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25 de outubro de 2011

285-Sobreviventes


Reportagem de Cristina Freitas, SIC
A história de Duarte Fortunato, António Teixeira, Manuel Vidal e António Baptista, ex-combatentes da guerra colonial que foram feitos prisioneiros de guerra pelo PAIGC. 

23 de outubro de 2011

282-No percurso de guerras coloniais

Obrigado, meu amigo. 
Mário Moutinho de Pádua foi o primeiro oficial português a desertar em Angola, em 1961. Narra neste livro a sua experiência a seguir à deserção, a prisão e a tortura que sofreu no Congo, a sua passagem pela Checoslováquia e na Argélia recém-libertada do colonialismo francês.
O escritor angolano Pepetela assina o prefácio da obra e refere:
«(...)Finalmente o seu apoio como médico ao PAIGC na Guiné. Mais uma vez, histórias de pessoas com quem se deu, dos militantes que conheceu, dos líderes com quem discutiu. A história de África moderna e combatente vista a partir de um hospital, a política africana analisada a partir de dados pessoais. Muitos grandes combatentes pela liberdade aparecem como pessoas, apenas isso. Nem é preciso dizer que são grandes, pois eles o mostram mesmo sem quererem. A década de sessenta e o livro ter­minam com afrustrada mas criminosa tentativa da tropa portuguesa em atacar Conacri e decapitar o PAIGC.
Como o seu primeiro, este livro servirá para dar a conhecer muitos aspectos das lutas de África contra o imperialismo. E também a luta e a determinação dos portugueses que se opuseram ao salazarismo e fizeram finalmente o 25 de Abril.
Mas, a meu ver, ele é, acima de tudo, um auto-retrato impressionante de um homem justo. Porque Mário Pádua, antes de ser um combatente corajoso e de ideias firmes, alguém que sempre se bateu pelos seus ideais, é um homem bom, um homem que conhece as fraquezas dos outros e procura ajudá-los, que percebe as tibiezas e as traições, mas não se vinga delas, apenas desejando a justiça para os injustiçados de todas as sociedades, indiferentemente da cor da pele, do sexo, ou classe social. Continua um homem bom, tentando compreender porquê o mundo não é o que merecia ser. Nem o homem.»
Vou transcrever aqui uma situação que me toca particularmente: o que ele diz do soldado Manuel Fragata Francisco, que eu conheci bem, quando foi do meu pelotão, ferido e aprisionado pelo PAIGC em Sinchã Jobel em 16DEZ67, durante a operação Invisível:
«Em matéria de soldados portugueses a nossa coroa de glória foi o Manuel Fragata, em cima da maca durante uma semana, às mãos dos soldados do PAIGC, desde o sítio onde as balas lesaram gravemente o joelho, impe­dindo a marcha. Não quiseram deixá-lo morrer. Como todos os outros chegou em estado infeccioso complicado. Quando comecei a tratá-lo li nos seus olhos o medo de ser vítima de manipulações cruéis.
Devo reconhecer que a limpeza cirúrgica em zonas do corpo muito sensíveis causava obviamente dores intensas e durante as primeiras sessões,  sempre demoradas, muitos dos feridos não conseguiam reprimir os gemidos.
Eu não queria que o Fragata julgasse que eu o magoava voluntariamente. mas não tinha outro meio. Uma anestesia eficaz, repetida, não estava ao nosso alcanse. Ainda por cima a rótula tinha sido parcialmente estilhaçada e tive de extrair alguns pedaços. Enfim com alguma sorte a ferida curou-se e, apoiado em canadianas, o Manuel Fragata recomeçou a andar. Na ala onde ele se encontrava, as relações entre o soldado português e os seus vizinhos de cama foram-se estreitando.
O Luí Cabral manifestava por ele desveIos especiais. Trazia-lhe cigarros, o que eu não podia fazer, porque natu­ralmente não recebia nem aceitaria salário. O dinheiro da recente herança do meu avô estava na Suíça e eu não sabia como mobilizá-lo. O Manuel Fragata repartia os cigarros e algo muito semelhante à camaradagem se desenvolveu entre aqueles homens ,um português e muitos guineenses que a guerra não conseguiu antagonizar.
O PAIGC entregou-o à Cruz Vermelha no Senegal e ele voou para Portugal. Infelizmente já depois do 25 de Abril veio a sucumbir num acidente de moto.
A obediência às directrizes do PAIGC quanto aos soldados inimigos pode ser medida pelo seguinte episódio. Eu estava em casa do Luís Cabral conversando com ele quando entrou um do dirigentes do PAIGC no Norte, o Lai. Muito excitado avisou o Luís:
- Os prisioneiros chegaram à fronteira. É preciso comprar manteiga.
Sabendo que a alimentação no Lar era pobre, monó­tona, às vezes escassa, essa preocupação punha em evi­dência que aqueles prisioneiros gozaram de maiores atenções que os próprios combatentes. Improvisou-se um alojamento separado, uma barraca, para eles dormirem alguns dias, sob vigilância e em breve foram entregues à Cruz Vermelha senegalesa. O Lai, de natureza pouco risonha, não procurara impressionar o Luís. Estava sim seguro de cumprir o procedimento padronizado pelo Partido.»
E, de facto, não foi em Ziguinchor mas cá que o Fragata, ribatejano de Alpiarça, morreu num acidente de motorizada, infelizmente.

