CONSULTAS

Para consultas, além da "Caixa de pesquisa" em cima à esquerda podem procurar em "Etiquetas", em baixo do lado direito, ou ver em PÁGINAS, mais abaixo ainda do lado direito, o "Mapa do Blogue"

Este blogue pode ser visto também em
Mostrar mensagens com a etiqueta Cumbamori. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cumbamori. Mostrar todas as mensagens

26 de setembro de 2011

264-Ataque a Cumbamori

Do livro "De Campo em Campo, Conversas com o Comandante Bobo Keita", de Norberto Tavares de Carvalho: 
(Não é, obviamente, a operação Ametista Real. Terá sido uma das operações do COP3. Agradeço que quem a consiga identificar me dê essa indicação para aqui a referenciar) Grato ao Francisco Teixeira, que "ouviu" este meu apelo e fez um comentário que eu coloco aqui, porque me parece importante para mais esclarecimento:  "O ataque a Cumbamori a que se refere, aconteceu em 11 de Dezembro de 1967. Tivemos, de facto, 4 mortos que tivemos de abandonar no terreno porque sofremos onze feridos, dois em estado grave que tiveram de ser transportados em macas ao longo de cerca de 20 kms, distância até Guidage donde partíramos. O assalto foi feito pelos Roncos de Farim e pelo meu pelotão. O In teve bastantes mortos - a surpresa do ataque foi total - e quando tentou cercar-nos com um grupo de cerca de 12 elementos, na retirada, sofreram uma emboscada de dois pelotões da CCaç.1546 a que eu também pertencia, sofrendo pelo menos 3 mortos que ficaram no terreno.. Francisco Teixeira-Alf. Miliciano 031233/64. Nome da operação: Chibata"
Há um comentário )de quem? Gostava de saber...) que também acho pôr aqui: umAnónimoMar 14, 2012 07:00 PM
"O ataque ao campo fortificado de Cumbamori foi, de facto a 11 de Dezembro de 1967. Iniciou-se às por volta das 5 horas da madrugada mas a surpresa do mesmo não existiu. Dias antes, aquele local foi sobrevoado várias vezes por um avião de reconhecimento da FAP. As forças do PAIGC estavam avisadas e preparadas para uma eminente intervenção do Exército Português. Foram Os Roncos de Farim,comandados pelo Alf. Mil. Morais Sarmento, que procederam ao assalto, depois de conduzidos ao local por uma mulher prisioneira. Apoiados por um poletão de uma Unidade que não recordo, instalado a cerca de 3 km a norte de Cumbamori (que teve contacto com as forças inimigas) e da Companhia que estava instalada em Binta que fez cordão de detenção a sul, já no território da ex-colónia. Nenhuma desta forças tomou contacto com os Roncos que iniciaram a retirada por volta das 10,30h. Sem qualquer apoio de outras forças, nomeadamente da FAP, completamente abandonados à sua sorte, Os Roncos tiveram de abandonar 4 mortos no teatro de operações e de transportar 15 feridos e 2 prisioneiros ao longo de vários quilómetros,em território senegalês, até Guidage. Notícias posteriores confirmaram um número elevado de baixas causadas ao inimigo. Operação mal planeada por gente sedenta de medalhas e outras honrarias, foi mais uma página sangrenta da Guerra Colonial na Guiné e uma dor profunda e eterna para os familiares daqueles que nela pereceram."

«Capítulo 1. A batalha de Cumbanghor (ou Cumbamori)

