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Lembranças da Guiné, na guerra e já fora dela. Pesquisa, comentários e factos. A memória sempre presente. Não está por ordem. É conforme me vou lembrando. Tudo o que tem a ver com a Guiné, a sua história, as etnias, a colonização e as guerras de resistência. Também a minha experiência durante a guerra colonial (está nos primeiros posts). Para quem não sabe ou viveu que veja e avalie se é realidade ou ficção. Para quem sabe ou viveu são lembranças.
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28 de abril de 2012
471-Os ganhos da Fazenda Real com a escravatura na Guiné
Alguns extractos indicativos dos ganhos da Fazenda Real com o comércio de escravos da Companhia de Grão-Pará e Maranhão, fundada pelo Marquês de Pombal,
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A. Marques Lopes
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14 de fevereiro de 2012
386-O transporte dos escravos
O transporte dos escravos
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5 de fevereiro de 2012
380-Criação de monopólios para o comércio de escravos
Foi nos princípios do século XVII que a
presença europeia se começou a sentir mais nas costas da Guiné, com mercadores de
escravos e comerciantes de várias nacionalidades. Durante décadas os “lançados” (colonos aventureiros) e os “tangomaos”
(diz-se que eram judeus oriundos de Cabo Verde), geralmente miscegenizados com
os indígenas, com quem faziam todo o tipo de negócios, tiveram actividade sem
lei nem controlo. Também numerosos aventureiros e piratas, ou mesmo enviados de
reis europeus, espanhóis, franceses, ingleses, holandeses e suecos, deambulavam
por todos os reinos da costa da Guiné à cata de ouro, marfim e escravos. Daí
que os reis e os gestores dos bens da Coroa portuguesa, à qual desses
territórios vinham muitas riquezas, tivessem procurado ordenar esses comércios.
A Companhia
de Cacheu, Rios e Comércio da Guiné foi criada em 1675, sucedendo à Companhia da Costa da Guiné (criada em
1664) no comércio de escravos naquela região da costa ocidental africana,
ficando também com o comércio de tecidos e marfim. Em 1676, o príncipe regente
D. Pedro deu-lhe o monopólio do tráfico de escravos na costa da Guiné e no arquipélago
de Cabo Verde e a exportação destes para a Metrópole e os seus domínios ultramarinos,
bem como para a América espanhola e Brasil. Só lhe foi vedado o comércio com
estrangeiros.
Em
10 de Maio de 1676 o governador de Cabo Verde, João Cardoso Pissarro foi
nomeado responsável da companhia e, em 20 desse mês, João Barros Bezerra foi
nomeado capitão-mor de Cacheu com o objectivo de ser seu administrador. Porque
era em Cacheu que estava a grande fonte do tráfico de escravos
A companhia cessou as suas atividades em 1682, vindo a ser sucedida pela Companhia do
Cacheu e Cabo Verde a partir de 1690, já sob o reinado de D. Pedro II. Além da sua
actividade no comércio de tecidos, marfim e, sobretudo, escravos, tinha também a
responsabilidade da manutenção do forte de Cacheu e também de Bissau, garantias
da protecção dos seus comércios. Em 1697 foi fundada a vila de Bissau, com uma
fortaleza e um entreposto de escravos
No entanto, em 1703, o rei não lhe renovou o contrato
de exploração, pelo que a sua actividade entrou em declínio, os seus prejuízos
acumularam-se e acabou por ser extinta. Com ela acabou a Capitania de Bissau,
sendo o forte desta vila arrasado, por não ter razão de ser na óptica colonial
da época.
Esta situação provocou a estagnação económica na Guiné
e Cabo Verde durante décadas.
Só em 1757, por beneplácito do Marquês de Pombal, os
seus direitos foram transferidos para Companhia
Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, a qual reconstruiu o forte de
Bissau (ver aqui) durante a sua actividade. Esta companhia, porém, em 1777, após a saída do
Marquês de Pombal, foi transformada na Companhia
para o Monopólio do Comércio nas ilhas de Cabo Verde, Bissau e Cacheu, que
durou até 1786, altura em que lhe sucedeu a Companhia do Comércio da Costa d’África, até 1886.
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A. Marques Lopes
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15 de janeiro de 2012
351-Manifesto antiesclavagista dos capuchinhos espanhóis
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Frei Vitoriano Portuense
10 de dezembro de 2011
323-Escravos: objecto de troca e oferta
Tráfico de escravos
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9 de dezembro de 2011
322-Sá da Bandeira contra a escravatura
É um livro em que Sá da Bandeira faz o percurso do uso da escravatura ao longo da História, abençoado por bulas papais, praticada por padres, monges e cruzados. Apresento o que me parece particularmente interessante: os esforços que fez para acabar com essa prática em Portugal e as resistências que encontrou, particularmente dos colonos de Angola e S.Tomé. Era aí, nas suas roças e plantações, que o trabalho escravo era grandemente utilizado para fartos rendimentos. Também quanto aos ganhos do tráfico de escravos nessas colónias ele apresenta números significativos. Não fala praticamente na Guiné porque o uso de escravos nessa colónia não teria interesse económico, pela pequenez do território e pela inexistência de grandes recursos, mesmo os agrícolas. Aí só o envio de escravos para fora. Mas não é disso que ele trata, refere-se, como o título do livro aponta, do trabalho africano na perspectiva da administração colonial.
