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31 de março de 2011

94-Solidão

Vou-te escrever uma carta, é mais longa e não dá para aerograma. Já não ponho à cabeça "querida", ou "amor", nem outra coisa qualquer, porque já não sei como te chamar. O teu silêncio fez que me fartasse de ti, porque me fazes sentir as frustrações que já senti, porque me faz sentir o mesmo cansaço que já tive. O quão longe estou de ti, no espaço, no tempo, na vida.
Nas últimas semanas a minha tem sido uma vida com tudo o que há de pior: fome de amor, melancolia, azedume, solidão, vontade de morrer. Tive tantas vezes vontade de te pedir auxílio, mas vi que tu não estás em condições de ame ajudar. Cheguei à conclusão que de ti não posso esperar apoio. Prefiro não o pedir. Se o peço e tu não mo dás - e não dás, com certeza - é pior. É lançar-me com confiança e desembocar no desespero.
Vivi situações em que seria confortante ter alguém com quem desabafasse, alguém que me ouvisse. Não é que me resolvesse os problemas que só eu posso resolver, mas que fosse um apoio mos momentos difíceis com a sua ternura,  a esperança do amor. Nunca esperei isso de ti, o que é mau. É porque penso que és incapaz disso. Posso amar-te mas tu não me amas.
Não me serves. Até nem será por culpa tua, talvez. Eu é que fui um louco em me virar para aí. Tens demasiados factores envolventes que te distraem, ou, se calhar, nem te chegas a distrair porque nunca estiveste nessa de me amar. Comigo não. A guerra, as horas e dias no mato, até as mulheres daqui, tudo me leva a desejar-te.
Mas não dá.
Eu amo~te. Mas é preciso que tu me ames. Tens de provar que me amas. Eu não sei nada de ti. Começo a suspeitar que iludi a mim mesmo. Tens que me provar alguma coisa. É que me sinto humilhado com o teu silêncio. Estúpido, com tantas hipóteses de morrer já tenho pensado no suicídio para acabar com a humilhação. Sinto-me como cão a mexer o rabinho e olhando para o dono e nem uma festinha levar. É triste morrer sem amor.

16 de março de 2011

83-Amor em tempo de guerra

Sabe bem estar aqui debaixo do meu mosquiteiro. Os outros foram para o mato. Eu hoje não fui. É bom estar sozinho às vezes. No último ataque deram cabo das camas, só tenho este colchão no chão, sei lá quando vêm novas camas. Tenho o mosquiteiro preso ao tecto, mas o problema é que, agora, são também as formigas. Paciência. Mas o que ma chateia mais é que também deram cabo da minha Yashika, a minha querida máquina fotográfica que apanhava tanta coisa. Quando era possível, claro. Mas era um gravar de lembranças, coisa que não poderei fazer mais.
Tenho saudades da Júlia, do cabelo e da pele dela, dos suspiros quando fazíamos amor, das conversas sobre a Faculdade de Letras. Talvez lhe faça um poema.
Não sei. A Júlia não me escreve, não me diz nada. Na última carta que lhe enviei tentei motiva-la a dizer-me o que se passa, mas ela não me respondeu.
E como é possível fazer poesia sem ter nada de poético no interior nem nada de inspirador que nos envolva? Entaramela-se-me a escrita e não posso evitar a procura do rebuscado e da frase bonita, que não sai porque estou demasiado prosaico. Sempre fui confuso, vacilante e incapaz nestas coisas de amor.
O silêncio dela não me ajuda. Como é possível pensar em amor e fazer poesia se nos rói a ansiedade? Como tecer raízes com versos se o futuro nos falta? Como colher flores em terra ressequida e gretada, sem a pinga de água dela? Tenho um mundo em mim, mas sinto-me sozinho no mundo. Tenho promessas no peito e no olhar mas sinto-me perdido no vazio. Para quê? Para que vale tudo o que tenho?
Não interessa. Sai o que sair.

Que está a suceder comigo?
Que sucedeu
na escuridão serena dos campos e das árvores
neste calor brando da noite
entre as vozes dos bichos da floresta?

Deixei-me apanhar na rede
que eu julgava já inexistente
para mim.

Que hei-de fazer
como fugir
se a rede está nas tuas mãos
amor?

Vais-me libertar
apertando-a bem contra o teu regaço
ou
vais tirar-me a liberdade
abandonando-me na floresta?

Vim de tão longe para longe
tão prevenido e seguro
tão decidido a nunca mais

vim tão certo
guardado por mim mesmo

jurei tanto que nunca mais
mas estou nas tuas mãos
amor

Se me largares ficarei preso a ti
e quão difícil e penosa é a luta pela liberdade
assim

Se me prenderes a ti dás-me a liberdade
o sol
a vida
o teu ar inebriante


13 de março de 2011

80-Além de sangue, suor e lágrimas, além da juventude perdida... que mais de nós lá terá ficado?