14 de outubro de 2011

277-Revolta

Este é o José António Almeida Rodrigues. 
Esteve na quarta-feira passada num almoço no Milho Rei, em Matosinhos, com outros ex-combatentes, levado pelo seu conterrâneo José Manuel Lopes. Uma altura, como outras, em que é difícil não deixar transparecer o desejo de revolta contra aqueles que, sem um mínimo de vergonha, têm ignorado os problemas dos ex-combatentes. Em especial os daqueles como o José António. Vejam o que diz o Zé Manel sobre este caso:

«O José António é natural do Peso da Régua, em Junho de 1971 assentou praça no RI 13 Vila Real, três meses depois foi colocado em Abrantes integrado na 2ª. Companhia do Batalhão 4518 e em 24 de Dezembro partiu para a Guiné.
A sua Companhia foi destacada para Cancolim dela faziam parte um Alferes natural de Lamego, que me disseram ser actualmente professor, e que não consegui ainda contactar, o Alferes João Pacheco Miranda, actualmente correspondente da RTP no Brasil.
Em Junho de 1971 foi feito prisioneiro pelo PAIGC, foi levado para Conacry donde em 1973 após o assasinato de Amilcar Cabral foi enviado para uma zona libertada na Guiné Bissau, Madina do Boé. Eram seus companheiros de cativeiro o nosso "morto/vivo" António Silva Batista de Gaia, Manuel Vidal de Castelo de Neiva, Duarte Dias Fortunato do Pombal, António Teixeira da Lixa, Mauel Fernando Magalhães Vieira Coelho do Porto, Virgilio Silva Vilar de Vila da Feira e Jacinto Gomes de Viseu.

Durante quase um ano a sua casa foi em Madina do Boé de onde em 7 de Março de 1974, aproveitando um momento em que a vigilânçia abrandou, se dirigiu na direcção do Rio Corubal para tentar a fuga. Andou 9 dias ao longo Rio, até encontrar dois nativos que andavam numa plantação junto ao rio. Um deles de motorizada levou o José António até ao Saltinho. Depois foi transportado para Aldeia Formosa, para ser levado para Bissau. Como naquele tempos díficeis a via aerea já não reunia muias condições de segurança devido aos Stellas, foi transportado em coluna até Buba e dai de LDG para Bissau. Apesar de ser meu conterraneo, na altura não o reconheci, e tal me foi comunicado pelo Cabo do SPM de Aldeia Formosa Camilo também natural da Régua.
Após o regresso em Agosto de 1974, procurei saber da sua situação. Levava uma vida muito complicada, pois se tornou pouco sociável (como muitos de nós), mas não teve uma rectaguarda ou seja um suporte familar que o protegesse e os conflitos eram frequentes. Internado várias vezes, de onde fugia sempre que podia (tornou-se um hábito), foi mais tarde colocado numa casa de acolhimento onde agora vive melhor e é bem tratado. Porém sobrevive com uma pensão de incapacidade de apenas 246 €, o que de facto é insuficiente, para o seu sustento e agora aproveito para agradecer publicamente à familia que o recolheu especialmente à D. Juvelinda que com tanto carinho o trata.
Mas por incrível que pareça, até do miserável suplemento especial de pensão que anualmente é atribuido a antigos combatentes (150 € ano) apenas recebe 75 €, pois como foi capturado com apenas 7 meses de Guiné, o tempo que passou quase 3 anos como prisioneiro não foi considerado!!!
A propósito deste SEP p/Antigos Combatentes, eu propunha que tal verba fosse prescindida por todos aqueles que tem uma reforma acima de determinada importância em favor daqueles ex-combtentes com reformas inferiores ao salário mínimo. Isto para fazer sentir a quem nos governa, que tal esmola nos envergonha e que temos um sentido de solidariedade muito diferente dos políticos que nos têm governado.
Um abraço a todos.
»
José Manuel Lopes