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Sá da Bandeira
5 de dezembro de 2011
318-Tráfico de escravos
Os tráficos nos Navios Negreiros
A historia do trafico é por demais complexa e remota, cabendo às mais antigas sociedades das nações e a todos os povos da alta antigüidade, portanto não cabendo aos portugueses a sua primazia, que por sua vez são descendentes de povos que também foram escravizados e dominados por outros mais poderosos. Em toda a África, desde épocas imemorais, a escravidão militar ou escravidão histórica a que é própria de todas as sociedades humanas numa fase de sua evolução política e que dessa escravidão nasceu a escravidão mercantil, não só as guerras criaram a escravidão, mas também as religiões pois as vitorias do islamismo deram como resultado o estabelecimento do trafico pelo extremo nordeste do continente africano e como o religioso muçulmanos penetrou até o coração da África, as legiões do profeta conseguiram manter o monopólio do comercio do interior e o trafico de escravos destinados a suprir o sul da Ásia e grande parte do Mediterrâneo Oriental, e esse trafico ampliou-se para todo o norte da África, e pelo fato este tráfico teve então dois vastos emontórios que foram o leste pelo Mar Vermelho e do norte do deserto até o Maghreb e no principio do século XV e que se puseram os primeiros navegantes cristãos em relação com os escravos da costa africana do oeste.
E no ano de 1432 o navegador português Gil Eanes introduziu em Portugal a primeira leva de negros escravos e a partir desta época os portugueses passaram a traficar os escravos com as Ilhas das Madeiras e em Porto-Santo, em seguida levaram os negros para os Açores logo depois para Cabo-Verde e finalmente para o Brasil.
Em meados do século XVI devido ao estabelecimento do Governo Geral, o que pesa para Portugal a respeito ao trafico negro, pesa também sobre a França, Espanha, Holanda e especialmente sobre a Inglaterra, pois lhe cabe a primazia como vanguardeira do tráfico e do comércio de escravos autorizado desde o reinado de Eduardo VI e começando no reinado da Rainha Elizabeth no século XVI, e John Hawkins foi o primeiro inglês a empreender o comércio de negros escravos por este motivo recebeu o titulo de Baronnet, e a historia dos navios negreiros e a mais comovente epopeia de dor e de desespero da raça negra; homens, mulheres e crianças eram amontoados nos cubículos monstruosamente escuros das galeras e dos navios negreiros onde iam se misturando com o bater das vagas e o ranger dos mastros na vastidão dos mares. A fome e a sede, de mãos dadas com as doenças que se propagavam nos ambientes estreitos passavam pelos maribundos e não lhes ceifavam a vida, concedendo-lhes perdão e misericórdia que não encontravam aconchego nos corações dos homens, daqueles homens severos e maus de todas as embarcações e que só se preocupavam com o negócio rendoso que a escravaria oferecia.
Os negros fortes, retintos e amontoados também se tornavam feras acuadas onde o dia se confundia com a noite pois as levas de negros que embarcavam na costa da África provinham de diferentes pontos e de diferentes raças e eram misturadas como carga comum nos bojos dos navios negreiros.
Os gemidos dos moribundos vinham juntar a algaravia das diferentes línguas dos Mandingas, Felupos, Cabindas, Gêjes, Fulas, Congos, Bundas, Bantos, Libolos, Caçanjes e tantas outras tribos, desconhecidas umas das outras, rosnavam como feras furibundas e dilaceravam-se mutuamente nas mínimas disputas; quando o navio negreiro sofria qualquer assédio de naus piratas, os tripulantes que se preparavam para a defesa do navio negreiro, normalmente recebiam ordens do comandante que era sempre um bárbaro que sumariamente mandava atirar ao mar os negros agonizantes, para aliviar a carga para tornar o barco mais maleável, erra quando os marinheiros desciam aos porões imundos e os moribundos eram atirados ao mar, e quando isto não acontecia as epidemias lavravam os porões e só havia um remédio: o mar! A organização da Companhia de Lagos tinha o objectivo de incentivar e desenvolver o comércio africano e dar expansão ao trafico negreiro. Logo após o navegador Antão Gonçalves ter dado entrada em Portugal de uma leva de escravos negros capturados na Ilha de Arguim, e a viagem inicial da Companhia de Lagos que foi empreendida por uma expedição composta de seis caravelas ao comando do escudeiro Lançarote que transportou 235 cativos, e pelas lutas travadas entre varias feitorias da África que se entrechocavam no fornecimento de escravos e as incursões devastadoras dos corsários e piratas e a instituição da Companhia de Lagos, motivaram a formação de varias companhias negreiras, que entre elas podemos citar a Companhia de Cacheu em 1675, Companhia de Cabo Verde e Cacheu de Negócios de Pretos em 1690, Companhia Real de Guiné e das Índias em 1693, Companhia das Índias Ocidentais em 1636.
