Lembranças da Guiné, na guerra e já fora dela. Pesquisa, comentários e factos. A memória sempre presente. Não está por ordem. É conforme me vou lembrando. Tudo o que tem a ver com a Guiné, a sua história, as etnias, a colonização e as guerras de resistência. Também a minha experiência durante a guerra colonial (está nos primeiros posts). Para quem não sabe ou viveu que veja e avalie se é realidade ou ficção. Para quem sabe ou viveu são lembranças.
26 de maio de 2012
492-Belas paisagens naturais da Guiné
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A. Marques Lopes
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25 de maio de 2012
491-O rito foi quebrado
GORA, a lua nasce tarde. Muito tarde. Por isso a tabanca está dispersa no
negrume opaco da noite e as palhotas são sombras que se adivinham.
De quando em quando um bovino muge sabe-se lá que dor oculta e rompe o silêncio
que aperta os homens e as coisas.
Então, qualquer
cão invisível rosna ao longe, para os lados da paliçada. A aragem branda, que
sobe do rio lamacento, agita os caules tenros do arroz e semeia mosquitos pela
povoação dormente.
Nenhuma voz
humana atravessa o barro, seco por muitos sóis, que reveste as casas. Porque
vozes algumas há para o atravessar. Os homens atiraram os arados para um canto,
ao cair da noite, e tombaram sobre as esteiras como mortos.
Anda no ar,
envolto no cheiro a esterco e a barro húmido, o odor acre do fumo que se filtra
pelo colmo das coberturas. Porque, em todas as casas, em todos os quartos, o
lume arde junto das esteiras iluminando os corpos nus que repousam. É uma
fumarada negra, lacrimogénia, que se eleva em novelos densos e escoa
lentamente, muito lentamente, pelas raras frinchas.
Também Naála Bari
sofre o horror do fumo. Ao canto do quarto, junto ao pote repleto de arroz,
quatro achas em chamas avolumam as sombras e traçam, na parede nua, riscos de
fumo.
Em casa de
Naála não há qualquer lanterna. Cuma Naté, o marido, é rico. Tem «bolanhas» extensas
e gado sem conta. Mas gasta, durante o «seco»,
todo o dinheiro em «cana».
Ela viu, uma
vez, Cuma receber muito dinheiro. Mas, desde logo, o «branco» da loja trouxe a aguardente
e disse coisas. Disse que Cuma
Naté não era macho. E levou-o, entre risos e muita conversa, para lá
do balcão. O dinheiro ficou todo, todo, que Cuma precisava mostrar que bebia
teso como verdadeiro macho.
Mas não o é. Ela já o viu tremer, como um garoto,
quando Madja Bagi o mediu com o olhar em fogo. Foi uma vergonha. O chefe
Infanda, encostado ao velho poilão, sorria de gozo e coçava a barba toda
branca, pontiaguda e revolta. Parecia um bode. Aquele bode preto que CIodjê
roubou aos mandingas da outra banda do rio. Foi uma vergonha.
Naála Bari sofre o horror do fumo e da maldição.
Talvez que o medo de Cuma criasse raiva no «lrã». Ou talvez Madja, que fala fula,
trouxesse deles os «mezinhos» maus que originam trabalhos.
O certo é que sobre ela tombou a maldição. Uma
maldição tão grande, tão grande, que a tolhe toda. Ela bem vê, no olhar de ódio
que a «jambacosse» lhe atira, a grandeza do seu pecado. Terá que dar-lhe muito
arroz para que se cale. Para que não conte nas tabancas vizinhas o castigo que
Cuma sofreu.
A medo, arriscou a mão pela largura da esteira.
Os gémeos recém-nados, mergulhados num torpor morno, enovelavam-se, unidos,
como se aguardassem ainda a saída para o mundo.
Agachada junto do fogo, a «jambacosse» cozinha o
arroz para levar, logo que o dia chegue, a estranhas divindades. Cuma Naté dirá
depois qual o porco a sacrificar. Depois ...
Mas agora, para já, antes que a Lua venha, urge
levar longe, para tão longe que não cause dano, aquela coisa que nasceu com o
filho de Cuma.
De súbito, uma dor funda obriga-a a sentar-se,
com um esgar: E se a velha se enganasse? Se expulsasse o filho de Cuma e
deixasse em casa aquele outro que ela pariu depois?
