Lembranças da Guiné, na guerra e já fora dela. Pesquisa, comentários e factos. A memória sempre presente. Não está por ordem. É conforme me vou lembrando. Tudo o que tem a ver com a Guiné, a sua história, as etnias, a colonização e as guerras de resistência. Também a minha experiência durante a guerra colonial (está nos primeiros posts). Para quem não sabe ou viveu que veja e avalie se é realidade ou ficção. Para quem sabe ou viveu são lembranças.
29 de fevereiro de 2012
401-Cenas de guerra
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28 de fevereiro de 2012
400-Algumas aves da Guiné
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27 de fevereiro de 2012
399-Histórias crioulas
FÁBULAS
(STORIAS)
Estes textos foram
extraídos do livro O CRIOULO PORTUGUÊS DA GUINÉ-BISSAU, de Hildo Honório do
Couto, publicado em Hamburgo pela editora Helmut Buske Verlag, na série
Kreolische Bibliotheke, n.º 14, em 1994.
* * *
(NOTA: na leitura em crioulo, c = tch, j=dj, N = velar nasal)
1. Lobo co garça
(texto em crioulo)
Narrador: -- Er-ier...
Ouvintes: -- Era ba, certo!
Narr.: -- Lobo ta comê dessalmado!
Ouv.: -- Bardade!
Narr.: -- Falado, comâ lobo co sê
okessa comê um dia tork oss trabessal na gargante.
Ouv.: -- Bom fêto!
Narr.: -- Pó preto sta ba tarpalhado;
nim par púpa. Par si sorte, garça sá ba ta passâ; mofino fassel sinal, garça
bem: surjon-grande! kel ora, ê cabâ rincal-óss d'garganta ê pidi sê págo.
Ouv.: -- Cô rossom.
Narr.: -- Mas ti-lobo jobéel ... ê bidâ
ê falal: abóo .. bo stá na mangaçom: comâ-ké? bô pago! ... Logo bô ca contente
inda êm dessá bo bussô bô gargante dentro na nha gherla? -- Assó bái! ... bô
mal concido. Tamá sintido cam-torna panhabo, park-ê-ca dreto.
(Publicado por Marcelino de Barros e
Adolfo da Silva em A Fraternidade, Guiné a Cabo Verde, Bolama, 31 de
outubro de 1883. Reproduzido por COELHO 1886, cf. MORAIS-BARBOSA 1967, p.
156-157).
A hiena e a garça
(tradução)
Narrador: -- Era uma vez...
Ouvintes: -- Sim, era uma vez!
Narr.: -- A hiena é uma glutona!
Ouv.: -- É verdade!
Narr.: -- Dizem que a hiena, com sua
gulodice, um dia comeu até que um osso ficou atravessado em sua garganta.
Ouv.: -- Bem feito!
Narr.: -- A gulosa estava apavorada;
não podia nem uivar. Para sua sorte, a garça estava passando; a mesquinha lhe
fez um sinal e a garça se aproximou: esta era uma grande cirurgiã! Quando
acabou de tirar o osso da garganta da hiena pediu-lhe a recompensa.
Ouv.: -- Isso é justo.
Narr.: -- Mas, a hiena olhou para ela
... virou e disse: você ... está querendo me fazer de boba: o quê? seu
pagamento!! ... Você não ficou satisfeita só com o facto de eu deixar você
enfiar seu bico em minha goela? -- Vai embora! ... sua infeliz. Cuidado para
que eu não torne a vê-la, isso não é justo.
2.
Kandonga ku amparante (texto em crioulo)
I ten ba un bias un omi ku tene kandonga, ma i ka
tene kusa riba. I tene un kacon tras. I mbarka son un amparante ku sukundi na
kacon. I bai i bai tok i ciga na Safin. Jintis e bin pidi buleia. E
inci jintis karu. Suma cuba na cobi i mbarka kil jintis tras. E bai tok e ciga
na Jugudul. Cuba para,
cuba para son. Amparante manera ku i miti dentru di kacon i iabri son kacon. Ku
velosidadi ku karu na bin ba ki jintis oja son manera ku kacon iabri. Omi
lanta. Kada kin na kai na si ladu. Kada kin na kai. Te pa e ciga Gan-Mamudu,
tudu ku sta ba na karu e muri. Amparante boka mara. Ma i bin fala elis kuma i
cuba ku pul ba i miti dentru di kacon. Ami i ka kuma di difuntu. I ka algin ku
muri ku tenedu na kacon. Bu obi.
A candonga e o
cobrador (tradução)
Havia um homem que tinha uma candonga
que não tinha tecto. Na carroceria havia um caixão. Em seguida o cobrador
embarcou e se escondeu dentro do caixão. Assim foram até chegar a Safim.
