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28 de junho de 2012

512-A Guiné na Constituição de Portugal

Com devida vénia, 0rigem deste documento: www.cart1525.com/gouveia/constituicao.pdf 

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25 de junho de 2012

510-Encontro da CCAÇ2531 em Paços de Ferreira


ENCONTRO DE EX-COMBATENTES EM PAÇOS DE FERREIRA

Por  Carlos  Morgadinho


Todos os anos, e por todos os lugares, vilas e cidades do nosso Portugal, é habitual realizarem-se encontros/convívios de ex-combatentes da guerra colonial nas três frentes das então chamadas colónias africanas da Guiné, Angola e Moçambique. Esta luta armada dos movimentos libertadores daqueles mencionados países do Continente Africano pôs um ponto final ao império português de mais de quinhentos anos como também contribuiu para a queda da ditadura que vigorava na Pátria Lusa desde 1928, pelo golpe de estado que eclodiu no dia 25 de Abril de 1974 e por muitos conhecida pela “Revolução dos Cravos”. Mais de oitocentos mil soldados foram, em treze anos, de 1961-1974, enviados para o teatro de guerra onde nove mil tombaram acrescido de um número ainda incerto mas calculado em cerca de cem mil baixas entre feridos, estropiados e trauma psiquiátrico, ou pós traumático síndroma, que vem com mais ou menos incidência afetando a qualidade de vida desses ex-combatentes.
Desta vez, e por estarmos em serviço em Portugal, fomos convidados pelo coronel reformado de Infantaria, Sebastião Goulão, a estarmos presentes num desses muitos encontros de ex-combatentes, duma unidade destacada na Guiné, a Companhia de Caçadores 2531, que se realizou no Restaurante Montanha Azul, em Erzil, em Paços de Ferreira, no passado dia 19 de Maio, com a presença de 80 convivas entre membros daquela Companhia e familiares.
Rapidamente iremos focar a origem desta referida Companhia que foi formada em Abrantes, no Quartel do Regimento de Infantaria 2 e sob o comando do capitão Sebastião Goulão embarcou para a Guiné no ano de 1969 tendo regressado a Portugal no dia 12 de Fevereiro de 1971, com menos 40 homens (2 mortos, 22 feridos, dois dos quais sucumbiram tempos depois após o evacuação e os restantes por problemas psiquiátricos e outras doenças das quais se destaca a hepatite). Foi destacada para o quartel de Bimbe de tendo sido rendida no dia 1 de Dezembro de 1970 donde para Bissau e dali, um mês depois regressa a Portugal.
Segundo o seu comandante, o coronel Sebastião Goulão, o dia mais triste
desta comissão foi a 16 de Abril de 1970 causada pelo deflagrar de 4 granadas de morteiro dentro do acampamento e lançadas pelos Guerrilheiros que causou, de imediato, 2 mortos e 22 feridos. Segundo a opinião deste ex-capitão e comandante daquela companhia o desaire ficou-se a dever ao facto a esta unidade ter sido proibida, pelo então general António Spínola naquele território, de continuidade das operações militares de reconhecimento naquela zona por esta ter sido declarada pacificada dando assim oportunidade de movimentação e de ações do inimigo contra as nossas tropas. Muitos outros ataques perpetrados pelo inimigo foram nos meses seguinte realizadas contra as nossas tropas mais destacadamente contra esta companhia tendo no dia 7 de Junho, sofrido um ataque de fogo de morteiro de 4 horas ao quartel e a um seu destacamento (um pelotão) no Encheia, na noite de S. João (23 de Junho do mesmo ano) que ininterruptamente foi bombardeado com morteirada pesada das 9 horas da noite até às 4 da madrugada.
Queremos notar a emoção deste ex-comandante no momento em que se focou os mortos e feridos daquela companhia pois parou de falar por uns segundos ficando com a vista toldada pelas lágrimas que a muito custo conseguiu conter de rolar pela face.
São momentos difíceis de se recordar. Falou-se seguidamente pelos que já partiram deste mundo e dos que se encontravam doentes e até daqueles que emigraram ou dos que não se sabe do paradeiro.
Depois foi a vez dos mais “carismáticos” como o José Marinho (o Sapateiro), o primeiro cabo Marta, o furriel Fraga, o alferes Guedes e outros mais cujos nomes olvidamos mas que também foram lembrados pelas paródias, desobediências e até de atos de abnegação e valor pois houve até quem recebesse a condecoração de Cruz de Guerra em combate.
Presente o soldado Abílio Pedrosa um dos homens feridos e evacuado por ferimentos mas que passados meses foi dado alta do Hospital Militar de Lisboa e reenviado para a Guiné com uma bala alojada nas costas pois, ao que parece, ser difícil extração e de alto risco para aquele ex-militar, pelo que é membro da Associação de Deficientes das Forcas Armadas com um grau de incapacidade que não apuramos naquele momento.
Ficou, naquele almoço, estabelecido que o próximo almoço/convívio, de 2013, será realizado em Felgueiras pela mão de José Marinho (o Sapateiro).
Finalmente procedeu-se ao corte do bolo comemorativo e acompanhado de champanhe foi saudada a “irmandade” desta gente que durante dois anos, há muitos anos atras, viveu e sofreu de mãos dadas, as agruras duma guerra que não teve razoes para existir – somente pela teimosia e insensatez do ditador Salazar.
Para o coronel Sebastião Goulão e para todos os membros presentes da
Companhia de Caçadores 2531 e seus familiares, obviamente, aqui deixamos a nossa gratidão pelas atenções e prova de amizade que nos foi dirigida durante este evento. Bem hajam.

