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11 de janeiro de 2012

347-A agricultura na Guiné

Bem conseguida resenha de Fernando Rogado Quintino sobre as práticas agrícolas das várias etnias guineenses e dos utensílios por elas utilizados. Diz-nos da estrutura social das suas gentes e da economia rural, do trabalho das crianças e das mulheres, das campanhas agrícolas e o seu calendário. Também da natureza dos solos e das várias culturas (arroz, sogro, milho, mancarra...), da utensilagem usada e da sua confecção. Muito esclarecedor para quem se importar em ter conhecimento de como é feita a agricultura entre os povos da Guiné. Rudimentar mas muito adaptada às condições sociais e materiais das suas gentes. Ainda hoje é assim...
Foi publicado em 1971, mas os vários dados estatísticos que apresenta foram colhidos do Recenseamento Agrícola realizado em 1953 por Amílcar Cabral e que está publicado em 214 páginas do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa nº 43, de 1956. Esse trabalho deu-lhe profundos conhecimentos da situação do povo da Guiné. Diz ele, entre outras coisas, no relatório que fez:
«O conteúdo do relatório de qualquer recenseamento limita-se, em geral, à apresentação dos quadros resultantes dos apuramentos gerais e especiais e à exposição sucinta do método que serviu de base ao trabalho e das condições em que o mesmo foi realizado. O relatório dum recenseamento deve ser um elemento-base de que se passa a dispor, enquanto tiver actualidade, para, pela análise e interpretação dos números nele contidos, estudar não só o estado momentâneo, mas também as perspectivas de evolução ou o dinamismo interno da realidade a que se refere. Este relatório contém, além do indispensável, algumas das considerações que decorrem imediatamente da análise dos números obtidos pelo recenseamento agrícola. Muitas outras poderiam ser feitas - e sê-la-ão, por certo ­para completa consciencialização dos conhecimentos resultantes do Censo Agrícola.
Parece ao signatário que a conclusão do recenseamento agrícola deve transcender a mera satisfação de um compromisso contraído no campo internacional. Representa a aquisição de uma série de conhecimentos que podem e devem servir de base à estruturação do fomento e do progresso agrícola da Guiné.
Os números aqui apresentados resultaram de um longo trabalho de campo durante o qual se percorreu a Guiné de lés a lés, estudando, medindo e inquirindo. Traduzem, no seu conjunto e na medida em que um trabalho como este o pode traduzir, uma realidade: a realidade agrícola da Guiné. Para que tenham utilidade, para que o Recenseamento Agrícola seja uma obra útil, o conhecimento desses números deve servir a melhoria dessa realidade.
Na esperança e na certeza de que estavam realizando obra útil, os que tiveram de estudar, planear e efectuar o Recenseamento não se pouparam a esforços e alicerçaram o seu trabalho na honestidade e no consciente desejo de cumprir.
Bissau, Dezembro de 1954. - O Encarregado do Recenseamento Agrícola, Amílcar Lopes Cabral, Engenheiro Agrónomo.»
Logo abaixo podem ser vistos alguns desenhos, fotografias e estatísticas  contidas neste livro e que reflectem bem o conteúdo do trabalho, além de servirem como recordação para quem conheceu a Guiné e o seu povo, nomeadamente os ex-combatentes da guerra colonial lá travada.


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