Esses dirigentes combinaram encontrar-se connosco em Cumbaghnor para discutirem uma melhor organização das operações. Foi no dia em que a minha primeira filha N'Bália, a quem pus o nome da minha falecida mãe, completou sete dias depois do seu nascimento. Naquela tarde muita gente estava ali presente para a formação dos camaradas. Com o reforço das novas armas, planeava-se a reestruturação da forma dos ataques aos barcos portugueses com as armas que acabavam de chegar. A ideia era, depois de redefinidos os critérios normativos e as estratégias das acções, concentrar uma equipa no rio Farim e dar luta cerrada aos barcos portugueses. Nessa altura eu é que comandava a Frente Norte e a Unidade designada para essa operação era comandada pelo Irénio Nascimento Lopes.
Não sei como é que os Tugas souberam daquela concentração - tinham de certeza informadores bem situados. Só que, por acaso, não sabiam o número de homens que se tinha reunido no local. Estavam ali concentrados mais de duzentos combatentes. Outros até dormiam nas barracas perto da fronteira. Os Tugas foram guiados por alguém que conhecia muito bem a zona. Porque em vez de nos atacarem vindos da Guiné Portuguesa, deram a volta e foram concentrar-se na fronteira do Senegal. Daí marcharam para Dentro. Os camaradas não os viram chegar pois nunca desconfiavam que os Tugas poderiam atacar do extremo norte para Dentro.
Avançaram e, muito engenhosamente, conseguiram desarmar e apanhar alguns dos nossos. Envolveram-nos literalmente numa cortina de camuflados. Houve então um momento de confusão onde se ouviram gritos de «Tugas! Tugas!». Capturaram-nos logo, mais de dez homens. Um deles conseguiu libertar-se e fugiu-lhes das mãos. Aí os Tugas começaram a disparar. «Mas o que é que se passa?» - ouviam-se vozes dos camaradas. Já era de madrugada, por volta das seis da manhã. Depois de passado o efeito dos primeiros minutos e de termos dominado o pânico, começámos então a organizar-nos para replicar contra o ataque. Para complicar ainda mais a situação já caótica, de longe começou a sobrevoar uma avioneta e pensámos logo que a PIDE/DGS também fazia parte do assalto porque era o estilo deles. A manobra era típica e estávamos habituados a associar o ruído longínquo das avionetas às acções da PIDE/DGS. Mas acabámos por nos convencer de que os disparos vinham da pradaria e não dos ares. Os Tugas estavam no chão! Os tiros prosseguiram, havia camaradas capturados que depois conseguiram escapar-se, outros não. Avançámos então ao encontro dos portugueses.
Houve fogo concentrado e depois de intenso tiroteio dum lado e doutro, os Tugas resolveram bater em retirada deixando no chão cerca de quatro cadáveres em cima de um dos depósitos onde guardávamos as armas. Os camaradas que conseguiram escapar julga­ram que indo para a fronteira do Senegal estariam ao abrigo, só que tiveram de novo o azar de se cruzarem com os Tugas que batiam em retirada. Foram apanhados entre dois fogos. Perseguimos os Tugas que nos lançavam bazookadas enquanto se retiravam. O Julião Lopes apanhou um estilhaço perto do olho, o Queba Mané correu para a fronteira onde apanhou um tiro e morreu. Foi a única baixa mortal que tivemos nesse dia, o resto eram feridos, mas em número relativamente importante.
Enterrámos o Queba aí mesmo. Na mesma tarde, os Tugas bombardearam intensivamente a zona com canhões de longo alcance. Obuses que pareciam chover do céu. Preocupava-me com o evoluir da situação pensando na M'Bália, que, no colo da sua mãe, estava longe de imaginar em que mundo se encontrava. As duas não se mexeram da base até a calma ter voltado.
Aquela batalha foi terrível, foi mesmo um grande momento da nossa luta de libertação. Tivemos sorte naqueles dias porque estavam ali mais de duzentos homens. Nós estávamos habituados a movimentar­-nos em pequenos grupos, por isso éramos guerrilha. Combater num comando com mais de duzentos homens necessitava de uma outra estratégia. Mas, enfim, conseguimos puxar os Tugas para fora da frente em que nos encontrávamos. Os comandantes presentes no local fizeram valer as suas técnicas de organização nos combates e cada um pegou num grupo de homens e avançou contra o inimigo.
Resolvemos, então, intensificar a formação dos camaradas.
Trabalhámos todo o resto do dia e formámos novos grupos que logo de madrugada foram instalar-se no rio Farim.


FARP, exercício de treino militar
Foto: Arquivo Amílcar Cabral/Fundação Mário Soares