19 de abril de 2011

112-Operação Mar Verde


in "Os Anos da Guerra Colonial", suplemento As Grandes Operações da Guerra Colonial XI, de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes
in "Os Anos da Guerra Colonial", suplemento As Grandes Operações da Guerra Colonial XI, de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes
in "Os Anos da Guerra Colonial", suplemento As Grandes Operações da Guerra Colonial XI, de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes
Há livros sobre esta operação:


Este é do comandante da operação
Do jornalista António Luís Marinho
...e de prisioneiros libertados:


Do ex-alferes António Júlio Rosa
Do ex-sargento piloto António Lobato
Sobre a Operação Mar Verde lê-se no site "Guerra Colonial - A25A/RTP"
Um mar de mistérios 

A Operação Mar Verde é uma acção singular entre todas as realizadas, durante a guerra, nos três teatros de operações. Na clássica divisão dos manuais militares, que consideram três grandes grupos de operações - convencionais, especiais e irregulares -, ela pertence ao grupo das irregulares, e foi neste âmbito a de maior envergadura, complexidade e impacte internacional. 

Foi realizada para obter efeitos políticos directos através da execução de um golpe de Estado em país estrangeiro, a Guiné-Conacri, por militares portugueses a actuarem com uniformes e equipamentos das forças desse país e em conjunto com elementos estrangeiros oposicionistas ao Governo, prevendo a eliminação de um chefe de Estado, Sekou Touré.

Como escreve o comandante da operação, o capitão-tenente da Marinha Portuguesa Alpoim Calvão, no seu livro "De Conacri ao MDLP", que constitui a base de informações que sobre ela se conhece, a proposta que fez ao comandante-chefe das Forças Armadas Portuguesas na Guiné tinha por objectivo principal a execução de um golpe de Estado na Guiné-Conacri, sendo os objectivos secundários a captura do líder do PAIGC, Amílcar Cabral, e a libertação dos militares portugueses prisioneiros que se encontravam em Conacri. 

A operação, que nunca foi assumida por Portugal, aproveitou a existência de oposicionistas ao regime de Sekou Touré, disponíveis para participarem numa acção deste género, e visou a instalação, em Conacri, de um regime mais favorável às posições portuguesas. Para atingir este fim, foram equacionadas duas alternativas, uma prevendo a instalação no território da Guiné-Bissau de bases a partir das quais esses oposicionistas pudessem realizar acções de guerrilha no seu país, e a outra considerando o lançamento de uma operação rápida e decisiva. A análise de vantagens e inconvenientes levou os autores da proposta a optar pela segunda alternativa. 

Seguiu-se um período de preparação essencialmente de âmbito político e das informações estratégicas, que envolveu o Governo de Lisboa, o Governo da Guiné e os serviços de informações de vários países, com a participação decisiva da DGS. 

