CONSULTAS

Para consultas, além da "Caixa de pesquisa" em cima à esquerda podem procurar em "Etiquetas", em baixo do lado direito, ou ver em PÁGINAS, mais abaixo ainda do lado direito, o "Mapa do Blogue"

Este blogue pode ser visto também em
Mostrar mensagens com a etiqueta CCAÇ2531. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CCAÇ2531. Mostrar todas as mensagens

25 de junho de 2012

510-Encontro da CCAÇ2531 em Paços de Ferreira


ENCONTRO DE EX-COMBATENTES EM PAÇOS DE FERREIRA

Por  Carlos  Morgadinho


Todos os anos, e por todos os lugares, vilas e cidades do nosso Portugal, é habitual realizarem-se encontros/convívios de ex-combatentes da guerra colonial nas três frentes das então chamadas colónias africanas da Guiné, Angola e Moçambique. Esta luta armada dos movimentos libertadores daqueles mencionados países do Continente Africano pôs um ponto final ao império português de mais de quinhentos anos como também contribuiu para a queda da ditadura que vigorava na Pátria Lusa desde 1928, pelo golpe de estado que eclodiu no dia 25 de Abril de 1974 e por muitos conhecida pela “Revolução dos Cravos”. Mais de oitocentos mil soldados foram, em treze anos, de 1961-1974, enviados para o teatro de guerra onde nove mil tombaram acrescido de um número ainda incerto mas calculado em cerca de cem mil baixas entre feridos, estropiados e trauma psiquiátrico, ou pós traumático síndroma, que vem com mais ou menos incidência afetando a qualidade de vida desses ex-combatentes.
Desta vez, e por estarmos em serviço em Portugal, fomos convidados pelo coronel reformado de Infantaria, Sebastião Goulão, a estarmos presentes num desses muitos encontros de ex-combatentes, duma unidade destacada na Guiné, a Companhia de Caçadores 2531, que se realizou no Restaurante Montanha Azul, em Erzil, em Paços de Ferreira, no passado dia 19 de Maio, com a presença de 80 convivas entre membros daquela Companhia e familiares.
Rapidamente iremos focar a origem desta referida Companhia que foi formada em Abrantes, no Quartel do Regimento de Infantaria 2 e sob o comando do capitão Sebastião Goulão embarcou para a Guiné no ano de 1969 tendo regressado a Portugal no dia 12 de Fevereiro de 1971, com menos 40 homens (2 mortos, 22 feridos, dois dos quais sucumbiram tempos depois após o evacuação e os restantes por problemas psiquiátricos e outras doenças das quais se destaca a hepatite). Foi destacada para o quartel de Bimbe de tendo sido rendida no dia 1 de Dezembro de 1970 donde para Bissau e dali, um mês depois regressa a Portugal.
Segundo o seu comandante, o coronel Sebastião Goulão, o dia mais triste
desta comissão foi a 16 de Abril de 1970 causada pelo deflagrar de 4 granadas de morteiro dentro do acampamento e lançadas pelos Guerrilheiros que causou, de imediato, 2 mortos e 22 feridos. Segundo a opinião deste ex-capitão e comandante daquela companhia o desaire ficou-se a dever ao facto a esta unidade ter sido proibida, pelo então general António Spínola naquele território, de continuidade das operações militares de reconhecimento naquela zona por esta ter sido declarada pacificada dando assim oportunidade de movimentação e de ações do inimigo contra as nossas tropas. Muitos outros ataques perpetrados pelo inimigo foram nos meses seguinte realizadas contra as nossas tropas mais destacadamente contra esta companhia tendo no dia 7 de Junho, sofrido um ataque de fogo de morteiro de 4 horas ao quartel e a um seu destacamento (um pelotão) no Encheia, na noite de S. João (23 de Junho do mesmo ano) que ininterruptamente foi bombardeado com morteirada pesada das 9 horas da noite até às 4 da madrugada.
Queremos notar a emoção deste ex-comandante no momento em que se focou os mortos e feridos daquela companhia pois parou de falar por uns segundos ficando com a vista toldada pelas lágrimas que a muito custo conseguiu conter de rolar pela face.
São momentos difíceis de se recordar. Falou-se seguidamente pelos que já partiram deste mundo e dos que se encontravam doentes e até daqueles que emigraram ou dos que não se sabe do paradeiro.
Depois foi a vez dos mais “carismáticos” como o José Marinho (o Sapateiro), o primeiro cabo Marta, o furriel Fraga, o alferes Guedes e outros mais cujos nomes olvidamos mas que também foram lembrados pelas paródias, desobediências e até de atos de abnegação e valor pois houve até quem recebesse a condecoração de Cruz de Guerra em combate.
Presente o soldado Abílio Pedrosa um dos homens feridos e evacuado por ferimentos mas que passados meses foi dado alta do Hospital Militar de Lisboa e reenviado para a Guiné com uma bala alojada nas costas pois, ao que parece, ser difícil extração e de alto risco para aquele ex-militar, pelo que é membro da Associação de Deficientes das Forcas Armadas com um grau de incapacidade que não apuramos naquele momento.
Ficou, naquele almoço, estabelecido que o próximo almoço/convívio, de 2013, será realizado em Felgueiras pela mão de José Marinho (o Sapateiro).
Finalmente procedeu-se ao corte do bolo comemorativo e acompanhado de champanhe foi saudada a “irmandade” desta gente que durante dois anos, há muitos anos atras, viveu e sofreu de mãos dadas, as agruras duma guerra que não teve razoes para existir – somente pela teimosia e insensatez do ditador Salazar.
Para o coronel Sebastião Goulão e para todos os membros presentes da
Companhia de Caçadores 2531 e seus familiares, obviamente, aqui deixamos a nossa gratidão pelas atenções e prova de amizade que nos foi dirigida durante este evento. Bem hajam.

Companhia2531 from Cantacunda on Vimeo.