Tinha feito há pouco 23 anos quando cheguei à Guiné, aos 20 saíra do seminário. Tinham sido três anos a procurar libertar o amor amordaçado com acenos de futuras delícias celestiais, às vezes, e, as mais das vezes, com ameaças de eternos tormentos infernais.  As palavras aprisionadas e apertadas em sapatos de normas e mandamentos divinos apenas serviam para dançar nos lotus do jardim do senhor e embevecer-lhe o olhar. Era o que ele desejava, que eu dançasse bem perante o seu olhar.
Depois, naqueles três anos, já não deram para quem eu queria então deslumbrar com os meus talentos. Vi, com amargura, que não tinha nenhum para o que verdadeiramente precisava. A Natércia, filha da burguesia empresarial, trocou-me por um contabilista da Standard Eléctrica, a eurasiática Ângela e minha colega de Letras, filha de um coronel, achou que eu não tinha nível e deixou-se enredar por um gajo de Direito.  Aqueles gajos do outro lado vinham muito ao bar de Letras, ali é que havia caça, e houve um que me levou a Ângela. Foi depois a Dinora, já eu estava em Mafra, que me puxou para trás de um reposteiro da casa dos pais, era terrível mulher, mas veio a mãe dela e descobriu-nos em situação que não gostou. Fui escorraçado e nunca mais me quiseram ver. Nessa fase da tropa veio também a Alexandrina.  Boa moça e bonita, mas era demasiado religiosa, teve até a ideia de me oferecer uma estatueta de Santo Expedito, é o patrono dos militares, disse-me toda entusiasmada. Mas eu não gostei, santos nunca mais, e decidi acabar. Os bares que frequentei e as suas mulheres, a orgia que fizemos antes de embarcar serviram-me para desforra.
Fui, então, para a guerra, da primeira vez, sem deixar saudades a ninguém nem levar lembranças para me entreterem a alma. Conheci em Geba duas miúdas fantásticas, a Maria e a Gabi, duas cristãs. Houve amor, muito amor, amor que eu desconhecia, amor doação sem outro interesse.  Não sei, talvez o meu ar juvenil e débil as cativasse, sabendo que eu andava horas e dias no mato.
- “Alfero, ka fudi, ka pudi panha bariga” (alferes, foder não, não posso ficar de barriga), diziam-me quando lhes tirava o lope (pano que substitui as cuecas, envolvendo as pernas e as nádegas; cobre-sexo).
- “Oh, não…”, eu decepcionado… e já excitado.
- “Oi, manga dele, alfero! (Oi, está grande, alferes)”, e riam-se a olhar para o meu estado, “disinketa, bu pudi fika diskansadu, bo sikidu. Maria (ou Gabi) fasi manga de coisas boa. (está calmo, podes estar descansado, está quieto, Maria (ou Gabi) vai fazer-te muitas coisas boas)”
Eram maravilhosas. O carinho que eu precisava no meio daquilo.
Da segunda vez fui para Barro, graças ao Quecuta, conheci a Uace e a Signi. Mulheres de fanado, eram mais calmas, menos excitáveis. Eu falava com elas e elas gostavam, de certeza que o Quecuta não lhes dava muita conversa na cama.
- “Alfero es bom (o alferes é bom)”, diziam-me.
Um dia saltou-me uma ideia à cabeça. E se uma delas engravida? Vai ser um bico de obra.  Achei por bem falar com o Quecuta.
- “Quecuta, ka problema si mindjer di bo ten fidju di branco? (Quecuta, não há problema se a tua mulher tiver um filho de branco?)”
Riu-se:
- “Uace, Signi ka ten  fidju di bo (Uace, Signi não vão ter um filho teu)”.
Fiquei espantado com tanta certeza.
- “O quê!? Como é?”
- “Quecuta ieki  dungut ris di bambu in liti di kabra (Quecuta desfaz uma raiz de bambu em leite de cabra).
Fiquei a saber que a raiz de bambu molhada em leite de cabra era uma espécie de anticonceptivo que usavam quando não queriam que as mulheres tivessem filhos. O Quecuta dava-lhes a comer dessas raízes.
