Lembranças da Guiné, na guerra e já fora dela. Pesquisa, comentários e factos. A memória sempre presente. Não está por ordem. É conforme me vou lembrando. Tudo o que tem a ver com a Guiné, a sua história, as etnias, a colonização e as guerras de resistência. Também a minha experiência durante a guerra colonial (está nos primeiros posts). Para quem não sabe ou viveu que veja e avalie se é realidade ou ficção. Para quem sabe ou viveu são lembranças.
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30 de maio de 2012
496-Aspectos e tipos da Guiné XXIV
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A. Marques Lopes
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28 de maio de 2012
494-Aspectos e tipos da Guiné XXIII
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17 de março de 2012
418-O Direito Penal entre os fulas da Guiné
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A. Marques Lopes
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11 de dezembro de 2011
324-Aspectos e tipos da Guiné XIX
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11 de novembro de 2011
298-Guerra entre mandingas e fulas na região de Gabú
(Ver também "A invasão fula da Circunscrição de Bafatá")
A
|
tomar como verdadeiros os elementos fornecidos por alguns indígenas mais considerados no seu meio, principalmente Mamadú Baldé, mais conhecido por Mamadú Tabassai, com cerca de noventa anos de idade, toda a região do Gabú era habitada, antes da dominação mandinga, por uma tribo a que os fulas designam por Manuje - que são os actuais balantas de Mansoa e os Conhage que ocupam a região que lhes deu o nome. As suas habitações eram circulares e construídas de pedra, particularidade que hoje se não verifica em tribo alguma da Guiné, e cobertas a palha.
Enquanto esta tribo vivia em paz e sossego, os habitantes de «Mandem», região do Sudão, viviam numa intranquilidade constante por circunstâncias políticas, económicas e morais, chegando a pedir auxílio aos portugueses, já então estabelecidos no baixo Senegal, protecção que não foi possível prestar em virtude das condições especiais em que se encontravam. Esses habitantes de «Mandem» eram os mandingas, que, depois do desmembramento do seu império, abandonaram aquela região e estabeleceram-se na Gâmbia, baixo e alto Casamança e na actual Guiné Portuguesa. Os que se encaminharam para a Guiné, estabeleceram-se na região do Firdu, onde fundaram a sua primeira povoação que denominaram Paiungo, hoje pertencente a colónia francesa, tendo como chefe Tiramam.
Uma vez instalados, procuraram formar o seu império, para o que tiveram de travar lutas com os povos primitivos - os balantas. Estes tiveram de abandonar a região e fugiram, uns para Mansoa e outros para Conhague.
Começaram por atacar a região de Maná, onde ficou como administrador um batulai chamado Macan Sane e depois passaram para Tumaná, Cessará, Badora, Canadú, Mansoná, Sancorlá, Farim, Camacó, voltando novamente para Paiungo, que ficou sendo a capital do Império até ao reinado de Mansairá Sane, que a transferiu para Cansalá.
Em todas as regiões conquistadas deixaram um batulai, isto é, um auxiliar do régulo, de cujos nomes derivou a designação dada à região que administravam. Assim: em Maná ficou Macam Sane, como acima foi dito; em Tumaná, Tumam Bá Mané; em Cussará, Có Sara; em Badora, Doró Bá Sanha; em Canadú, Canarn Bá Mané; em Mansoná, Mansom Manjam; em Sam Corlá, Sancolá Soncó; em Farim, Colibá Manjam; em Camacó, Camam Manjam.
E assim formaram o seu império, que não tomou grande vulto porque se fixaram muito afastados uns dos outros e portanto sem condições para manterem uma unidade política rígida.
E deste modo a Guiné Portuguesa recebeu a massa invasora mandinga, onde veio em busca de refúgio e tranquilidade que não encontrara na sua terra natal - Mandem.
**
Pouco tempo depois a sorte que os mandingas tiveram foi a que os fulas encontraram na sua pátria - Massina.
Os fulas, levados pela ambição de governar e pela imposição da religião de Mahomet, entraram em lutas entre si.
Os povos vizinhos - os Bambarãs - vendo as desinteligências entre eles invadiram a região e subjugaram-nos. Então, lentamente, procuraram a sua fuga para o Casamansa e Gabú, onde já havia alguns elementos da sua tribo, para onde tinham vindo à procura de pastagens para o seu gado. E assim os fulas se foram fixando na região do Gabú, mas com o prévio consentimento dos mandingas. Estes permitiam a sua entrada
na região porque eram portadores de grandes quantidades de gado, principalmente vacum, e viam neles excelente fonte de riqueza.
