Lembranças da Guiné, na guerra e já fora dela. Pesquisa, comentários e factos. A memória sempre presente. Não está por ordem. É conforme me vou lembrando. Tudo o que tem a ver com a Guiné, a sua história, as etnias, a colonização e as guerras de resistência. Também a minha experiência durante a guerra colonial (está nos primeiros posts). Para quem não sabe ou viveu que veja e avalie se é realidade ou ficção. Para quem sabe ou viveu são lembranças.
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26 de abril de 2011
126-Nomes dados pelos guerrilheiros do PAIGC ao seu armamento
In SUPINTREP 31 (Supplementary Intelligence Report) da Repartição de Informações do QG do Comando-Chefe do CTIG, 11JUN71
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A. Marques Lopes
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armamento,
Armamento do PAIGC,
Supintrep 31
13 de fevereiro de 2011
54-O Nosso Primeiro Livro de Leitura
Este é um dos livros que o PAIGC tinha nas “escolas do mato” para ensinar o Português
(agradecimentos ao camarada António Pimentel que é quem tem este exemplar).
«Estas escolas [do mato] situavam-se no interior da Guiné ou em instalações que possuía junto à fronteira e destinavam-se quer a crianças quer a adultos. A instrução aí ministrada ia até à 3ª classe. Os alunos seleccionados nessas escolas iam tirar a 4ª classe nas “escolas ao nível Inter-Região” em regime de internato, donde, também por escolha, podiam passar para a “Escola Piloto” para uma 5ª classe [foi criada uma em Retoma, nos arredores de Conakry, em 23 de Janeiro de 1965 por Luís Cabral; no entanto, já existia naquela cidade, desde 1960, uma escola de quadros políticos onde era dada também a instrução primária; dizem também Lourenço Ocuni Cá e Messias Ferreira, da Universidade de Mato Grosso, que existiu uma outra na zona de Bolama] . E, daí, os melhores podiam ser escolhidos para escolas no estrangeiro» - dados do SUPINTREP 31, da Repartição de Informações do CTIG.
Em Fevereiro de 1965 foi criado o Instituto Amizade, apoiado pela Suécia e pela Holanda, para apoio e educação das crianças, tendo a seu cargo, espalhados por toda a Guiné, 10 internatos, com cerca de 2.000 alunos, e 12 semi-internatos (para os que viviam em tabancas dispersas e não tinham vaga nos internatos) com 750 alunos. O objectivo era ensinar a ler, escrever e contar, mas também, é claro, mobilizar para as razões da luta em curso.
Segundo Anabela Maria Barradinhas Roque, Mestre em Estudos Africanos pelo ISCTE, «164 escolas foram criadas pelo PAIGC, no período de 1964 e 1973. Estas chegaram a atingir o número de 14.531 alunos inscritos. E o seu currículo visava o treino político, o treino técnico e a transformação dos comportamentos individuais e de grupo».
"O Nosso Primeiro Livro de Leitura" das escolas do PAIGC(carregar em Menu e, depois, em View Fullscreen para ver em ponto grande)
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A. Marques Lopes
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Armamento do PAIGC,
cultura
16 de dezembro de 2010
23-Encontro com o IN
Nas vésperas de "entrar finalmente" em Sinchã Jobel estivemos a jantar com aquele que era o comandante da base do PAIGC na altura em que lá fiquei (Op.Jigajoga), o comandante Lúcio Soares. Isso deveu-se aos bons préstimos do Simões de Jugudul e do Pepito (Carlos Schwartz), ambos naturais de Bolama, que é também a terra do Lúcio Soares.
Lúcio Soares é um veterano da guerra de libertação. Foi responsável político da zona de Bafatá, foi comandante da base de Sinchã Jobel e depois comandante da Frente Norte. Como membro do Comité Executivo da Luta, foi um dos assinantes do Acordo de Argel com Portugal. Após a independência foi Ministro da Defesa do governo de Luís Cabral. Encontrava-se em Cabo Verde aquando do golpe de Nino Vieira de 14 de Novembro de 1980, regressando à Guiné-Bissau 14 anos depois. Após o golpe militar que depôs Kumba Yalá em Setembro de 2003 foi conselheiro para a Defesa do Presidente Henrique Rosa. Afastou-se após a eleição de Nino Vieira em 2005. Em 8 de Janeiro de 2009 foi nomeado Ministro do Interior por Carlos Gomes Júnior, mas saiu em 6 de Novembro desse ano.

