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23 de maio de 2012

489-História da Guiné-Bissau em datas

O Mário Beja Santos enviou-me este texto com a nota, que transcrevo, de quem lho terá enviado a ele:

Meus caros, 
Mandaram-me o documento anexo que tem algum interesse, apesar de incompleto. Na parte final, verifiquei também que existiam alguns erros. De qualquer forma, fazia falta para todos os que se interessam pela história da Guiné, uma cronologia. Este escrito, supre uma lacuna importante apesar de alguns defeitos. Eu próprio estou a trabalhar numa cronologia da Guiné-Bissau contemporânea, tarefa muito trabalhosa onde luto com uma notória falta de documentação. Necessitaria de toda a possível ajuda para levar este projecto por diante, ficando-vos muito grato se me indicarem possíveis pistas, para além do Google e dos livros que tenho em casa e que já estão super-consultados. Os anos do consulado de Luís Cabral(74-80) são muito importantes e é sobre esse período que tenho uma maior carência de elementos.

Já agora a introdução é perfeitamente dispensável.

Com um abraço

Francisco Henriques da Silva

Este documento, controverso e discutível, em minha opinião, nas interpretações históricas que faz nos parágrafos iniciais, tem, como diz o Francisco Henrique da Silva, o mérito da elaboração de uma resenha cronológica da história dos povos da Guiné.



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22 de maio de 2012

488-A guerra colonial e o fim do regime

É na próxima 5ª feira, na Livraria Círculo das Letras, Rua Augusto Gil, 15B, em Lisboa (transversal da Av. João XXI)

487-Marcas da guerra colonial


«Compêndio» da Guerra
está de volta às livrarias


O livro MARCAS DA GUERRA COLONIAL voltou aos escaparates, vítima involuntária de um processo de insolvência em que a sua editora se viu envolvida durante os últimos três anos.

As “Marcas”, da autoria de Jorge Ribeiro, permaneceram – em conjunto com todos os títulos da Editora Campo das Letras – fora dos circuitos de comercialização por ordem judicial e enquanto o processo não foi concluído.

A partir de agora, os exemplares em stock podem ser adquiridos em Lisboa, na Livraria Círculo das Letras, à Rua Augusto Gil, 15 B (ao Campo Pequeno), telf: 210938753 livraria@circulodasletras.pt, e no Porto na Livraria da UNICEPE, na Praça de Carlos Alberto, 128 (esquina com a Praça dos Leões), telf: 222056606 Unicepe@net.novis.pt.

“Marcas da Guerra Colonial” (1999) foi objecto de duas edições, e revelou-se cedo uma fonte extraordinária de consulta para o estudo da guerra em África, referência em inúmeros trabalhos académicos e na Imprensa. Um antigo ministro da Educação, Marçal Grilo, chegou a considerar as “Marcas” como obra imprescindível nas bibliotecas escolares.

Segundo o escritor Jorge Ribeiro, «as Marcas abordam questões pouco discutidas, aprofunda outras com dados nunca revelados, e recolhe um vasto leque de opiniões de figuras da nossas História recente, capazes de facilitar um juízo mais claro e correcto do que foi a empresa de guerra que o colonialismo português produziu no Ultramar».

Capítulos: «Os Dias da Raça», «Os Estropiados», «As Doenças», «As Tropas Auxiliares», «As Mulheres na Guerra», «A Igreja e a Guerra», «A Guerra Química», «Os Crimes de Guerra», «O Natal do Soldado», «As Canções da Guerra», «A Camaradagem».

21 de maio de 2012

486-Buba



Eram os tempos da Guerra pela Independência para a GUINÉ Bissau, ( Guerra Colonial chamada em todo Mundo ). Foi também a primeira vez que peguei numa máquina de filmar, ( o formato ainda era 8mm). Eu tinha estado muito tempo a prestar serviço na cidade Capital, Bissau, e praticamente só conhecia a Guerra de ouvir falar. Aqui, em Buba, no Sul, soube melhor o que era a Guiné daqueles tempos, incluindo a experiência extrema, inenarrável, do que é, do que foi estar debaixo de fogo de morteiro horas a fio. Constroem-se " filmes " à velocidade da luz, e com a banda sonora mais horripilante que pode haver, comparativamente com tudo o que me é dado conhecer.
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20 de maio de 2012