As coisas eram assim mesmo: ataque inimigo, contra-ataque da nossa parte e vice-versa. A Iuta não foi fáciI...
Como dissera, a frente estendia-se de Varela a Djumbembem. Estávamos aí olho por olho dente por dente com as guarnições do exército colonial que disputavam connosco a primazia daquela frente. Compreendemos que aquele que tomasse a iniciativa em primeiro lugar recolhia vantagens sobre o outro. Foi assim que, pouco depois da batalha de Cumbaghnor/Cumbamori, preparámos uma operação de represália contra eles. O quartel de Ingoré era o nosso objectivo.
Antes de partir para essa operação, apareceu-me o camarada Joaquim Furtado, Nini, que se dirigia para Ziguinchor. Em Samine informaram-no de que eu me encontrava nas matas à espera da hora de atacar o quartel de Ingoré. Foi ter comigo no comando da operação e embora vendo que estava ocupado insistiu em falar comigo. Disse-lhe para me esperar na base pois ia realizar uma operação e que logo que regressasse poderíamos então conversar. O Joaquim Furtado não quis ficar, disse que ia connosco. Eu disse-lhe que ficasse, que aquilo não iria demorar muito. Queria ir comigo e insistiu tanto que tive que o aceitar no grupo. À hora marcada começámos então o assalto ao quartel de Ingoré. À ordem de atirar, abrimos fogo intenso. Depois do efeito surpresa, os Tugas reagiram também com fogo cerrado.
Mantivemos o ataque durante um bom momento e depois resol­vemos bater em retirada, pois o objectivo da operação, que era simplesmente de flagelar a posição inimiga, fora atingido. O quartel estava a arder. O ataque tinha também a finalidade de nos anteciparmos à organização de um vasto assalto que o inimigo pretendia fazer, segundo informações que tínhamos, a partir desse quartel, contra as nossas bases.
No movimento do recuo organizado, o Joaquim Furtado apanhou um estilhaço de morteiro na coluna. Levámo-lo logo ao ponto de concentração, onde estava um médico que lhe deu os primeiros socorros.
Já de madrugada metemo-lo numa ambulância para Ziguinchor, onde foi internado, tendo sido mais tarde evacuado para Dakar.
O Hospital de Ziguinchor recebia todos os doentes e feridos da Frente Norte e do Chão Manjaco. Os que precisavam de tratamentos mais especializados eram evacuados para Dakar. Os que deviam seguir para a Europa, dado o estado grave dos ferimentos, eram enviados para os países que nos apoaivam, ou seja, os países do Leste Europeu. Foi o meu caso, mais tarde, quando fui ferido em combate ...
E foi nesse ataque ao quartel de Ingoré que o Joaquim Furtado, Nini, cuja participação nem estava prevista, ficou para sempre paralisado. Depois de ter recebido o tratamento, conseguia deslocar-se mas com extrema dificuldade. Não posso dizer que foi teimosia da sua parte, mas se me tivesse escutado ...
Eu disse-lhe antes do ataque: "Olha, nós já fizemos o reconhecimento e conhecemos todos os detalhes do percurso, da ordem em que vamos atacar e do momento da retirada. Tu não és da zona e não conheces este terreno, fica aqui e aguarda o meu regresso." Mas ele insistiu ... Quando apanhou o estilhaço do morteiro, caí logo em cima dele e gritei-lhe para não se levantar. Fiquei aí com ele porque o tiroteio dos Tugas intensificara-se enquanto nos retirávamos. Só quando as balas diminuíram de intensidade é que o consegui carregar e avançar com ele às costas para uma zona segura. É preciso saber que, no momento da retirada de um ataque, costumo ordenar a retirada primeiro das forças do flanco esquerdo, depois as do lado direito e finalmente as do meio. O Joaquim Furtado, que se encontrava no flanco central, quando se levantou para se retirar, recebeu o projéctil na coluna e isso imobilizou-o imediatamente. Ficou paralisado.
A luta na fronteira era difícil. Porque, às vezes, os portugue­ses atravessavam todo o Norte e iam fechar a estrada que ligava Sa­mine a Kolda. Uma vez chegaram mesmo a atacar uma tabanca senega­lesa e daí levaram porcos, vacas, carneiros. Levaram tudo para os seus quartéis em Bigene. Nós fomos interceptá-los já perto de Bigene. Andavam confiados, seguros de que já não havia perigo ne­nhum. Surpreendêmo-Ios e conseguimos recuperar todo o gado rou­bado às populações da zona fronteiriça de léram, Cumbaghnor/Cum­bamori, etc.

NB - Da CART1690 houve 15 elementos que foram evacuados para o HMP de Lisboa por motivo de doença. Dois exemplos de uma das razões disso: o destacamento de Banjara esteve, em certa altura, com dois meses sem abastecimentos, devendo os seus ocupantes desenrascarem-se comendo macacos e cobras; quanto à água, porque só havia fora do arame farpado, estabeleceu-se tacitamente uma escala: num dia iam os do PAIGC da zona e noutro dia iam os nossos buscá­-Ia [ver "Um dia em Banjara"]; em Barro, quando as barcaças demoravam muito tempo a trazer-nos os abastecimentos pelo Cacheu, tínhamos de ir "caçar" as vacas que o PAIGC tentava levar do Senegal para o Oio - era uma forma de poder comer de jeito.