Por fim, realizou-se a operação militar propriamente dita, com o planeamento, a reunião dos meios, o gizar da manobra e a execução.
………………………….
Mas, além do segredo, outro aspecto fundamental de uma operação irregular é a existência de boas informações e também neste campo existiram graves deficiências assumidas pelo inspector Matos Rodrigues, da DGS, que apoiou a acção. Os mapas para a operação foram obtidos a partir de folhetos turísticos desactualizados, o porto de Conacri observado através de uma acção de reconhecimento efectuada à distância por um navio português, numa operação também ela dirigida pelo comandante Calvão. Em Conacri não existia qualquer informador da DGS que actualizasse elementos e permitisse cruzar informações. Apesar destas graves deficiências e de não haver uma situação militar tão crítica no terreno que justificasse correr os riscos dela decorrentes, a
Por estas ou outras razões, as forças invasoras não encontraram o presidente operação foi desencadeada.  Sekou Touré no local que previam, Amílcar Cabral estava no estrangeiro, os aviões Mig noutra base e a emissora não foi tomada, impedindo os oposicionistas de ler a sua proclamação. 
Estes factos permitem admitir que, além do êxito que constituiu a libertação dos prisioneiros portugueses e a retirada sem comprometimento das forças da Mar Verde, os fracassos nos outros objectivos foram, contudo, os que melhor serviram os interesses das autoridades portuguesas. Os fracassos, ao limitarem os resultados a uma operação de resgate de prisioneiros, evitaram as imprevisíveis consequências no plano externo que adviriam para Portugal da responsabilidade por uma invasão do território de uma nação soberana e pela morte de um chefe de Estado no seu próprio país. Evitaram ainda o problema de ficar com Amílcar Cabral, um dos mais prestigiados líderes de movimentos de libertação africanos, prisioneiro em Bissau ou em Lisboa. 
Hoje persistem as interrogações sobre o futuro do general Spínola e sobre o destino do próprio Marcelo Caetano, caso os objectivos da operação tivessem sido alcançados. O primeiro seria inevitavelmente apresentado como o principal responsável por uma aventura deste tipo, que lhe retiraria credibilidade como dirigente político em qualquer solução alternativa para o regime português. O segundo não deixaria de ter de suportar os custos políticos, internos e externos, em especial quanto à credibilidade da sua anunciada política de abertura, que ainda mantinha alguns apoios. 
As razões que levaram estes dois homens a patrocinar uma operação que envolvia tais riscos continuam, hoje, difíceis de entender.


Prisioneiros que foram libertados:
Esta foi uma lista que entreguei ao jornalista José Manuel Saraiva para o ajudar no encontro que promoveu de ex-combatentes (daí as observações nela constantes)
O soldado Francisco Gomes da Silva "não compareceu entre os libertados" porque tinha ido para Argel; o João da Costa Sousa não se sabe das razões.
Quanto ao Armindo Correia Paulino houve um erro: ele tinha sido dado como "retido pelo IN" mas não foi assim. O que sucedeu é que ele foi morto em Sinchã Jobel na operação "Imparável" em 16 de Outubro de 1967, tendo o seu corpo ficado no terreno.
O 1º cabo José Manuel Moreira Duarte, que foi, depois de libertado, para o Brasil, mas onde passou muito mal e de onde teve de voltar. Está agora com uma pensão de ex-prisioneiro.  É este aqui assinalado  no barco "de regresso", o navio patrulha Hidra:
e aqui nesta foto em que estou com alguns dos que foram do meu pelotão na CART1690:

20 de dezembro de 2010

25-Ataque ao destacamento de Cantacunda



Antes de ser ferido, estive algum tempo neste destacamento. Conheci-o bem. Caracterizava-se pelas péssimas condições das instalações do pessoal e pelos deficientíssimos meios e condições de defesa. Sublinho que ficava a cerca de 50 kms. da sede da companhia. Sem luz eléctrica (como todos os destacamentos da CART 1690), nem um miserável gerador… estava, como se vê pelo relatório, pegado à floresta. O armamento era ultrapassadas metralhadoras pesadas Dreyses e Bredas, morteiro 81 e 60. Os abrigos eram uns buracos de difícil acesso e sem condições interiores. E com pouco efectivo, um pelotão normalmente. No dia deste ataque estavam lá apenas duas secções. Situava-se relativamente perto da base de Samba Culo do PAIGC (a tal que foi destruída em 1967, mas que, é claro, foi logo reconstruída de seguida…). O soldado Aguiar (João Alves Aguiar) era do meu grupo de combate, foi o único que tentou resistir com a G3 à boca do abrigo e morreu, por isso. 11 foram capturados, entre eles o furriel que comandava o destacamento, o Vaz. Foram libertados, depois, aquando da tentativa de invasão na Guiné-Conakri. Apesar das péssimas condiçõe e dos fracos efectivos, é evidente ( e sei que foi assim, porque me contaram) que houve desleixo e facilitismo em excesso. Se não tivesse havido, não tenho dúvidas que as coisas não teriam sido tão fáceis para os atacantes.