Companhia2531 from Cantacunda on Vimeo.

22 de junho de 2012

509-Lembranças do ex-alferes Alfredo Reis

O Alfredo Reis é um bom amigo e ex-camarada de armas da CART1690. Passou o tempo todo de Guiné nessa companhia. Ressalto, em especial, a sua "estadia" nos destacamentos de Banjara e Cantacunda, situados em plena mata do Oio e a cerca de 40 kms da sede da companhia, situada em Geba, nas margens do rio do mesmo nome. Sítios de isolamento, privações e grandes riscos de vida. Cantacunda ainda tinha população civil, mas Banjara era só tropa, uma agravante. São fotos dele (apenas acrescentei a "quadrícula da CART1690" ).
São lembranças para recordar aquilo que nunca mais se esquece. Como sucede com todos os ex-combatentes.



12 de junho de 2012

506-Minha terra minha amada



Minha Terra, Minha Amada
Amanhece lá no sertão
Uma menina, quatro "moleque"
Não tem jeito não
Noite aquece o meu coração
Uma saudade, quatro "viaje"
Sem direção
Mas se meu Deus quiser
Vou voltar pra minha terra
Nem que seja a pé
Meu Pai me diga agora
Como posso suportar
A dor de ter a minha amada
E nem poder tocar
Meu Pai me diga agora
Como posso suportar
A dor de ter os "meu amado"
E nem poder tocar

11 de junho de 2012

505-O Nosso Primeiro Livro de Leitura

Um dos livro utilizados nas escolas do mato pelo PAIGC durante a guerra colonial.
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10 de junho de 2012