A. Marques Lopes, ex-Alf.Mil.At./nf., CART 1690/CCAÇ 3, actualmente Cor. DFA reformado. www.tabancapequenadematosinhos.blogspot.com 29.03.2009.

Tínhamos uma unidade que controlava Guidage e Binta. A base de Sambuiá controlava Bigene e Ingoré, e a base de S. Domingos controlava S. Domingos, Apidjo e Suzana. Não dávamos muita importância a Varela porque ali não havia tropa portuguesa.»

8 de abril de 2011

101-O cerco de Guidage

O cerco de Guidaje 

No início de Maio de 1973, a guarnição militar de Guidaje era constituída por uma companhia de caçadores do recrutamento local, a Companhia de Caçadores 19 e pelo Pelotão de Artilharia 24, equipado com obuses de 10,5 cm. 

Guidaje estava sob o comando operacional do COP3, que tinha sede em Bigene. Com o agravamento da situação, o comandante, tenente-coronel Correia de Campos, deslocou-se para Guidaje em 10 de Maio, com o seu posto de comando avançado, onde se manteve até 12 de Junho. 

O PAIGC dispunha, concentradas, as seguintes forças na região de Cumbamori: 

- Corpo de Exército (CE) 199/B/70, com quatro bigrupos de infantaria e uma bateria de artilharia; 

- Corpo de Exército (CE) 199/C/70, com cinco bigrupos de infantaria e uma bateria de artilharia; 

- Grupo de Foguetes da Frente Norte, com quatro rampas; 

- Três bigrupos de infantaria, um grupo de reconhecimento e uma bateria de artilharia do CE 199/A/70, deslocadas de Sare Lali (Zona Leste). 

Gravura inserta no livro "Guiné - 1968 e 1973 - Soldados uma vez, soldados para sempre", de Nuno Mira Vaz
 Foram ainda referenciados em Cumbamori um pelotão de morteiros de 120 mm, um grupo especial de sapadores e diversos elementos recém-chegados do estrangeiro. 
Do lado do PAIGC estimavam-se em cerca de seiscentos e cinquenta a setecentos os efectivos que empenhou nesta operação, comandados por Francisco Mendes (Chico Te) e pelo comissário político Manuel dos Santos, que era o responsável pelos mísseis em todo o território. 
O primeiro objectivo do PAIGC foi isolar Guidaje, cuja localização era excelente, situada em cima da fronteira, o que diminuía a frente de um possível contra-ataque ou de um reforço. Dada a inibição das forças portuguesas em manobrar pelo território do Senegal, elas só poderiam vir de sul, ou seja de Binta e de Cufeu. Nesta zona, sensivelmente a meio caminho entre as duas localidades, o PAIGC havia instalado forças significativas e lançado vasto campo de minas. O ataque a Guidaje por norte garantia contínuo fluxo de reabastecimento de munições e efectivos, dado que podiam efectuar-se por viatura a partir de Zinguichor, Cumbamori, Yeran ou Kolda, o que permitia manter o cerco durante largo período de tempo. 
Para cercar Guidaje, o PAIGC começou por cortar o itinerário de Binta e instalar sistemas antiaéreos com mísseis Strella. 
O isolamento aéreo de Guidaje iniciou-se com o abate de um avião T-6 e de dois DO-27 e o terrestre acentuou-se em 8 de Maio, quando uma coluna que partira de Farim, escoltada por forças do Batalhão de Caçadores 4512, accionou uma mina anti-carro e foi emboscada, sofrendo doze feridos. Em 9 de Maio, a mesma força foi de novo emboscada, mantendo-se o contacto durante quatro horas. 
A coluna portuguesa sofreu mais quatro mortos, oito feridos graves, dez feridos ligeiros e quatro viaturas destruídas, deslocando-se então para Binta, em vez de subir para Guidaje. 
Em 10 de Maio, no deslocamento de Binta para Guidaje, o conjunto de unidades envolvidas, sob o comando do comandante do batalhão de Farim, sofreu mais um morto e dois feridos e encontrou a picada cortada por abatises. Entretanto, as forças da CCaç 19, saídas de Guidaje para proteger o itinerário na sua zona de acção, tiveram cinco contactos, sofrendo oito mortos e nove feridos. 
No relatório desta acção, o seu comandante descreve assim a violência do contacto de fogo: « (...) em relação às NT, o IN estava de frente, dos dois lados da picada, e foi impossível fazer uma reacção conveniente pelo fogo. A primeira sessão pelo fogo causou-nos imediatamente três mortos ( ... ) o IN voltou à carga com maior ímpeto, mas as NT já estavam preparadas para o receber e aqui teve as primeiras baixas. Estando um cabo gravemente ferido com um estilhaço no pescoço, o soldado auxiliar de enfermeiro correu para junto dele a fim de o socorrer. Estando ajoelhado a seu lado foi atingido por uma rajada que lhe provocou a morte. 

