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18 de setembro de 2011

256-Os pára-quedistas

Pára-quedistas - Operações 

As unidades de pára-quedistas constituíam uma das reservas dos comandantes-chefes e estes empregavam-nas como forças de intervenção nas zonas onde os movimentos de guerrilha estavam melhor organizados. 
A companhia de pára-quedistas era a unidade de manobra base com capacidade para actuar autonomamente, embora também tivessem sido empregues unidades de menores efectivos. 

Raramente foi utilizado um batalhão em combate, excepto para operações com lançamento de pára-quedas. Para aumentar a sua mobilidade os páras utilizaram com frequência os helicópteros em acções de surpresa. 



Operação Jove - Captura do capitão cubano Pedro Peralta 
16 a 19 de Novembro de 1969 

O«corredor de Guileje» constituía a principal linha de infiltração do PAIGC na Guiné. Na realidade, tratava-se de um trilho de terra batida aberto na floresta, que vinha de Kandianfara, na República da Guiné-Conacri, e penetrava no território pela região do Quitafine, no Sul. Em Novembro de 1969, os serviços de escuta portugueses captaram a informação da passagem de uma importante coluna com material de guerra, na qual se deslocaria Nino Vieira, ao tempo o mítico comandante da Frente Sul, tendo o Comando-Chefe das forças portuguesas na Guiné atribuído ao Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas n.º 12, a missão de interceptar os guerrilheiros. 
Duas companhias de páras foram transportadas, em 16 de Novembro, por avião, de Bissau para Aldeia Formosa, no Sul, e a partir deste quartel os homens foram colocados no terreno por helicóptero. 
A emboscada foi montada em 17 de Novembro, com 70 homens numa base recuada, 35 em apoio e outros 35 sobre o trilho do «corredor de Guileje». 
Em 18 de Novembro, após progressão difícil pela mata e pouco depois de os 35 elementos deste grupo de assalto terem instalado o dispositivo, ouviram-se vozes e surgiram na picada dois homens armados, um branco e um negro. O pára-quedista apontador da metralhadora abriu fogo, matando o guerrilheiro negro e ferindo o branco, tendo este último conseguido fugir para o interior da floresta, tentando dissimular o rasto de sangue, mas, após perseguição difícil, os pára-quedistas encontraram o ferido completamente exausto pelo sangue perdido. Foram-lhe prestados os primeiros socorros e num interrogatório sumário identificou-se como sendo Pedro Rodriguez Peralta, capitão do exército cubano, de 32 anos, nascido em Santiago de Cuba. Seria evacuado por helicóptero para Bissau e dali para Lisboa, sendo libertado após o 25 de Abril de 1974. 



Operação Grifo - A morte do capitão no «corredor do Guileje» 

A Operação Grifo previa a realização de emboscadas por um pelotão de pára-quedistas no Sul da Guiné, para impedir a penetração de guerrilheiros vindos da Guiné-Conacri. Essa força montou uma emboscada de madrugada, em terreno que oferecia bons abrigos, ficando a aguardar. Cerca das dez horas aproximou-se um grupo de guerrilheiros. Já muito perto dos pára-quedistas, os primeiros homens fizeram fogo de reconhecimento, lentamente foram entrando na «zona de morte» da emboscada, mas logo recuaram por terem detectado a presença dos páras, que abriram fogo e causaram algumas baixas. Ocorreram, a partir de então, factos reveladores do grau de preparação dos guerrilheiros e da capacidade dos páras. Segundo o relatório da operação, «a reacção do inimigo foi incrivelmente rápida e com grande potencial de fogo em tiro rasante. 
Um dos três guerrilheiros sobreviventes da «zona de morte» abriu fogo, atingindo o capitão Tinoco de Faria, que, ao sentir-se alvejado, tentou mudar de posição, sendo novamente baleado com gravidade. Alguns segundos depois, foram abatidos os três guerrilheiros que tentavam fugir, mas os restantes tinham-se instalado junto à mata ocupada pelas forças portuguesas, desencadeando violento ataque com metralhadoras pesadas. 

Numa pausa, o pelotão tentou transportar o ferido para local onde fosse possível a sua evacuação, pois inspirava sérios cuidados. O inimigo mudou de táctica, seguindo as tropas e flagelando-as à distância. Ao chegar à margem do rio Tenhege, o pelotão sofreu novo ataque de elementos emboscados no interior da mata. Entretanto, o estado de saúde do capitão agravou-se de forma irrecuperável, tendo morrido cerca do meio-dia. 

Operação Vulcano  

A Operação Vulcano ocorreu na Guiné, em Março de 1969, e o que seria a operação típica de ataque de pára-quedistas a uma base de guerrilheiros, com o apoio da aviação, esteve à beira de se transformar em sério desaire. O PAIGC, depois das primeiras acções contra os aviões portugueses efectuadas com metralhadoras 12,7 mm, deu novo passo para contrariar a superioridade aérea portuguesa, e no Sul da Guiné, na fronteira com a Guiné-Conacri, foram referenciadas, na zona de Cassebeche, posições de armas antiaéreas ZPU-4 (quádruplas), de origem soviética, pelo que se decidiu realizar uma operação para destruir essas armas e capturá-Ias. A operação iniciou-se com o bombardeamento aéreo realizado pelos sete aviões Fiat G-91 (R4) disponíveis no território, a que se seguiu a tentativa de heliassalto com duas companhias de pára-quedistas apoiadas por helicanhões, uma a norte e outra a sul das posições do PAIGC. Na manhã de 7 de Março, na primeira formação de bombardeamento, um Fiat acertou com uma bomba de 200 kg numa ZPU e «acredita-se que tudo vai correr pelo melhor». Os helicópteros AL-III colocaram a vaga inicial de pára-quedistas, mas logo depois do desembarque estes começaram a ser batidos pelo fogo e descobriu-se que continuavam activas três armas antiaéreas. Um Fiat e um DO-27 foram atingidos, mas conseguiram regressar à base, sendo decidido empregar a reserva de 40 pára-quedistas, que se viram envolvidos num incêndio provocado pelos disparos das armas. A companhia de pára-quedistas encontrava-se a 500 metros da posição da ZPU, mas estava detida debaixo de fogo. Outro avião foi atingido, tendo o comandante da operação considerado «a situação preocupante». Os páras não progrediam devido à reacção das forças do PAIGC, só existiam cinco aviões operacionais, não era possível empregar os helicópteros armados, que não tinham qualquer possibilidade de sobrevivência naquelas circunstâncias e, à medida que o dia avançava, mais difícil seria recuperar os pára-quedistas. «Torna-se urgente tomar uma decisão perante a iminência do desastre», escreveria o comandante da operação, e as hipóteses eram dar ordem para os páras se lançarem ao assalto às posições mais fortes, com elevados custos em baixas, mantê-los na área, obrigando-os a pernoitar e deixando-os à mercê dos ataques com morteiros e artilharia durante a noite, ou mandar retirar. Foi esta última a opção tomada e a meio da tarde, todas as forças portuguesas tinham abandonado o Quitafine. Aquilo que poderia ter sido grande «ronco», um sucesso, falhara por falta de meios de bombardeamento capazes de eliminar as resistências antes do assalto, mas o PAIGC, que viu a maior parte das suas armas destruídas por estarem em posições fixas, aprendeu que, para ter êxito na luta antiaérea, necessitava de armas de emprego mais flexível, facilmente transportáveis e dissimuláveis. Essa arma seria o míssil terra-ar SAM-7 (Strella), que surgiu em 1973 e desequilibrou a guerra na Guiné a favor do PAIGC. Fonte: 

http://www.guerracolonial.org/

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