Lembranças da Guiné, na guerra e já fora dela. Pesquisa, comentários e factos. A memória sempre presente. Não está por ordem. É conforme me vou lembrando. Tudo o que tem a ver com a Guiné, a sua história, as etnias, a colonização e as guerras de resistência. Também a minha experiência durante a guerra colonial (está nos primeiros posts). Para quem não sabe ou viveu que veja e avalie se é realidade ou ficção. Para quem sabe ou viveu são lembranças.
16 de março de 2012
417-O balafon
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A. Marques Lopes
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15 de março de 2012
416-Os Donos do Chão

Mamadu Camará é o régulo de Cadique
Nalu. Aos 39 anos, recebeu a pesada herança de suceder
ao seu pai, Aladje
Salifo Camará, falecido em Janeiro de2011. Salifo era conhecido como 'o rei dos
Nalus', etnia que vive no sul da Guiné-Bissau há vários séculos. Homem de
extraordinária
sabedoria, Salifo era um dos mais respeitados régulos da região
de Cantanhez.
Com a sua morte, os irmãos mais velhos de Mamadu
decidiram que seria este jovem agricultor a suceder ao pai. Apanhado de
surpresa pela decisão, Mamadu aceitou o cargo. O filme pretende mostrar o seu
percurso antes da cerimónia de 'empossamento', e a sua nova vida como líder da
comunidade
As filmagens começaram em Maio de 2011 e a equipa vai
voltar à Guiné-Bissau em 2012 para continuar a rodagem do documentário.
ao seu pai, Aladje Salifo Camará, falecido em Janeiro de2011. Salifo era conhecido como 'o rei dos Nalus', etnia que vive no sul da Guiné-Bissau há vários séculos. Homem de extraordinária
sabedoria, Salifo era um dos mais respeitados régulos da região de Cantanhez.
Os Donos do Chão - teaser01 from Pedro Mesquita on Vimeo.
Nota de intenções
Mamadu
Camará é um jovem régulo, num país em que as lideranças tradicionais estão a
perder o seu lugar, tanto em termos simbólico como de efectivo exercício
dopoder. A sua história é um exemplo do tempo de mudança que se vive no país.
Após a independência, em 1973/74, o novo Estado reprimiu a acção dos regulados,
por serem vistos como um legado do colonialismo português, mas houve depois um
movimento de reabilitação dos poderes tradicionais. O poder central decidiu
apoiar os regulados como forma de governação de populações habituadas a viver
com escassos apoios de Bissau, mas hoje a influência dos régulos tem vindo a
perder força.
Mamadu
Camará vive em Cadique Nalu, uma tabanca do sul da Guiné-Bissau integrada no
Parque Natural de Cantanhez. É uma zona de terras férteis, em que a agricultura
e a pesca são as actividades primordiais. As várias espécies de animais
quevivem no Parque atraem investigadores de todas as partes, sobretudo pela
presença de populações de chimpanzés.
Tal como a
generalidade da Guiná-Bissau, a região de Tombali, onde se situa o parque
natural e a tabanca de Cadique Nalu, é um mosaico de etnias e religiões
diversas. Os Nalu, oriundos da actual Guiné-Conacri, foram dos primeiros a
instalar-se. A família de Mamadu estabeleceu uma longa linhagem de líderes
carismáticos, que permitiu que diferentes povos se instalassem e prosperassem
antes e depois da colonização europeia. Hoje, passada a guerra colonial e o
conturbado período da construção de um novo estado independente, as autoridades
tradicionais lutam por manter a sua importância. Importa realçar também o papel
dos 'homens grandes' – os velhos que são a memória viva das comunidades.
Pilares da coesão social e da cultura ancestral do seu povo, estes homens
guardam os segredos dos irans, os misteriosos espíritos da floresta. Os Nalu
conciliam a religião muçulmana com cultos animistas, feitos de cerimónias
misteriosas e muitas vezes secretas.