Mas porque estou eu a divagar sobre isto? Aqui, sentado à varanda da D. Berta, não vejo nada porque Bissau não tem electricidade, deve ter faltado mais um vez o petróleo para os geradores. Só dá para pensar, e deu-me para isto porque cheguei esta tarde de uma visita a Barro, onde tomei conhecimento de duas situações que me tocaram muito.
Em conversa com o Bala Sani, filho do Quecuta Seidi, e depois de saber que o pai dele já tinha morrido, ele disse-me que havia na tabanca um “filho de branco”.
- “Manda-o chamar, que eu gostava de falar com ele”.
Disse a uns miúdos para o irem buscar, mas estes regressaram a dizer que ele não queria vir.
- “Então, vou lá eu”.
E fui, levando os miúdos todos atrás de mim.
Envergava uma berrante camisola do Benfica e pareceu-me de trinta e poucos anos. Achei-o pouco à vontade mas deu para falar.
Jorge Gomes
- “Chamo-me Jorge Gomes, tenho trinta e três anos. O meu pai é  Fernando Gomes, foi ele que me deu o nome”.
- “Mas ele sabe que tu existes?”
- “Sabe. Às vezes manda-me coisas”.
- “E porque não vais ter com ele?”
- “Ele não quer que eu vá para Portugal”.
Não quis aprofundar esta recusa do pai dele, mas interroguei-me interiormente sobre que razões poderá ter um pai para deixar um filho tão longe e não querer tê-lo perto de si.
- “E a tua mãe? Qual a etnia dela?”
- “Não conheci a minha mãe. Ela foi embora da tabanca quando eu nasci, os mandingas não a quiseram cá. Ela era mandinga.”
Imaginei, pela idade do Jorge Gomes, que o pai dele devia ser de uma das últimas companhias que esteve em Barro, senão mesmo da última. E talvez já depois do 25 de Abril. Fácil de calcular que o Quecuta Seidi, chefe da tabanca, não teria perdoado a esta mulher, certamente em idade casadoira e, se calhar, já prometida. Gostava de ter tido mais tempo para saber mais pormenores deste caso, mas o grupo que eu acompanhava estava com pressa e tivemos que partir.
Fomos a Bigene. Não sei se por transmissão de pensamento, se por mensagem de bombolon, se por telemóvel, sei lá como foi, mas em Bigene deparou-se-me um caso idêntico.
Bacar Turé
Tinha trinta e poucos anos.
- “Olá, eu sou o Bacar Turé”.
- “Viva, Bacar”.
- “Vocês estiveram em Barro. Eu também sou filho de branco, como o Jorge de Barro”.
Estava à espera de qualquer pedido, não disto. Mas deixa lá ver.
- “Quem é o teu pai?”
- “É o imediato Varela, médico do destacamento 21 dos fuzileiros que estavam em Ganturé (porto no rio Cacheu, a sul de Bigene)”.
- “Mas como é que sabes que ele é teu pai?”
- “A minha mãe disse-me. Já morreu, mas o comandante também sabe”.
- “O comandante?”
- “O comandante Calvão”
- “O Alpoim Calvão?”
- “Sim”.
Os marinheiros têm um amor em cada porto por onde passam, dizem. Mas Ganturé não foi um porto de passagem. O Alpoim Calvão não deve ter tratado este caso da melhor maneira.
- “Mas tu chamas-te Bacar Turé…”.
- “O imediato Varela foi-se embora e não me quis dar nome.”
Desta varanda da D. Berta olho para a avenida em escuridão total. E vi escuridão, além da guerra, em casos da nossa passagem pela Guiné. Será que o Fernando Gomes e o imediato Varela não tiveram a sorte que eu tive ou as precauções que me foram impostas? Ou assumiram relações, sem pensar nas consequências, porque sabiam que eram passageiras. Deixar para trás as consequências? Eu não faria isso. Talvez porque não tinha saudades de ninguém nem lembranças que me amarrassem. Eles teriam-nas, se calhar. Mas mesmo assim…