Fotos do Xico Allen
O jantar foi no restaurante Colete Encarnado, propriedade de um ribatejano. Ele veio acompanhado do Braima Camará, conhecido por Braima Dakar (soube que morreu em Janeiro de 2010), que foi comandante na zona de Teixeira Pinto durante a guerra. A brincar, no início, Lúcio Soares disse-me que o Braima Dakar era o seu guarda-costas. Pensei, no princípio, que era uma maneira de ele justificar a presença do outro, mas, depois, a seguir ao que vi, já pensei que era mesmo capaz de ser verdade. Respondi-lhe, igualmente na brincadeira, que o Xico Allen era também meu guarda-costas.
É um homem muito reservado. Mas foi-me dizendo algumas coisas. Que tinha estado em Cabo Verde durante 14 anos após o golpe de Nino Vieira. Que tinham montado a base em Sinchã Jobel em Abril de 1967, altura em que a nossa companhia lá chegou. Que tinha 23 anos quando comandou essa base e que o Gazela era seu comissário político. Em 1968, disse-me, foi para o Morés e o Gazela passou a comandante da base.
"Eu também tinha 23 anos e fui eu que descobri a vossa base. Fiquei lá uma noite." (Op.Jigajoga)
"Eu sei. Isto é, só soubemos depois. Na altura não soubemos, não demos por isso."
"E se dessem?"
"Apanhávamos. Manga de ronco." E riu-se.
Falei-lhe da mina que me feriu.
"Desculpa. É pena que andássemos aos tiros, podia ser resolvido de outra maneira. Mas eu tinha de lutar pela minha terra."
Como ele tinha dito que estivera na zona de Canchungo (Teixeira Pinto) perguntei ao Braima Dakar sobre a morte dos três majores. Mas ele encolheu-se, disse que sabia muito mas não queria falar.
Passado tempo, entraram dois polícias e sentaram-se numa mesa perto. Nessa altura eu estava a dizer-lhe que queria ir a Sinchã Jobel e perguntava-lhe se ele não queria ir connosco. Era importante para mim estar lá com o homem que comandou aquela base. Ele apercebeu-se da presença dos polícias, disse-me que não podia ir e que tinha de ir embora. Levantou-se, despediu-se e partiu com o Braima Dakar.
Foi em Abril de 2006, já o Nino era novamente presidente. Era evidente que não estava à-vontade e, se calhar, o Braima Dakar era mesmo um acompanhante para sua segurança.
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É um homem muito reservado. Mas foi-me dizendo algumas coisas. Que tinha estado em Cabo Verde durante 14 anos após o golpe de Nino Vieira. Que tinham montado a base em Sinchã Jobel em Abril de 1967, altura em que a nossa companhia lá chegou. Que tinha 23 anos quando comandou essa base e que o Gazela era seu comissário político. Em 1968, disse-me, foi para o Morés e o Gazela passou a comandante da base.
"Eu também tinha 23 anos e fui eu que descobri a vossa base. Fiquei lá uma noite." (Op.Jigajoga)
"Eu sei. Isto é, só soubemos depois. Na altura não soubemos, não demos por isso."
"E se dessem?"
"Apanhávamos. Manga de ronco." E riu-se.
Falei-lhe da mina que me feriu.
"Desculpa. É pena que andássemos aos tiros, podia ser resolvido de outra maneira. Mas eu tinha de lutar pela minha terra."
Como ele tinha dito que estivera na zona de Canchungo (Teixeira Pinto) perguntei ao Braima Dakar sobre a morte dos três majores. Mas ele encolheu-se, disse que sabia muito mas não queria falar.
Passado tempo, entraram dois polícias e sentaram-se numa mesa perto. Nessa altura eu estava a dizer-lhe que queria ir a Sinchã Jobel e perguntava-lhe se ele não queria ir connosco. Era importante para mim estar lá com o homem que comandou aquela base. Ele apercebeu-se da presença dos polícias, disse-me que não podia ir e que tinha de ir embora. Levantou-se, despediu-se e partiu com o Braima Dakar.
Foi em Abril de 2006, já o Nino era novamente presidente. Era evidente que não estava à-vontade e, se calhar, o Braima Dakar era mesmo um acompanhante para sua segurança.
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A. Marques Lopes
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15:34
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