Gravura inserta no livro "Guiné - 1968 e 1973 - Soldados uma vez, soldados para sempre", de Nuno Mira Vaz

Gravura inserta no livro "Guiné - 1968 e 1973 - Soldados uma vez, soldados para sempre", de Nuno Mira Vaz
Começavam a escassear as munições e foi dada ordem para fazer fogo de precisão, tanto quanto possível. Quando o fogo parou por escassos segundos um dos furriéis tentou chegar junto dos mortos para recuperar os corpos. Quando se levantava para realizar esta acção, pela terceira vez o IN atacou as nossas posições. Notando a impossibilidade de recuperar os corpos dos mortos e porque a falta de munições era quase total, o comandante viu-se coagido a ordenar a retirada... ». 
Em 12 de Maio, chegou a Guidaje uma coluna de reabastecimentos constituída pelos destacamentos de fuzileiros especiais 3 e 4. Em 15, no regresso a Farim, accionaram duas minas e sofreram dois feridos graves e numa emboscada entre Guidaje e Binta, cinco feridos. 
Uma coluna que entretanto saiu de Binta alcançou Guidaje no mesmo dia. Contudo, em 19, no regresso, accionou várias minas e sofreu emboscada violenta. Teve um morto e sete feridos, esgotou as munições e regressou a Guidaje. 
Em 23 de Maio, saiu uma coluna de Binta para Guidaje protegida por uma companhia de pára-quedistas. A coluna regressou ao ponto de partida, porque a picada estava minada em profundidade, e a companhia de pára-quedistas, apesar de ter sofrido violenta emboscada feita por um grupo de cerca de setenta elementos, que lhe causou quatro mortos, chegou a Guidaje. 
Em 29 de Maio, foi organizada uma grande operação para reabastecer Guidaje. Constituíram-se quatro agrupamentos com efectivos de companhia em Binta e dois agrupamentos em Guidaje, estes para apoiar a progressão na parte final do itinerário. A coluna alcançou Guidaje nesse dia, tendo sofrido dois mortos e vários feridos. 
Em 30 de Maio, em virtude da informação de agravamento da situação no Sul (Guileje), estas forças regressam às suas bases para serem de novo empregues. 
Em 12 de Junho, considerou-se terminada a operação de cerco a Guidaje. Uma coluna partiu desta guarnição para Binta, trazendo o tenente-coronel Correia de Campos, que comandara o COP3 durante este difícil período.
Baixas das colunas de e para Guidaje, entre 8 de Maio e 8 de Junho de 1973: 
Mortos 22 
Feridos 70 
Viaturas destruídas 6 
Em suma, o primeiro objectivo do PAIGC foi isolar Guidaje, o segundo foi flagelar a posição e destruir o espírito de resistência das forças portuguesas e o último seria conquistar a povoação. Guidaje sofreu, entre o dia 8 e o dia 29 de Junho, 43 flagelações com artilharia, foguetões e morteiros. Logo no dia 8, esteve debaixo de fogo por cinco vezes, num total de duas horas, em 9, sofreu quatro ataques, em 10, três e até ao final todos os dias foi atacada. No total dos 43 ataques, a guarnição de Guidaje sofreu sete mortos, trinta feridos militares e quinze entre a população civil. Foram causados estragos em todos os edifícios do quartel.

Operação Ametista Real - a resposta 

O nítido agravamento da situação em Guidaje, que era particularmente nítido a partir de 8 de Maio, as notícias de grandes movimentações de tropas do PAIGC junto à fronteira com o Senegal, a dificuldade de reforçar e apoiar por terra aquela guarnição, dada a resistência encontrada pelas colunas que ali se dirigiam, e a existência de vários feridos que não podiam ser evacuados para os hospitais pelas limitações de emprego de meios aéreos, levaram o comandante-chefe a lançar uma operação de grande envergadura para envolver as forças do PAIGC que atacavam Guidaje e aliviar a pressão sobre aquela guarnição militar que permitisse reabastecê-Ia, retirar os feridos e substituir pessoal. 