O filme a
que nos propomos pretende mostrar o caminho de Mamadu Camará antes e depois de
assumir o cargo de régulo de Cadique. Traçamos ainda os retratos de outros
líderes tradicionais da região, dos 'homens grandes' e das populações do sul da
Guiné. Acompanhamos o dia-a-dia de agricultores e pescadores, numa terra muito
rica em produtos agrícolas, mas em que o isolamento ditado pela falta de vias
de comunicação impede um desenvolvimento económico que melhore as condições de
vida das populações
Agradecimentos ao Mário Beja Santos e ao Carlos Vinhal por darem a conhecer isto, e também aos autores do sítio de onde extraí, com a devida vénia, os textos e o video (http://donos-do-chao.info/).
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14 de março de 2012
415-Memória de cão
(...) Bebia-se, como se em cada cerveja um
dia passasse, uma hora ao menos. E amava-se muito, sexo contra sexo, a alegria
breve de consumir o tempo. Falavam da guerra como de um deus distante, a alma mergulhada
num copo imensurável de bagaço lírico. Na mornaça dos dias, chegavam a
desejá-Ia toda mulher, possuí-Ia com o cio cantado dos animais, a mesma
ferocidade, o mesmo orgasmo selvagem, inexaurível. Corre o Cacheu, as águas
lodosas, todo ele aborrecido, variando o sentido da corrente, jogador paciente
sem parceiro, baralhando e dando as cartas como se rezasse o terço. Para lá do
rio, a imensa mata do Ohio, assumida em tumor de fogo e de quem esperavam
viesse a morteirada, a granada. Apesar do ranço lúdico em que viviam, eles
sabiam que a mata poderia vomitar, a qualquer momento, toneladas e toneladas de
destruição logo que o paroxismo da digestão parada ebulisse em metralha.
Olhavam para a mata do Ohio como para a bruxa má da infância. Se ela vomitasse
fogo, poderiam, enfim demonstrar a si próprios que ainda estavam vivos. Era
isto pecado de presunção, necessidade biológica de perigos, de sentir a morte
para espicaçar a vida. Porém, vadiava-se. O cansaço horizontalizava-os, a
satisfeita lassidão duma masturbação colectiva.
Sacudido daquele estupor pelo grito da mãe, João
começa a regressar da Guiné do seu caderno-diário. Limpou as lágrimas com as
costas da mão e, menino apanhado a roubar a maçã, sorriu com o receio da desculpa.
Ela correu-lhe para os braços, apertou-o muito, a voz apagada e aflita, "O
que foi que te fizeram, meu filho?!" João desprendeu-a devagar, fechou o
caderno diário com solenidade soberba, disse, "Nada, mãe!" Empurrado
mansamente pela sua última força, foi à cozinha, olhou para o fogo que cozia a
ceia e atirou com o caderno-diário. As chamas, lânguidas e sensuais, lamberam
gulosamente a capa. De súbito, animaram-se de impulsivo apetite e devoraram
todas as folhas. Entre as brasas de cedro, as suas cinzas confundiram-se para
sempre. João assistiu a este ritual de fogo com o mesmo gozo sádico de quem se
permite acompanhar o seu próprio funeral, a alma condenada à errância perpétua
ou ao sossego dos desaparecidos definitivos. Os fios que o atavam ao passado
estavam quebrados. Tudo se lhe afastou da memória, avião que descola e vai céu
acima, pássaro, insecto, nada. No ponto zero, ficavam os nomes, os lugares, os
factos. O presente tacteia sobre as patas breves do futuro. Fechou os olhos.
"Pronto!" Atrás de si, restava um cemitério de silêncio, invisível e
incontável, deserto, vazio, sumiço.
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13 de março de 2012
414-Captura do capitão cubano Peralta
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12 de março de 2012
413-Alpoim Calvão sobre a Operação Mar Verde
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11 de março de 2012
412-História do ensino na Guiné
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10 de março de 2012
411-Aspectos culturais da Guiné
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9 de março de 2012
410-Ki-yang-yang: uma nova religião dos balantas?
Carlos Cardoso era Director do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas) da Guiné-Bissau quando escreveu este estudo. Actualmente, o Director do INEP é Mamadu Jao. Este texto está na "Soronda - Revista de Estudos Guineenses" de 10 de Julho de 1990, publicada pelo INEP.
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8 de março de 2012
409-Mulheres da Guiné
Mulheres da Guiné
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7 de março de 2012
408-Ruas de Bissau
Bissau
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