31 de dezembro de 2010

31-O primeiro amor de evacuado

http://www.youtube.com/watch?v=xF4hMVhN38A

Nessa noite fomos ao Timpanas. Deu-nos as saudades dos nossos fados. Eu sabia que o Norberto era grande amante, lembrava-me bem das vezes em que, em plena caserna 3, nos massacrava até altas horas da noite, só se calando quando os mais dorminhocos se chateavam e armavam zaragata.



Ainda opinei que fôssemos ao Bairro Alto, a mim dava-me mais jeito por ser perto da casa dos meus pais. Mas que não, disse ele, era muito mais caro e ali no Timpanas é que era melhor, era o fado mais legítimo. Tá bem, acedi, porque, embora gostasse de fado, não era nenhum perito nas legitimidades dele.
Lá fomos no seu 2 cavalos até à Rua Gilberto Rola, junto às Docas de Alcântara. Não me lembro bem como era, já lá vão  muitos anos e montes de coisas passaram, mas sei é que a entrada não era assim com todas essas luzes que vêem na fotografia. Entrámos para uma sala não muito ampla com várias mesas de madeira quadradas, estava tudo à média luz, menos dois guitarristas e um fadista que cantava em cima de um estrado que estava a um canto. Vimos uma mesa vazia à esquerda e sentámo-nos.
As mesas estavam quase todas ocupadas por casais ou por homens comuns, na mesa ao nosso lado, nem tínhamos reparado antes, estavam duas mulheres jovens, uma loira e outra morena. Reparámos agora, comiam uns jaquinzinhos fritos e bebiam de uma caneca de vinho tinto e riam-se. O empregado chegou-se e pedimos o mesmo. O homem em cima do estrado cantava a "Júlia Florista" no meio do silêncio geral. O Norberto estava intrigado com o riso das vizinhas.
- O homem até nem canta mal.
Percebi o que o Norberto disse ao pé de mim, mas pareceu-me ouvir a loura a responder lá longe.
- Não estamos a rir dele. É que a minha amiga chama-se Júlia e achámos piada.
- E não me diga que também é florista - fui eu agora a rir-me.
Várias caras nas mesas se viraram para mim com ar reprovador e o Norberto deu-me uma cotovelada.
- Não fales tão alto, pá.
Fiquei vermelho, com certeza, de envergonhado. Na mesa ao lado a Júlia ficou séria e a loira deixou de sorrir também. Olhei para as raparigas e ganhei coragem para dizer, procurando que fosse em voz baixa:
- Peço desculpa por ter falado alto. Nós viemos há poucos dias da Guiné, viemos feridos. Estas gazes que tenho enfiadas nos ouvidos é que me fazem falar alto. Houve uma mina que deu cabo deles.
Olharam-nos com espanto e interesse. Estava para continuar, mas o meu amigo aproveitou-se. Era mesmo dele.
- Se calhar, é melhor nós irmos para a vossa mesa, senão ele continua a falar alto e ainda nos expulsam daqui.
Acederam e abancámos na mesa delas. Eu em frente da Júlia e ele em frente da loira. Que se apresentou, era a Gisela.
Olhei para a Júlia e gostei dela. Lábios carnudos, olhos castanhos, cabelo preto liso, um sorriso que me encantou. Contei como foi a história da mina e outras coisas, sempre a olhar para ela, via-a fascinada. O Norberto ia contando as dele também, com olhos grandes e expressivos.
Depois de vários fados, umas tantas canecas de vinho e travessas de janquinzinhos, muitas perguntas e sorrisos e olhares, fez-se tarde.
- Amanhã logo de manhã tenho de estar no hospital. Tenho de me ir embora. Queres boleia?
- Eu não vou ainda, Norberto. Só tenho tratamento depois de amanhã. Vou ficar mais um bocado.
- Eu vou também, – disse a Gizela – não queres vir, Júlia?
- Não, ainda não. Amanhã falo-te.
Saíram os dois e nós ficámos. Houve olhos baixos, copos e cigarros a disfarçar, monossílabos, umas miradas forçadas para o artista que cantava. Estamos a encenar, pensei, não pode ser.
- Isto é muito diferente do que tem sido a nossa vida na Guiné. O ambiente, este convívio, foi-nos tirado. Regressar a isto é uma coisa maravilhosa. É o bom que faz esquecer o mau que lá passámos. Estar aqui consigo é como regressar ao céu depois de passar pelo inferno. Sobretudo porque não há ninguém que queira o inferno, não é?, quando fomos condenados não sei porquê.
- Eu sei. Tive alguns colegas em Letras que tiveram de ir para a guerra, sem mais nem menos. Sei o que eles sentiram.
Foi uma aberta para nova conversa. Ainda não nos tinham dito o que faziam. Foi novidade saber que ela estava na Faculdade de Letras. Mas foi óptimo, disse-lhe que também tinha sido de lá tirado há dois anos, estava em Românicas, ela disse-me que estava também em Românicas mas só há um ano. Falámos do Padre Manuel Antunes da Cultura Clássica, do Lindley Cintra… Sentimo-nos chegados. Já não quisemos nem mais carapauzinhos nem fado.
- Eu sou de Évora, mas vim estudar para Lisboa.
Maravilha! Mais chegados ainda ficámos, falámos do Alentejo, ela de Évora e eu do meu Penedo Gordo da minha meninice e de Beja. Os pais dela eram ricos, segundo percebi, os meus eram pobres, pensei. Mas não fez mal nenhum no final de tudo.
- Olhe, isto aqui já deu o que tinha a dar. Eu vou apanhar um táxi e, se quiser, levo-a a sua casa.
- Estou numa casa que os meus pais têm em Campolide, ao pé da Valenciana. Não é longe para si?
- Não é nada longe, sei bem onde é. Vamos lá que os seus pais já devem estar preocupados.
- Não. Eles só vão lá às vezes, quando o meu pai tem de vir a Lisboa. Vivo lá sozinha.
Tocaram-me uns sininhos, o coração saltou, e não só.
Levei-a a casa e fiquei lá essa noite. Houve explosões, mas não de minas, foram as granadas que eu tinha dentro de mim e que descavilhei. Não houve guerra, só paz.