E devido ao êxito desta para o Brasil e o tino político do padre jesuíta Antônio Vieira se deu a criação da Companhia Geral do Comércio do Brasil em 1649.
A Companhia do Estado do Maranhão em 1679, Companhia da Costa da África em 1723,Companhia do Grão Pará e Maranhão, Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba que foram criadas pelo Marquês de Pombal, desta maneira podemos atestar que o transporte de negros da África era o melhor e mais rendoso negocio da época. E as raças transportadas durante o longo período negreiro e que se distribuíam por toda a África pode ser assim enumeradas: do grupo de Guiné e Nigrícia foram exportadas os Jalofos (aptos a ida do mar), Mandingas (convertidos ao Maometismo eram inteligentes e empreendedores), Yorubas ou Minas (fortes, robustos e hábeis), Felupos (os mais selvagens), Fulas que se dividiam em pretos, vermelhos e forros (eram descendentes dos chamita), Sectários de Maomet (eram os mais valentes e organizados), Balantas (gentios democratas), Biafadas ( eram robustos, atléticos, esforçados, bons marinheiros), Papéis, Manjacos, Nalus, Bahuns.E do Congo e Angola tiveram do grupo Banto foram os Ba-Congos (mais adiantados da África), Djaggas (convertidos ao cristianismo), Cabindas (excelentes trabalhadores), Mussurongos, Eschicongos, Jagas e seus afins Ban-Galas e do grupo Fiote tivemos os Bamba e os Hollos, Ambaquistas, e do sertão tivemos os Ma-Quiocos (hábeis caçadores), Guissamas (valentes e hábeis), Libollos (pacíficos e agricultores), todos do grupo Bunda, e o do grupo N`bundo vieram os Ba-Nanos, Ba-Buenos, Bailundos (todos eram altos, fortes e aguerridos), Bihenos (artistas), Mondombes, e do grupo Janguellas ou Baagangellas tiveram os Ambuellas (mineradores de ferro), Guimbandes (pacíficos e artistas) Banhanecas e Ba-Ncumbis (pastores e agricultores) e dos grupos Bantos Orientais foram os Macuás (inteligentes e faladores), Manimdis e Manguanguaras (selvagens) Nyanjas ou Manganjas (inteligentes e pacíficos), Mavias (pescadores) e do Senegal tivemos os Muzinhos, Moraves e Ajaus (mercadores de marfim) e do ramos de Bochimanos e Hotentotes tiveram os Ba-Cancalas, Bacubaes, Ba-Corócas, Ba-Cuandos, Ba-Cassequeres, Basutos e Bechuanas, Nubios.
A obra do negreiro na África foi verdadeiramente vandálica, destruidora, sanguinária! A eloquência do número de raças exportadas de todos os recantos africanos é frisantes atestado da gula dos comerciantes negreiros pelo rendoso negócio do tráfico. Todas as nações civilizadas tinham ali na costa da África a sua feitoria e nos mares em cruzeiros simultâneos, navios de todos os efeitos empregados no tráfego imoral, aberrante, desumano e sanguinário, que despovoou pouco a pouco o continente negro e seu modo cobriu-se de sangue durante asa preias desordenadas, preias levadas a efeitos a ferro e a fogo, a laço e a tiro.
http://www.zbi.vilabol.uol.com.br
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escravatura
21 de novembro de 2011
304-O caminho dos escravos
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9 de novembro de 2011
297-A Fortaleza de Bissau e a Companhia do Grão Pará e Maranhão
![]() |
| Gravura inclusa em "Ensaio de Iconografia das Cidades Portuguesas do Ultramar.2", de Luís da Silveira |
José Mendes da Cunha Saraiva apresentou ao Congresso do V Centenário de Descobrimento da Guiné, em 1946, uma comunicação sobre este tema, tendo sido tiradas estas conclusões:
«1.º - Instituída a Companhia Geral do Comércio e Navegação do «Grão Pará e Maranhão», em 1755, foi concedida pelas seus estatutos à Junta de Administração a faculdade de estabelecer o comércio na Guiné C0ml determinados privilégios.
2.º - Para protecção do comércio que a Companhia ia estabelecer naquele ponto da Costa de Africa, sobretudo no porto de Bissou em relação com as capitanias do Grão Pará e do Maranhão, tomava-se necessário protecção imediata para ocorrer a qualquer eventualidade.