Mas não. Cumba Nantofá não se engana nunca. Está
na posse de todos os segredos e diz ao «Irã» palavras esquisitas.
E se lhe perguntasse?
Quando a velha, ao ouvir rumor, se voltou, apenas
viu um rosto torcido de dor, apavorado. Com um gesto seco obrigou-a a deitar e
atirou-lhe com o pano que Cuma usava quando ia ao Posto.
O carinho, por inusitado, enterneceu-a. Procurou
acomodar-se melhor e fechou os olhos. Um peso abrupto caiu-lhe sobre as
pálpebras. No ventre e coxas uma dor aguda e persistente. Vagamente, sentiu
que lhe sugavarn os seios. As cócegas obrigaram-na a erguer as mãos. Encontrou
duas cabeças quentes e peganhentas que lhe causaram repulsa. Mas não as
retirou. Ficou, inconscientemente, a afagá-las de manso ...
'"
* *
Tinha O corpo inundado em suor e uma secura na
boca, quando acordou. A dor que a prostrara, atenuara-se. Agora, apenas no
peito, sob o seio esquerdo, sofria uma picada mal definida, mas opressiva, que
cortava a respiração e punha tremuras nas pernas robustas.
De pé, bem
junto da esteira, a velha Nantofá fitava-a indiferente, com o olhar parado e
baço de gazela focada. Sem ódio. Sem simpatia. Apenas aquela impassível
serenidade de corpo sem alma que a amedrontava.
Com um gesto tímido, Naála Bari gemeu por água. A
«jambacosse» trouxe-lhe a caneca de folha oxidada que mergulhara no pote.
Enquanto sorvia a água a longos goles, recordou a tarde longínqua em que,
depois de farta colheita, Cuma aparecera fumando aqueles cigarros de «branco».
Ele despejara todos no seu bolso e dera-lhe a lata que, nesse tempo, era
brilhante e tinha um barco de muitas velas pintado a cores.
A velha atirou a caneca para um canto. Depois,
com um leve aceno, fitou-a nos olhos, fê-Ia erguer-se.
Naála sentiu, de novo, aquela dor teimosa
invadir-lhe o ventre escaldante. Cambaleou,
gemendo, e foi amparar-se pesadamente ao grande pote do arroz.
Quando ergueu os olhos doridos, encontrou O ricto
mau que contraía as feições da Cumba. E logo qualquer coisa fria, e demorada,
se lhe fincou na nuca e espalhou pela espinha. Sentiu, apavorada, que lhe
fugiam as forças. Que forças algumas há a opor à velha «jarnbacosse» inexorável como um destino.
Pensou no marido. Mas Cuma Naté, àquela hora,
estaria talvez bebendo com os «grandes», festejando o nascimento do filho. Só
de manhã receberia pública e oficialmente a feliz nova. E o tambor, sincopadamente, rasgará o espaço até comunicar a
notícia.
Mas o momento presente, este instante doloroso
que parece eternizar-se, é um duro transe. E a velha Cumba, seca e má, impondo
sua presença, imperturbavelmente...
Cá está ela, de novo. Põe-lhe nos braços um
pequeno embrulho quente. Quente e palpitante.
Sente, bem junto ao seu peito, nos braços
musculosos, em todo o corpo, a agitação daquele ser rabugento e choroso. E nas
costas, dura e incómoda, a pressão insistente dos dedos da Cumba que, sem
ruído, abriu a minúscula porta.
Um bafo frio, e húmido, esbofeteou Naála Bari. A
escuridão arrebatou-a. E levou-a consigo, através da povoação, vestindo-a de
humidade.
Apenas o instinto a guia pelos trilhos tantas
vezes pisados e que a noite escondeu. Por inúteis, leva os olhos semicerrados -
que o peso sobre eles é imenso. E o fardo que transporta, mudo e quedo depois
de o haver aconchegado a si, é, agora, apenas uma pequena máquina que trabalha
com imperceptíveis vibrações regulares.
O capim, alto e húmido, vergasta-lhe o rosto, com
pequenas pancadas frias. Das «bolanhas» vêm os gritos hílares dos sapos.
Dir-se-ia que milhões de chocalhos estão sendo agitados, freneticamente, em
toda a parte. Nos campos em volta, ao perto e ao longe, nos seus ouvidos e no
seu cérebro. Em toda a parte. Pela primeira vez nota esse barulho enorme, que
enche a noite, torturante até à loucura.