Tanto assim era que os fulas, para construírem as suas habitações, junto da reinança, necessitavam de uma licença especial e tinham de pagar um certo tributo, por vezes pesado. Mas apesar disso, tudo suportavam porque não atingia as proporções dos que lhes eram lançados na região por eles abandonada e além disso a pequenez do seu número não lhes permitia a ideia da reacção. À medida que as migrações fulas se iam avolumando, os dominadores iam-nos sobrecarregando com impostos cada vez mais pesados.
No momento em que os fulas viviam mais subjugados, apareceu um fula de Toró, chamado Saico Umarú, vindo de Meca, com o fim de conhecer a região e as possibilidades de propagar a religião de Mahomet. Foi hóspede de Alfá Moló, um pobre pastor, mas bom caçador. No dia em que chegou a sua casa, o Alfá encontrava-se ausente, mas sua mulher recebeu-o condignamente pois vira nele uma pessoa de bem. Logo que regressou a mulher apresentou-lhe o hóspede. O Alfá mandou matar um carneiro para ele e sua comitiva. Poucos dias depois o Saico Umarú pede ao Alfá para o acompanhar, o que fez, indo até Geba. Então o Saico, reconhecido, disse-Ihe que ainda um dia seria régulo de toda a região por eles percorrida. Despediram-se e o Alfá voltou para sua casa, continuando a mesma vida de pastor. Mas um dia os mandingas apanharam-lhe um carneiro e ele dirigiu-se ao régulo a reclamar; este respondeu-lhe que uma vez apanhado jamais lhe seria restituído,
o Alfá pensou em vingar-se, e levado pelas palavras do profeta Saico, chamou todos os fulas e expôs-lhes a questão, dizendo que estavam a ser muito martirizados e que portanto ou se revoltavam contra o mandinga ou teriam de abandonar a região. O seu primeiro plano foi matar o régulo - Mofá Genum - O que fez, um dia em que o foi cumprimentar. Depois de o ter morto disse o que tinha feito, portanto que se preparassem, ou para fugir ou para se baterem com o mandinga. Os fulas optaram por irem ao seu encontro, do que foram bem sucedidos. Foi este o primeiro alarme da revolta dos fulas. Como se não sentissem ainda com forças para se verem livres do jugo mandinga, pediram auxílio aos futa-fulas, a quem prometeram submissão e fidelidade ao seu credo religioso, pois estes já estavam islamizados enquanto que aqueles ainda viviam no seio do feiticismo. Os fulas de Futa vieram em seu auxílio e bateram os mandingas em Dorna, ficando Alfá Moló senhor daquela região, mas sendo orientado pelos fulas do Futa. Foi este o primeiro recontro entre fulas e mandingas. O Alfá Moló, senhor já de uma força considerável, continuou a bater os mandingas, chegando a Pirada onde se travou uma grande luta, obrigando-os a retirar para Sissaucunda, de onde foram também repelidos. Então os mandingas reuniram-se em Cam Salá à espera do que viria a suceder, armando-se e mandando pedir armas a Geba, de onde trouxeram seis peças de artilharia.
Anos depois do primeiro recontro, os fulas, animados pelo bom sucesso, pediram novamente auxílio aos futa-fulas - Almame Umarú - para tentar repelir definitivamente os mandingas e ficarem senhores de toda a região.
O Almame reuniu a sua gente, entrou em Pachisse, e foi acampar junto a Cam Salá. Mandou três emissários entender-se com o régulo mandinga Janque Uale, dizendo para se converterem ao islamismo e prestarem vassalagem ao Almame régulo do Timbó, caso contrário seria tudo arrasado. Janque Uale recebeu-os mal, recusando-se a tudo quanto os emissários lhe pediam e mandou reunir toda a sua gente para lhes fazer frente se o tentassem atacar. Depois de tudo preparado, mandou um sobrinho, Turá Sane, ao acampamento dos fulas, sob o disfarce de impor condições, mas com o fim de conhecer as forças de que ele dispunha. Quando regressou, apanhou uma pouca de areia que entregou ao tio, na presença de todos os grandes, dizendo: “Conta os grãos de areia, e pelo seu número saberás quantos são os soldados fulas.”
Janque Uale, não acreditando, preparou tudo para receber o ataque.Os fulas invadiram a paliçada, e os mandingas responderam com tanta impetuosidade que os fizeram recuar. Novamente os fulas caem sobre o cercado, sob o comando do Alrname, com todo o poder e força. Janque Uale, quando se viu perdido, reuniu toda a sua gente, deixou entrar os fulas no cercado, e quando viu que a gente inimiga que ali se encontrava era em grande número, entoando cânticos guerreiros, lançou o fogo a toda a pólyora que possuía. Assim morreram heroicamente, para não caírem nas mãos do régulo futa fula e não ficarem subjugados aos fulas de quem tinham sido suseranos. Esta guerra ficou sendo conhecida por «Turu-Bam», o que quer dizer – “a sementeira acabou.”