Algumas pessoas pediram carona. O homem encheu o carro de gente. Estava
chovendo muito, mas embarcaram todos atrás (na carroceria). Continuaram a
viagem até chegar a Jugudul. A chuva parou. O cobrador saiu de dentro do
caixão. Na velocidade em que o veículo corria todos viram o caixão se abrir. O
cobrador se levantou. Cada uma das pessoas caiu para um lado. Todos caíram. O
cobrador ficou sem fala (boquiaberto). Todos que estavam na candonga caíram,
até chegar a Gã Mamudu todos morreram. Apesar de ele lhes ter dito que não era
defunto, que se metera dentro do caixão por causa da chuva.
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26 de fevereiro de 2012
398-Tal como antes
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25 de fevereiro de 2012
397-Um ex-camarada arrojado e... inovador
O José João Ormonde dos Santos foi meu camarada no COM (Curso de Oficiais Milicianos) em Mafra, no 2º ciclo do 2º Pelotão da 3ª do COM, em Abril de 1966. Era um amigo bem divertido. Depois desse período nunca mais soube dele. Só em 1971 tive notícias dele (vão ver...). Foi pena, até para saber se foi mesmo como conta o CM...
«Suzete andava danada com o noivo da filha: o enxoval estava pronto,
os nomes Já tinham Ido a banhos, os padrinhos convidados - mas José João Ormonde
dos Santos, estudante de engenharia e professor no colégio do pai, não se
resolvia a levar Olga Maria ao altar. Para mais, até pedira à futura sogra 500 contos
emprestados para o trespasse de um restaurante - e nunca mais acertava contas.
Padecia Suzete cada vez mais inquieta, quando um belo dia
teve uma alegria inesperada. Ao principio da tarde de 21 de Junho de 1971, José
João e o irmão mais novo, João Manuel, apareceram-lhe em casa, um espaçoso
primeiro andar a dois passos da Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa. Os manos
estavam contentes da vida.
Entregaram-lhe 25 contos em notas e juraram pagar o resto dos
500 contos dai a dois ou três dias. Suzete agradeceu aos céus de contente – e nem
deu importância a um pesado saco de viagem que eles lhe pediram para guardar.
No
outro dia de manhã, Suzete cruzou-se com a porteira, Leonor, na entrada do
prédio. Contou-lhe tudo:
- Sabe quem esteve ontem ã tarde em minha casa? O José João.
- Até que enfim vamos ter casamento - comentou a porteira,
de ouvido à espera de mais pormenores.
- Ele não falou disso... Mas ao menos vai-me pagar os 500
contos. Deu-me ontem 25 e prometeu o resto dai a dois ou três dias - disse
Suzete.
- Tem graça... Li no jornal que ontem houve um assalto a um
banco. Parece que roubaram uns dois mil contos - disse Leonor.
Suzete lembrou-se do saco que os rapazes lhe pediram para
guardar. Despediu-se da porteira à pressa e voltou a subir as escadas. Mal
entrou em casa, contou à filha a conversa com a porteira.
Mãe e filha, roídas pela curiosidade, decidiram abrir o saco
de viagem - e o que viram deixou-as sem respiração: o saco, pousado sobre a
arca do enxoval que aguardava uso, estava cheio de maços de notas ainda com as
cintas do banco. Avisavam a Polida, devolviam o saco aos irmãos Ormonde – ou faziam
de conta que não tinham visto nada? As duas mulheres nem tiveram apetite para o
almoço.
Ainda nesse dia, por volta das oito da noite, o telefone
tocou no comando da PSP, no velho edifício do Governo Civil, ao Chiado: uma
mulher revelou ao agente que a atendeu as suspeitas sobre os irmãos Ormonde. A
PSP levou a denúncia a sério. No outro dia de manhã, 48 horas depois do roubo na agência do Banco
Pinto de Magalhães, os dois foram presos.
José João, o mais velho, era o braço-direrto do pai no
colégio: dava aulas e desempenhava o cargo de sub-director. João Manuel, o mais
novo, terminara o liceu e ainda não decidira sobre o rumo a dar à vida. Viviam
desafogados em dinheiro e tinham um fraquinho pelos delírios da noite.
Numa dessas madrugadas de desvaria encontraram Wilson
Filipe, o 'Sabu', então com 23 anos, regressado da guerra na Guiné, onde
servira na Armada. 'Sabu', natural do concelho da Azambuja, ajeitara-se por
Lisboa guando terminou a comissão no Ultramar. Morava num segundo andar da Rua da
Atalaia, no coração do Bairro Alto, onde tinha duas mulheres por conta:
dava-lhes protecção e geria-lhes o negócio. Não era um menino bem comportado -
mas tirando as arrelias com a brigada de costumes, nada devia à Justiça.