Lá em baixo, à sua esquerda, logo após a vedação
da «morança» dos Nantofás, a vereda corta quase em ângulo recto. Depois é o
mato. inóspito e fechado como um abismo. Ou uma maldição...
. ..Madja Bagi é
forte e audaz. Não teme o mato nem as moitas sem luz. E uma vez, em sua
honra, foi longe, longe, roubar a vaca malhada que todos cobiçavam. E ela, ela
foi para Cuma Naté, o homem que tremeu. O homem que, depois das colheitas, ouve
conversa de «branco» de lojas. Madja fala fula. Trouxe deles, decerto, o
segredo de fazer desgraça. Ou solicitou deles, talvez, o uso da maldição...
Naála Bari sabe que pouco andou ainda. A vereda
que conduz ao porto, para a direita, não foi atingida. Para lá, muito para lá,
acaba a tabanca. E depois, o mato.
A humidade que escorre, refrescando o seu corpo
em fogo, dá-lhe um alento que não supôs possível. Mas nos pés, invisíveis
grilhetas. pesadas como a noite, arrastam-lhe os passos. E luzes de febre,
irisadas
e imóveis, dançam em volta
incendiando-lhe as pálpebras. O pequeno fardo - pulsa que pulsa - é um chumbo que derreia. E quebra os braços.
Por isso, Naála
não pensa - sofre. Um mal estranho, indefinido e frio, dá-lhe uma sonolência de
anestesia.
Passos, passos. Luzes, ruídos,
dores. Febre, muita sede. Passos...
Fernando R. Barregão
Fernando R. Barregão
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24 de maio de 2012
490-Tabanka de lebre, lala
Tabanka de lebre, lala*
|
(Djitu ku pui lala bida Tabanka di lebre:
como é que a lala se tornou a Tabanka do lebrão)
|
Era, era…
|
Era uma vez, uma grande Tabanka de animais, chamada “lala”. Lá moravam quatro famílias. A
|
família lebre, a família cabra, a família lobo (hiena) e a família onça. Todos eram parentes tocados.
|
Porque eram todos animais da floresta. Mas mesmo assim, cada família, como é caso de todos os
|
Seres, tinha a sua Morança própria, dentro da grande Tabanka. Também cada família tinha o seu
|
dono de Morança, o chefe.
|
E o problema na Tabanka de lala era esse. Os donos de Morança não se entendiam. Ao contrário
|
das suas crianças. Essas se entendiam. Não tão perfeitamente bem, mas sim
razoavelmente.
|
Porque se cruzavam sós sem acompanhamento, não se roubavam a comida de uns aos
outros,
|
segundo a lei do mais forte, nem se furtavam, segundo a lei do
mais intriguista, e nem se brigavam
|
(como isso acontecia no caso dos seus pais, as vezes até a morte), segundo a lei do mais feroz.
|
Havia uma hierarquia entre os donos de Morança que não era observado entre os filhos. O
Papai
|
lebre era da categoria inferior de todos. Porque o mais fraco
(fisicamente), menos intriguista e
|
menos feroz. O sobrinho de todos. Ele tinha que apelar e tratar
os outros três de Tio. Tinha todavia
|
uma qualidade excepcional. Era uma pessoa de bem muito
respeitadora de outros seus
|
congéneres e uma pessoa de bons planos. E porque sobrinho, cultiva
esses valores em todas as
|
situações de vida.
|
O Papai cabra-bode era o sobrinho dos Papais lobo e onça. O Papai lobo, o sobrinho do Papai
|
onça, que era assim o único sem Tio na Tabanka. Só para lá fora tinha ele os Tios tigre, leão e
|
pecador que moravam em outras Tabankas.
|
Um dia, do regresso da caça, o Papai lebre encontra o Tio
cabra-bode numa fonte. Disse que caiu
|
lá por descuido. Fez tudo e não conseguia sair. Pedia por isso o
socorro ao sobrinho lebre.
|
O Papai lebre que não era forte, nem intriguista e nem
feroz, mas sim pessoa de bem, muito
|
respeitador das regras da vida conjunta e muito respeitadora da
força dos bons planos, pôs-se
|
logo a fabricar um bom plano sobre o assunto. Diz-se à si então, “ah, se dos três Tios maus, o
|
Senhor Deus mandou neutralizar um pelo calaboiço da fonte, então há que continuar por essa
|
via”. Princípio da solução encontrada, solução encontrada.
