O Malique Baldé[1] veio dizer ao capitão Guimarães que o Aruna e o Soriba eram turras.
- “Como é que sabes?”
- “Só aparecem às vezes na tabanca, à noite. Não andam a fazer mais nada.”
Era noite.
- “E estão lá agora”.
- “Aonde?”
- “Vai lá buscá-los”.
Levou vários homens da CMil3[2] e trouxe-os. O capitão mandou pô-los no refeitório. Juntou-se logo um grupo de soldados `volta deles, com eles alguns da CMil3. Eu e o Maçarico, que tínhamos assistido à conversa com o Malique, ficámos também para ver o que ia dar.
Veio o capitão e sargento Fernandes, este com um grosso cavalo-marinho.
- “Malique, vai traduzindo”, disse o capitão. “Aruna, o Soriba diz que tu és turra”.
O Aruna respondeu veementemente que não. O Fernandes deu-lhe com o cavalo-marinho.
- “Soriba, não é o Aruna és tu”.
O Soriba levantava as mãos a dizer que não. O Fernandes chegava-lhe porrada com o cavalo-marinho.
Fizeram isto várias vezes, sempre com porrada num e noutro. Às vezes, o Fernandes passava o cavalo-marinho para um soldado e era este que lhes dava. Chegou a altura em que o Aruna e o Soriba se mijaram pelas pernas abaixo. Eu e o Maçarico estávamos revoltados com aquilo. Ele ainda disse:
- “Isto não está certo, meu capitão”.
- “É assim, pá. Tem de ser assim”.
- “Vamos embora”, disse eu.
Saímos, incapazes de evitar o que achávamos degradante.
No dia seguinte mandaram os homens para Bafatá. Pensaram que o pide de lá tivesse mais sucesso, dado que não tinham conseguido nada. Nunca mais soubemos do Aruna e do Soriba.


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