3.º - A fortaleza antiga de Bissau encontrava-se, à data do estabelecimento da Administração da Companhia naquela Praça, em completo estado de ruína, sem armamento, munições ou outro qualquer meio de defesa para resistir, como se vê da descrição que em Abril de 1761 o capitão da dita praça Filipe José do Souto e Matos fez em informação que remeteu à Junta, a pedido desta.
4.º - Os reparos das muralhas e baluartes não eram suficientes para se esperar deles uma boa defesa, em virtude de actos de desrespeito que os ingleses haviam tido para com os representantes da Companhia que ali exerciam o comércio, e isto deixava em sérias dúvidas a acção dos administradores da Feitoria já estabelecida.
5.º - Em face de factos tão visíveis, e como era preciso sem demora assegurar a acção e livre exercício daquele comércio, que era principalmente o da escravatura negra, marfim, cera e outras espécies e drogas que deveriam seguir para o Maranhão, foi a Junta autorizada, depois de consulta régia, a mandar fazer uma fortaleza, e para isso, foi remetido vário material de Lisboa, pelos navios que iam em lastro, com pedra das pedreiras de Alcântara, telha, cal e tijolos dos fornos do Rio Seco.
6.º - Foi encarregado de levantar a planta e de dirigir as obras da Fortaleza o sargento-mor Engenheiro Manuel Germano da Mata, mas só em 1765 esta acção se começou a pôr em prática.
Várias instruções expediu a Junta da Companhia para os seus administradores, e solicitou ao superior dos religiosos que auxiliasse aquele intento e prestasse todos os serviços e meios para o bom desempenho daquela missão.
As instruções COIII que o Director das obras partiu para Bissau eram todas no sentido de se entender o melhor possível com os administradores e com os régtt!os naturais para que aquelas gentes não hostilizassem os interesses do comércio e a construção da Fortaleza. No entanto, parece que o engenheiro Manuel Germano da Mata não foi muito hábil no forma como se conduziu no trato com os régulos e gentios, porque estes certamente o hostilizaram e por isso, como represália, mandou queimar algumas mesquitas.
7.º - Na direcção da obra e forma como se conduziram os serviços, adivinhava-se através da correspondência que a Companhia dirigia ao sargento-mor, engenheiro Manuel Germano da Mata, que este não curava muito dos interesses que lhe foram confiados.
As obras da fortaleza tornavam-se morosas, e a Junta da Companhia instava com o engenheiro pela sua rápida conclusão; e por isso começava a impacientar-se pela falta de informações sobre esta questão.
Em face disto e das más informações que o Governador da Praça, Sebastião da Cunha Souto Maior, e os administradores da Feitoria do comércio da Companhia prestavam à Junta, foi mandado regressar à Corte, o já então Tenente-coronel Manuel Germano da Mata, como se vê na carta de 18 de Janeiro de 1769, em que lhe ordenava fizesse entrega da direcção da obra ao governador.
8.º - Foi encarregado da direcção para conclusão da obra da Fortaleza de Bissau em substituição daquele, o sargento-mor António Feliz do Amaral, cuja nomeação, depois de a Junta haver conseguido licença e aprovação do Rei, lhe foi comunicado em carta de 10 de Março de 1770.
Partiu o novo director da obra para Bissau logo em seguida, e da sua competência se houve bem e de boa conta.
As obras da fortaleza terminaram e foi dada por concluída, conforme a Junta de Administração da Companhia declara na representação de 10 de Outubro de 1774, dirigida ao Rei, em que pede autorização para mandar nomear a indispensável guarnição.
Por isso, o decreto de 28 de Novembro seguinte, nomeava os oficiais que deviam constituir a guarnição da Fortaleza de S. José de Bissau e indicava para sargento-mor o Capitão Luís da Silva Cardoso.
9.º - Na construção e municiamento da Fortaleza da Praça de S. José de Bissau, gastou a Junta de Administração do Grão Pará e Maranhão, avultada soma, mas os interesses da Junta ficaram assegurados para o exercício do comércio que tanto se empenhava em explorar».(1)
...E o que era a Companhia do Grão Pará e Maranhão?
A escravidão indígena, isto é, dos povos naturais do Brasil, foi proibida no Estado do Grão Pará e Maranhão em 1752. Foi feita, por isso, uma petição da Câmara Municipal de S. Luís do Maranhão ao Governador e Capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado (meio-irmão do Marquês de Pombal) para que fosse autorizada a formação de uma sociedade para comércio de importação de escravos africanos.O Marquês acolheu a ideia e ganhou para ela grandes comerciantes de Lisboa e Porto, tendo esta Companhia sido formada em 7 de Agosto de 1755, com o objectivo de vender escravos em grande escala para o desenvolvimento da agricultura e também fomentar o comércio. Recebeu o monopólio do tráfico de escravos durante vinte anos e o transporte de outras mercadorias para o Grão Pará e Maranhão, teve a garantia da Armada Real para escolta dos seus navios, sendo os seus funcionários considerados ao serviço do rei, e também prioridade nas alfândegas.