|
O Papai lebre fabrica logo então um acordo que apresenta ao Tio
cabra-bode. Oferecer-lhe-ia seu
|
socorro contra o abandono da Tabanka de lala, para ir morar
doravante e em definitivo, com a
|
família toda, na Tabanka do Tio pecador. Ele, o Papai lebre sabe,
que o Tio pecador, até a um certo
|
ponto, tolerava bem as famílias de animais do género de Tio cabra-bode. O Tio
cabra-bode, ciente
|
da sua situação e vantagens de se salvar a vida,
aceita o acordo. Celebram em seguida esse pela
|
partilha de uma cola de juramento. Cada um comendo uma parte,
jurando pela honra e alma deles
|
mesmos e pela honra e alma de todos os seus antepassados. O
Papai lebre vai e informa a família
|
do Tio cabra-bode, onde até lá ainda ninguém sabia de nada. Socorrido, o Tio
cabra-bode parte
|
O Tio lobo, no dia seguinte, reparando as pegadas do cabra-bode,
seu sobrinho mal querido e
|
sempre mal tratado, lança-se logo na perseguição deste sem nenhuma desconfiança. Finda a
|
caminhada exactamente na fonte.
|
O sobrinho lebre que aparece um tempo depois apresentá-lo-á a proposta do mesmo tipo de
|
acordo que celebrara com o Tio cabra-bode. Propondo-lhe mudar,
doravante e em definitivo, com
|
toda a família, para a Tabanka da mata de tarrafe e/ou de mantampa de serra
do Tio tigre. O Tio
|
lobo, ciente da sua situação e vantagens de se salvar a vida,
aceita o acordo. Os dois celebram em
|
seguida esse pela partilha de uma cola de juramento. Cada um
comendo uma parte, jurando pela
|
honra e alma deles mesmos e pela honra e alma de todos os seus
antepassados. O Papai lebre vai
|
e informa a família do Tio lobo da mesma maneira
como fez com a família do Tio cabra-bode.
|
Socorrido, o Tio lobo parte com a família toda de uma vez para sempre para
a Tabanka da mata de
|
tarrafe e/ou de mantampa de serra do Tio tigre. (A menos que
viesse mudar da atitude e do
|
comportamento no futuro de um Tio mau para um Tio bom).
|
O Tio onça é afastado pelo sobrinho lebre com a ajuda do mesmo tipo de
plano. Fabrica também
|
com a ajuda do amigo arquitecto, pedreiro e carpinteiro bagabaga
um calçado com a forma das
|
patas dos pés do Tio lobo. Depois camufla a
abertura da fonte como fez antes nos outros dois
|
casos e caminha com os sapatos da forma das patas dos pés do Tio lobo, calçados, até perto da
|
Morança do Tio onça para depois regressar ao local da
fonte.
|
O Tio onça ao acordar-se no dia seguinte e reparando as pegadas do lobo,
seu sobrinho mal
|
querido e sempre mal tratado, à volta da sua casa, lança-se logo na perseguição. Sem
|
desconfiança nenhuma. E finda também a caminhada exactamente como os
Tios cabra-bode e
|
lobo na fonte.
|
O sobrinho lebre aparece um tempo depois como fez nos dois
outros casos. Apresenta ao Tio onça
|
a proposta do mesmo tipo de acordo que apresentara aos Tios
cabra-bode e lobo e que celebrara
|
com eles. Propondo-lhe mudar, doravante e em definitivo, com
toda a família, para a Tabanka da
|
mata serrada do Tio leão. O Tio onça, também ciente da sua situação e vantagens de se salvar a
|
vida, fez como fizeram os Tios cabra-bode e lobo. Aceita o
acordo. Os dois celebram esse
|
partilhando a cola de juramento. Cada um comendo uma parte,
jurando pela honra e alma deles
|
mesmos e pela honra e alma de todos os seus antepassados. O
Papai lebre vai e informa a família
|
do Tio onça da mesma maneira como fez com a família do Tio cabra-bode e do Tio lobo.