485-Comportamento dos agricultores balantas


Segundo a Bíblia, Deus ordenou a Adão que comesse todos os fmtos das árvores do paraíso, mas não da «árvore que está no meio: a árvore da ciência do bem e do mal. Esta árvore não pode ser senão a árvore produtora da semente. Com efeito, conforme se come ou não a semente, assim se adquire a ciência do mal ou do bem. Comendo-a, não se pode agricultar no ano seguinte e há consequentemente fome, des­graça e infortúnio; não a comendo, há a possibilidade da cultura, da reprodução: felicidade, bem-estar, bem-aventurança.
Todos os episódios da Bíblia relacionados com o paraíso e com a vida de Adão e Eva e seus filhos adaptam-se perfeitamente a esta hipó­tese. Senão, vejamos:
Comecemos pelo episódio da tentação da Eva e da queda de Adão. Eva, como mulher, como pessoa encarregada de preparar a comida, desacatando a recomendação de Deus, come o fruto proibido e dá-o a comer a Adão. Logicamente, o que resultou daí? Falta de semente para a cultura do ano imediato: o mal, a fome, a desgraça.
Quem convida a Eva a comer a semente? A serpente. Porque a ser­pente e não outro animal? Porque a serpente é a constelação que surge no firmamento, no hemisfério norte, justamente no fim da época da colheita dos frutos.
Da ciência de guardar a semente depende o bom êxito de toda a actividade agrícola. Se esta actividade trouxe noutras eras à humanidade incalculáveis benefícios e lhe facilitou a vida, ela só foi possível, con­fiando a entes sobrenaturais a conservação da semente. Não foi, sem uma razão forte, poderosa, inteligente, que Deus recomendou a Adão que não comesse os frutos da «árvore que está no meio do paraíso». Não é também sem um objectivo definido que o agricultor balanta guarda a semente e a considera «tabú», enquanto não chegar a época da sementeira.
O paraíso bíblico só foi paraíso, enquanto a Eva não cometeu o pecado - não comeu e deu a comer a Adão o fruto proibido: a semente.
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Que o paraíso bíblico não é mais que a reprodução romantizada da actividade agrícola, deduz-se da própria Bíblia, que o faz situar preci­samente nos locais onde o homem iniciou essa actividade, isto é, onde nasceram as primeiras civilizações, onde, enfim, os clãs se congregaram em tribos e as tribos se fundiram em núcleos nacionais: nos vales do Nilo, do Tigre e do Eufrates - no Egipto, na Etiópia, na Caldeia e na Assíria.
É da Bíblia o texto que se segue:
«Ora o senhor Deus tinha plantado, desde o princípio, um «paraíso ou jardim delicioso, no qual pôs o homem que tinha for­rnado. Tinha também o senhor Deus produzido da terra toda a casta «de árvores formosas à vista e cujo fruto era suave para comer e «a árvore da vida no meio do paraíso: árvore da ciência do bem e do mal. Deste lugar de delícia saía um rio que regava o paraíso, e que dali se divide em quatro canais: um se chama Fison (Nilo «superior) e este é o que torneia todo o país de Elvilath, onde nasce o oiro (nas origens do Nilo ficavam as minas de Salomão). E o oiro desta terra é excelente; ali também se acha o bedélio e a pedra cornelina. E o segundo rio chama-se Gehon (afluente do Nilo) e este é o que torneia todo o país da Etiópia. E o terceiro rio cha­ma-se Tigre, que corre para a banda dos assírios. E o quarto destes rios é o Eufrates. Tomou, pois, o senhor Deus ao homem e pô-lo «no paraíso das delícias, para ele o «HORTAR» e guardar».
Antes de serem descobertos os processos agriculturais, a vida do homem era um inferno. O seu alimento dependia unicamente da caça ou do gado domesticado. O homem deambulava peIa terra, em busca da pri­meira ou dos pastos para o segundo, num corrupio incessante, sem abri­gos onde se acoitar, sujeito a inúmeros e súbitos perigos. Atente-se no que seria a vida assim, sobretudo no Inverno, e no que se tornou depois, quando o homem entrou na fase agrícola, e ter-se-á a convicção de que realmente o paraíso bíblico é aquele que o homem alcançou, por graça de Deus, com a modificação da sua actividade.