ATAQUE A CANTACUNDA
10/11ABR68
DESENROLAR DA ACÇÃO
  No dia 10 do corrente cerca das 00H00, o destacamento de CANTACUNDA foi  atacado por numeroso grupo IN.
  Devido à hora a que o ataque foi realizado a guarnição do destacamento encontrava-se quase toda a dormir na caserna; Devido à configuração do terreno ( do lado NORTE do destacamento existe uma floresta que dista, no máximo de 5 metros do arame farpado; do lado POENTE essa floresta prolonga-se  e verifica-se que havia 2 aberturas no arame farpado; Uma que durante a  noite era fechada com um cavalo de frisa outra que devido às obras e construção da pista de aterragem se encontrava aberta; Do lado SUL existia a tabanca cujas moranças confinavam com o arame farpado; do lado NASCENTE  existe uma bolanha), devido também à falta de iluminação exterior o IN  pôde aproximar-se do arame farpado sem ser detectado pelas sentinelas e abrir fogo com bazookas e lança rocketes sobre a caserna, tendo em seguida atacado pelos lados NORTE, POENTE e SUL: pelo lado NORTE o IN atirou com  troncos do árvores para cima do arame farpado tendo em seguida ultrapassado o mesmo; Do lado POENTE afastou o cavalo de frisa e penetrou por essa  abertura, e pelo lado da pista; Pelo lado SUL infiltrou-se pelas tabancas  que queimou e em seguida penetrou no aquartelamento.
  Devido à simultaneidade com que os movimentos foram efectuados (Os mesmos  foram comandados do exterior por apitos) verificou-se que as NT não poderam  atingir os abrigos e foram surpreendidos no meio da parada. Note-se, contudo, que alguns elementos das NT ainda conseguiram atingir os abrigos (por exemplo os 1°s. Cabos ESTEVES E GOUTINHO e os Soldados AREIA e AGUIAR  tendo este último sido morto no local e os restantes conseguido escapar).
  Devido ao numeroso grupo IN não foi possível contudo organizar uma defesa  eficaz pelo que as NT foram obrigadas a abandonar o destacamento; No entan to só 9 elementos é que conseguiram escapar, tendo 11 desaparecido ( provavelmente feitos prisioneiros) e 1 morto.
POSSÍVEIS CAUSAS DO INSUCESSO DAS NT:
 -O poder de fogo do IN
 -O grande numero de elementos que constituíam  o grupo IN
 -A violência com que o ataque foi desencadeado
 -A pontaria certeira do grupo IN, que acertou os primeiros disparos na caserna das NT.
 -O Comando eficaz do grupo IN.
 -A falta de iluminação existente no destacamento
 -Possível insuficiência de abrigos
 -As proximidades da mata do arame farpado
 -As proximidades da tabanca do arame farpado
 -O reduzido efectivo das NT
 -Possível abrandamento das condições de segurança
 -Longa distância deste destacamento à Sede da Companhia (cerca de 50 kms)
COMENTÁRIOS
  Posteriormente veio a saber-se, por declarações de alguns milícias e elementos da população civil detidos para averiguações, que o ataque teve a conivência do próprio Comandante da milícia e de elementos da população. Todos os elementos que precisavam, tais como distâncias para colocar as armas pesadas, local da entrada no destacamento e vias de acesso ao mesmo,  foram fornecidos por esses indivíduos que traíram as NT.
Os que foram capturados em Cantacunda foram libertados aquando da operação Mar Verde. Menos os soldado Luís dos Santos Marques, que morreu no cativeiro. Há quem diga que foi por doença. Sobre o Armindo Correia Paulino há um erro que começou logo na companhia, que o deu como "retido pelo IN": ele "não compareceu" porque não foi feito prisioneiro, morreu na operação Imparável e o corpo não foi recuperado. Os outros dois, o João da Costa Sousa e o Francisco Gomes da Silva, consta que foram para Argel. Nunca mais se soube deles.
De referir que, a CART2743, a segunda a substituir a CART1690 em Geba, tinha um pelotão em Cantacunda que foi atacado em na noite de 26.10.71. De dados que eu tenho, os guerrilheiros chegaram a ultrapassar a primeira linha de arame farpado (estavam melhor que na altura da CArt1690...), mas as NT aguentaram-se. Unidades de Geba e de Bafatá (elementos do Bart2920 e ERFox 2640) foram em seu auxílio logo nessa madrugada, tendo sido emboscados no caminho entre Camamudo e Cantacunda, morrendo nessa emboscada seis elementos da CArt 2743: o 1º Cabo Atirador António João Ferreira dos Santos, os Soldados Atiradores Avelino da Costa Gomes, Diamantino da Encarnação Cunha, Jorge da Encarnação Lourenço e Luciano Augusto Paula. O Soldado Condutor José Henriques Teixeira Silva foi ferido e acabou por morrer no HM241 a 31.10.71. Foi também morto nesta emboscada o Alferes de 2ª Linha Malique José Semedo Baldé, da CMil3.