Socorrido,
|
também o Tio onça parte com a família toda de uma vez para sempre para
a Tabanka da mata
|
serrada do Tio leão. (A menos que viesse mudar da
atitude e do comportamento no futuro de um
|
Tio mau para um Tio bom).
|
Feito tudo, a lebre, sem nunca se ter metido na categoria do
mais forte, nem do mais intriguista e
|
muito menos, do mais feroz, foi chamar toda a família para um grande meeting. Onde fez
um
|
grande discurso com grandes palavras que ficaram para sempre na
memória de todos os Seres da
|
A família lebre ficou como a única na lala. Mas, sempre esperançada de que algum dia os seus
|
parentes asilados conseguir-se-iam transformar-se em Seres bons
para assim poderem regressar
|
na sua Tabanka de lala. A sua Tabanka natal. Por isso, as lebres
até hoje, quando saem fora das
|
suas casas (esconderijos) bem arranjadas na lala, não passam o lapso de um tempinho sem
|
levantar as suas grandes orelhas para todas as direcções. É para ver se as famílias cabra, lobo e
|
onça já estão de regresso.
|
Moral da história (entre outras):
Uma comunidade com muitos membros poderosos
maus; se consegue ver colocado um desses maus, por um
|
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23 de maio de 2012
489-História da Guiné-Bissau em datas
O Mário Beja Santos enviou-me este texto com a nota, que transcrevo, de quem lho terá enviado a ele:
Meus caros,
Mandaram-me o documento anexo que
tem algum interesse, apesar de incompleto. Na parte final, verifiquei também que
existiam alguns erros. De qualquer forma, fazia falta para todos os que se
interessam pela história da Guiné, uma cronologia. Este escrito, supre uma
lacuna importante apesar de alguns defeitos. Eu próprio estou a trabalhar numa
cronologia da Guiné-Bissau contemporânea, tarefa muito trabalhosa onde luto com
uma notória falta de documentação. Necessitaria de toda a possível ajuda para
levar este projecto por diante, ficando-vos muito grato se me indicarem
possíveis pistas, para além do Google e dos livros que tenho em casa e que já
estão super-consultados. Os anos do consulado de Luís Cabral(74-80) são muito
importantes e é sobre esse período que tenho uma maior carência de
elementos.
Já agora a introdução é perfeitamente dispensável.
Com um
abraço
Francisco Henriques da Silva
Este documento, controverso e discutível, em minha opinião, nas interpretações históricas que faz nos parágrafos iniciais, tem, como diz o Francisco Henrique da Silva, o mérito da elaboração de uma resenha cronológica da história dos povos da Guiné.
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22 de maio de 2012
488-A guerra colonial e o fim do regime
É na próxima 5ª feira, na Livraria Círculo das Letras, Rua Augusto Gil, 15B, em Lisboa (transversal da Av. João XXI)
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487-Marcas da guerra colonial
está de volta às
livrarias
O
livro MARCAS DA GUERRA COLONIAL voltou aos escaparates, vítima involuntária de
um processo de insolvência em que a sua editora se viu envolvida durante os
últimos três anos.
As
“Marcas”, da autoria de Jorge Ribeiro, permaneceram – em conjunto com todos os
títulos da Editora Campo das Letras – fora dos circuitos de comercialização por
ordem judicial e enquanto o processo não foi concluído.
A
partir de agora, os exemplares em stock
podem ser adquiridos em Lisboa, na Livraria
Círculo das Letras, à Rua Augusto Gil, 15 B (ao Campo Pequeno), telf:
210938753 livraria@circulodasletras.pt, e no Porto na Livraria da UNICEPE, na
Praça de Carlos Alberto, 128 (esquina com a Praça dos Leões), telf: 222056606 Unicepe@net.novis.pt.
“Marcas
da Guerra Colonial” (1999) foi objecto de duas edições, e revelou-se cedo uma
fonte extraordinária de consulta para o estudo da guerra em África, referência
em inúmeros trabalhos académicos e na Imprensa. Um antigo ministro da Educação,
Marçal Grilo, chegou a considerar as “Marcas” como obra imprescindível nas bibliotecas
escolares.
Segundo
o escritor Jorge Ribeiro, «as Marcas abordam questões pouco discutidas,
aprofunda outras com dados nunca revelados, e recolhe um vasto leque de
opiniões de figuras da nossas História recente, capazes de facilitar um juízo
mais claro e correcto do que foi a empresa de guerra que o colonialismo
português produziu no Ultramar».
Capítulos:
«Os Dias da Raça», «Os Estropiados», «As Doenças», «As Tropas Auxiliares», «As
Mulheres na Guerra», «A Igreja e a Guerra», «A Guerra Química», «Os Crimes de
Guerra», «O Natal do Soldado», «As Canções da Guerra», «A Camaradagem».
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