A Companhia de Jesus não gostou destes privilégios, pois prejudicavam os seus interesses comerciais na região, sendo acompanhada por outros comerciantes que alegavam comércio desleal. O vice-provincial dos jesuítas do Maranhão induziu o bacharel em Direito João Tomaz de Negreiros e o padre Bento da Fonseca a peticionarem à Coroa Portuguesa expondo o descontentamento dos comerciantes locais. Pombal mandou prender o bacharel, o padre e alguns comerciantes signatários da petição, proibiu qualquer acção conta a Companhia e que deviam ser punidos os padres que usassem o púlpito para instigar ao descontentamento.
O comércio entre S. Luís do Maranhão e a metrópole floresceu. De 1755 a 1760 era um navio por ano, mas já foram setenta navios entre 1760 e 1771, com cargas de algodão, arroz, cacau, gengibre, madeira e mais.
Quanto ao comércio de escravos, até 1755 (data da criação da Companhia) apenas 3.000 havia no Estado do Grão-Pará e Maranhão. Entre 1755 e 1777 esse número subiu para 12.000, vindos de Cacheu, Bissau e Angola.
D. Maria I extinguiu a Companhia em 25 de Fevereiro de 1778, no entanto a sua liquidação só foi concluída em 1914.(2)
Era na altura, como se vê, um potentado com influência política. Decidia os seus interesses com o apoio do poder, nem que fosse preciso pôr a máscara do Mecenas (táctica velha mas ainda actualíssima...). Não é, pois, de admirar que fizesse correr com o Tenente-coronel Manuel Germano da Mata.
(1) Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, Nº 101-104, 1946
(2) Dados extraídos da Wikipedia
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26 de outubro de 2011
286-Os escravos trazidos para Portugal
Com alguma linguagem da época, é claro, mas tem interesse histórico e, até, sociológico.
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A. Marques Lopes
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25 de outubro de 2011
284-Cacheu e o comércio de escravos
Cacheu e o seu forte (fonte: Wikipedia)
Gonçalo Gamboa Aiala foi nomeado capitão-mor do Cacheu em 1644, depois da Restauração. Antes, era esta a situação:
Gonçalo Gamboa Aiala foi nomeado capitão-mor do Cacheu em 1644, depois da Restauração. Antes, era esta a situação:
« (...) Apoiados em André Álvares de Almada, contemporâneo dos factos, poderemos concluir que em 1581-82 (2) já os portugueses estavam instalados nas margens do rio de S. Domingos, onde negociavam em couros, cera, marfim e escravos, que compravam aos buramos ou papéis, os quais lhes resistiam e humilhavam. Para se libertarem destas dificuldades, em 1588, e por iniciativa do feitor dos rios, Manuel Lopes Cardoso, cabo-verdiano, obtêm licença do chefe da terra, Chapala, para fazerem uma fortificação no sítio de Cacheu com o pretexto de se defenderem dos navios inimigos. À volta do forte, construído e artilhado a expensas dos moradores, começaram a surgir as habitações e pouco depois os comerciantes e lançados abandonaram a aldeia indígena e fixaram-se no novo povoado.
Os papéis não reagiram bem a esta atitude e em segredo organizaram o assalto à povoação. Avisados por duas negras do ataque que se perpetrava, os portugueses prepararam a defesa e conseguiram repelir os assaltantes.
Vejamos como André de Almada descreve este acontecimento que ocorreu em 1590:
«Durou a guerra três dias, nos quais foram mortos muitos negros, e da parte dos nossos não morreu pessoa nenhuma; os quais, vendo quão mal lhes ia do partido se recolheram, e daí a poucos dias tomaram a rogar aos nossos os recolhessem e aceitassem na amizade em que dantes estavam. E são amigos, vivendo os nossos na sua povoação e eles na sua, e assim tratam uns com os outros.» (3)
A povoação cresceu e em 1594 já os seus habitantes aculturados se podiam contar por algumas centenas, de acordo, mais uma vez, com Álvares de Almada que informa haver «quaresma em que se confessam setecentas e oitocentas pessoas, entre brancos e pretos,(4) e não falta mais que pôr Sua Magestade justiça nela, querendo-a fazer vila.» (5) Na verdade, Filipe I, atendendo à importância crescente deste porto, resolveu dar-lhe, em 1605 (6) o título de vila «e conçedeo algús priuilegios exortando os a viuerem com policia e justiça, mas os moradores não acceitaram isto, e estão como aleuantados.» (7) Continuaram, portanto, a viver como até aí, sem polícia, nem justiça, e na dependência dos grandes mercadores de escravos.
A autoridade era exercida pelo capitão dos contratadores que chefiava os feitores dos rios, seus agentes e intermediários. Subordinado ao governo de Cabo Verde, praticamente exercia funções de capitão-mor.