504-Os panos dos papéis


OS PANOS DOS PAPÉIS E AS BALOBAS DE MARIANA

Fernando Peixeiro, da Agência Lusa
Bissau, 09 jun (Lusa) - Os tradicionais panos de pente da Guiné-Bissau voltaram a fazer-se, a cultura da etnia Papel é divulgada e Quinhamel é um polo turístico já este ano. Porque a Mariana, um dia, conheceu na Roménia um guineense.
É em Quinhamel, a poucos quilómetros de Bissau, que Mariana Ferreira dirige a Artissal, uma organização não-governamental que acolhe uma sala de tecelagem onde diariamente trabalham 22 tecelões e outros tantos aprendizes (familiares, porque o aprendiz tem de ser sempre da família).
São Papéis (uma das etnias da Guiné-Bissau) e fazem pano de pente, tradicional do país, com teares melhorados, mas de base idêntica aos que existiram até quase terem caído no esquecimento, há uma década. Mais a norte, em Calequisse, outros 22 homens, Manjacos de etnia, trabalham também em pano de pente, patrocinados pela Artissal.
A tradição quase se perdeu na Guiné-Bissau, mas foi recuperada através da organização, criada por uma romena formada em música e artes plásticas e que um dia conheceu no seu país um guineense estudante, com quem se casou, passando a viver na Guiné-Bissau a partir de 1986.
Mariana deu aulas, ensinou música, promoveu a cultura, publicou livros de recolhas de músicas tradicionais, deu a conhecer artes como cestaria e olaria. Tudo passado. O "presente" começou há oito anos: "fundei a Artissal em 2004 aqui em Quinhamel e a cooperação portuguesa financiou a construção da fábrica, o atelier. Fizemos voltar do Senegal 22 pessoas que sabiam fazer pano de pente, mas que tinham emigrado porque aqui já não se fazia".
Esse trabalho de sensibilização, e também de alfabetização e formação, durou dois anos. A Artissal começou a fazer panos tradicionais em 2006. É membro da organização africana de comércio justo e fazia cerca de cinco mil euros mensais em vendas na loja de Bissau, até ao golpe de Estado de 12 de abril. Também exporta para Portugal.
Porque a tecelagem é coisa de homens, a Artissal "começou a pensar em integrar as mulheres deles". Com mais apoios, desta vez espanhóis, formaram-se 16 costureiras.
Mas não chegava. "Temos de viver das vendas, o que é muito vulnerável", diz Mariana Ferreira. Cabelo apanhado, ar sério, português com ligeiro sotaque, acrescenta: "pensámos numa estrutura que pudesse ligar tudo, pensámos num pequeno polo turístico que pudesse englobar o pano de pente, um projeto de turismo diferente, baseado na riqueza cultural da região de Biombo" (onde se integra Quinhamel).
E foi assim que de uma organização de produção e divulgação de panos tradicionais, coloridos e com motivos recuperados nas tabancas (pequenos aglomerados do interior), a Artissal, de novo com apoio português (Instituto Marquês de Valle Flôr), se lançou no turismo cultural.
Ao lado da fábrica de tecelagem fizeram-se 'bungalows' e voltou-se a ir ao povo. "Conseguimos fazer essa gente perceber que podíamos levar pequenos grupos de pessoas, interessados no que eles têm e que tem valor para essas pessoas".
Com o aval das comunidades a Artissal criou o "circuito das Balobas", locais sagrados dos Papéis, o "circuito dos saberes", mostrando aos turistas o pequeno artesanato local, e um circuito de passeio. E deu emprego a mais 16 pessoas.
Ainda em fase experimental, o projeto turístico deve desenvolver-se este ano. Porque o da tecelagem está em pleno, com os mestres a ensinarem aos aprendizes ("não há uma escola de tecelagem, passa-se de pai para filho, para sobrinho") como se faz e o que representa o pano de pente.
"O pano é um objeto de grande significado para a etnia Papel, intervém em todas as etapas da sua vida e é um objeto sagrado. Quantos mais panos se arrecada em vida mais rico se é", conta Mariana Ferreira, ao lado de homens a tecer panos coloridos e padrões ancestrais, ajudados por outros mais jovens. Serão colchas, serão toalhas de mesa, serão roupas, serão também bolsas e carteiras.
"A Artissal surgiu no desejo de defender um pouco aquilo que era o património guineense que era o pano de pente, e conseguir gerar emprego autónomo através de uma profissão antiga mas que estava quase em vias de desaparecer, a tecelagem", resume Mariana.
Atelier mas também escola e polo turístico, a Artissal é ainda centro de conferências e de apoio a pequenas produções locais. E será o que o "engenho e arte" de Mariana Ferreira ditar.
"A ideia agora é parar seis meses para ver o que esta simbiose vai dar", diz. Mas já pensa em expandir o turismo a outras regiões da Guiné-Bissau. Assim o país estabilize e os turistas voltem. Para comprar panos de pente e fazer o "circuito das Balobas".
Fonte no net: http://paginaglobal.blogspot.ch (09.06.12)