Os Ormonde encontraram o homem que lhes faltava para o
assalto - operacional capaz de arquitectar um plano, recrutar executantes e
comandar o golpe. Numa noite de copos, convenceram-no. Wilson reuniu dois
amigos: Fernando Pio, de 22 anos, mecânico, e António Reis, de 24. O primeiro
fora seu camarada na Marinha. O outro, algarvio, engraxava sapatos no Rossio:
participava em combates de boxe e era uma espécie de guarda-costas de 'Sabu'.
O golpe foi desferido ao final da manhã de 21 de Junho de
1971. O 'comandante' da operação não quis ninguém armado: as armas utilizadas
no assalto eram de plástico.
Quatro clientes - uma mulher e três homens - eram atendidos
ao balcão. 'Sabu', de pistola na mão, obrigou o gerente a abrir o cofre do
tamanho de um roupeiro. Nunca tinha visto tanto dinheiro. O suor escoria-lhe
pelas fontes. Nem deu pela aproximação de um agente da PSP à civil que lhe
apontou uma pistola à cabeça. Mas o Reis estava atento. Encostou a metralhadora
de plástico ao policia e gritou: "Se o matas morres!" O policia
voltou-se. Deu de caras com um Hércules de ar feroz, carantonha talhada a
sopapos a fazer inteira justiça à alcunha de 'Feio' - e largou a arma. O
assalto foi um êxito. Saíram, cada um para o seu lado. 'Sabu', agarrado ao
saco, correu até ao Apeadeiro do Areeiro, onde os irmãos Ormonde o aguardavam,
e entregou-lhes o dinheiro. Não imaginava que os imprudentes fossem guardar o
saco em casa de Suzete. Os irmãos, presos, denunciaram os outros.
Encontraram-se todos na prisão.
GOLPE HISTÓRICO
- O golpe contra o Banco Pinto de Magalhães, na Avenida de
Roma, em Lisboa, ficou para a história do crime - foi o primeiro assalto de
delito comum contra uma agência bancária em Portugal
- Apenas Palma Inácio, destacado opositor da ditadura, se
atrevera a atacar um banco: fê-lo na Figueira da Foz, em 17 de Maio de 1967,
para financiar a revolução
- 'Sabu', Pio e Reis levaram 2180 contos do Banco Pinto de
Magalhães - o que, na época, dava para comprar três apartamentos.
- Os assaltantes deixaram os quatro clientes do banco, os
seis funcionários e o policia com bolsas de pano, iguais ás que usavam para o
pão, enfiadas na cabeça.
PRESOS POLÍTICOS
JULGAMENTO: Wilson Flilipe ('Sabu'), Fernando Pio, António
Reis e os irmãos Ormonde dos Santos foram julgados, em 1971, no Tribunal da
Boa-Hora, em Lisboa.
PENAS: Os dois irmãos foram condenados como mandantes do
assalto. Apanharam as penas mais severas: José João, o mais velho, levou 14
anos de cadeia; o mais novo, João Manuel, foi punido com 12 anos. Os outros
três foram condenados, cada um, a seis anos de prisão.
LIBERDADE: Nenhum deles cumpriu as penas até ao fim. A
voragem da Revolução de Abril encontrou-os na Penitenciária de Lisboa. O assalto
foi então considerado um golpe com motivações políticas - e os cinco saíram em
liberdade.»
“Correio da Manhã”, Polícias e Ladrões, 11 de Março de 2003
“Correio da Manhã”, Polícias e Ladrões, 11 de Março de 2003
O Wilson Filipe, "Sabu", foi, em 1975, o líder da ocupação da herdade Torre Bela pelos trabalhadores agrícolas sem terra de Manique do Intendente, Macussa e Lapa, localidades do Ribatejo, transformando-a depois em cooperativa.
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24 de fevereiro de 2012
396-Beldades da Guiné
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23 de fevereiro de 2012
395-Eu e os "Jagudis"
"Jagudis" foi o nome adoptado pelo meu grupo de combate, na Companhia de Caçadores Nº 3, em Barro. Eram do chamado "recrutamento da Província" e, por isso e tal como os recrutados na "Metrópole", tinham de cumprir o serviço militar obrigatório. Como tal foram-lhe atribuídas missões durante a guerra colonial. Ali, em Barro, era, sobretudo, tentar evitar as infiltrações de elementos do PAIGC vindos do Senegal, especialmente os abastecimentos em material de guerra e alimentos. Participavam também em operações na zona com outras companhias, particularmente em Sambuiá.
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21 de fevereiro de 2012
394-Livros de Amílcar Cabral
Estão aqui:Unidade e Luta, Partir da Realidade da Nossa Terra, O Nosso Partido e a Luta, Para a Melhoria do Nosso Trabalho Político, Fundamentos e Objectivos, Uma Luz Fecunda Ilumina o Caminho da Luta, Luta do Povo, Nem Toda a Gente é do Partido
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20 de fevereiro de 2012
393-Homenagem feita ao Zé da Guiné
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392-Parque natural das lagoas de Cufada
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