Oficialmente, porém, só em 29 de Dezembro de 1614 (8) é nomeado por Nicolau de Castilho, governador de Cabo Verde, o primeiro capitão e feitor de Cacheu. A escolha recaiu em João Tavares de Sousa a quem foi dado um regimento que recomendava a reparação da fortaleza; a paz com os reis e senhores da terra; a difusão da religião católica; a fiscalização da navegação e comércio de estrangeiros; a proibição da venda de cera e marfim e da entrada em Cacheu do algodão da Gâmbia, de S. Tomé e de outras partes; o controlo do preço dos escravos; o reenvio das mulheres cristãs que por causa da fome fugiram de Cabo Verde e se refugiaram na Guiné.
Meses depois, em 4 de Abril de 1615, (9) é designado novo capitão-mor, Baltasar Pereira de Castelo Branco, e desta vez por nomeação régia. O regimento, que vai regular toda a sua actividade como «capitão das pouoações de Cacheu, Rio Grande, e de Sam Domingos, e dos mais da conquista de Guine que são do distrito das jlhas do Cabo Verde», (10) contém diversos capítulos respeitantes à evangelização, à necessidade da construção de uma fortaleza para defender o porto e impedir o comércio com estrangeiros, para além de outras instruções sobre o governo e o comércio da Guiné.
O último lembra a sua subordinação ao «gouernador das ilhas do Cabo Verde, de cujo distrito são aquellas pouoações de Guine, porem o dito governador vos não poderá tirar nem suspender de nenhúu dos cargos de que vos encarrego.» (11) Por um lado, mantém-se a dependência teórica, mas não prática, porque aquela autoridade não o podia destituir de qualquer cargo, o que lhe dava uma certa segurança e autonomia.
Os regimentos que foram dados posteriormente mantiveram no essencial o mesmo formulário.
Antes de entrar na época posterior à Restauração, e para finalizar esta pequena e sucinta análise de Cacheu, é preciso acentuar que este porto era o mais frequentado de toda a costa da Guiné e onde afluía o maior número de escravos. A ele se vinham fornecer os navios de Lisboa, da ilha de Santiago e de Sevilha, para além dos franceses, ingleses e holandeses que, sem licença das autoridades, negociavam directamente com as populações autóctones.
Ao findar o período filipino, a praça de Cacheu continuava a ser dominada pelos grandes mercadores de escravos que detinham o poder, provocando com a sua prepotência a indisciplina.
Os meios de defesa eram quase nulos apesar de tantas vezes se ter ordenado a construção de uma fortaleza e de ser tão insegura a vida em Cacheu por causa. da resistência dos africanos a quem nem mesmo os constantes presentes conseguiam apaziguar.
Podemos, em resumo, concluir o seguinte: a situação económica era má; a anarquia e a indisciplina campeavam em consequência dos abusos cometidos pelos comerciantes espanhóis e outros estrangeiros; a concorrência movida pelos lançados, judeus e cristãos-novos, que actuavam activamente como intermediários dos estrangeiros, criava dificuldades aos comerciantes da terra e tudo isto era agravado pela fome que grassava em vastas zonas daquela região.
(2) André Álvares de Almada - Tratado breve dos Rios de Guiné do Cabo Verde. Lisboa: Editoria1 L.I.A.M., 1964, p. 77.
(3) Idem, ibidem, p. 72.
(4) A Igreja de Nossa Senhora do Vencimento do porto de Cacheu, no rio de S. Domingos, recebeu o seu primeiro vigário, Fernão Novais de Quiroga, em 20 de Fevereiro de 1598. (António Brásio - Monumenta Missionaria Africana. África Ocidental. Segunda Série. Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1964, vol. 3, p. 407).
(5) André Álvares de AI!TIada - Ob. cit., p. 72-73. (6) AHU - ConseLho ULtramarino, cód. 45, fi. 341.
(7) António Brásio - Ob. cit., Lisboa: Agência-Geral do Ultramar, 1968, vol. 4, p. 210.
(8) AHU - Guiné, ex. 1, doc. I; BoLetim do Arquivo Histórico Colonial.
Lisboa, 1950, vol.jl , p. 203-206; António Brásio - Ob. cit., vol. 4, p. 568-572.
(9) AN1T - Leis, Iiv. 3, fls. 24-26; José Justino de Andrade e Silva - Coleoção cronológica da legislação portuguesa. Lisboa: Imprensa de lJ.A.Silva, 1855, vol. 2, p. 127-129; António Brásio - Ob. cit., vol. 4, p. 573-576.
(10) Idem, ibidem.
(11) Idem, ibidem.»