Foi nesta luta que apareceu, pela primeira vez, a artilharia por parte dos mandingas.
Mas a guerra não terminou de todo.
Um dos irmãos do Janque Uale, Mancoró Sane, depois da derrota sofrida pelos mandingas em Cam Salá, pensou em reconstituir o império; reuniu toda a gente que conseguiu retirar-se de Cam Salá e estabeleceu-se novamente em Pirada, onde deu início à construção de uma paliçada, como ainda hoje se pode verificar, pois existem vestígios. Ainda a construção não estava concluída, já o filho do Alfá Moló, Mussá, juntamente com alguns futa-fulas, estava às portas pronto a fazer guerra. Dessa luta saíram vencedores os fulas, desaparecendo assim, para sempre, a ideia da reconstituição do império mandinga, pois os que escaparam ao morticínio de Pirada e Cam Salá dispersaram-se, uns para a colónia francesa e outros para o Oio (Farim), ficando desta maneira os fulas senhores de toda a região anteriormente ocupada pelos mandingas. Nesta luta os mandingas utilizaram também artilharia. Uma dessas peças foi encontrada no local da fortificação, tendo sido levada por Sua Excelência o Governador, Comandante Sarmento Rodrigues, para o Museu Etnográfico, em Bissau, havendo memória de uma outra que desapareceu, dizendo os indígenas que se quebrou.
Francisco Grandão Chefe de Posto
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6 de outubro de 2011
272-Astúcia de mulher
Em tempos que já lá vão, havia um régulo que tinha uma mulher muito bonita. A mulher tinha dois amantes.
Certo dia, tendo o régulo ido viajar pelos seus domínios, aconteceu que um dos «namorados» fosse ter com ela à palhota onde dormia. O outro, que não ignorava que o régulo se ausentara, também resolveu ir visitar a «comadre». Quando este bateu à porta da palhota, a mulher do régulo, reconhecendo-o pela voz, sentiu-se um tanto atrapalhada, mas, recuperando o sangue-frio, lembrou-se do seguinte estratagema: mandar o primeiro para debaixo da sua tarimba de «querintins», alegando ser o marido que chegara inesperadamente… Assim feito, abriu a porta e recebeu o outro.
Porém, não tinham passado momentos, quando, realmente, o régulo, inesperadamente, chegou com a sua comitiva e tambores, A mulherzinha, novamente cm apuros, quedou uns momentos e resolveu a situação desta forma: ao quc acabava dc entrar ordenou que se munisse de uma espada fula, pondo-se à porta da palhota gritando e batendo com a espada nos «querintins» [canas de bambu entrançadas, que podem formar paredes ou esteiras]. O homem, não menos aflito, assim o fez.
O régulo, ouvindo barulho na direcção da palhota da sua mulher, dirigiu-se imediatamente para lá a fim de indagar da causa de tal algazarra. Ao chegar, a mulher explicou: «Homem poderoso, este homem, que aí vedes, está furioso porque dei asilo a um outro que está debaixo da minha cama e que fugiu à sua perseguição; diz este que o desgraçado que se acoitou na minha palhota lhe deve cinco réis, há um ano, e não lhe paga; por isso, por vingança, deseja agora matá-lo. O que se encontra debaixo da minha cama, sabendo-vos ausente, vendo que só em minha casa estaria seguro, para cá se dirigiu, e, realmente, o outro não ousou entrar temendo a nossa vingança».
O régulo encarando a questão com bastante calma, tirou da funda algibeira do seu «Sabadaro» cinco réis, pagou ao homem e mandou os dois em boa paz.
Assim a mulher salvou a situação dos três.
Conto fula
contado por A. Gomes Pereira, Secretário de circunscrição civil
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11 de setembro de 2011
250-Aspectos e tipos da Guiné XVI
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5 de maio de 2011
140-Festas religiosas do islamismo fula
Artigo do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, Volume XI, nº 41, de Janeiro de 1956
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cultura,
etnias,
festas religiosas flas,
fulas
2 de maio de 2011
135-Onomástica fula e graus de parentesco
Artigo no Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, Volume X, nº 40, Outubro de 1955
(para ver em ponto grande carregar em X, em baixo à direita)
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22 de março de 2011
88-Casamento entre os fulas
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