À agricultura deve o homem o progresso e a civilização. Foi ela que lhe deu o conhecimento da marcha do tempo: a data da sementeira, a da germinação, a da frutificação e a da colheita; o conhecimento da geome­tria, pela necessidade de reconstituição das marcas delimitadoras das ter­ras, inutilizadas pelas grandes cheias que se verificavam nos vales do Nilo, do Tigre e do Eufrates; e o conhecimento da astronomia e da astrologia, pela constatação da influência de certos astros nas chuvas, nos ventos, nas cheias, no tempo em geral.
Foi a agricultura que contribuiu para a melhoria da existência dos povos. Sem agricultura a vida era um inferno; com ela passou a ser um paraíso.
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Adão e Eva são os nossos longínquos ascendentes agricultores. No período nómada, quando as sociedades humanas viviam em formações conhecidas pela designação geral de «clãs», os ascendentes eram outros: talvez um animal, talvez uma planta, talvez um feitiço. Com o advento do rnonoteismo, em plena fase agrícola, estes ascendentes tiveram natu­ralmente de ser substituídos por figuras míticas mais harmónicas com a crença incipiente. Manifestou-se assim a tendência para a sua humaniza­ção. Deus, inspirando Moisés, deu corpo à doutrina: criou Adão e Eva. Adão e Eva são, pois, os «totens» humanos da época moderna.
Adão vem do barro, porque é o barro - a terra - que lhe dá con­dições de existência.
Para melhor vincar os dois períodos - o nomadismo pastoril e o sedentarismo agrícola - a Bíblia personificou-os, dando aos filhos de Adão e Eva as profissões de pastor e lavrador: Abel, pastor de ovelhas, e Caim, agricultor.
Salientando a preferência dada pelo homem à vida agrícola e a sua correspondente aversão pela vida pastoril, refere-se a Bíblia ao desamor de Caim por Abel nestes termos:
«E Caim se irou fortemente e o seu semblante descaíu. E o Senhor lhe disse: porque descaiu a tua face? Porventura se tu obrares bem, não receberás recompensa? E se obrares mal, não estará logo o pecado (desgraça) à porta?»
Depois conta que Caim matou Abel, o que quer dizer que a vida agrícola triunfou, matando, eliminando a vida pastoril.
Porque o abandono total da vida pastoril não constitui um bem para a humanidade, visto que, em anos de crise, é ela que tem de forne­cer os elementos indispensáveis à existência, Deus assim se dirige a Caim, recriminando-o:
«Onde está o teu irmão? Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama deste a terra por mim. Agora, pois, serás tu maldito sobre a terra, que «abriu a boca e recebeu o sangue do teu irmão»
Foi abrindo a boca à terra, sulcando-a... que se alimentou Abel! A terra abriu a boca - e o sangue de Abel correu!
Em conclusão:
A semente constitui para o agricultor balanta «tabú», como «tabús» constituíram para os povos da antiguidade, simbolizados na figura de Adão, seu antepassado longínquo, os frutos da «árvore que estava no meio do paraíso: a árvore da ciência do bem e do mal».
O balanta guarda a semente como Deus disse a Adão que a guardasse.
O comportamento dos balantas é, pois, igual ao comportamento dos povos primitivos que se instalaram no paraíso: nos vales do Tigre, do Eufrates e do Nilo.

Bissau, 15 de Outubro de 1951.

Fernando Rogado Quintino
Administrador

19 de maio de 2012

484-As crenças dos povos da Guiné-PARTE II

Inteligente desmontagem dos preconceitos dos brancos para com as crenças dos povos da Guiné - B) O FEITICISMO DOS BRANCOS. É de 1949, tem mérito.(Ver aqui a PARTE I deste artigo) 
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17 de maio de 2012

482-As crenças dos povos da Guiné-PARTE I

Explicação das crenças dos povos da Guiné, e a sua prática. Fernando Rogado Quintino começa por nos dar uma panorâmica do aparecimento das várias crenças entre os povos da antiguidade, ligando-as, até, a muitas das crenças e simbologias do cristianismo. Homem culto, nesse aspecto, e homem interessado na compreensão dos povos que ele bem conheceu na Guiné.
(Ver aqui a PARTE II deste artigo)
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15 de maio de 2012

480-A Viagem do Tangomau

«A Viagem do Tangomau»
Lançamento em 19 de Junho,18:30, no Museu da Farmácia, Rua Marechal Saldanha, 1, em Lisboa