alegria inesperada. Ao principio da tarde de 21 de Junho de 1971, José João e o irmão mais novo, João Manuel, apareceram-lhe em casa, um espaçoso primeiro andar a dois passos da Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa. Os manos estavam contentes da vida.
Entregaram-lhe 25 contos em notas e juraram pagar o resto dos 500 contos dai a dois ou três dias. Suzete agradeceu aos céus de contente – e nem deu importância a um pesado saco de viagem que eles lhe pediram para guardar. No outro dia de manhã, Suzete cruzou-se com a porteira, Leonor, na entrada do prédio. Contou-lhe tudo:
- Sabe quem esteve ontem ã tarde em minha casa? O José João.
- Até que enfim vamos ter casamento - comentou a porteira, de ouvido à espera de mais pormenores.
- Ele não falou disso... Mas ao menos vai-me pagar os 500 contos. Deu-me ontem 25 e prometeu o resto dai a dois ou três dias - disse Suzete.
- Tem graça... Li no jornal que ontem houve um assalto a um banco. Parece que roubaram uns dois mil contos - disse Leonor.
Suzete lembrou-se do saco que os rapazes lhe pediram para guardar. Despediu-se da porteira à pressa e voltou a subir as escadas. Mal entrou em casa, contou à filha a conversa com a porteira.
Mãe e filha, roídas pela curiosidade, decidiram abrir o saco de viagem - e o que viram deixou-as sem respiração: o saco, pousado sobre a arca do enxoval que aguardava uso, estava cheio de maços de notas ainda com as cintas do banco. Avisavam a Polida, devolviam o saco aos irmãos Ormonde – ou faziam de conta que não tinham visto nada? As duas mulheres nem tiveram apetite para o almoço.
Ainda nesse dia, por volta das oito da noite, o telefone tocou no comando da PSP, no velho edifício do Governo Civil, ao Chiado: uma mulher revelou ao agente que a atendeu as suspeitas sobre os irmãos Ormonde. A PSP levou a denúncia a sério. No outro dia de manhã,  48 horas depois do roubo na agência do Banco Pinto de Magalhães, os dois foram presos.
José João, o mais velho, era o braço-direrto do pai no colégio: dava aulas e desempenhava o cargo de sub-director. João Manuel, o mais novo, terminara o liceu e ainda não decidira sobre o rumo a dar à vida. Viviam desafogados em dinheiro e tinham um fraquinho pelos delírios da noite.
Numa dessas madrugadas de desvaria encontraram Wilson Filipe, o 'Sabu', então com 23 anos, regressado da guerra na Guiné, onde servira na Armada. 'Sabu', natural do concelho da Azambuja, ajeitara-se por Lisboa guando terminou a comissão no Ultramar. Morava num segundo andar da Rua da Atalaia, no coração do Bairro Alto, onde tinha duas mulheres por conta: dava-lhes protecção e geria-lhes o negócio. Não era um menino bem comportado - mas tirando as arrelias com a brigada de costumes, nada devia à Justiça.
Os Ormonde encontraram o homem que lhes faltava para o assalto - operacional capaz de arquitectar um plano, recrutar executantes e comandar o golpe. Numa noite de copos, convenceram-no. Wilson reuniu dois amigos: Fernando Pio, de 22 anos, mecânico, e António Reis, de 24. O primeiro fora seu camarada na Marinha. O outro, algarvio, engraxava sapatos no Rossio: participava em combates de boxe e era uma espécie de guarda-costas de 'Sabu'.
O golpe foi desferido ao final da manhã de 21 de Junho de 1971. O 'comandante' da operação não quis ninguém armado: as armas utilizadas no assalto eram de plástico.
Quatro clientes - uma mulher e três homens - eram atendidos ao balcão. 'Sabu', de pistola na mão, obrigou o gerente a abrir o cofre do tamanho de um roupeiro. Nunca tinha visto tanto dinheiro. O suor escoria-lhe pelas fontes. Nem deu pela aproximação de um agente da PSP à civil que lhe apontou uma pistola à cabeça. Mas o Reis estava atento. Encostou a metralhadora de plástico ao policia e gritou: "Se o matas morres!" O policia voltou-se. Deu de caras com um Hércules de ar feroz, carantonha talhada a sopapos a fazer inteira justiça à alcunha de 'Feio' - e largou a arma. O assalto foi um êxito. Saíram, cada um para o seu lado. 'Sabu', agarrado ao saco, correu até ao Apeadeiro do Areeiro, onde os irmãos Ormonde o aguardavam, e entregou-lhes o dinheiro. Não imaginava que os imprudentes fossem guardar o saco em casa de Suzete. Os irmãos, presos, denunciaram os outros.
Encontraram-se todos na prisão.
GOLPE HISTÓRICO
- O golpe contra o Banco Pinto de Magalhães, na Avenida de Roma, em Lisboa, ficou para a história do crime - foi o primeiro assalto de delito comum contra uma agência bancária em Portugal
- Apenas Palma Inácio, destacado opositor da ditadura, se atrevera a atacar um banco: fê-lo na Figueira da Foz, em 17 de Maio de 1967, para financiar a revolução
- 'Sabu', Pio e Reis levaram 2180 contos do Banco Pinto de Magalhães - o que, na época, dava para comprar três apartamentos.
- Os assaltantes deixaram os quatro clientes do banco, os seis funcionários e o policia com bolsas de pano, iguais ás que usavam para o pão, enfiadas na cabeça.
PRESOS POLÍTICOS
JULGAMENTO: Wilson Flilipe ('Sabu'), Fernando Pio, António Reis e os irmãos Ormonde dos Santos foram julgados, em 1971, no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa.
PENAS: Os dois irmãos foram condenados como mandantes do assalto. Apanharam as penas mais severas: José João, o mais velho, levou 14 anos de cadeia; o mais novo, João Manuel, foi punido com 12 anos. Os outros três foram condenados, cada um, a seis anos de prisão.
LIBERDADE: Nenhum deles cumpriu as penas até ao fim. A voragem da Revolução de Abril encontrou-os na Penitenciária de Lisboa. O assalto foi então considerado um golpe com motivações políticas - e os cinco saíram em liberdade.»


“Correio da Manhã”, Polícias e Ladrões, 11 de Março de 2003

O Wilson Filipe, "Sabu", foi, em 1975, o líder da ocupação da herdade Torre Bela pelos trabalhadores agrícolas sem terra de Manique do Intendente, Macussa e Lapa, localidades do Ribatejo, transformando-a depois em cooperativa.

24 de fevereiro de 2012

23 de fevereiro de 2012

395-Eu e os "Jagudis"

"Jagudis" foi o nome adoptado pelo meu grupo de combate, na Companhia de Caçadores Nº 3, em Barro. Eram do chamado "recrutamento da Província" e, por isso e tal como os recrutados na "Metrópole", tinham de cumprir o serviço militar obrigatório. Como tal foram-lhe atribuídas missões durante a guerra colonial. Ali, em Barro, era, sobretudo, tentar evitar as infiltrações de elementos do PAIGC vindos do Senegal, especialmente os abastecimentos em material de guerra e alimentos. Participavam também em operações na zona com outras companhias, particularmente em Sambuiá.
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21 de fevereiro de 2012

394-Livros de Amílcar Cabral


Estão aqui:Unidade e Luta, Partir da Realidade da Nossa Terra, O Nosso Partido e a Luta, Para a Melhoria do Nosso Trabalho Político, Fundamentos e Objectivos, Uma Luz Fecunda Ilumina o Caminho da Luta, Luta do Povo, Nem Toda a Gente é do Partido
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