Gravura inserta no livro
 "Guiné - 1968 e 1973 - 
Soldados uma vez, soldados para sempre", 
de Nuno Mira Vaz
Esta tarefa foi atribuída ao Batalhão de Comandos da Guiné, que recebeu a missão de «aniquilar ou, no mínimo, desarticular a organização do lN na região de Guidaje-Bigene». 

As forças executantes, num total de cerca de quatrocentos e cinquenta homens, foram assim organizadas: 

Comandante da operação - major Almeida Bruno. 

Agrupamento Romeu 

- 1.ª Companhia de Comandos - capitão António Ramos. 

Agrupamento Bombox 
Agrupamento Centauro 
- 3.ª Companhia de Comandos - capitão Raul Folques. 
As forças do Batalhão de Comandos saíram em 18 de Maio de Bissau numa LDG, apoiadas por duas LFG, e desembarcaram em Ganturé nessa tarde. Depois de um briefingem Bigene, saíram pelas 23 e 50h para Norte, pela seguinte ordem:
- Agrupamentos Bombox, Centauro e Romeu. 

Gravura inserta no livro "Guiné - 1968 e 1973 - Soldados uma vez, soldados para sempre", de Nuno Mira Vaz
 Pelas 5 e 30h, de 19 de Maio, a testa da coluna alcançou o itinerário que apoiava a base de Cumbamori, objectivo principal da operação. O Agrupamento Bombox passou para norte da estrada, o Agrupamento Centauro ocupou posições a sul e o Agrupamento Romeu instalou-se à retaguarda, numa pequena povoação. 
Ás 8 e 20h iniciou-se o ataque aéreo com aviões Fiat G-91, que destruíram os paióis da base, tendo as munições explodido durante algum tempo. 
Às 9 e 05h o Agrupamento Bombox executou o assalto inicial, provocando o primeiro contacto com as forças do PAIGC. Estes combates desenrolaram-se até às 14 e 10h, quando o comandante da operação deu ordem para o Agrupamento Centauro apoiar uma ruptura de contacto entre as suas forças e as do PAIGC. Foi uma operação de grande dificuldade, porque os combatentes de um e outro lado se encontravam muito próximos. O comandante do Agrupamento Centauro foi ferido, mas conseguiu realizar essa separação. 
Às 14 e 30h, o Batalhão de Comandos iniciou o movimento para a base de recolha e às 18 e 20h, os seus primeiros elementos chegaram a Guidaje. Em 20 de Maio, o mesmo batalhão saiu de Guidaje para Sinta, a pé, deixando ali os seus feridos e os militares que não se encontravam em condições de prosseguir a marcha. Em Sinta, embarcou numa LDG de regresso a Bissau. 
Nesta operação, o Batalhão de Comandos sofreu dez mortos, vinte e dois feridos graves e três desaparecidos, estimando ter causado sessenta e sete mortos, entre os quais, segundo informação mais tarde obtida no Senegal, uma médica e um cirurgião cubanos e quatro elementos mauritanos. 
Durante a acção, as forças do Batalhão de Comandos consumiram as seguintes munições: 
7,62mm(G-3)    26 700 
7,62mm(Kalash)    4 600 
Granadas de lança-granadas-foguete de 6 e 8,9 mm 292 
GranadasRPG-2eRPG- 71 
Granadas morteiros 195 
Granadas mão ofensivas e defensivas 268
A situação melhorou durante algum tempo, até porque o esforço do PAIGC se passou a concentrar na frente sul, sobre Guileje e Gadamael. 
Nestes 20 dias do mês de Maio e nesta região em torno de Guidaje, as forças portuguesas sofreram trinta e nove mortos e cento e vinte e dois feridos.

(Andelmo Aníbal e Carlos Matos Gomes, in http://guerracolonial.org, site da A25A/RTP)

- 2.ª Companhia de Comandos - capitão Matos Gomes. 

Em termos de efectivos, a guarnição portuguesa teria cerca de duzentos homens, na maioria do recrutamento da província, com as suas famílias, existindo em redor do quartel uma pequena aldeia com cada vez menos habitantes.