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A. Marques Lopes
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25 de agosto de 2011
240-Como Antão Gonçalves levou os primeiros escravos
CAPÍTULO XII
Como Antão Gonçalves trouxe os primeiros cativos
(…) Acabada a viagem daqueste, quanto ao principal mandado, Antão Gonçalves chamou Afonso Guterres, um outro moço da câmara, que era com ele, e assim os outros do navio, que eram por todos vinte e um, e falou-lhes em esta guisa: Irmãos e amigos! Nós temos já nossa carga [peles de lobo-marinho e azeite], como vedes, na qual acabamos a principal força de nosso mandado, e bem nos podemos tomar, se mais não quisermos trabalhar além daquilo que nos principalmente foi encomendado; mas quero porém saber de vós outros, se vos parece que é bem que tentemos de fazer alguma cousa, porque aquele que nos cá enviou, possa conhecer alguma parte de nossa boa vontade, ca me parece que seria vergonha tomarmos assim ante a sua presença, com tão pequeno serviço. E em verdade eu considero que, quanto nos esta cousa foi menos encarregada pelo infante nosso senhor, tanto devemos em ela de trabalhar com muito maior peso. Ó que formoso aquecimento seria, nós que viemos a esta terra por levar carga de tão fraca mercadoria, acertarmos agora em nossa dita de levar os primeiros cativos ante a presença do nosso príncipe! E quero-vos dizer o que tenho considerado para receber vosso avisamento: e isto é, que em esta noite seguinte, eu com nove de vós outros, aqueles que mais dispostos estiverdes para o trabalho, quero ir tentar alguma parte desta terra, ao longo deste rio, para ver se sinto alguma gente, ca me parece que de razão devemos achar alguma cousa, pois é certo que aqui há gentes, e que tratam com camelos e outras alimárias, que levam suas cargas; e o tráfego daquestes principalmente deve de ser contra o mar; e pois que eles de nós ainda não hão nenhuma sabedoria, não pode o seu ajuntamento ser tamanho que nós não tentemos suas forças; e encontrando-nos Deus com eles, a mais pequena parte da vitória será filharmos [agarrarmos à força] algum, do qual o Infante nosso senhor não será pouco contente para cobrar conhecimento por ele de quais e quejandos são os outros moradores desta terra. Pois qual será o nosso galardão, sabê-la-eis pelas grandes despesas e trabalho que ele nos anos passados, somente a este fim, tem oferecidos. Vós vede o que fazeis, responderam os outros, ca pois capitão sois, é necessário que naquilo que mandardes sejais obedecido, não como Antão Gonçalves; mas como nosso senhor, ca bem deveis de cuidar que aqueles que aqui somos, da criação do Infante nosso senhor, temos desejo e vontade de o servir, até pôr nossas vidas na sorte do derradeiro perigo. Porém a nós parece, que vossa intenção é boa, com tanto que vós não queirais aí meter outra novidade, pela qual se nos recresça perigo, com pouco serviço de nosso senhor. E finalmente determinaram fazer seu mandado, e o seguir até onde mais chegar pudessem. E tanto que a noite sobreveio, Antão Gonçalves apartou aqueles nove, que lhe mais aptos pareceram, e fez com eles sua viagem, segundo antes determinara E sendo afastados do mar, quanto podia ser uma légua, acharam ali um caminho, o qual guardaram, presumindo que poderia por ali acudir algum homem, ou mulher, que eles pudessem filhar; e seguiu-se de não ser assim, por cuja razão Antão Gonçalves pôs em prazimento aos outros, que fossem mais avanta seguir sua intenção, ca pois já demovidos eram, não seria bem de tomarem assim em vão para seu navio. E contentes os outros, partiram dali, seguindo por aquele sertão espaço de três léguas onde acharam rasto de homens e moços, cujo número, segundo seu parecer, seriam de quarenta até cinquenta, os quais seguiam ao revés do que os nossos andavam. A calma era muito grande, e assim por razão dela, como do trabalho que passado tinham, velando a noite e andando assim de pé, e sobretudo à míngua da água, que aí não havia, sentiu Antão Gonçalves que o cansaço daqueles era já mui grande, a qual cousa ele bem podia julgar por seu próprio padecimento. Amigos, disse ele, aqui não há mais; nosso trabalho é grande, e o proveito me parece pequeno, quanto pelo seguimento deste caminho, ca estes homens são contra a parte donde nós vimos, e o melhor conselho que podemos haver, é que voltemos contra eles, e pode ser que à volta que fizerem, se apartaram alguns, ou por ventura chegaremos sobre eles onde jouverem em alguma folga, e cometendo-os de rijo, pode ser que fujam, e fugindo, algum haverá aí menos ligeiro, de que nos podemos aproveitar, segundo nossa intenção, ou por ventura será nossa dita melhor, e acharemos catorze ou quinze, com os quais faremos nossa presa de maior avantagem. Não era este conselho em que se pudesse achar dúvida, quanto nas vontades daqueles, porque cada um aquilo mesmo desejava. E voltando contra o mar, em pouco espaço do seu caminho, viram um homem nu, que seguia um camelo, levando duas azagaias na mão, e seguindo aqueles nossos, não havia aí algum que de seu grande cansaço tivesse sentido. E como quer que aquele fosse só, e visse que os outros eram tantos, todavia quis mostrar que aquelas armas eram dignas para ele, e começou de se defender o melhor que pode, fazendo sua contenença(1) mais áspera do que sua fortaleza requeria. Afonso Guterres o feriu de um dardo, de cuja ferida o mouro recebeu temor, e lançou suas armas como cousa vencida; o qual filhado, não sem grande parazer daqueles, indo assim adiante, viram sobre um outeiro a gente, cujo rasto seguiam, da soma dos quais era aquele que traziam filhado. E não faleceu por suas vontades de chegar a eles, mas o sol era já mui baixo, e eles cansados, consideraram que semelhante cometimento lhe podia trazer maior dano que proveito, e porém determinaram de se recolher a seu navio. E indo assim aviados, viram ir uma moura negra, que era serva daqueles que ficavam no outeiro, e posto que o conselho d'alguns daqueles fosse que a deixassem ir, por não travar nova escaramuça, de que pelos contrários não eram requeridos, ca pois eram em vista, e o seu número era mais que dobrez(2) sobre eles, não podiam ser de tão pequenos corações, que lhe deixassam assim levar cousa sua. Antão Gonçalves todavia disse, que fossem a ela, ca podia ser que o menos preço daquele encontro faria aos contrários cobrar corações contra eles. E já vedes, voz de capitão, entre gente usa a obedecer, quanto prevalece. Seguindo seu acordo, a moura foi filhada, sobre a qual os do outeiro quiseram acudir; mas vendo os nossos aparelhados de os receber, não somente se retraíram para onde estavam, mas ainda fizeram viagem para outra parte, voltando as costas aos conrários. (…)
CAPÍTULO XIII
Como Nuno Tristão chegou onde era Antão Gonçalves, e como o fez cavaleiro
(1) "contenença" significa "actual presença".
(2) "dobrez" tem o sentido de "duplo".
(3) “dês i” corresponde a “desde aí, desde então”
(...) 5. Imediatamente o senhor Infante fez uma armada de duas caravelas e mandou um cavaleiro já de idade que se chamava Nuno Tristão; por capitão em outra caravela ia Antão Gonçalves, muito moço, que depois teve o castelo de Tomar, com outros moços da câmara do senhor Infante. Ordenou-lhes que fosse até ao Rio do Ouro e que, se encontrassem gente, fizessem tratado de paz com ela. Assim foram até ao Rio do Ouro; de noite foram com batéis até à costa e ao alvorecer viram uma gente que vinha tirar água a um poço.
Cheios de satisfação, saltaram em terra com as suas armas e apanharam treze homens e mulheres, enquanto o resto fugia. Entre eles, tomaram um ancião muito respeitável, de nome Adavu". Alguns deles eram ruivos, outros negros. E assim, cheio de contentamento, o capitão-mor armou cavaleiro o mais novo, ainda jovem, que tinha o nome de Antão Gonçalves e era parente do capitão da ilha da Madeira. (...)
(...) 7. De novo o senhor Infante fez uma armada de quatro caravelas. Os capitães: Gil Eanes de Vilalobos, cavaleiro; Lançarote, almoxarife do rei em Lagos, Nuno Tristão e Gonçalo Afonso de Sintra. E houve muitos homens de nobreza que foram a Arguim e passaram além onde tomaram uma ilha que tem o nome de Teslim e outra ilha grande chamada Tider e outra mais, Onar.
A ilha de Tider encontraram-na cheia de homens e de mulheres. Só eu, Diogo Gomes, almoxarife de Sintra, apanhei 22 pessoas que se tinham escondido e empurrei--as sozinho diante de mim, como animais, por meia légua até aos barcos. O mesmo fez cada um dos outros. Capturámos nesse dia desses cenégios 600 homens de cor ruiva e uns 50 negros e com eles regressámos a Portugal, a Lagos do Algarve (ver aqui), onde se encontrava o senhor Infante. Ficou ele muito satisfeito connosco.
http://maracatu.org.br/o-maracatu/historia/
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| Como eram transportados os escravos nas caravelas |
Depois, mandou o senhor Infante de novo Gonçalo Afonso de Sintra. Foram outra vez às ditas ilhas e deram combate aos sarracenos Cenégios. As mulheres fugiram, mas Gonçalo de Sintra perseguiu-as dentro de água; as mulheres apanharam lodo do mar e lançando-lho na cara cegaram-no de tal modo que ele ficou sem ver. Os homens caíram sobre ele e mataram-no, Os outros regressaram à caravela e voltando a Portugal levaram a nova ao senhor Infante, acompanhados de mais de 60 cenégios, de um e outro sexo.(...)
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8 de maio de 2011
147-Não só no Brasil havia escravos
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